Humor racista e resistência na mídia social brasileira – entrevista com Luiz Valério P. Trindade

O livro No Laughing Matter: Race Joking and Resistance in Brazilian Social Media foi recentemente lançado por Luiz Valério P. Trindade, doutor pela Univ. de Southampton, pela editora Vernon Press.

A pesquisa investiga o fenômeno social da construção e disseminação de discursos racistas coloniais contra mulheres negras em ascenção através do humor pejorativo nas mídias sociais. No livro, Luiz Valério P. Trindade adota numa perspectiva inovadora, explorando de forma complexa as camadas do que é visto como humor e revela as camadas das ideologias coloniais que permanecem no Brasil. A publicação do livro é de interesse especial pois vai contra ideias ainda promovidas de excepcionalismo e democracia racial no país.

Tive o imenso prazer e honra de escrever o prefácio, que pode ser baixado com a introdução e sumário. Quem conferiu nossa última coletânea teve a oportunidade de ler o Luiz Valério P. Trindade em português através do capítulo Mídias Sociais e a naturalização de discursos racistas no Brasil.

Gentilmente, o prof. Luiz Valério P. Trindade cedeu uma entrevista exclusiva para o blog! Leiam a seguir as respostas à questões desenhadas especialmente para cá:

Tarcízio Silva: Como o humor racista pode ser visto como uma performance da branquitude nas mídias sociais?

Luiz Valério P. Trindade: A disciplina estudo crítico de humor ainda é relativamente incipiente no Brasil e mais ainda no que diz respeito ao estudo do humor de cunho racista, enquanto nos EUA e Inglaterra se estuda este tema deste os anos 1960-70. Já no Brasil, Os principais trabalhos nesta área surgem a partir dos anos 1990 e tem adquirido mais corpo nos últimos 10 anos aproximadamente; e minha pesquisa de doutorado se insere neste cenário.

Contudo, um aspecto comum nos estudos desta disciplina consiste na característica ambígua do humor de cunho depreciativo. Ou seja, como o humor consiste em uma forma de comunicação socialmente aceita em grande parte das interações sociais, isso permite que muitas pessoas transmitam ideologias racistas e preconceituosas sem parecer flagrantemente racistas, xenófobas, intolerantes, etc. Afinal de contas, de acordo com seu ponto de vista, tudo não passa de uma ‘brincadeirinha’.

Sendo assim, para dar um exemplo ilustrativo, quando um humorista usa o Twitter para se referir a uma parlamentar negra e nordestina com uma piada do tipo “pensei que fosse a tia do café”, ele está transmitindo uma série de ideologias preconceituosas. Porém, como seu tuite provoca o riso coletivo, nem todo mundo consegue perceber o que está embutido ali. Acontece que este tipo de piada embute uma ideia de deslegitimização do papel social exercido por aquela mulher negra (Como assim? Ela é uma parlamentar?). Transmite também um estranhamento com relação à sua presença naquele espaço social historicamente dominado por homens brancos de classe média. Por fim, traz também um preconceito com relação ao seu lugar de origem. Ou seja, por ser uma mulher nordestina, é esperado que ela se engaje em profissões de pouca qualificação formal como, por exemplo, copeira.

Portanto, todos estes aspectos representam facetas da ideologia do branqueamento profundamente arraigadas no imaginário coletivo brasileiro, a qual normaliza uma série de atributos positivos a pessoas brancas e, em contrapartida, negativos e subalternos a pessoas negras. E o humor racista permite que se reforce e disseminem estas percepções de forma aberta nas redes sociais, porém, geralmente livre de críticas já que são encaradas como ‘brincadeirinhas’.

TS: As categorias encadeadoras de movimentações racistas online que você descobriu estão em sua maioria ligadas a marcadores de distinção exibidos nas mídias sociais. Essa descoberta parece ser outro indicador da fragilidade do conceito de “filtros bolha”, ainda tão em voga?

