Códigos, Programação e Antirracismo

Tive o prazer de mediar o debate Códigos, Programação e Antirracismo , com Carla Vieira e Andreza Rocha, no Ciclo de Debates “Racismo e antirracismo na atualidade” promovido pelo Núcleo de Estudos Africanos e Afrobrasileiros da UFABC. Discutimos os impactos racistas da algoritmização da vida e reações possíveis, desde o fortalecimento de pilares éticos nas comunidades de desenvolvedores a técnicas computacionais de explicabilidade de sistemas

Carla Vieira é Bacharel em Sistemas de Informação pela USP, mestranda em Inteligência Artificial pela USP, engenheira de software e Google Developer Expert em Machine Learning. Co-fundadora da perifaCode, buscando levar a tecnologia para dentro das periferias. Realiza divulgação científica através de seu canal no youtube (E AI, Carla?) com a missão de democratizar o acesso a tecnologia e Inteligência Artificial.

Andreza Rocha é ativista pela Diversidade & Inclusão racial em tecnologia, propõe conversas significativas sobre como a equidade de gênero e raça, além de práticas antirracistas, trazem inovação ao ambiente corporativo. Diretora de Operações e Diversidade na BrazilJS, plataforma de produção e curadoria de conteúdo voltada para comunidade de tecnologia. Com experiência de 15 anos na área de gestão de pessoas, fundou o Afroya Tech Hub : iniciativa global de projetos e diversidade para inserção, desenvolvimento e ascensão de talentos negros no ecossistema de TIC & Inovação.

Não deixe de acompanhar e assinar o canal do NEAB-UFABC, que já registra debates sobre “Black Lives Matter e a Questão Racial nos EUA“; “Internet na luta antirracista“; “Mulheres Negras, Racismo e Antirracismo” e outros.

Racismo algorítmico e proteção de dados

Nos últimos dias 26 e 27, foi realizado o Seminário Proteção de Dados e os Impactos Sociais na Escola Legislativa da ALERJ. Em duas mesas foram debatidos temáticas sobre proteção de dados, racismo algorítmico, reconhecimento facial e internet com a participação de pesquisadores do Direito, Comunicação, Segurança Pública e Engenharia.

Tive a honra de participar do primeiro dia de debate junto a Estela Aranha, jurista e presidente da Comissão de Proteção de Dados e Privacidade da OAB-RJ ; e Pablo Nunes, cientista político e coordenador do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC/UCAM). A mediação foi realizada por Ana Carolina Lima, idealizadora do AqualtuneLab:

No segundo dia, o debate “Tecnologia e Exclusão: os desafios para as políticas públicas” reuniu a professora Caitlin Mulholland, o tecnologista Diego Cerqueira (ITS) e Debora Pio, Gestora de Comunicação do NOSSAS, com mediação de Arthur Almeida.

Antirracismo digital na Colômbia: similaridades com o Brasil

A Colômbia é o segundo país com a maior população negra da América do Sul. Em grande parte, os afrocolombianos vivem na região do Pacífico e enfrentam problemas similares aos dos negros brasileiros. Apesar destas similaridades, os epistemicídios engendrados pela supremacia branca no nosso país nos impedem de conhecer e colaborar mais com os vizinhos.

Buscando combater um pouco desta lacuna, o livro Comunidades, Algoritmos e Ativismos Digitais: olhares afrodiaspóricos conta com um capítulo de Nisousha Roshani, especialista no tema.
Roshani realizou pós-doutorado por Harvard e é doutora em Educação pela University College London, além de cofundadora do Black Digital Youth.
No livro, traduzimos trabalho onde ela apresenta parte de resultado de sua pesquisa comparativa entre os dois países: “Discurso de ódio e Ativismo Digital Antirracismo de Jovens Afrodescendentes no Brasil e Colômbia”.

