Vida, morte e ressurreição(?) do banner

O modelo de exibição de banners, especialmente quando cobrados por CPM, é posto em cheque ou reafirmado dia-a-dia. Hoje não foi diferente. Com o habitual fatalismo raso do UOL, seu portal de economia “analisou” uma pesquisa da ComScore sobre a efetividade dos anúncios gráficos no aumento de visitação e vendas, tanto online quanto offline. O artigo não explica a metodologia nem o tipo de empresas analisadas. O UOL, como habitual, não colocou link para a pesquisa original, mas tentarei achá-la. