Debate Público nas Mídias Sociais: uma questão de letramento midiático digital

Por convite da Revista Rumos, publicação da Associação Brasileira de Desenvolvimento, redigi em dezembro pequeno artigo sobre o debate público nas mídias sociais. Está disponível no site da associação e no Issuu (páginas 26 e 27):

Salvador sediará o IV Simpósio Lavits: vigilância, gênero e raça

A LAVITS é a Rede Latino-Americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade. De 26 a 27 de junho organizará seu sexto simpósio com o tema Assimetrias e (In)Visibilidades: Vigilância, Gênero e Raça. As chamadas para trabalhos individuais, sessões livres, oficina e mostras artísticas estão abertas até o dia 15 de março. No caso dos trabalhos individuais, o envio no momento é apenas dos resumos (até 300 palavras) e os trabalhos completos aprovados deverão ser enviados até 30 de maio. Confira mais informações:

 

Negação do racismo no TripAdvisor: estratégias discursivas

O racismo, como elemento pervasivo, se manifesta de formas particulares nos campos do turismo e hospitalidade. Viajantes, pesquisadores e ativistas experienciam e analisaram isto em novas plataformas digitais semi-automatizadas por interfaces e algoritmos como Airbnb, levando empreendedores a criar plataformas de hospedagemagências de turismo mais seguras.

Durante viagens para outros locais ou países, os viajantes racializados são mais fragilizados, estando sujeitos a atos racistas que dificilmente serão confrontados imediatamente devido ao risco intensificado. Plataformas de reviews online, entretanto, pode(ria)m ser um dos espaços de reação através do relato das experiências negativas.

Leia texto relacionado “Traveling while black” no blog For Harriet

O artigo Traveling Across Racial Borders: TripAdvisor and the Discursive Stragies Business Use to Deny Racism, entretanto, apresenta resultados assustadores de pesquisa de Heather M. Dalmage da Roosevelt University. Publicado na revista Sociology of Race and Ethnicity, o artigo aplica análise de discurso para entender como os hotéis e restaurantes respondem e negam atitudes racistas especificamente ao receber casais interraciais.

A autora apresenta um histórico sobre os processos de racialização do Outro e como são especialmente intensos em países de maioria branca. Escrevendo do ponto de vista de uma pesquisadora estadunidense, Dalmage revisa as categorias de casais e comunidades inter-, multi- e bi-raciais para, em seguida, adentrar nas particularidades das plataformas digitais. Citando Hughey e Daniels, explica que “raça e racismo persistem online em modos que são tanto novos e específicos na Internet, junto a vestígios de formas seculares que reverberam tanto off quanto online“. Ao analisar a interface da plataforma, guias de como responder a avaliações de hóspedes de consultorias e da própria TripAdvisor, a autora identificou que as recomendações explicitamente invisibilizam a questão, ignorando como lidar com casos de racismo.

O estudo inédito reuniu 233 casos no TripAdvisor, através de buscas por termos como relacionamento interracial. Deste total, apenas 50 foram respondidos e entraram na fase de análise de discurso. A autora identificou que a maior parte seguem um padrão discursivo de negação da raça e do episódio racista, com o objetivo de patologizar os casais avaliadores.

Quatro táticas foram identificadas e são detalhadas na seção seguinte: (a) “Você está errado! Eu não sou racista”; (b) Explicação não ligada à raça; (c) “Nós tratamos todos do mesmo jeito”; (d) “Você entendeu errado e/ou poderia ter evitado a experiência negativa se tivesse agido diferente”. Nas conclusões, a autora explica como, em um mundo racializado e estruturado pela supremacia Branca, as práticas de evasão de debate sobre raça e racismo servem aos ideais neoliberais deste mundo. A análise do discurso é especialmente importante pois “as fronteiras raciais, desenvolvidas através da colonização e capitalismo global e infundidas em identidades, ideologias e instituições agora estão sendo criadas em novos e não tão novos modos online”.

Leia o artigo completo na revista Sociology of Race and Ethnicity.

Digital Media Winter Institute 2019 em Lisboa: inscrições abertas

Digital Media Winter Institute da Universidade Nova de Lisboa reúne dois eventos entre 28 de janeiro e 07 de fevereiro: SMART Data SprintInterpreting Cross-Platform Digital Networks e está com inscrições abertas!

Smart Data Sprint acontece de 28 de janeiro a 01 de fevereiro e reúne uma série de atividades voltadas a doutorandos e pesquisadores durante uma semana. Nos primeiros dias, os participantes poderão ver palestras e practical labs realizados por pesquisadores que definem a pesquisa em mídias sociais e digital methods em torno do mundo. O destaque deste ano é a participação de Richard Rogers, líder do Digital Methods Initiative da Universidade de Amsterdam. Ocorrerão também palestras e practical labs sobre análise de redes com Gephi e NodeXL, modelagem de tópicos, text analytics, query design e outras temas relevantes com pesquisadores como Inês Amaral, Bernhard Rieder, Janna Joceli, Beatrice Gobbo e André Mintz.

O grande objetivo do evento, porém, é a realização dos chamados data sprints – trabalho intensivo de análise de dados a partir de problemas de pesquisa apresentados em “pitchs”. Cada participante deverá escolher uma equipe e trabalhará junto aos líderes dos projetos e colegas de vários países do mundo durante 3 dias. Eu e André Mintz levaremos o projeto “Interrogating Vision APIs“, no qual estudaremos datasets sobre o avanço da estética de ultra-direita nas eleições brasileiras com o uso de visão computacional oferecida por APIs da Google Vision, IBM Watson e Microsoft Azure. Outros projetos submetidos são: “Health myths’ circulation on social media“, da Elaine Rabello (UERJ); “Frugal Innovation” por Miguel Amaral (Universidade de Lisboa) e Elsa Caetano (iNOVA Media Lab); e “Journalism Apps“, por Dora Santos Silva (NOVA FCSH) e Mariana Scalabrin Muller (Universidade do Minho e Universidade NOVA). Participei da edição de 2018 em equipe da Elaine Rabello e Gustavo Matta (FioCruz) analisando a circulação de informação sobre o zika vírus e recomendo o trabalho. Veja uma das visualizações e clique para ver o relatório completo:

Na segunda semana acontece o workshop Interpreting Cross-Platform Digital Networks. São 12 horas de workshop de 4 a 7 de fevereiro. Janna Joceli Omena, coordenadora do SMART Data Sprint e doutoranda no Digital Media UT Austin/Portugal da Universidade Nova de Lisboa. O curso vai apresentar metodologia para interpretar redes digitais entre diferentes plataformas, incluindo exercícios práticos de extração, análise e visualização. Conheça alguns trabalhos da Janna Omena em seu blog e ResearchGate. É possível se inscrever no data sprint e no workshop ou em cada evento separadamente.

Veja abaixo vídeo-resumo do evento e uma entrevista que realizei com a Janna Omena e não esqueça: inscrições abertas até 13 de janeiro.

 

Como deletar todo seu histórico no Facebook – ou como deletar posts em massa

O oligopólio de algumas plataformas como Facebook incomoda cada vez mais usuários. Entretanto, o “efeito de rede” – entre outros – impede uma transição em massa de usuários ou, mesmo, a desejada descentralização da internet. Uma alternativa à exclusão completa dos perfis – difícil de ser realizada por pessoas públicas ou quem trabalha com comunicação – é diminuir a quantidade de publicações, inclusive do histórico.

Use o plugin “Social Book Post Manager” para Google Chrome e delete o conteúdo publicado na rede de forma simples. O recurso pode ser instalado através do link a seguir:

Depois da instalação, os passos são bem simples! Vá a seu perfil e clique em “Registro de Atividades” ou “Activity Log”. No lado esquerdo, selecione por onde você começar. Por exemplo, “Publicações” ou “Posts” de 2010, digamos.

O processo de exclusão é um pouco demorado, então recomendo ir de ano a ano ou, mesmo, de mês a mês se você for um heavy user. Além de selecionar ano e mês, é possível adicionar uma palavra-chave específica.

Dica do MacObserver.