Jogos Olímpicos 2012 e os Cases de Monitoramento

Que os Jogos Olímpicos de Londres renderam, e continuam rendendo conteúdo para internet, está mais do que notório, afinal, não por acaso o evento foi apontado como “social games”. Antes, durante e até o final das Olimpíadas agências publicitárias e empresas de monitoramento aproveitaram a oportunidade para produzir ótimos cases e é justamente a composição deles que está em questão nesta postagem.

Selecionei alguns estudos de diversas empresas, com vieses diversificados. A análise está dividida por cases internacionais e nacionais de menções gerais sobre acontecimentos dos Jogos Olímpicos e sobre menções às marcas patrocinadoras do evento.

Cases Gerais Internacionais

MindJumpers

A Mindjumpers monitorou apenas as menções no Twitter, no período de 27/07 a 06/08, se limitou a monitorar a repercussão do evento na localidade em que ocorreu. A justificativa para isto foi o Twitter ter sido, juntamente com a NBC, veículo oficial de divulgação do evento. A Mindjumpers ainda lembrou da regra 40 do comitê olímpico, que fazia algumas restrições às menções de atletas. Como diferencial dentre os demais, trouxe uma comparação entre o número de tweets por minuto sobre os Jogos Olímpicos, American Idol e The Royal Wedding:

VenueSeen

Monitorou o Instagram, apontando dados interessantes sobre locais e pessoas mais vistos e comentados, apesar de ter restringindo o monitoramento a uma mídia social:

Radian6
A Radian 6 produziu durante o período 2 estudos complementares. O primeiro The Power to the Voice Around London 2012 analisa os principais acontecimento do “Social Games” e ainda traça um comparativo entre as Olimpíadas de Pequim, em 2008. A diferença, em termos de volume social é extraordinário.

Em 2008, o Twitter estava se popularizando entre as redes sociais e pode registrar pouco mais de 13 mil tweets (menos do que os Jogos deste ano marcou por dia). Já em 2012, história é outra, com 19.873.312. Segundo o estudo, a quantidade de menções é o equivalente a toda a população do Sri Lanka.

No gráfico um demonstrativo do número de menções no Twitter:

Cases Gerais Nacionais

E.life Brasil
O Brasil não ficou de fora dos monitoramentos. A E.Life Brasil cuidou de monitorar menções, de 23/07 a 06/08, nacional e nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Alguns tópicos foram destaque no Brasil, a judoca Sarah Menezes, que conseguiu sua primeira medalha de ouro foi unanimidade entre as conversas. Outros assuntos como a final de tênis entre Serena Willians vs Maria Sharapova e a abertura do evento também marcaram presença nos TT’s.
Além de Sarah Menezes, os assuntos mais comentados de São Paulo e Rio, foi a seleção de futebol masculino, o vôlei feminino com destaque para a levantadora Fabi e a ponteira Fernanda Garay. A natação também veio forte, com revezamento entre Cesar Cielo e Michael Phelps nas menções.

AG2
Outro estudo brasileiro que chamou bastante atenção foi um monitoramento feito pela AG2, em parceira com a Seekr, no período de 26/07 a 12/08. O estudo mostra diferenças marcantes na forma com que os brasileiros interagiram com o evento, no Twitter e Facebook.

O estudo revelou que o brasileiro usou muito mais o Facebook (58%), do que o Twitter(42%) para acompanhar os jogos, enquanto que nos EUA e Londres, por exemplo, o Twitter teve maior representatividade.

Dentre os assuntos mais citados estão, reclamações sobre a falta de investimento nos atletas, no Facebook. No Twitter houve predominância de noticias relacionadas ao evento. A festa de encerramento também teve espaço garantido entre as conversas e foi o assunto mais curtido pelo público. Já a seleção masculina de futebol não teve a mesma sorte, foi o assunto menos curtido após perder a final dos jogos para o México e terminar a competição com a prata.
Brasil Não É Mais o País do Futebol
A campanha fraca e inconsistente do  time de Mano Menezes na competição garantiu ao esporte o 6º lugar, atrás de natação e judô. O Basquete e o vôlei dominaram a maior parte das menções:

As Celebridades
Top 10 celebridades da festa de encerramento:


Cases sobre Marcas
Unmetric
A Unmetric analisou apenas perfis patrocinadores do evento, em 3 mídias sociais (Facebook, Twitter e Youtube), traçando um ranking de desempenho geral dos patrocinadores do evento, durante o período de  jan-maio 2012. As marcas foram avaliadas pelo número total de seguidores nas 3 mídias; qual marca conseguiu capitalizar novos seguidores mais rápido; qual marca teve maior percentual de crescimento; quantidade de novos posts; teve maior percentual de engajamento e quem teve maior score no ranking.

