Ação Educativa lança edital sobre práticas pedagógicas e antirracismo nas tecnologias digitais

Com inscrições abertas até 30 de junho, o projeto busca reunir e publicar planos de aula e sequências pedagógicas que aliam práticas antirracistas e tecnologias digitais em escolas e coletivos

Educadoras e educadores podem participar, até o dia 30 de junho, do edital  Práticas Pedagógicas Antirracistas sobre Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs). Lançado pela TECLA – Tecnologia em Ação, iniciativa da organização Ação Educativa para promoção de direitos digitais, a iniciativa resultará em mapeamento, repositório e publicação impressa.

A Ação Educativa convida escolas, universidades, organizações da sociedade civil, coletivos, movimentos sociais, profissionais de educação e demais educadoras e educadores a compartilhar propostas de planos de aula comprometidos com a promoção da igualdade racial nas tecnologias digitais.  

Na interseção das desigualdades raciais, econômicas e políticas com a era digital, educadoras e educadores têm abordado temas como exclusão digital, discurso de ódio, desinformação e racismo algorítmico em sala de aula. Para Juliane Cintra, coordenadora da TECLA e da unidade de T.I. da Ação Educativa, “Partir do conhecimento construído coletivamente, alinhado com as diferentes realidades vividas, seja no chão da escola, ou em diferentes espaços formativos, é uma possibilidade de pensar direitos digitais e novas soluções tecnológicas de modo democrático, sintonizado com aqueles e aquelas que estão na linha de frente da construção de um novo mundo plural. É impossível seguir com esse debate sem considerar o universo da tecnologia e seus impactos tão marcantes em nosso dia a dia. ”. O projeto fortalece a importância destas iniciativas para a promoção de direitos humanos no século XXI, convidando submissões de todo o país. 

O edital faz parte de parceria da organização brasileira com a Fundação Mozilla, grupo que promove a criação e uso saudáveis e responsáveis de tecnologias digitais, da internet à inteligência artificial. Entre as iniciativas da Fundação Mozilla estão o navegador de código aberto web Firefox e a iniciativa Common Voice, que armazena voz natural de pessoas de todo o mundo, para combater os vieses algorítmicos. Tarcízio Silva, fellow da fundação alocado na Ação Educativa, acredita que “as trocas entre educadores engajados com o tema ajudam a preencher as lacunas de conhecimento sobre o papel das tecnologias digitais no combate ao racismo”.

Até o dia 30 de junho, educadores e educadoras em escolas, universidades, organizações da sociedade civil, coletivos ou movimentos sociais poderão submeter seus projetos ou relatos de práticas pedagógicas em um formulário online. Além da publicação no repositório digital, todas as submissões válidas também serão avaliadas por comitê de especialistas e poderão ser publicadas em material impresso editado pela Ação Educativa.

Informações Importantes

Edital Práticas Pedagógicas Antirracistas sobre Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs)

Período de Inscrições: 23 de março a 30 de junho

Íntegra do Edital: https://acaoeducativa.org.br/editais/edital-praticas-pedagogicas-antirracistas-sobre-tecnologias-digitais-de-informacao-e-comunicacao-tdics/ 

Link para o Formulário: https://aeduc.typeform.com/to/FHpWAX6N

Relatórios de impacto de inteligência artificial e a injustiça epistêmica

Aconteceu no Fórum da Internet no Brasil 2022 o workshop “O risco do algoritmo: o uso de RIPD no combate à discriminação algorítmica”. Pude participar junto a Edson Prestes (UFRGS), Maria Cecília Gomes (idwall) e Thiago Moraes (ANPD), com moderação e relatoria de Victor Mulin (LAPIN) e Mariana Freitas (LAPIN). Segue a gravação e o slideshow utilizado:

Audiência pública: Inteligência artificial e riscos: vieses e discriminação

No último dia 12 de maio, a Comissão de Juristas responsável por subsidiar elaboração de substitutivo sobre inteligência artificial recebeu painéis para escuta de especialistas na matéria. Abriu a manhã o Inteligência artificial e riscos: vieses e discriminação:

O painel contou com a presença de:

  • Jamila Venturini, co-diretora executiva da Derechos Digitales
  • Tarcízio Silva, Tech + Society Fellow na Mozilla; Assessor de Tecnologia na Ação Educativa
  • Denise Carvalho, professora da UFRN e integrante do grupo LIDD-UFRJ
  • Silvio Almeida, Instituto Luiz Gama e FGV EAESP

Além da gravação, leia a matéria “Inteligência artificial precisa evitar viés racista e discriminatório, afirmam especialistas

Ministério Público Federal discute racismo e discurso de ódio nas mídias sociais

[Reprodução de texto publicado no website do Ministério Público Federal]

O Brasil ainda não conseguiu se livrar da mácula da discriminação racial, o que se agrava quando se vincula ao discurso de ódio. Dos mais de 12 mil crimes de ódios registrados no Brasil em 2019, quase 73% tinham motivação racial”. Com essa afirmação, a procuradora federal dos Direitos do Cidadão substituta, Ana Borges, abriu o webinário sobre racismo e discurso de ódio – o evento faz parte de um ciclo no qual estão previstos mais cinco debates virtuais com especialistas.

Por outro lado, a procuradora lembrou a recente aprovação, pelo Brasil, da Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância. “Essa norma certamente será de grande valia para o enfrentamento do discurso de ódio vinculado ao racismo em nosso país, alimentando a esperança por dias melhores”.

Em seguida, o procurador Regional da República Walter Claudius Rothenburg, moderador do evento, exaltou a importância do uso de espaços virtuais para promover a troca de ideias entre Ministério Público e a sociedade.

Um dos convidados foi o pesquisador Tarcízio Silva, doutorando em Ciências Humanas e Sociais na Universidade Federal do ABC, especialista em monitoramento de mídias sociais e métodos de pesquisa digitais. Ele teceu uma exposição sobre a relação entre racismo estrutural e discurso de ódio apresentando dados estatísticos. Citou, por exemplo, o estudo do pesquisador Luiz Valério de Paula Trindade, que identificou o perfil mais suscetível aos ataques na rede social Facebook: mulheres, negras, de classe média, com ensino superior completo e na faixa etária de 20 a 35 anos – que representam 81% de todos os ataques. “O professor Luís Valério identificou uma espécie de rancor contra mulheres negras que apesar de todas as dificuldades, conquistaram e conquistam coisas”, ressaltou.

Segundo Silva, o mais surpreendente é que essas manifestações de ódio, na maioria das vezes, são direcionadas a postagens que não apresentam nenhuma manifestação de opinião, como por exemplo exposição de viagens de férias, relacionamentos inter-raciais, exercício de posições de liderança ou conquistas profissionais. “Algo que deveria ser corriqueiro em mídias sociais”.

Outro ponto abordado foi o conceito dupla opacidade, pelo qual mostra que há uma dificuldade, na pesquisa científica e na incidência em políticas públicas, de se reconhecer o racismo e a incidência da tecnologia nesse contexto. “Se acreditamos que o racismo inexiste e que a tecnologia é neutra, fica impossível combater a intersecção dessas duas questões”, esclareceu.

Tarcízio concluiu falando sobre o papel facilitador ao crime de ódio que as plataformas digitais acabam desempenhando. Isso se dá, por exemplo, pelo uso de algoritmos que privilegiam algumas informações mais polêmicas para gerar engajamento, desconsiderando o fato de conter algum tipo de violência de ódio contra outras pessoas. Citou exemplo recente da vitória de uma organização francesa de ativistas lésbicas contra o Google, obrigando que o mecanismo de busca ajustasse o seu algoritmo de forma que a pesquisa pelo termo “lésbica” parasse de dar destaque a conteúdos pornográficos.

O debatedor Irapuã Santana do Nascimento Silva, doutor em Direito Processual pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro e consultor jurídico da Educafro, abordou a questão do racismo algorítmico fornecendo alguns exemplos em que a situação ocorre, como é o caso de tecnologias de reconhecimento facial que funcionam melhor em peles claras. “No reconhecimento facial utilizado pelas polícias, por exemplo, há uma possibilidade muito maior de que ocorra algum erro em peles negras”.

Para ele, é preciso desmistificar a ideia de que existe uma neutralidade nos algoritmos. Como eles leem e interpretam um volume imenso de informações criadas por humanos, acabam reproduzindo os mesmos preconceitos existentes na sociedade. Para assistir o webinário completo, acesse: https://www.youtube.com/watch?v=3BVEfP4Ta6s 

Mulheres e Meninas Negras nas Tech

Canal Preto lança importante debate sobre mulheres e meninas negras no campo das tecnologias digitais. As convidadas foram: Maria Rita Casagrande (Desenvolvedora Full Stack, professora de linguagens de programação, Tech Lead e programadora cofundadora da ÀYIÉ.IO), Silvana Bahia (Codiretora Executiva e Diretora de Programas do Olabi), Simara Conceição (Desenvolvedora na ThoughtWorks e professora na ONG Reprograma) e Taís Oliveira (Fundadora e Diretora Executiva do Instituto Sumaúma. Professora universitária. Mestra e doutoranda em Ciências Humanas e Sociais na UFABC):