Memória Gráfica Brasileira

“Dedica-se a resgatar e valorizar o riquíssimo legado do design no Brasil, assim como das atividades congêneres que já abarcavam a criação e o projeto antes que o design se configurasse como campo profissional.”

É quase bom demais para ser verdade. O Memória Gráfica Brasileira existe desde este ano, e está criando aos poucos seu acervo. Mas o seu primeiro grande trunfo é o “J. Carlos em Revista.” O célebre diretor de arte e ilustrador é homenageado com nada menos que a digitalização e publicação online de todas as edições entre 1922 e 1930 das revistas Para Todos e O Malho. Em outra postagem já falei de J. Carlos, sobre as capas sequenciadas que ele fez para a Para Todos no carnaval de 2007.

O Memória Gráfica Brasileira é, simplesmente, um item indispensável nos “favoritos” de qualquer design, estudante ou entusiasta brasileiro que se preze.

Control Print – Pensando o futuro da tinta no papel

Control Print – Considering the future of ink on paper é um projeto do Royal College of Art, universidade inglesa totalmenta dedicada a arte e ao design. O livro, totalmente gratuito e disponível em .pdf, trata de produção gráfica, valor estético e produtivo do livro impresso.

Um trecho da seção 4, chamada “In my hands, in my eyes – an emotional experience of an object”, de Sara Carneholm:

“When you read a book all your senses are recording (how the pages move, what the paper feels like, what it smells like etc), however reading is more than a purely haptic experience, you are involved in the making of the experience. Books use their physical form as well as content to convey meaning – the weight of a book can indicate importance or perceived value of the content within, for example think about the difference between reference books and paperbacks or your schoolbooks carefully inscribed with your name and form on the inside cover, each has it’s own character – they become artifacts, objects with cultural and personal significance.” (pag. 14)

Revista Muito #1

A primeira edição da Muito foi lançada. A revista vem, a partir de hoje, em todas edições de domingo do Jornal A Tarde. Há várias mudanças em relação ao número zero, disponível para download na página da revista. Em relação ao projeto gráfico, o azul substitui o vermelho no logotipo e nos títulos de seções.

A entrevista dessa vez é bem mais interessante. Solange Farkas, diretora do MAM-BA, fala da polêmica envolvida na sua indicação e sobre os rumos do museu.

A capa traz a estilista Márcia Ganem, algo meio despropositado. Ela só aparece na revista na matéria sobre o bairro “Santo Antônio Além do Carmo”, falando sobre a compra de imóveis no local em valorização. Talvez essa discrepância se deva a um problema explícito na revista, excessivamente de consumo. As opções de personagens ou temas mais relevantes para a capa são poucos.

Desgustação de cervejas importadas, que estão cada vez mais presentes nos supermercados soteropolitanos e um ensaio de moda com a Deusa do Ébano do Ilê Ayiê também ocupam espaço nessa edição. A ilustração que fecha a revista é outra vez de Juliana Moraes. A crônica dessa vez é pouco inspirada, mais uma enumeração do que literatura.

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Entrevista com Fábio Mestriner

Fábio Mestriner é professor da ESPM, presidente da ABRE e dono da agência Packing. Na página da rádio CBN está disponível uma entrevista de 19 minutos em que o professor fala da importância da embalagem. Fábio também é autor do livro Gestão Estratégica de Embalagem. Um trecho:

“Existem também os aspectos subjetivos. O produto, ao longo do tempo, vai fazendo parte da vida das pessoas. Então, a cor, a forma, as imagens passam a habitar o universo cotidiano das pessoas, sem que as pessoas se dêem conta disso. São objetos que vão adornando a sua vida. Então a forma é o principal atributo diferencial da embalagem, porque ela ativa dois sentidos. Ativa a visão e o tato. Então ela tem um envolvimento físico com a pessoa. Em segundo lugar é a cor, porque a cor passa direto do racional e entra na avaliação interna do cérebro e portanto ela é impermeável às avaliações racionais. Então ela é o segundo componente em importância na performance da embalagem. E o terceiro são as imagens que são acopladas ao produto. Existem imagens inesquecíveis associadas à embalagem como por exemplo aquela menina que tem no Coopertone com o cachorrinho baixando o shortinho dela pra mostrar o bronzeado.“

Revista Muito #0

Fazer revista não é fácil. Já comecei outro texto deste blog com a mesma frase. Não é à toa que a Muito pode se gabar de ser a primeira revista semanal baiana, com maior tiragem.

A partir de amanhã, domingo 06 de abril, a revista criada pelo grupo A Tarde será distribuída, “de graça”, nas edições de domingo do jornal. Tiragem de 50.000, ultrapassa de muito longe as tiragens modestas, e periocidade mais ainda, das poucas revistas baianas, a maior parte delas univesitárias.

O número zero da revista já está disponível para download. A capa exibe Cláudia Leite de “bobs” no cabelo. A matéria é A fantástica fábrica de ídolos, sobre a produção de estrelas da música pop, rock e axé. De Kurt Cobain a Michael Jackson, nem Joelma fica de fora. No começo da revista, uma entrevista com a psicanalista Leda Guimarães, que fala algumas coisas interessantes e outras besteirinhas, o de sempre.

O projeto gráfico é bem bonitinho. Também foi criado por Iansã Negrão, responsável pelo jornal. As chamadas de capa são feitas em um tipo sem serifa bem fininho e elegante, que me lembra muito a Geo Sans Light, que uso nos títulos internos da Fraude. O logotipo da revista é a palavra ‘muito’, vermelha, com extremidades angulares ou arredondadas alternadamente. O “pingo” do “i” fica embaixo. Mais uma vez a tríade divina preto-branco-vermelho está presente.

Como não poderia deixar de ser em qualquer revista que queira viver mais que os habituais quatro primeiros números, a publicação é recheada de publicidade, tanto direta quanto indireta. De vestidinhos para as socialites da Vitória vestirem seus poodles a óculos de sol com mp3, para nenhum cooper da Barra botar defeito. Em moda, algumas bolsas pseudo-rústicas. Ainda tem uma seção de produtos de tecnologia e outra de cosméticos.

Bio fala de Receca Falcone, moça baiana multi-performática, que canta, dança, atua e desfila. A revista ainda traz dicas de estabelecimentos culturais e um pingue-pongue com o escritor Santiago Nazarian.

O melhor texto é a Crônica de Aninha Franco, “Mamãe, eu quero ir a Cuba e quero voltar…” Em Parede, fechando a revista, uma ilustração de Juliana Moraes.

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