Revistas acadêmicas africanas: onde encontrar?

Quantas revistas acadêmicas editadas em países africanos você já leu? O African Journals Online é uma iniciativa não-governamental criada em 1998 na África do Sul com o objetivo de otimizar a circulação da produção africana em vários campos e disciplinas.

Nas palavras dos editores do projeto, “Do mesmo modo que recursos acadêmicos online do Norte Global estão disponíveis para a África, há a necessidade de disponibilizar informação da África. Importantes áreas de pesquisa na África não são cobertas de forma adequada pelo restante do mundo. Países africanos precisam coletivamente exercer um papel no ambiente global de publicação acadêmica. Pesquisadores africanos também precisam acessar as publicações acadêmicas de seu próprio continente.”

African Journals Online

Atualmente indexa revistas de 32 países, com destaque para os que possuem inglês ou francês como línguas oficiais. Lideram em número Nigeria (222 publicações), África do Sul (96), Etiópia (30), Quênia (29) e Gana (27).  Somam mais de 500 revistas, sendo quase metade de acesso aberto. Lembre que o horror colonial fez com que a maioria desses países tenham línguas oficiais advindas de países europeus, então se você lê em inglês, francês ou português poderá se conectar a bibliografia africana com quase tanta facilidade com o que faz com materiais dos EUA ou Reino Unido. Paradoxalmente, o inglês pode ser uma ferramenta decolonial para que nos conectemos a pesquisadores de parte dos países da África.

Alguns exemplos de artigos relevantes para o público desse blog: Participation in online activation (#) campaigns: A look at the drivers in an African setting – publicado no Legon Journal of Humanities (Gana); Collaborative Networks as a Mechanism for Strengthening Competitiveness, publicado no Journal of Language, Technology & Entrepreneurship in Africa (Quênia); Protest movements and social media: Morocco’s February 20 movement, publicado no Africa Development (Senegal); Social Media: An Emerging Conundrum?, publicado no AFRREV IJAH: An International Journal of Arts and Humanities (Etiópia).

Conheça o site em www.ajol.info

Instagram como plataforma potencial de Cultura Visual alternativa na África do Sul

africa-media-image-in-the-21st-centuryLançado em 2016, o livro “Africa’s Media Image in the 21st Century: From the ‘Heart of Darkness’ to ‘Africa Rising’ (organizado por Melanie Bunce, Suzanne Franks, Chris Paterson) reúne capítulos que documentam e discutem a transformação das representações imagéticas da África fora e dentro do continente. Com foco nos países da África Sub-Saariana, os capítulos se debruçam sobre as diversas concepções de imagem, com temas como cobertura de temas pela imprensa internacional, particulares de veículos afro-diaspóricos, a saliência de histórias “humanitárias” em detrimento de outras narrativas e diversos outros temas.

O capítulo Instagram as potential platform for alternative Visual Culture in South Africa, de Danielle Becker, vai tratar da desigualdade que persiste no acesso a educação e divulgação artísticas na África do Sul como um fator agravante e mantenedor de imagens”Afro-pessimistas” produzidas por olhares dissociados da experiência e histórias particulares dos países africanos.

Becker analisa, então, como os instagrammers sul-africanos se apropriam do Instagram como um ambiente para criar audiências e contornar as barreiras institucionalizadas a suas produções. Quanto ao potencial democratizador das mídias sociais, acredita que

to “democratise” and create agency is something typically attributed to social media and particularly, as a form of photography or image making, to Instagram (Champion, 2012: 83). The potentially “democratic” nature of social media and of human experience in general is something that, according to Sontag, lies at the heart of photography itself: “to democratise all experiences by translating them into images” (Sontag 1977: 176) (BECKER, p.105).

A autora usou o próprio Instagram para selecionar entrevistados e solicitou também a publicação de fotografias com a hashtag #africasmediaimage. Selecionei algumas das publicações realizadas:

Uma foto publicada por Ally (@alyshanaidu) em

A utilização da plataforma pelo coletivo I See A Different You, de Soweto, é mencionada pela autora como uma atividade com ligações diretas a conceitos explorados pela curadoria em espaços tradicionais de arte. No vídeo abaixo podemos desfrutar de uma matéria sobre o trio:

Os coletivos e eventos criados para reunir instagrammers do país foram observados também pela pesquisadora, tais como Instagram_SA, IgerSouthAfrica. Finaliza o artigo concluindo que a plataforma, entre outras, tem sido utilizada para combater visões imagens hegemônicas do Norte global:

“Despite the still limited access to smartphone technology and affordable internet, the use of Instagram as a device for the dissemination of images has the potential to broaden access to Visual Culture in South Africa as it positioned outside of dominant discourses that privilege media from the global North.”