12 livros para o profissional de mídias sociais ler em 2010 – parte 3

Continuando com a lista de 12 livros para o profissional de mídias sociais ler em 2010, três livros bem diferentes entre si.

persuasive technology - b j foggPersuasive Technology. O livro de BJ Fogg é fruto de um ramo de pesquisa criado em seu laboratório. Captology vem de “computer as persuasive technologies”, ou  “computadores como tecnologias persuasivas”. O grupo de Stanford investiga como os computadores (e aqui podemos incluir suas diversas facetas: programas, sites, simuladores etc) podem ser mecanismos persuasivos a partir de sua tríade funcional: computador como mídia; computador como ferramenta; computador como ator social. O autor BJ Fogg publicou recentemente mais alguns artigos que podem ser baixados gratuitamente em seu site. Para ler mais sobre captologia e sobre estes artigos, veja outro post: http://tarciziosilva.com.br/blog/captologia-computadores-persuasao-comportamento-e-publicidade-digital/

representacao do eu na vida cotidiana - erving goffmanA Representação do Eu na Vida Cotidiana. A pesquisa de Erving Goffman parte do entendimento que os indivíduos, em sociedade, representam papéis para platéias – as pessoas com as quais convivemos. Utilizando essas metáforas, a teoria dramatúrgica é essencial para entender como as pessoas querem se representar, comunicar e interagir também na internet. Além do livro de Goffman, recomendo, sobre o assunto, parte da pesquisa de Judith Donath (como este artigo) no Sociable Media Group.

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a cauda longa - chris andersonA Cauda Longa. Com certeza o mais conhecido entre os três deste post, o livro de Chris Anderson vendeu bastante. Curiosamente ou não, Anderson é o editor-chefe da Wired, revista na qual Nicholas Negroponte também contribui.

O livro fala de cauda longa, um conceito em estatística que mostra um gráfico no qual o  volume é decrescente (por isso cauda longa). A economia de bens físicos ou simbólicos, no mundo contemporâneo, é caracterizada pela cauda longa, aonde produtos são cada vez mais segmentados e especializados. Na internet, então, nem se fala, não é? Então é uma ótima leitura recheada de exemplos e estudos de caso.

12 livros para o profissional de mídias sociais ler em 2010 – parte 2

Continuando com a lista de 12 livros para o profissional de mídias sociais ler em 2010, vamos ver 3 livros sobre sociedade, economia e cultura digitais.

A_VIDA_DIGITAL_negroponteA Vida Digital, de Nicholas Negroponte. O livro foi lançado em 1995. Mal existia o Windows 95 ainda e o Netscape era rei. O professor de Tecnologia da Mídia do MIT discute os meios de transmissão das informações e dados (no capítulo Bits são Bits), os desenvolvimentos na interface homem-computador (no capítulo Interface) e a própria vida digital, no capítulo de mesmo nome.

Obviamente, existem algumas anacronicidades. Alguns dos caminhos apontados nunca foram seguidos, outros já foram bem acertados, em uma época na qual 14 anos significa um século. A leitura é um ótimo exercício para visualizar como os desenvolvimentos da cultura digital podem ser modificados.

A_SOCIEDADE_EM_REDE_castellsSociedade em Rede. Publicado pela primeira vez em 1996, o livro faz parte da trilogia “A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura” do sociólogo espanhol Manuel Castells. É indispensável para quem deseja entender como a globalização e as tecnologias de informação e comunicação, ao colocar o mundo em rede, transformaram a economia, a sociedade, os negócios e a cultura.

É um dos livros que ganhariam o título de “tomo” nessa seleção, mas não deixem de ler.

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cultura da convergencia - henry jenkinsCultura da Convergência é um livro publicado já em um momento em que banda larga, dispositivos móveis e mídias sociais são realidade. Henry Jenkins analisa a cultura da convergência partindo de alguns produtos culturais. Por exemplo, analisa as narrativas crossmedia a partir do caso de Matrix Reloaded e Matrix Revolutions. Analisa a cultura da colaboração, paratextos e comunidades de interesse a partir de spoilers da série americana Survivor.

Em breve, mais livros para o profissional de mídias sociais. Veja os primeiros em 12 livros para o profissional de mídias sociais ler em 2010 – parte 1.