Segundo o ranking a marca que conquistou o lugar mais alto do pódio foi a Coca-Cola, se destacando na maratona:

FastCompany

A FastCompany analisou o impacto das campanhas das marcas patrocinadoras do evento, fazendo um comparativo entre 2008 e 2012 nas mídias sociais:

Youtube

Facebook

Top Search Google

Desempenho das marcas patrocinadoras das Olimpíadas nas buscas, pelas palavras-chave: “Olympic Brand Campaigns”; “Olympic Commercials 2012”; “Olympic Athletes 2012”

Somemo

Helene Fritzsche especialista em novas mídias, tecnologia e gestão, trouxe à tona um curioso e instigante questionamento sobre monitoramentos de oportunidades. Na sua análise ela chama atenção o seguinte fato, os diferentes resultados desses estudos, refletem um problema: mudando o fornecedor dos dados, muda o resultado. Vejamos alguns exemplos:

PRINT Index™
1º Coca-Cola, 2º Adidas e 3º British Airways
“Top performers” teve como base  análise quantitativa olhando para os números usando os algoritmos print ™

Brandwatch
1º General Electric, 2º P & G e 3º Samsung
Baseado em uma pontuação que revela o “alcance o potencial do burburinho, o sentimento da discussão e do nível de envolvimento com cada marca”

Newsdesk
1º Visa, 2º McDonald e 3º Coca-Cola
Campeões em termos de maior volume de menções

Mas e então, como lidar com essas alterações? A falta de padrão é motivo para não monitorar as mídias sociais? Definitivamente, não! Não há motivos para desesperar, pois profissionais do mundo inteiro estão se debruçando sobre o assunto para preencher essa pequena lacuna (The measurement standard). É apenas uma questão de adequação ao que se deseja medir e coerência ao analizar os resultados do monitoramento.

* Post por Mariana Ferreira, publicitária e gestora de mídias sociais na Dendê Brands.

Social Media ROI Cookbook by Altimeter Group

A Altimeter lançou recentemente um novo estudo sobre a mensuraração de receitas de impactos nas mídias sociais. A pesquisa foi realizada com 15 marcas, 38 empresas de tecnologia de mensuração de dados, 3 agências e 4 especialistas da área, traz importantes diretrizes sobre o ROI de mídias sociais.

 

O problema:

De acordo com a ComScore, mais de 80% da população online marca presença nas mídias sociais, tornando-as peças essenciais para estratégias de comunicação das empresas. Para fundamentar as dificuldades para mensurar os impactos das mídias sociais para as marcas foram listadas 5 barreiras, infelizmente velhas conhecidas dos profissionais de mídias sociais:

a. proliferação de mídias sociais

Segundo o estudo State of Social Media, realizado em outubro de 2011 pela eConsulting, 41% das mais de 1.000 empresas entrevistadas disseram não ter retorno sobre investimento em nenhuma parte do dinheiro investido em mídias sociais.

b. multiplos desafios para compor insights

O estudo da Altimeter revelou que 56% das marcas e agências entrevistadas disseram que o desafio primário é a inabilidade de associar resultado nos negócios às receitas de impactos das mídias sociais. Além disso, outro dado incomodo é que 35% dos entrevistados disseram notar que as abordagens analíticas são inconsistentes por falta de requisitos educacionais.

c. mídias sociais são novas e diferentes

Dentre os desafios citados, este foi apontado como o mais comum. A partir dele surgem 4 ramificações: fragmentação de dados devido a interação online e offline com múltiplas telas; a volatilidade das mídias está transformando a mensuração algo móvel; organizações “temem” as mídias digitais por não conseguir controlá-las; e por último diferentes plataformas e aplicativos estão fazendo surgir diferentes métricas. O que se pode concluir sobre esse questionamento é que as mídias sociais são consideradas imaturas e é tentador mensurá-las através de metodos tradicionais. Porém, dada a infinidade de novas mídias, a mensuração deve se adaptar à realidade de cada plataforma.

d. Falta confiança das organizações para medir o impacto das receitas

De acordo com o gráfico, 30% das empresas entrevistadas afirmam ser “extremamente efetiva” em conectar mídias sociais e receita:

e. adaptação lenta das organizações

Cada dia mais acessíveis e diversificadas as mídias sociais, estão forçando as empresas se adaptarem para sobreviver num mundo tão competitivo como o nosso. O gráfico mostra que 63% das empresas entrevistadas investiram em profissionais e mantém 1 a 2 pessoas responsável por mensuração de mídias sociais.

Muito Além das Receitas: Melhorando Insight

As empresas devem compreender que gerar receita é apenas um dos beneficíos das mídias sociais e que seu principal valor de negócio é aprofundar relacionamento com clientes. 14 das 15 marcas entrevistadas relataram que estão reunindo esforços para mensurar o imapcto das mídias sociais de diversas maneiras. A esmagadora maioria respondeu que o principal motivo para medir os impactos dos negócios em mídias sociais são insights que ajudem atender as expectativas e desejo dos consumidores. O segundo benefício mais citado pelos entrevistados foi poder tomar decisões mais assertivas baseados nos dados sociais.

6 Ingredientes para Mensurar Receitas Impactos nas Mídias Sociais

Várias práticas estão surgindo para preencher a lacuna entre o que é possível hoje e o que será tendência no futuro. A Altimeter identificou nesse estudo 6 maneiras básicas para medir a receita dos impactos, que deve ser usado como um guideline para determinar o mix de mensuração mais efetivo para os negócios:

O Futuro da Mensuração de Mídias Sociais

Diante de desafios como levar o consumidor do online para o offline, através de múltiplas telas e plataformas, o estudo levanta algumas tendências:

  • tecnologia mobile como ponte entre online  e offline
  • tecnologia emergentes irão conectar os consumidores através de multiplas telas
  • dados terão devido valor como preditores de influência
  • empresas integrarão social, empreendimentos e dados que contribuirão para uma visão holistica do comportamento do consumidor e das tendências de mercado.

Conclusão

Segundo a pesquisa, mídias sociais para negócios e sua tecnologia caminham à passos largos para se consolidar cada vez mais como principal meio de comunicação digital. Por essa razão é que é se faz necessário a combinação de diversos metódos de mensuração de dados sociais.

Qualquer que sejam os ingredientes escolhidos para o mix de mensuração é importante ter em mente que apesar de distintos entre em si eles tem características e objetivos em comum. É preciso levar em conta que deve-se focar nos consumidores, no valor das experiências, lembrar que mídias sociais existem desde sempre e estar disposto a aprender e compartilhar experiências.

 

* Post por Mariana Ferreira, publicitária e gestora de mídias sociais na Dendê Brands.

Pesquisa: Perfil do Profissional de Monitoramento de Mídias Sociais

Buscando gerar informações para os profissionais, agências, empresas, desenvolvedoras, professores e estudantes da área, realizei nos últimos meses a pesquisa Perfil do Profissional de Monitoramento de Mídias Sociais.

O Monitoramento de Mídias Sociais no Brasil é uma área de trabalho em franca expansão, apesar dos poucos locais – tanto profissionais quanto acadêmicos – de articulação de informações. Espera-se, então, que este estudo gere insumos para o debate em torno de todas as fases e domínios relativos à esta prática.

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4 Personalidades Digitais Segundo a IBM

Em meu último post aqui no blog, analisei um estudo realizado pela AIMIA sobre os tipos de usuários de mídias sociais. Neste estudo são identificados e analisados 6 tipos de usuários e seu comportamento na web.

Seguindo a mesma vertente, porém afunilando a análise para os consumidores de mídia e entretenimento digital, avaliei um estudo que a IBM realizou em setembro de 2011, uma pesquisa digital com 3.800 usuários de 6 países – China, França, Alemanha, Japão, Reino Unido e Estados Unidos -, sobre tipos de consumidores conectados e sua relação de consumo com conteúdo de mídia e entretenimento. Segundo a IBM, não seria suficiente segmentar por idade, mas sim pelo comportamento. De acordo com a pesquisa, foram identificados 4 personalidades de consumidores:

Efficiency Experts: 41 por cento dos consumidores pertencem a esta categoria – utilizam dispositivos e serviços digitais para facilitar o dia a dia.

Content Kings: têm por hábito consumir jogos online, fazer download de filmes e de música e assistir televisão. Os Content Kings representam 9 por cento da amostra global.

Social Butterflies: Enfatizam a interação social, poisnão abrem mão de se conectar com amigos e parentes frequentemente. 15 por cento relataram que mantêm e atualizam frequentemente os perfis nas redes sociais, postam fotos e vêem vídeos de outros usuários.

Connected Maestros: representam 35 por cento dos consumidores, têm tendência para o consumo de conteúdos dos media através de dispositivos móveis. Estes consumidores são um misto dos Content King e Social Butterflies, porém, com comportamento mais sofisticado.

O gráfico abaixo é baseado no grau de acesso aos conteúdos e a intensidade com que as “personalidades digitais”esse conteúdo:

Através desses dados identificados é perceptível que segmentar pelo comportamento do consumidor é imprescindível para desenvolver e otimizar estratégias de relacionamento, com foco em oferecer experiências de consumo para públicos cada vez mais exigentes e segmentados. Pelo seu carater especifico, esse estudo se revela um tanto quanto “solitário”, mas caso haja necessidade de complementar um trabalho já pré-existente, certamente agregará valor.