A partir de estudos realizados em colaboração entre o Berkman Klein Center for Internet e Society, o Afro-Latin American Research Institute e o Black Women Disrupt, Roshani mapeou e entrevistou jovens ativistas afrodescendentes do Brasil e Colômbia entre 2016 e 2018. O texto parte de uma retomada dos pontos principais sobre as similaridades entre os discursos racistas no Brasil e na Colômbia. Para a autora,

a exclusão das populações afrodescendentes acarretou em grandes perdas para essas nações. Historicamente excluídos dos níveis públicos e privados, a maioria dos afrodescendentes na América Latina vive em condições de pobreza diretamente refletidas em perdas de renda na região, um grande impedimento para o desenvolvimento social e econômico da região (Zoninsein, 2001). Contudo, a resistência da juventude afrodescendente na Colômbia e no Brasil existe desde a formação de ambas as nações e foi intensificada na era digital.

O texto resgata casos relevantes nos dois países de ativismo e articulação digital como #NoMasSoldadoMicolta e #MariellePresente, elaborando como o ativismo digital da diáspora negra incorpora uma transição “do luto à luta”. Ações da sociedade civil no Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo, Cali, Costa Pacífica da Colômbia, Quibdó e Cartagena são referenciados, tais como GatoMÍDIA, Voz da Comunidade, Instituto Mídia Étnica, Vale do Dendê, Desabafo Social, BlackRocks, PretaLab, MEJODA, , TIKAL Producciones, Domibdó e Observatorio Distrital Antidiscriminación Racial.

Um dos projetos citados da Colômbia que achei bem interessante é o Andando, um marketplace digital para turismo nas regiões rurais da costa Pacífica da Colômbia.

Andando – ecoturismo comunitário

A pressão de instituições da sociedade civil e afroempreendimentos nas políticas públicas brasileiras e colombianas é o tema de seção particularmente interessante do texto, que faz companhia a considerações sobre reconstrução de identidades, enfrentamento à linguagem racista, promoção de novas narrativas e outras áreas de luta. Em uma das conclusões, Roshani aponta que

Ações digitais antirracismo lideradas por OSCs e ativistas podem ter um impacto mais significativo se forem combinadas com esforços do governo e de indústrias poderosas. Sem intervir no sistema educacional e romper as normas estruturais e culturais subjacentes, seria extremamente desafiador mudar a tendência online.

O clube de leitura da Inspirada na Computação debateu o capítulo, assista em:

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15 livros essenciais sobre raça e racismo no Brasil + 10 dos Estados Unidos

A supremacia branca é um projeto global, e a luta contra ela e suas manifestações também deve ser. Ao contrário do que se diz estrategicamente em muitos espaços brasileiros, há sim muitas similaridades e pontos em comum no pensamento e luta antirracista brasileira e estadunidense. Neste texto indico 15 livros brasileiros e 10 livros americanos, dando ênfase a traduções, essenciais para o projeto antirracista. Em breve sugestões de outros países e regiões da afrodiáspora e África. Assine a newsletter para não perder.

15 livros brasileiros sobre raça e racismo






Tornar-se Negro
Neusa Santos






O livro da saúde das mulheres negras
Jurema Werneck, Maisa Mendonça, Evelyn C White (orgs.)


Coleção Feminismos Plurais
Curadoria: Djamila Ribeiro




Decolonialidade e Pensamento Afrodiaspórico
Joaze Bernardino-Costa, Nelson Maldonado-Torres, Ramón Grosfoguel (orgs.)


10 livros estadunidenses sobre raça e racismo

As Almas do Povo Negro
W. E. B. Du Bois



Racial Formation in the United States
Michael Omi e Howard Winant


Critical Race Theory: The Key Writings That Formed the Movement
Kimberlé Crenshaw, Neil Gotanda, Gary Peller, Kendall Thomas (orgs.)


The Racial Contract
Charles W. Mills






Entre o Mundo e Eu
Ta-Nehisi Coates

Extra: confira também a lista de livros sobre Raça e Tecnologia

Relatório Internet, Desinformação e Democracia

Como resultado das discussões estabelecidas no Seminário e na Oficina Internet, Desinformação e Democracia realizadas pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br, foi disponibilizado o Relatório Internet, Desinformação e Democracia. Cerca de 40 especialistas do CGI e representantes multissetoriais discutiram propostas agrupadas nas categorias de Ambiente Legal e Regulatório; Construção de Redes de Combate à Desinformação; Monitoramento, Controle e Prevenção; e Pesquisa e Formação. Clique abaixo para acessar: