Revista Lupa #4

Produzida em 2007.2 e lançado em fevereiro de 2008, o quarto número da revista Lupa trouxe na capa uma ilustação de Ricardo Takeru, misturando estética e elementos de mangá com elementos do candomblé. Uma “orixá-samurai”. É referência a matéria sobre cosplayer em Salvador.

Outra matéria de destaque, é a “Parada de Puta”, sobre a Daspu. Em relação à fotografia, tenho de destacar o trabalho de Fabiane Oiticica e Davi Boaventura na matéria sobre Le Parkour. Impressões, desta vez, é criativa mas não tão bem executada.

O design não está tão inspirado quanto o foi no terceiro número. Mas temos alguns recursos interessantes. Na matéria “Indústria dos concursos”, a repetição horizontal do título em preto, branco e cinza conota serialidade industrial. Ilustrado traz trabalho lindo de Naara Nascimento. Cubo Mágico trouxe o tema “Sub-Versão”, e traz um texto ótimo de Cadu Oliveira desvendando Pinóquio.

A minha matéria, escrita com Cadu Oliveira, fala de alguns transformistas soteropolitanos, dificuldades e glórias da arte. Fizemos um ensaio no Labfoto com a transformista Valerie O’rarah. Fotografias por Fabíola Freire e produção por Wendell Wagner. Abaixo, o making of:

+ Mais
– Fotos do lançamento
Blog da revista
– Download em pdf
Portfólio e blog da diretora de arte, Alice Vargas

Mídia B #3

madia-bA Mídia B é uma revista produzida por alunos de comunicação da Faculdade Social da Bahia. É um projeto integrado entre as várias disciplinas de jornalismo.

Esse número, o terceiro, foi produzido em 2006. Este projeto gráfico-editorial é bem interessante. Foi uma edição temática, chamada “Sinais da Educação”. A revista foi publicada dividida em duas: de um lado, reportagens sobre acontecimentos e aspectos positivos do sistema educacional atual. Do outro, aspectos negativos. Duas capas, uma de cada lado. Sinal verde ou vermelho. O projeto gráfico é de Iansã Negrão, designer baiana responsável por vários projetos de peso, como o atual do Jornal A Tarde. A fotografia é mediana, e disposta bem quadradinha. Por outro lado, os elementos organizadores das páginas são caracteres tipográficos utilizados de forma criativa.

Edição e Design, de Jan White

Na contra-capa da edição, o título da resenha de Thomaz Souto Corrêa, vice-presidente da abril é “O Indispensável Manual do Bom Senso”. Inexato. Não pela pretensão, e sim pela humildade: Edição e Design, de Jan White é indispensável sim, mas não só pelas dicas de bom senso. O autor, prolífico diretor de arte, já publicou 14 livros e é consultor de grandes editoras do mundo, incluindo a Abril. Este livro, que teve sua primeira edição lançada em 1974, é referência por ser livro totalmente dedicado ao design de revistas. Livro de cabeceira de dez entre cada dez diretores de arte de revistas, é indispensável a qualquer designer que pretenda trabalhar com revistas.

Os títulos dos capítulos são simples e diretos: indução, espaço, desfile, colunas e grades, margens, espaçamento, largura, escala grande, contraste, disfarçar, simetria e assimetria, tipologia de texto, títulos e subtítulos, entretítulos e capitulares, citações entre aspas, legendas, imagens, gráficos, boxes e fios, sombreamentos, capas, sumário, sinais gráficos, cor, originalidade, checagem.

“Desfile” é o capítulo mais suculento. Infelizmente, a maioria dos livros de design gráfico ignoram um aspecto importantíssimo: a sequencialidade entre as páginas como recurso estético ou narrativo. White diz: “o modo pelo qual os observadores reagem a uma página é afetado pela memória daquilço que acabaram de ver, assim como a curiosidade pelo que vem em seguida. Hábeis comunicadores exploram essa quarta dimensão – o tempo – para dar ‘ritmo’ ao produto e incluir surpresas, altos e baixos emocionais.” Utiliza essa metáfora do “desfile” e compara o passar das páginas a várias outras artes e performances.

+ Compre o livro aqui.
+ Leia de Jan White: Utilizando a parte gráfica para propósitos editoriais

Parq

Seu primeiro número é de fevereiro deste ano. Mensal, a revista portuguesa Parq publica 20.000 exemplares e também é distribuída gratuitamente em pdf em um site bem criativo. Em alguns títulos de seções, o clichê de termos em inglês. “Really People” são pequenas entrevistas – um ou duas páginas -, com músicos, artistas plásticos, produtores. “You Must – Trends” é só a apresentação visual de produtos. Mas é bem criativa: as peças estão como que suspensas no ar, e a revista segue essa disposição em todos os números. “You Must – News” traz as imagens dos produtos acompanhados de pequenas críticas, assinadas divertidas. “View Point” são ensaios fotográficos ou cobertura de exposições, acompanhadas de resenha ou entrevista com o artista. “Soundstation” traz novidades da música, de dj’s semi-desconhecidos ao novo álbum de R.E.M. “Grande Entrevista” é auto-explicativo. A seção “Moda” traz ensaio fotográfico de moda, em torno de um ‘conceito’ por edição. Em “Central Parq”, por fim, reportagens e ensaios.

O design da Parq é bem pop. Abusa das cores saturadas e gradientes, mas de forma elegante. Essa elegância também pode ser encontrada no uso dos fios tipográficos. O conteúdo da revista, sejam imagens, sejam colunas textuais, é organizado entre fios lineares ou ornamentais. Justamente na resenha a “Letras Brancas”, de Stephanie Dermond, temos texto rosa em fundo branco. Cria um contraste cromático e textual com o título e as imagens e enfatiza a intencionalidade na escolha das cores, seja da revista, seja das peças em cerâmica. No segundo número, surpresa rara: crítica de revista, da Avant Garde. No quinto número, Pedro Marques é novamente convidado para falar de outra revista, a Interview.

Coleção Debates e o design moderno no Brasil

E quais são as invariantes então? A primeira é o formato, uma informação básica que já particulariza a Debates ao primeiro contato: o volume é mais estreito do que a proporção convencional 2:3 (como no caso 14cm x 21cm, por exemplo). Sua dimensão é 11,5 x 20,5, aproximando-se da proporção de 1:2. Além de marcar uma diferença perceptível em relação ao restante do mercado, essa proporção altera a visualidade geral do livro, deixando-o mais esbelto. O maior impacto, porém, se dá na informação tátil. A relação da mão com o volume altera-se. Ele é manipulável com mais facilidade, sem perder a escala que a altura convencional garante. Nesse aspecto, lembra os guias de viagem, sempre mais estreitos para facilitar o manuseio e o transporte.

A segunda invariante é o diagrama, rigorosamente igual em todos os volumes. A capa é dividida em setores, cada um deles correspondendo a um tipo de informação. O tratamento gráfico dado a cada uma delas é sempre o mesmo. A terceira invariante é a cor do fundo, branco em todos os volumes. A quarta é o logotipo, a palavra “debates” repetida três vezes, formando um bloco visual, localizado sempre no alto, à esquerda.

As variantes, além do nome do autor e do título, são o nome da área, a cor dos dois fios grossos do alto e o número na lombada. A cor dos fios é um código que indica a área de conhecimento à qual o volume pertence.

O resultado é que, ao entrarmos numa livraria, ou na biblioteca da casa de alguém, os livros da Debate eram – e ainda são – reconhecidos num relance, mesmo se for um único volume guardado numa prateleira cheia de outros livros. Dado o seu caráter de coleção, o mais frequente era eles serem guardados agrupados, o que torna sua presença visual ainda mais marcante. Limpeza, precisão, legibilidade, clareza, código. Sistema. O ideário modernista brasileira chega aos livros em 1968 e dá uma das melhores respostas ao desafio de projetar uma coleção na história do design brasileiro.”

O excerto acima foi retirado do ensaio “Design de livros: muitas capas, muitas caras”. Faz parte do livro “O Design Gráfico Brasileiro: Anos 60“, organizado por Chico Homem de Melo. É ele quem assina esse ensaio, no qual está surpreendentemente inspirado ao falar do design editorial de Moysés Baumstein. Também constam no livro mais dois ensaios de Melo: “Um Panorama dos vertiginosos anos 60” e “Design de revistas: Senhor está para a ilustração assim como Realidade está para a fotografia”. O designer baiano Rogério Duarte é tema de “O design tropicalista de Rogério Duarte”, de Jorge Caê Rodrigues. E, na outra ponta da prática do design, dois ensaios se debruçam sobre práticas modernistas: “A identidade visual toma corpo”, de André Stolarski” e “De costas para o Brasil, o ensino de um design internacionalista”, de João de Souza Leite.

O livro continua a história do design brasileiro pela editora Cosaca Naify, que já publicou “O Design brasileiro antes do design”, organizado por Rafael Cardoso Denis. Já mencionamos o ensaio sobre J. Carlos e a Paratodos… Sobre Stolarski também já falamos. Ele foi o produtor, e entrevistador, do documentário Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil. O livro é bastante suculento, renderá outras postagens com certeza. Enquanto isso, alguns links:

+ Mais sobre Moysés Baumstein
+ Compre o livro aqui
+ Signofobia, O Design Como Ele É e Os Desafios do Designer, livros de Chico Homem de Melo
+ Baixe “Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil
+ Leia sobre “J. Carlos, Para Todos e o Pierrô