Congresso Internacional sobre Vigilância, Raça e Gênero acontecerá em Salvador

Passando para relembrar que a sétima edição do Simpósio Internacional da Rede Latino-Americana de Vigilância (Lavits) acontecerá em Salvador. Organizado pela rede, pelo IHAC e GIGA, incluirá palestras, mesas de discussão, grupos de trabalho, oficinas e performances artísticas entre 26 e 28 de junho.

O grande destaque entre as conferências é a vinda da Simone Browne, pesquisadora canadense e professora da Universidade do Texas (EUA). Browne é autora do livro “Dark Matters: On the Surveillance of Blackness”, no qual revisa a história da vigilância mostrando como tecnologias de controle e opressão contra a negritude desde o período colonial foram germinadoras das práticas hiper-tecnológicas de hoje.

Entre as sessões livres de debate, destaco Intersecções e potências entre tecnologias, gênero e ativismos, com Josemira Reis (GIG@/UFBA), Dulcilei Lima (UFABC), Taís Oliveira (UFABC), Daniela Araújo (IG/Unicamp), Débora Oliveira (Labjor/Unicamp), Marta Kanashiro (Rede Lavits); O Comitê Gestor da Internet (CGI) e os princípios de governança democrática na Internet, com Sergio Amadeu (CGI) e Juliano Cappi (CGI); Discurso de ódio e desinformação nas redes sociotécnicas, com Erica Malunguinho (DEP. ESTADUAL SP), Isadora Brandão (UNEAFRO), Geisa Santos (Coletiva Periféricas-BA) e Maurício Bozzi (PUC-RS).

Nas sessões temáticas de discussão de artigos, são mais de 150 artigos de pesquisadores do Brasil, América Latina e de outros países. São artigos sobre vigilância, controle, big data e práticas digitais diversas. Apresentarei o trabalho Racismo Algorítmico em Plataformas Digitais: microagressões e discriminação em código em sessão sobre “Assimetrias da Vigilância: racismo e sexismo”.

Saiba mais sobre o evento em: www.lavits.ihac.ufba.br

Apresentação sobre Visão Computacional e Vieses Racializados no COPENE

No último dia 29 de maio, apresentei no COPENE Nordeste o trabalho Visão Computacional e Vieses Racializados: branquitude como padrão no aprendizado de máquina, que fez parte da Sessão Temática “Branquitude, Representações e Mídia”. O slideshow já está disponível:

Em breve o artigo completo será publicado nos anais do evento. Acompanhe as publicações relacionadas no ResearchGate ou Lattes.

Odò Pupa e a sociologia vernacular preta

Na última semana tive a oportunidade de assistir, apresentado junto a um trabalho no COPENE, o curta Odò Pupa, Luga de Resistência, da cineasta paraibana Carine Fiúza. O curta vai circular por alguns festivais de cinema, mas está disponível para ver no Futura Play ainda (corram). O documentário foi gravado em Salvador e tem dois personagens, Luís César (20 anos) e Caíque Santana (20 anos), chef e garçom em um bar descolado no Rio Vermelho.

Começa com dados sobre trabalho e estudo e a linha abissal que divide as condições entre brancos e negros em Salvador, que moraram no Calabar/Alto das Pombas.. Falam sobre arte, trabalho e comunicação a partir de uma sociologia vernacular de quem desenvolve sofisticação na compreensão da sociedade na prática, por sobrevivência.

Há um trecho a partir dos 7 minutos onde Luís conta sobre os diferentes papéis sociais (migrante, alvo de policiais, outsider para as facções, trabalhador) que sem ter entrado numa universidade, é tão explicativo quanto um livro de Goffman sobre gerenciamento de impressões.

Sociólogos e linguistas negros avançaram a ideia de “code switching” como um modo de trocar léxico, gírias, comportamento em campos diferentes. Jovens negros aprendem isso na prática, cedo, literalmente para sobreviver. Luís vê e fala sobre isto de forma fantástica.

Aos 10 minutos, Caíque fala sobre a opressão absurda em várias esferas, próximo ao conceito de matriz de dominação da Patrícia Hill Collins. Ele fala da perversidade sem sentido da sociedade, que realmente deveria indignar.

São estes jovens da periferia que poderiam transformar a sociedade e a universidade.

Poderiam se não fossem

invisibilizados
silenciados
negligenciados
roubados
preteridos
mortos

pela mediocridade e epistemologias da ignorância vigentes.

IBPAD lança whitepaper sobre o histórico das APIs na pesquisa em mídias sociais

Em grande medida, a presença/ausência, modos de uso e escopos das chamadas APIs definiram os caminhos da pesquisa em mídias sociais. Nos últimos anos, controvérsias sobre privacidade foram a desculpa para algumas plataformas de mídias sociais – como Facebook – fecharem o acesso às suas APIs de dados. A relevância deste debate tanto para a academia quanto para o mercado é essencial. Pensando nisso, o IBPAD lançou um whitepaper sobre o tema – Histórico das APIs no Monitoramento e Pesquisa em Mídias Sociaiss, que inclui uma linha do tempo sobre os principais fatos e mudanças:

Lançada Linha do Tempo sobre Racismo Algorítmico

Lancei recentemente, como uma página do site, uma Linha do Tempo sobre Racismo Algorítmico! Se você é assinante via email ou feed talvez não tenha visto. A timeline é um resultado secundário da pesquisa de doutorado Dados, Algoritmos e Racialização em Plataformas Digitais. Desenvolvida no PCHS-UFABC, o projeto estuda as cadeias produtivas da plataformização digital (mídias sociais, aplicativos, inteligência artificial) e seus vieses e impactos raciais. Os casos, reportagens e reações ao racismo algorítmico podem ser visualizados na página (clique na imagem) e são dados para artigos, conferências, tese e livro em desenvolvimento.