LVPT: Não vejo tanto o fenômeno da construção e disseminação de discursos racistas nas redes sociais sob o prisma de ‘filtros bolha’ como cunhado por Eli Pariser. Na verdade, o que observo em meus estudos é a manifestação do que se chama de ‘câmara de eco’, no sentido de que a disseminação de conteúdos racistas e depreciativos atrai inúmeras pessoas com pensamentos e ideologias convergentes e, por consequência, as redes sociais facilitam a amplificação do alcance de discursos desta natureza. Como esta tecnologia digital atua através de poderosas conexões entre seus usuários (os chamados nós das redes sociais) que crescem em proporções exponenciais, isso contribui para a rápida e instantânea disseminação do conteúdo (ou como se diz, popularmente, a viralização).

TS: Sua pesquisa inspirou movimentações de cobrança às plataformas de mídias sociais no Brasil. Inclusive sobre o Twitter, onde o discurso de ódio racista motivou relatórios até da Anistia Internacional. Como você vê as particularidades do ambiente em relação ao Facebook?

LVPT: Naturalmente que o Twitter e o Facebook possuem suas especificidades no que diz respeito à experiência de interação do usuário com a plataforma. No entanto, em se tratando de construção e disseminação de discursos racistas, não vejo muitas diferenças substanciais entre elas. Isso porque ambas capacitam os usuários defensores de ideologias supremacistas, xenófobas, etc. disseminarem conteúdos desta natureza de uma forma instantânea e ampla.

Além disso, é importante salientar também que, invariavelmente, este tipo de conteúdo transita através de diferentes plataformas. Ou seja, um usuário pode começar um ataque racista contra alguém, por exemplo, no Facebook e, muito rapidamente, aquele mesmo conteúdo pode estar circulando pelo Twitter, Instagram, WhatsApp e assim por diante.

Por fim, meus estudos revelaram também que conteúdos de cunho racistas podem, eventualmente, continuar a engajar usuários (tanto novos como recorrentes) por até três anos após a publicação original do post. Em outras palavras, discursos racistas transmitidos pelas redes sociais não se tornam ‘jornal do dia anterior’, o qual se utiliza somente para embrulhar peixe na feira. Pelo contrário, sua ‘vida útil’, por assim dizer, pode ser muito longa. A consequência desse fenômeno é a amplificação do impacto negativo daquele conteúdo racista e depreciativo na vida da pessoa que foi objeto do ataque (mesmo que ele tenha sido proferido na forma de piada).

TS: Considerando que a interface entre racismo/antirracismo, internet e tecnologias é um universo de pesquisa ainda – relativamente – pouco explorado pela perspectiva negra, quais boas questões você recomendaria para os pesquisadores em formação que acompanham o blog?

LVPT: Bem, as redes sociais ainda constituem uma tecnologia digital relativamente nova com menos de duas décadas de existência (ex.: o Facebook foi fundado em 2004 e o Twitter em 2006). Sendo assim, o campo de possibilidades de estudos é ainda bastante vasto e repleto de possibilidades. Em termos metodológicos, por exemplo, considero importante o desenvolvimento de mais estudos qualitativos que nos ajudem a compreender por que os fenômenos ocorrem de determinada forma. O que está embutido neles. Quais as motivações ideológicas por trás deles. Não quero com isso descartar ou minimizar a importância e validade de estudos de cunho quantitativo, mas sim sugerir uma abordagem que nem sempre tem sido suficientemente explorada. Recentemente tive conhecimento também de um novo campo de estudo chamado ‘black Twitter’ que me pareceu muito interessante e promissor.

Por fim, sugiro também que procurem explorar o fenômeno dos chamados bots nas redes sociais e seu impacto em regimes democráticos. Este tema veio à tona com muita força nas eleições presidenciais no Brasil em 2018 e também nos EUA. Já foram publicados estudos muito interessantes a este respeito, mas, até onde sei, a maioria em inglês. Portanto, ainda há bastante espeço para publicações e estudos em português explorando o fenômeno sob o contexto/realidade brasileira.

Acompanhem o trabalho do prof. Luiz Valério P. Trindade no Academia.edu, YouTube e Scholar

Emicida, tecnologias africanas, redes sociais e tambores

Como sabemos, Emicida é rapper, compositor, cantor, empresário e inovador de sucesso. Recentemente lançou também a antologia inspirada na mixtape “Pra quem já mordeu um cachorro por comida, até que eu cheguei longe…” reunindo textos e ilustrações de dezenas de pensadores e artistas brasileiros. Não seria surpresa, então, todo seu conhecimento sobre tecnologia e sociedade presente em suas músicas.

