12 Livros para o profissional de mídias sociais ler em 2013 – parte 1

Continuando a série de posts que já fiz em 2010 (ver partes 1, 2, 3 e 4), 2011 (ver partes 1, 2, 3 e 4) e 2012 (ver partes 1, 2, 3 e 4), vou continuar a indicar alguns livros que podem expandir os horizontes para os profissionais de comunicação digital e mídias sociais. A ideia é indicar 12 livros para serem consumidos ao longo do ano: um por mês é um número justo e produtivo. :)

O livro Mídias Sociais – Saberes e Representações é fruto do primeiro Simpósio em Tecnologias Digitais e Sociabilidade, organizado pelo GITS – UFBa em 2012. O evento reuniu centenas de pesquisadores de todo o Brasil que, durante dois dias no Poscom/UFBA, debateram em conferências e grupos de trabalho o estado da pesquisa e tendências sobre o pensamento em torno das mídias sociais.

Quatorze artigos selecionados do evento foram impressos no livro organizado por José Carlos Ribeiro, Thiago Falcão e por mim. Entre os trabalhos, estão textos como “Entre o Ser e o Estar: a representação do eu e do lugar no Foursquare“, “Compras Coletivas: uma análise exploratória de sua utilidade para as empresas anunciantes” e “Interatividade e participação em contexto de convergência midiática”. O livro está disponível para venda em diversas livrarias, como a Cultura.

 Acompanhem o blog do GITS para aproveitar as excelentes discussões propostas e saber da publicação da próxima edição do livro, prevista para 2013, com artigos da segunda edição do evento.

A Conversação em Rede – Comunicação Mediada pelo Computador e Redes Sociais na Internet é o terceiro livro da Raquel Recuero, que anteriormente já publicou sobre o tema Redes Sociais na InternetMétodos de Pesquisa para Internet (com Adriana Amaral e Suely Fragoso).

Desta vez, Recuero se debruça sobre o ato interacional da conversação, tão central nas redes sociais na internet. Para tanto, realiza resgate histórico do que já foi dito sobre conversação, escrita, campos públicos e privados, conceito de presença, contexto e a própria estrutura de redes. A análise estrutural de redes é uma metodologia apresentada e empregada pela autora para analisar alguns cases, com as conversações em torno das hashtags #GTCiber e #BeloMonte, além da morte de Amy Winehouse e a comoção em torno do massacre de Oslo.

Organizado pelos pesquisadores Thiago Falcão e Luiz Adolfo Andrade, Realidade Sintética: Jogos Eletrônicos,   Comunicação e Experiência Social é composto de 12 artigos com temas emblemáticos na pesquisa acadêmica sobre jogos eletrônicos e comunicação. Dividido em três partes, “Jogos Eletrônicos e Redes Sociais”, “Jogos Eletrônicos e Experiência Urbana” e “Mundos Virtuais”, a publicação traz textos de autores muito reconhecidos na área, como André Lemos, Raquel Recuero e Suely Fragoso. Além dos artigos, cada um destes três pesquisadores abre cada capítulo com um texto introdutório bastante esclarecedor.

Com tiragem quase esgotada, a publicação foi disponibilizada para download pelos organizadores: http://thiagofalcao.info/?p=789

Assine o feed do blog para não perder os próximos posts, que indicarão livros sobre monitoramento e inteligência de mercado, teoria ator-rede e pesquisa.

Using Social Media Data Aggregators to Do Social Research, por David Beer

Tenho observado o monitoramento e mensuração de mídias sociais há anos como possíveis ferramentas também para o pesquisador acadêmico em ciências sociais, especialmente comunicação. Incrível como alguns ferramentais surgidos e desenvolvidos no mercado podem ajudar a coletar dados de forma agregada e usável, mas uma parte dos pesquisadores ainda exibe desconhecimento ou preconceito. Por me interessar e trabalhar nos dois mundos, sempre advoguei pela integração, seja do lado dos pesquisadores seja do lado dos fornecedores. Hoje, uma evolução é que diversos players do mercado de monitoramento no Brasil oferecem planos para pesquisadores acadêmicos e pode-se perceber o crescimento do uso destas ferramentas em trabalhos apresentados nos congressos em cibercultura pelo país.

David Beer, autor que acompanho há alguns anos (destaco três trabalhos anteriores dele: uma crítica à pesquisa sobre redes sociais online; uma discussão sobre web 2.0 e “sociologia vernacular”; e o livro sobre conceitos de “novas mídias”, em parceria com Nicholas Gane) publicou recentemente o artigo Using Social Media Data Aggregators to Do Social Research:

This article asks if it is possible to use commercial data analysis software and digital by-product data to do critical social science. In response this article introduces social media data aggregator software to a social science audience. The article explores how this particular software can be used to do social research. It uses some specific examples in order to elaborate upon the potential of the software and the type of insights it can be used to generate. The aim of the article is to show how digital by-product data can be used to see the social in alternative ways, it explores how this commercial software might enable us to find patterns amongst ‘monumentally detailed data’. As such is responds to Andrew Abbott’s as yet unresolved eleven year old reflections on the crucial challenges that face the social sciences in a data rich era.

Beer discute se e como estas ferramentas podem fazer parte da metodologia de pesquisa e se aprofunda em conceitos e tipos de dados que são perseguidos pelo mercado: geografia, associação de palavras, influência, buzz e sentimento. O autor utiliza a ferramenta Insighlytics e diversos tipos de gráficos resultantes da coleta e processamento de dados para descrever as possibilidades e restrições. Para ler o artigo, basta acessar o site da revista Sociological Research.

Curadoria Digital e o Campo da Comunicação

O Grupo COM+, da Escola de Comunicação e Artes da USP, está discutindo curadoria, curadoria digital e sua relação com as mídias digitais e redes sociais online como um projeto de pesquisa de sua coordenadora, Beth Saad, e de seus diversos pesquisadores. Como resultado deste esforço, o grupo acabou de lançar o livro “Curadoria Digital e o Campo da Comunicação“, que conta com artigos de membros do grupo e convidados. A importância deste debate é enfatizada por Saad, em trecho da apresentação do livro:

O termo curadoria entrou na categoria dos ciber-significados de uma forma impactante e muito recentemente. O bem conhecido e consolidado curador das artes ou aquele curador gestor legal de patrimônios passaram a conviver com uma multidão de curadores da informação, curadores digitais, curadores de festas, de musicas, de programações, de coletâneas literárias, entre outras novas funções que necessitam de “cura” para se concretizarem.

Um dos primeiros questionamentos que um pesquisador do campo das mídias e comunicação digitais faz ao deparar-se com tal profusão de usos de um mesmo termo está na analise do seu potencial transformador das relações sociais. Quando isso acontece no meio digital, nos vemos acelerando analises e olhares para entender as implicações de um novo ciber-significado nos contextos da comunicação e da informação. Antes que o significado se perca.

Tive a honra de compor a lista de autores, com artigo sobre o processo curatorial de publicações voltadas ao emergente mercado da comunicação em mídias sociais. Os trabalhos são: Anotações para a compreensão da atividade do “Curador de Informação Digital”,por Daniela Osvald Ramos; O papel do comunicador num cenário de curadoria algorítmica de informação, por Elizabeth Saad Corrêa e Daniela Bertocchi; Curadoria de informação e conteúdo na web: uma abordagem cultural por Adriana Amaral; Usuário-mídia: o curador das mídias sociais?, por Carolina Frazon Terra; Curadoria, mídias sociais e redes profissionais: reflexões sobre a prática, por Tarcízio Silva; Da edição para a curadoria: o jornalista-curador na revista Samuel, Heitor Ferraz em entrevista para Daniela Osvald Ramos.

Então, sem mais delongas, segue a publicação, que busca ser uma contribuição a este questionamento tão atual. Visualize o ebook e baixe através do issuu:

moviegalaxies: Análise Estrutural de Redes Sociais de Filmes

O fabulosíssimo projeto de pesquisa de Jermain Kaminski e Michael Schober é resumido no artigo Social Networks in Movies. Segue o abstract:

Although humanities and cultural studies have a long tradition in formalistic interpretations of works of art and literature (e. g. Wellek and Warren, 1956), only few writers have understood these works as networks of characters that (inter)act with each other. This paper expands this stream of thought by extracting, visualizing and analyzing the evolution of the characters’ interaction networks in about 797 movies from 1915 to 2011 and teasers a collobarative online solution of the technique, which is crowdsourcing the further development. There are only a very few examples of research where the social network of movies has ever been analyzed. These studies mostly had a low scale (n=1) and were not automated with machine learning algorithms (e.g. Hillman, 2011; Park et al., 2011; Ding and Yilmaz, 2010). Looking at the amount of analyzed movies and technique, this paper is a new approach.

Além de apresentar esta interessante perspectiva na interpretação de obras artísticas, os autores lançaram o site moviegalaxies, que apresenta as redes sociais de personagens de filmes. As quase 800 redes podem ser visualizadas de forma interativa, com os agrupamentos, métricas de grau, intermediaridade e cluster. Abaixo alguns exemplos de redes: Magnolia (diversos grupos, resultado das diversas linhas narrativas), Solaris (rede pequena e densa do sci fi claustrofóbico, que se passa em uma nave espacial), e Fight Club (rede altamente centralizada em Jack, protagonista narrador em primeira pessoa).

Magnolia

Solaris

 

Fight Club

Self, Self-Presentation, and the Use of Social Applications in Digital Environments

O capítulo “Self, Self-Presentation, and the Use of Social Applications in Digital Environments” acaba de ser publicado. Escrevi o trabalho junto ao meu orientador de mestrado, José Carlos Ribeiro, para publicação no livro “Handbook of Research on Technoself: Identity in a Technological Society“. Organizado por Rocci Luppicini, o livro reúne 37 trabalhos de pesquisadores de todos os continentes: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália, Suécia, África do Sul, Romênia, Noruega, Espanha, Hong Kong, Israel e Brasil.

 

Abstract
This chapter discusses the use of social applications in the process of the constitution of the self and the production of the self-presentation in digital environments. It examines two modalities: (1) the use of social applications that promote the comparative analysis of actions, speeches, and performance repercussions taken place in the digital environment, and (2) the use of applications and systems that enable the retrieval of the users’ social information in a systematic, sequential, and historical perspective. It also discusses how these applications present users with different methods of monitoring, controlling, visualizing, and planning information that is published not only by individuals themselves but also by the interacting individuals in the social digital environment.

Os volumes, que somam 1034 páginas, podem ser adquiridos completos ou por capítulo através da IGI ou através da Amazon. Para ver um preview de nosso texto, basta baixar o pdf.