12 livros para o profissional de mídias sociais ler em 2010 – parte 1

Nos últimos anos, o que não faltou foram livros caça-níquel, aproveitando a disseminação das mídias sociais. Autores que transbordam de pretensão e carecem de senso do ridículo, lançaram publicações com palavras como “bíblia”, “guia definitivo”, “tudo” nos títulos. Infelizmente, muitos desses viraram best-sellers, sendo mais um desserviço para o mercado do que qualquer coisa.

Mídias sociais são tecnologias que permitem que usuários comuns produzam, publiquem, armazenem, disseminem, editem e categorizem conteúdos expressivos, pessoais, culturais etc. Estes usuários comuns são ligados entre si através destas tecnologias em redes sociais, nas quais as  dinâmicas das conexões e fluxos são decisivas para a comunicação.

Ser um bom profissional em mídias sociais, então, requer conhecimentos em informática, psicologia, matemática e, sobretudo, comunicação social. Pensando nisso, e pra evitar que você compre alguma dessas “bíblias”, fiz uma listinha de 12 livros para o profissional de mídias sociais. A ideia é que você possa ler um em cada mês do ano vindouro. Alguns são tomos, outros são menores, mas o número de 12 é um bom modo de organizar. Serão 4 posts, cada um com 3 indicações de livros.

Neste primeiro post, 3 livros disponíveis completos para download:

planeta web 2.0Planeta WEB 2.0. Lançado em 2007 por Cristobal Cobo Romaní e Hugo Pardo Kuklinski, o livro discute o conceito de web 2.0.

Trata de sites de redes sociais, inteligência coletiva, ensino e aprendizagem colaborativa etc. Um dos capítulos se propões a ser um mapa de aplicações 2.0 e trata de definir e trazer exemplos dos 4 pilares da web 2.0: sites de redes sociais; conteúdo gerado pelo usuário; organização social e inteligente da informação; aplicações, serviços e mashups. O livro pode ser baixado em www.planetaweb2.net

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redes sociais na internet - raquel recueroRedes Sociais na Internet (Raquel Recuero) – O livro foi lançado em 2009 pela pesquisadora Raquel Recuero, referência na área. Publicado com o apoio da Cubo.CC, está disponível para download gratuito em www.redessociais.net.

Na primeira metade do livro, Recuero investiga e define elementos, topologias e dinâmicas das redes sociais. Na segunda parte, os sites de redes sociais são tomados para a investigação dos tipos de sites de redes sociais, como se dá a difusão de informações nestes sites e a criação de comunidades. A autora fecha o livro com considerações sobre os principais sites de redes sociais, como Orkut, Fotolog, Flickr, Facebook etc.

Cultura de RedeOlhares da Rede, organizado por Claudia Castelo Branco e Luciano Matsuzaki. É produzido pelo Grupo de Pesquisa: Comunicação, Tecnologia e Cultura da Rede, da Faculdade Casper Líbero.

Com apresentação escrita por Sérgio Amadeu, um dos coordenadores do grupo, o livro discute a  obra, investigações e conceitos de Yochai Benkler, Manuel Castells, Henry Jenkins, Lawrence Lessig e Douglas Rushkof, que estão entre os pensadores mais importantes da  pesquisa contemporânea sobre cibercultura e redes digitais. Pode ser baixado em www.culturaderede.com.br

Ferramenta de monitoramento de internet: Social Mention

Continuando a avaliação de ferramentas de monitoramento de internet, depois de Scup e Trendrr, é  hora de apresentar a Social Mention. A ferramenta se descreve como “real-time social media search and analysis”. A página inicial da Social Mention já coloca em destaque o campo de busca, onde o visitante pode escolher entre 12 tipos de busca, em: Blogs, Microblogs, Networks, Bookmarks, Comments, Events, Images, News, Videos, Audio, Questions ou todas elas.

social mention

Um ponto positivo é a possibilidade de configurar alertas. Assim como o Google Alerts, todas as novas menções ao termo buscado serão enviadas por email, categorizadas por fonte. Também é possível produzir um rss/feed com a busca ou ainda baixar os dados em CSV/Excel.

A função de palavras mais frequentes (Top Keywords) também está presente, como pode ser vista abaixo (para a busca “Stella Artois”):

social mention - stella artois - top keywords

Assim como o Trendrr, não permite categorização de emissores das mensagens. Porém, permite ver quais são mais frequentes. Dessa forma, ao menos, é possível saber quais são os hubs que, por exemplo, podem ser contatados em uma campanha com seeding. Além dos usuários individuais, também é possível ver a quantidade de citações por tipo de busca (Microblogs, por exemplo) e por fonte específica (no caso de Microblogs: Twitter, Plurk…).

Social Mention categoriza automaticamente as citações em Positive, Neutral ou Negative. A FAQ não exlpica como o software faz esse categorização. Provavelmente, deve ser a partir de número de palavras positivas ou negativas citadas. Além de ser impreciso, é inútil para citações que não estejam em inglês.

stella artois - Social Mention - reach sentiment passion strengthOutras ‘métricas’ que a Social Mention apresenta são Strength (Força), Passion (Paixão) e Sentimento (Sentimento) e Reach (alcance). A primeira, Strength, mostra a porcentagem de citações efetivas em relação a citações possíveis. Passion é a porcentagem de usuários que citam a marca repetidamente. Sentiment ratio mostra a relação entre citações positivas/negativas. No caso de Stella Artois, foi 6:1. Ou seja, existem 6 vezes mais citações positivas que negativas. Alcance (Reach), por fim, é o “número de autores únicos dividido por número de menções” (confuso e inexato).

O site ainda oferece um widget que pode ser instalado em blogs para mostrar todas as citações à marca. De um modo geral, Social Mention pode ser bastante útil, sim. Como qualquer ferramenta gratuita de monitoramento, possui suas limitações e pode ser utilizada bem com inteligência e um bom método.

Aproveitando a deixa, recomendo um texto que produzi para a Casa do Galo: Monitoramento de marcas na internet – 6 motivos para fazer.

Seis tipos de usuários/produtores nas mídias sociais

Alguns profissionais blogueiros (como o Brian Solis) utilizam uma categorização feita pela Forrest Research de usuários de internet no que tange sua postura frente ao conteúdo nas mídias sociais. É uma categorização interessante e pode ser utilizada na observação de interações na internet e desevolvimento de estratégias e campanhas.

Criadores (Creators): publicam blog(s); publicam seus próprios sites;  criam e enviam vídeos; criam e enviam músicas/podcasts/áudio; escrevem artigos e postam.

Críticos (Critics): classificam e escrevem resenhas sobre produtos, serviços e empresas; contribuem em fóruns online; comentam nos blogs que lêem; contribuem e editam artigos em wikis.

Coletores (Collectores): assinam feeds RSS; votam e classificam sites; adicionam tags em páginas e fotos.

Participantes (Joiners): mantêm e visitam perfis em sites de redes sociais.

Espectadores (Spectators): lêem blogs; ouvem podcasts; assistem vídeos produzidos por outros usuários;  lêem fóruns online; lêem resenhas e críticas feitas por outros usuários.

Inativos (Inactives): Nenhum acima.

O gráfico abaixo mostra a evolução na porcentagem em que cada grupo de práticas acima é realizada pelos americanos .

comportamento online produção social

Enquanto inativos passaram de 44% para 18%, as outras categorias aumentaram bastante. Os Criadores, categoria que mais produz conteúdo, já representa 21% dos internautas.

Essa categorização é inexata, como qualquer tentativa de classificação de indivíduos. Porém, pode ser utilizada como um ótimo operador estratégico no planejamento de campanhas, ações e marketing online. Que os usuários de internet ganham a possibilidade de criar, divulgar, “enterrar” e disseminar conteúdos e, por isso, ganham peso enorme no sucesso ou fracasso dae iniciativas de comunicação organizacional online, quase ninguém mais discorda.

A questão que tem de ser avançada e lembrada com mais frequência é que existem múltiplos tipos de usuários, com diferentes comportamentos. Conhecer os públicos reais e potenciais é importantíssimo: estilos, ferramentas, ‘veículos’, mídias e técnicas também tem de ser múltiplos na medida da audiência.