É o que vemos aqui também em formato de ensaio. Emicida gentilmente topou o desafio de escrever o prefácio do livro Comunidades, Algoritmos e Ativismos Digitais: olhares afrodiaspóricos que acabamos de lançar. Leia a seguir:

Há alguns anos, enquanto viajávamos por países do continente africano, fui surpreendido por uma pessoa que trabalhava em nosso projeto que após dividir algumas ideias, me questionou com a seguinte sentença: “Mas o que é que África tem a ver com tecnologia?”.

Me recordei naquele momento, das primeiras páginas de “Entre o Mundo e Eu” onde Ta-nehisi Coates discorre sobre a distância entre as realidades dele e da jornalista branca com quem dialogava na TV: ela parecia estar mais longe do que o satélite que os transmitiam ao vivo para o mundo todo.

Oras, se a essência das redes sociais é a conectividade, está para nascer uma que cumpra seu papel com mais eficácia do que um tambor. Sentar-se em círculos, ouvir histórias (principalmente) dos que vieram antes e extrair os melhores sentimentos dos participantes, ressaltando como a escuta é valiosa, me parece estar anos-luz à frente do mais promissor sonho de funcionalidades facebookianas de Mark Zuckerberg.

É importante admirar o admirável e para tal, é fundamental que nossas lentes estejam limpas e não sabotem essa característica tão poderosa da capacidade humana. Culturas são lentes, é por elas que percebemos o mundo.

Tecnologia, storytelling, minimalismo e ideias que visam ampliar a percepção do que significa ser humano, não podem ser vendidas no século XXI como “invenções do vale do silício”. Ainda mais para quem criou a Tábua de Ifá, a Ayurveda, as 5 orientações de gênero de alguns povos ameríndios ou a força das Mulheres Macuas. Como diria Paulina Chiziane, “às vezes sinto que nos oferecem algo que já era nosso antes deles chegarem”. Nootrópicos vieram milênios depois do Ginseng.

Tudo o que sabemos (ou o que o hemisfério norte e  seu confiante eurocentrismo julga saber), equivale só a 4% do universo, o resto é matéria e energia escura e, falando em Energia e Matéria Escura, esse livro compartilha muito a respeito do que tem a ver a África e a tecnologia.

Leia, baixe e/ou compre o livro em http://www.literarua.com.br/livro/olhares-afrodiasporicos

Lançado: “Comunidades, Algoritmos e Ativismos Digitais: olhares afrodiaspóricos”

Lançado! Depois de muito trabalho, o livro “Comunidades, Algoritmos e Ativismos Digitais: olhares afrodiaspóricos” está no ar para compra e/ou download. Reproduzo a seguir a apresentação do livro:

Ao longo das últimas décadas, inúmeras ideias sobre o “virtual”, o “digital” ou a “cibercultura” ganharam tração nos espaços acadêmicos e vernaculares interessados em estudar o impacto (ou relação) da internet na sociedade. Figuras de linguagem que evocavam a internet como composta de “janelas” a outros mundos possíveis também foram aplicadas a indivíduos, grupos e suas identidades.

A comunicação mediada por computador permitiria até o abandono de afiliações identitárias, disseram muitos. Gênero, raça, etnia, nacionalidade e classe ficariam de lado, afirmaram pesquisadores que faziam parte da pequena parcela conectada da população. A realidade era muito diferente disso, como sabiam tanto as maiorias demográficas reais quanto as camadas mais violentas da branquitude. Nos anos 90 supremacistas brancos já planejavam uma reconexão e expansão global, através da internet, que dá seus frutos tóxicos hoje em todo o mundo.         

