A Banalização dos Infográficos

Não é nem um pouco irônico começar este post com um infográfico sobre infográficos.

Desde o momento em que a demanda por consumo de informação foi aumentando, um aparato de produção massiva de infográficos se formou para atender o que hoje podemos chamar de “Indústria da Era da Visulização de Dados”.

Historicamente, o consumo de dados surge da necessidade de tornar acessível à população informações que muitas vezes não são compreendidas, por estarem sendo repassadas em linguagem técnica e , portanto, restrita a um pequeno grupo de pessoas.

Porém, há registros de um mapeamento do surto de cólera, que ocorreu em 1854, no bairro do Soho, em Londres, feitos pelo médico inglês John Snow. Este estudo é um claro exemplo da preocupação da ciência de tornar a informação acessível para leigos através de infográficos.

Contudo, o fator preocupante neste contexto é a banalização do uso dessa técnica de produção visual, em detrimento da qualidade dos dados ali expostos. A quantidade exacerbada de infográficos disseminados na rede é algo que deve ser avaliado nas estratégias de comunicação, uma vez que o infográfico tem por natureza carregar informações relevantes, que ofereçam algum tipo de conhecimento para o receptor da mensagem.

Outro ponto que deve ser analisado, simplificar o acesso, a disseminação e o entendimento de estudos, não significa pobreza de conteúdo. O consumo de informação é sem dúvida essencial paras as pessoas, mas a qualidade é quem vai dar a base para o conhecimento.

Para encerrar, vale a reflexão:
“O que a informação consome é bastante óbvio: a atenção de seus destinatários. Assim, a riqueza (volume) de informação gera uma pobreza de atenção” SIMON, Hebert (1971).

 

* Post por Mariana Ferreira, Analista de Monitoramento e Métricas de Mídias Sociais na Ideia 3 Propaganda

Pontos, Linhas e Métricas #05: O Grafo de Konigsberg

[O texto a seguir faz parte de uma série que pode ser visualizada em “Pontos, Linhas e Métricas: introdução à análise estrutural de redes sociais”]

O “Surgimento” dos Grafos, em 1736

No século XVIII, mais precisamente em 1736, Leonhard Euler resolveu um dos clássicos problemas matemáticos: “As Sete Pontes de Königsberg”. Esta cidade, que fazia parte da Prússia na época, hoje é chamada de Kaliningrado, é capital de uma província de mesmo nome na Rússia e possui uma estrutura bem particular.

A charada era proveniente desta estrutura física de Königsberg. A cidade era cortada pelo rio Pregel de um modo que tinha quatro partes, conectadas por sete pontes. O desafio consistia em pensar um caminho para passar entre as sete pontes, mas sem passar duas vezes pela mesma ponte. O que o matemático conseguiu foi, através da representação da topologia das regiões e pontes cidade, provar que não existia uma solução para o problema.

Se olharmos cada ponte como uma aresta e cada região como um nó, podemos representar a cidade como um grafo. A ilustração abaixo representa bem este processo:

 

Como Duncan Watts explica, “desde Euler, a teoria dos grafos cresceu continuamente, até se tornar um dos principais ramos da matemática e transbordar para economia. Cada área, portanto, tem sua própria versão de uma teoria das redes, assim como cada área tem sua própria forma de agregar comportamento individual e coletivo” (WATTS, p.11). É importante frisar isto para entender que não se trata apenas de aprender apenas uma perspectiva como teoria da complexidade, por exemplo, mas de associar diversas perspectivas para entender os fenômenos – e não apenas gerar dados sem contexto ou interpretação apoiados por óticas de diversas disciplinas.

Euler não menciona “grafo” na resolução do problema, mas em seu artigo fala de “geometria da posição”. Em retrospectiva hoje se fala da solução de Euler como uma aplicação dos grafos e inclusive se contesta esta afirmação (HOPKINS & WILSON, 2004). Mas, independente da posição específica deste matemático, o fato é que seu trabalho influenciou outros que vieram depois e começaram a estuturar problemas e suas soluções em questões de dados relacionais. Algumas das métricas de redes que veremos em breve, como distância média de caminho, só são possíveis de serem processadas a partir de equações matemáticas que levam em conta ideias de topologia.

Nos próximos textos, veremos algumas perspectivas das ciências sociais e psicológicas, como os trabalhos de Simmel, Moreno e Milgram, que analisaram características das redes sociais muito antes da existência dos métodos modernos de processamento de dados.

Referências e Fontes

– Story of Mathematics – 18th Century Mathematics – Euler http://www.storyofmathematics.com/18th_euler.html

– HOPKINS, Brian; WILSON, Robin. The Truth about Konigsberg. The College Mathematics Journal, 2004. Disponível em  http://www.gss.ucsb.edu/Hopkins1.pdf

– WATTS, Duncan J. Seis Graus de Separação: a evolução da ciência de redes em uma era conectada. São Paulo: Leopardo, 2009. [compre]

Social Media Summit discute mercado, estratégias e inteligência de negócios em abril

Já estão à venda os ingressos para o Social Media Summit, novo evento da Media Education que promete dar uma variada nos debates sobre o mercado. Acontecerá no dia 20 de Abril, na ESPM-SP, que fica na Vila Mariana.

O conteúdo abarca mídias sociais em seus vários aspectos óticas, trazendo clientes, planejadores, analistas, empreendedores e diretores para o debate. Nos temas,  Não é pastelaria!; Social Media: concorrente ou estratégica para o off?; Criação x planejamento ou criação + planejamento? ; “Lôra compartilha e morena curte”: estratégia ou apelação?, sobre as controversas táticas de conteúdo de algumas das maiores páginas do país; “F*** the police”?, sobre direito digital; BI: transformando dados em business (para profissionais e clientes), sobre inteligência de negócios baseada em dados digitais. Entre os palestrantes e debatedores, gente da Netshoes, E.Life, Wieden+Kennedy, W3Haus, Riot e outras empresas muito bacanas.

The March to Social Standards: #SMM Standards Progress & Roadmap – European Summit Dublin 2012

Já há quase um ano estou acompanhando o desenrolar do Conclave Social Media Measurement Standards, que está definindo internacionalmente os padrões da mensuração em mídias sociais. Inclusive traduzi parte de uma das apresentações (ver Padronizando a Mensuração: avanços nos #SMMStandards), para fomentar o debate em língua portuguesa.

Neste post aqui indico um debate em vídeo, que não sabia que estava online, com a apresentação dos avanços do conclave, pelo Tim Marklein e pela Katie D Paine. Cada vez admiro mais a Paine, que discute e apresenta a temática com uma naturalidade, desenvoltura  e didática impressionantes.

httpv://www.youtube.com/watch?v=x8BfFjeQE9A

12 Livros para o profissional de mídias sociais ler em 2013 – parte 4

O último post desta série (ver partes 1, 2 e 3) está relacionado ao projeto “Pontos, Linhas e Métricas“: indico aqui três livros essenciais para quem deseja conhecer melhor a análise estrutural de redes sociais.

Análise Estrutural das Redes Sociais, de Vincent Lemieux e Mathieu Ouimet é um livro mais tradicional sobre o tema, escrito por professores do departamento de Ciência Política da Universidade de Laval, no Canadá. No livro se aprofundam em conceitos sobre redes sociais e análise estrutural, técnicas de recolha e tratamento de dados, teorias explicativas que podem ser utilizadas na análise e ainda sete estudos de caso. Todos os casos analisados são de redes “offline”, com coleta de dados também offline, trazendo uma ampla variedade de questões de pesquisa: relações de parentesco, rede sociométrica, capital social, redes de apoio, redes de mobilização, redes de empresa e redes de política pública. É um excelente ponto de partida para quem deseja se aprofundar no tema.

Já uma indicação três-em-um é dos livros dos pesquisadores Albert-László Barabási, Duncan J Watts e Mark Buchanan, respectivamente: Linked, Nexus e Seis Graus de Separação. No Brasil, não por acaso, as três publicações são editadas pela Editora  Leopardo. Os três autores são físicos e procuram mostrar como as dinâmicas de rede estão presentes em praticamente todos os fenômenos naturais e sociais. Barabási, inclusive, posteriormente lançou o livro Bursts – The Hidden Pattern Behind Everything We Do ampliando o debate. Recomendo esta palestra que ele realizou no authors@google.

Porém, destaco aqui o Linked – A Nova Ciência dos Networks, pois Barabási conseguiu gerar uma repercussão maior. Linked é um daqueles livros sobre ciência que procura ser o mais palatável possível, alcançando o grande público. Desse modo, o estilo ficcionalizado, repleto de histórias e anedota ajuda no entendimento. Nos capítulos, explica os principais temas que conseguem alcançar a imprensa, como “seis graus de separação”, “regra 80/20”, “ricos ficam mais ricos” etc.

Por fim, Analyzing Social Media Networks with NodeXL – Insights from a connected world é um excelente manual de como realizar análise de redes sociais com dados extraídos de mídias sociais: Twitter, fóruns, Wikipedia, Facebook e listas de emails. Foi escrito por três dos protagonistas no projeto que criou e desenvolve a ferramenta NodeXL, que o leitor deste blog aprenderá a usar em muito breve.

O livro é dividido em três partes. Na primeira, uma ótima introdução à análise de redes sociais. Em seguida, um tutorial do NodeXL, mostrando as funções básicas, como calcular e visualizar redes, preparo e filtro de dados e técnicas de clustering e agrupamento. A terceira parte, que é maior, mostra na prática como utilizar o NodeXL para gerar informação, com estudos de caso sobre email, fóruns, Twitter, Facebook, hyperlinks, Flickr, YouTube e Wiki.

Bom, estas foram as indicações de leituras para 2013. Para quem estiver acompanhando o projeto “Pontos, Linhas e Métricas“, estas últimas indicações serão especialmente úteis na nossa jornada. Um bom 2013 cheio de conteúdo pra você!