Lugares da Sociabilidade – Registro e Usos dos Traços Informacionais em Sites de Redes Sociais

Entre 13 e 15 de outubro aconteceu na FACOM-UFBA o primeiro Lugares da Sociabilidade, promovido pelo PPGCCC-UFBA. O encontro dos grupos de pesquisa em Cibercidade (GPC) e em Interações, Tecnologias Digitais e Sociedade (GITS, do qual faço parte) foi muito proveitoso. Ao todo, foram apresentadas 14 pesquisas de mestrandos e doutorandos membros dos grupos coordenados por André Lemos e José Carlos Ribeiro.  A abertura do evento foi realizada pelo convidado Vinícius Netto, professor da UFF. Os trabalhos foram divididos nas seguintes mesas: Cartografia colaborativa; Game Studies; Dispositivos Móveis e Redes Sociais; Jornalismo Móvel e Mídia Locativa; Interação e Redes Sociais; e Dispositivos Móveis e Jornalismo Digital.

Acima uma foto da mesa que fiz parte, tirada por Mônica Paz. Mônica, junto a Ana Terse, merece o crédito pelo trabalho à frente da produção do evento, com o apoio dos dois grupos. Nesta mesa, “Interação e Redes Sociais”, composta também por Ruan Brito e Vítor Braga, apresentei o novo redirecionamento do meu projeto de mestrado: Registro e Usos dos Traços Informacionais em Sites de Redes Sociais: aplicativos de resgate, processamento e classificação. Seguem os slides:

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Alguns colegas também disponibilizaram os slides de suas apresentações. Na seqüência, os projetos de Thiago Falcão, Maria Alessandra e Paulo Victor Sousa.

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Pra se manter se a par das pesquisas e eventos dos grupos, assine os sites e siga os perfis no twitter: www.gits.poscom.ufba.br, www.twitter.com/gitsufba, http://gpc.andrelemos.info/blog, www.twitter.com/cibercidade

E-mails, relacionamentos e memória digital

Em um contexto no qual boa parte das interações cotidianas são realizadas através de dispositivos de comunicação digital, a intensidade dos relacionamentos pode ser, até certo ponto, avaliada em termos quantitativos através de aplicativos de mensuração.

Um deles é o Etacts, que coleta e permite gerenciar dados a partir do Gmail. Com a proposta de ser um gerenciador de contatos, o Etacts apresenta-se da seguinte forma:

É impossível lembrar de manter contato com todas as pessoas que importam. Etacts permite que você mantenha seus relacionamentos através de três coisas:
1) Mostrar a você com quem você perdeu contato
2) Permitir que você configure lembretes de manter contato com as pessoas
3) Ajudar você a retomar o contatos significativemente lhe oferecendo contexto relevante sobre seus relacionametnos com as pessoas, como os últimos emails que vocês trocaram, ou suas atualizações recentes

Mais interessante, na verdade, é a quantidade de interpretações que podem ser realizadas por alguém a partir dos dados que um aplicativo do tipo oferece. Veja, por exemplo, o seguinte gráfico:

A imagem acima foi retirada da lista “Lost Connections” que o Etacts cria com os endereços que não entram em contato ou são contatados a muitos dias. Mostra a quantidade de dias, a data exata do primeiro, a quantidade de emails trocados total e a distribuição (enviados/recebidos). A imagem que posto aqui está, evidentemente, com os nomes borrados, mas qualquer usuário do aplicativo poderá perceber alguns padrões e interpretar seus próprios dados. Alguns contatos “perdidos” podem ser facilmente percebidos: uma amizade rompida, troca de emprego etc. Outros podem ser uma surpresa pra quem utiliza: “mandei tão poucos emails para fulano?” ou “nossa, três meses que não falo com sicrano”.

O Etacts também apresenta os dados em gráfico de linha comparando os totais mês a mês durante o último ano. Abaixo, dois exemplos: um contato criado e encerrado em pouco tempo e outro retomado:

Utilizamos softwares sociais como Gmail, blogs e sites de redes sociais durante anos e são armazenadas muitas informações. Com a tendência de criação de aplicativos extras através da Twitter API, Facebook Connect, Gmail Labs, OpenSocial e iniciativas semelhantes, desenvolvedores externos podem criar novos esquemas de processamento dessas informações. Muitas vezes, tais informações consolidas podem ser interpretadas pelos usuários e influenciar linhas de ação em relação às interações sociais e apresentação de si aos pares.

Memória Digital: duas perspectivas contrastantes

Digite um nome de um amigo próximo na busca interna do seu email. Ou navegue pelas fotos digitalizadas de sua vida. Busque seu nome no Google. Tente lembrar seu histórico de doenças. E o histórico financeiro?  E você sabe quantas vezes foi registrado por uma câmera de vigilância? Entre informações que você tem à sua disposição e outras que você nem tem ideia que existam, o registro das atividades humanas – seja em uma ótica pessoal ou institucional – estão cada vez mais intensos, presentes e pervasivos. Quais os impactos da memória digital?

Trago nesse post dois vídeos que são gravações de palestras de apresentações de livros, respectivamente Total Recall: How the E-Memory Revolution Will Change Everything e Delete: the Virtue of Forgetting in the Digital Age.

Jim Gemmel e Gordon Bell se perguntaram “e se pudéssemos lembrar de tudo”? A partir de uma perspectiva otimista, desenvolveram pesquisa, dispositivos e experimentos para analisar os benefícios da memória digital. Financiados pela Microsoft Research, um dos principais resultados da pesquisa é o projeto experimental MyLifeBits que tem como objetivo fornecer um sistema organizado de anotação e registro dos mais diversos materiais, em várias mídias e formatos.

httpv://www.youtube.com/watch?v=WZwoAgSMFME

Viktor Mayer-Schonberger, por sua vez, tem uma opinião totalmente contrária. Em seu livro, apresenta diversos casos em que a ausência do esquecimento prejudicou – injustamente – pessoas reais. Apresenta a questão da memória digital como um problema a ser enfrentado. Fala sobre as relações entre memória, tempo e poder. O esquecimento seria, para Mayer-Schonberger, algo natural e benéfico à existência humana.

httpv://www.youtube.com/watch?v=XwxVA0UMwLY

As questões apresentadas são apenas algumas das muitas envolvendo a memória digital. E você, o que acha?

Lugares da Sociabilidade

Evento de discussão sobre temas relacionados às pesquisas efetuadas pelos discentes da linha cibercultura do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Culturas Contemporâneas da UFBA, vinculados ao Grupo de Pesquisa em Cibercidades – GPC e ao Grupo de Pesquisa em Interações, Tecnologias Digitais e Sociedade – GITS. Os temas a serem abordados agrupam-se em mesas temáticas sobre: Cartografia colaborativa; Game Studies; Dispositivos Móveis e Redes Sociais; Jornalismo Móvel e Mídia Locativa; Interação e Redes Sociais; e Dispositivos Móveis e Jornalismo Digital. Veja a programação completa.