Processo similar aconteceu na última década com a empolgação quanto a conceitos como big data ou inteligência artificial. Os mais inocentes e os mais cínicos convergiram publicamente a acreditar ou defender que a abundância na geração de dados e a capacidade computacional para analisá-los levariam ao fortalecimento da produção democrática de conhecimento sobre as questões públicas. Testemunhamos o contrário: um aprofundamento do abismo entre cidadãos comuns – que, de fato, possuem mais acesso à informação do que antes – e corporações que concentram exponencialmente não só as informações e sua capacidade de interpretação analítica, mas também a aplicação de conhecimento operacionalizado na concentração de capitais e esfarelamento das instituições públicas.

Interpretações generalistas e totalizantes sobre os usos, apropriações, narrativas e contra-narrativas das tecnologias da comunicação ficaram, portanto, ainda mais anacrônicas. Mas às pioneiras e pioneiros de estudos críticos da comunicação digital somam-se cada vez mais pesquisadoras/es interessadas e instrumentalizadas a contar as histórias dos subalternizados, empenhadas em desvelar fenômenos, objetos e dinâmicas invisibilizadas por academias elitistas ainda a serviço de uma supremacia branca global.

O livro “Comunidades, Algoritmos e Ativismos: olhares afrodiaspóricos” é uma das muitas iniciativas de combate a cegueiras supostamente pós-raciais. Visando colaborar no preenchimento das muitas lacunas bibliográficas que tolhem a oferta bibliográfica de estudantes do Brasil e países lusófonos, o livro reúne 14 capítulos de pesquisadoras e pesquisadores provenientes e com conhecimento científico e experiencial dos Brasis e de países da Afrodiáspora e África, como Congo, Etiópia, Gana, Nigeria, Colômbia, Estados Unidos e Reino Unido. O principal objetivo da publicação é reunir reflexões diversas e multidisciplinares sobre as interfaces dentre os fenômenos da comunicação digital, raça, negritude e branquitude nos últimos 20 anos, oferecendo material de referência para estudantes e pesquisadoras/es em diversos níveis.

Através da tradução de textos estrangeiros inéditos em português e atualização e redação de publicações selecionadas de brasileiras/os, o livro colabora com a crescente complexificação do pensamento sobre a comunicação digital e internet resultante da diversificação dos olhares e falas nos espaços acadêmicos. Da matemática na divinação Ifá ao ativismo político, os temas e objetos dos capítulos passam por transição capilar, blackfishing, afroempreendedorismo, Black Twitter, contra-narrativas ao racismo e métodos digitais de pesquisa apropriados à complexidade das plataformas, algoritmos e relações de poder incorporadas nas materialidades digitais racializadas.

Abrindo o livro, o artigo “Retomando nosso fôlego: Estudos de Ciência e Tecnologia, Teoria Racial Crítica e a imaginação carcerária” de Ruha Benjamin propõe o conceito de Critical Race STS como nexo essencial para entender a imaginação carcerária que motiva a criação e formatação das tecnologias digitais empregadas cotidianamente no controle, classificação e fixação dos corpos.  Partindo da metáfora da respiração e do fôlego, repetidamente negados a afro-americanos e afro-brasileiros sufocados por forças policiais, Benjamin nos convoca a repensar os projetos da sociologia e dos estudos de ciência, tecnologia e sociedade.

Como resultado de amplo estudo sobre discurso de ódio, Luiz Valério P. Trindade apresenta, logo na introdução do texto “Mídias sociais e a naturalização de discursos racistas no Brasil“, um resgate da invisibilidade da “questão” – longe de ser apenas uma inflexão – racial na pesquisa sobre comunicação digital e internet. Esta invisibilidade é combatida a seguir em seu trabalho, que evoca a literatura e metodologia científica para compreender como o racismo à brasileira se desdobra nos discursos digitais circulados em mídias sociais.

Realizando a ponte entre as realidades brasileira e colombiana, Niousha Roshani apresenta dados e reflexões sobre o racismo nos dois países em diversas esferas, da econômica à midiática. O artigo “Discurso de Ódio e Anti-Racismo Digital: ativismo da juventude afrodescendente no Brasil e Colômbia” inclui também mapeamento de projetos da sociedade civil que oferecem contra-narrativas e reações à sociedade racista nestes países latino-americanos.

A partir de longo histórico de pesquisa sobre o Black Twitter, Andre Brock organiza o método “Análise Crítica Tecnocultural do Discurso”. Influenciado pela abordagem histórico-discursiva, Brock sugere princípios, pilares e expectativas para o método, que vê a cultura como artefato tecnológico e, portanto, combina análise das materialidades e articulações sociais-políticas na compreensão da produção de significado em rede.

A transição capilar, fenômeno que se intensificou na última década graças à convergência de aspectos econômicos, políticos e ideológicos é o tema agregador das comunidades investigadas por Larisse Pontes Gomes. Em “Estéticas em transformação: a experiência de mulheres negras na transição capilar em grupos virtuais“, a autora estuda como as tecnologias de comunicação digital foram transformadas em ferramentas afetivas e decoloniais para as mulheres negras no apoio mútuo e expansão da autoestima.

 Também na seara da política da estética, Ronaldo Araújo e Jobson da Silva Junior apresentam as micronarrativas de racismo no Twitter em torno de um fenômeno em ascensão, ainda que não exatamente novo: o blackfishing. Em “Blackfishing e a transformação transracial monetizada“, os autores apresentam e discutem o fenômeno, assim como as controvérsias resultantes.

Em “Racismo Algorítmico em Plataformas Digitais: microagressões e discriminação em código”, Tarcízio Silva apresenta o pensamento sobre as microagressões como método para discutir o racismo digital e suas novas e perversas manifestações algorítmicas. Argumentamos que a reprodução pervasiva das ideologias racistas em bases de dados, representações visuais e recomendação de conteúdo nas plataformas digitais podem ser compreendidas a partir desta chave conceitual.

Explorando levantamento de dados em bancos de imagens, Fernanda Carrera estuda as dinâmicas de produção e reprodução de representações racistas no Shutterstock, Stockphotos e Getty Images. Em “Racismo e sexismo em bancos de imagens digitais: análise de resultados de busca e atribuição de relevância na dimensão financeira/profissional” resultados a buscas imbuídas de valoração na sociedade contemporânea, tais como “chefe” ou “secretária/o” e “pobreza” são analisados em suas representações raciais e visibilidades nos sites em questão.

Dedicada também à centralidade da questão algorítmica na contemporaneidade, Abeba Birhane discute as faces do poder colonial transformado em mecanismos invisíveis de controle das plataformas, padrões tecnológicos e negócios digitais. O texto “Colonização Algorítmica da África” discute e enfrenta as interpretações neocoloniais sobre a “mineração” de dados e conhecimento sobre o continente africano.

A partir de um ponto de vista africano sobre o ativismo digital, o texto a seguir defende uma perspectiva continental sobre o tema frente a repressão de projetos autoritários. Referenciando o evergetismo cívico, Serge Katembera nos apresenta sua análise sobre o “Ativismo Digital na África: demandas, agendas e perspectivas“.

Os ciberativismos do feminismo negro, os pontos de convergência e particularidades de pensadoras e ativistas negras sobre a questão nos são apresentados por Thiane Neves Barros em “uma autobiografia de milhares de vozes”. O texto “’Estamos em marcha’: Escrevivendo, agindo e quebrando códigos” resgata pontos das construções intelectuais de feministas negras na academia e para além.

Em “Mulheres e tecnologias de sobrevivência: Economia Étnica e Afroempreendedorismo”, Taís Oliveira e Dulcilei C. Lima apresentam as particularidades do afroempreendedorismo das mulheres no Brasil a partir da exploração das fortalezas e contradições dos estudos sobre economia étnica. A partir do pensamento e realidade afrobrasileiras sobre o tema e dados provenientes de duas pesquisas realizadas pelas autoras sobre feminismo negro na internet e práticas de empreendedores, apresentam a ideia de tecnologias de sobrevivência.

Lembrando das ancestralidades e ideações milenares, Femi O. Alamu, Halleluyah Aworinde e Walter Isharufe nos mostram como a divinação Ifá tem paralelos – e precede – processos típicos da Computação. Tanto a estrutura de cálculo dos 256 Odus e quanto o fluxograma das operações Entrada-Processo-Saída na relação entre sacerdote e cliente são explorados em “Estudo Comparativo entre o Sistema de Divinação Ifá e Ciência da Computação”.

Encerrando o livro, “Articulando e performando desenvolvimento: retornantes qualificados no negócio de TICs do Gana” de Seyram Avle  investiga motivações, percepções e trajetórias profissionais e empreendedoras de emigrantes ganenses que retornaram ao país depois de formação global no exterior, sobretudo em países do Norte. Os retornantes impulsionam ideias particulares de responsabilidade com o país e desenvolvimento tecnológico de Gana.

Podcast Tecnopolítica: debates sobre algoritmos, vigilância e direitos

O podcast Tecnopolítica chegou ao seu terceiro ano! Um dos principais hubs de especialistas em algoritmos, vigilância e direitos humanos do país foi lançado em 2018 e é um projeto do professor e pesquisador Sérgio Amadeu da Silveira (UFABC). Veja alguns dos mais interessantes produzidos:

Já são 26 vídeos: não perca os novos se inscrevendo em https://www.youtube.com/channel/UCDy46jf2mcg8xySzrqV5pxw

Black In AI – evento sobre inteligência artificial abre chamada de apoios para afro-brasileiros

[Caras/os leitoras/es, o Black In AI lançou nova chamada de apoios para bolsas-viagem específica para afro-brasileiros. Por favor, divulguem a chamada para colegas cientistas da computação ou pesquisadoras de outras áreas, tais como estudos de ciência e tecnologia]

É com imenso prazer que anunciamos que este ano o workshop Black in AI terá uma chamada direcionada a população Afro-brasileira. Mais da metade da população brasileira se identifica como Afro-brasileira e trazer essa população para o debate é muito importante para a diversificação do pensamento. Essa chamada convida alunos, professores e outros associados que se identificam como Afro-Brasileiros para participar do Workshop Black in AI, incluindo recepção e a conferência NeurIPS. O workshop acontecerá no dia 9 de Dezembro de 2019 e a recepção do workshop acontecerá no dia 13 de Dezembro de 2019. Serão oferecidas bolsas-viagem que cobrirão inscrição para o workshop e para a conferência (NeurIPS), passagens e hospedagem, além de despesas associadas ao workshop. Em caso de dúvidas, favor enviá-las para bai2019_usa@googlegroups.com (Em Inglês) ou para vsilva@ualberta.ca (em Inglês ou Português).

Gostaríamos também de encorajar os/as selecionados(as) a participar da Conferência NeurIPS – A maior conferência científica de Inteligência Artificial do mundo. A conferência acontecerá de 8 a 14 de dezembro de 2019, também em Vancouver, Columbia Britânica, Canada.
Convidamos todos(as) aqueles(as) que se auto-identificam como Afro-brasileiros(as) e são estudantes, graduados(as), professores(as), dentre outros, a aplicar para as bolsas-viagem e submeter resumos expandidos para o workshop. Os/As interessados(as) podem também aplicar para bolsas-viagem mesmo que não tenha submetido um abstrato expandido. Mais detalhes sobre o processo podem ser encontrados abaixo.

Datas importantes
Data limite para submissão do resumo: 28 de outubro de 2019 as 11 da noite, UTC.
Data limite para aplicar para bolsa-viagem: 28 de outubro de 2019 as 11 da noite, UTC.

Chamada de Resumos Expandidos
Convidamos todos(as) os/as autores(as) a submeter resumos expandidos EM INGLÊS para o Terceiro workshop Black in AI (co-localizado com o NeurIPS 2019), que acontece no dia 9 de dezembro de 2019 no Centro de Convenções de Vancouver, em Vancouver, Columbia Britânica, Canada. Tópicos de Interesse incluem, mas não estão limitados a:

  • Inteligência Artificial
  • Aprendizado de Máquina
  • Neurociência Computacional
  • Aprendizado Profundo
  • Descoberta de conhecimento
  • Sistemas multi-agente
  • Teoria da Computação
  • Visão computacional
  • Processamento de Linguagem Natural
  • Robótica
  • Inteligência Artificial e Saúde
  • Inteligência Artificial e Educação
  • Justiça, Ética e Transparência em Inteligência Artificial

Resumos expandidos podem introduzir novos conceitos, metodologias, aplicações e demonstrações. Tais resumos podem ainda sintetizar trabalhos existentes, identificar futuras áreas de pesquisa ou informar sobre áreas as quais Inteligência Artificial poderia ter grande impacto.
Submissões podem ser classificadas em uma das quatro trilhas:

  • Algoritmos de Aprendizado de Maquina
  • Aplicações de Inteligência Artificial
  • Papers de posicionamento
  • Demonstrações de produto

As submissões não serão arquivadas, portanto aceitar-se-ão trabalhos publicados previamente (desde que atualizados para o workshop), completos ou em andamento. Encorajamos que todos(as) os/as pesquisadores(as) Afro-brasileiros(as), em áreas relacionadas à Inteligência Artificial, a enviar seus trabalhos para apreciação. O/A pesquisador(a) Afro-brasileiro(a) não necessariamente deve ser o/a principal autor(a) do trabalho, mas ao menos um(a) Afro-brasileiro(a) deve ser parte do trabalho produzido.

Submissão do Resumo expandido
Submissões serão avaliadas por ao menos dois/duas revisores(as) experts sobre o assunto o qual o trabalho se classifica. O workshop não arquivará os trabalhos e não publicará proceedings. Encorajamos que todas os/as pesquisadores(as) Afro-brasileiros(as), em áreas relacionadas à Inteligência Artificial, a enviar seus trabalhos para apreciação. O/A pesquisador(a) Afro-brasileiro(a) não necessariamente deve ser o/a principal autor(a) do trabalho, mas ao menos um(a) Afro-brasileiro(a) deve ser parte do trabalho produzido.

Instruções de formatação
Submissões devem ser enviadas em formato PDF e tem um limite de duas páginas para texto e podem incluir uma página de citações. O texto deve ser escrito EM INGLÊS, submissões em Português serão automaticamente rejeitadas. Submissões devem ter uma única coluna com fonte arial tamanho 11. O papel deve ter format Letter e deve ter uma margem de uma polegada em todas as direções.
Submissões em linguagens que não sejam o Inglês serão automaticamente rejeitadas. Submissões que não sigam as instruções de formatação serão rejeitadas sem consideração de mérito.

Revisão Double-blind
Submissões serão revisadas por ao menos dois revisores, além de um chair de área. O procedimento será double-blind para revisores. Os autores(as) deverão remover todas as formas de identificação em suas submissões. O trabalho nao devera conter nomes, afiliações ou agradecimentos, além de auto-citações devem ser anônimas.
Os trabalhos devem conter até duas páginas, incluindo todas as figuras e tabelas. Uma página para referências pode ser adicionada. A submissão deve ser formatada em coluna única em fonte Arial tamanho 11. O papel deve ser tamanho letter e deve conter uma margem de uma polegada em todas as direções.
Submissões devem conter o problema a ser resolvido, motivação, contribuição técnica e científica, além de poder conter figuras, tabelas e referências. O trabalho deverá ser submetido via EasyChair (CLIQUE AQUI PARA ENVIAR SEU TRABALHO) e a deadline e dia 28 de outubro de 2019.

Veja aqui alguns exemplos de papers aceitos para o workshop em anos anteriores.

 

Aplicações para bolsa-viagem
Bolsas-viagem baseadas em necessidade serão concedidas a participantes do workshop. Participantes não precisam submeter um trabalho para o workshop para serem considerados para uma bolsa-viagem. A bolsa pode ser utilizada para cobrir custos associados a participação no workshop, tal como, registro para a conferência, hospedagem e passagens. Observe que a bolsa não necessariamente cobrirá todos(as) os/as custos e que nem todos(as) os/as participantes receberão bolsas. A quantia alocada para cada participante depende do número de aplicações e localização do participante.

As aplicações para bolsa-viagem devem ser feitas EM INGLÊS neste link (CLIQUE AQUI) até 28 de Outubro de 2019 as 11 da noite, UTC.
Nota: Esta é uma tradução livre, em caso de discrepância entre a versão em inglês e esta tradução, a versão em inglês será utilizada para resolução de quaisquer eventualidades.

Mensagem de: Victor Silva
Chair de Recrutamento
Black in AI 2019
Universidade de Alberta, Edmonton Alberta, Canadá.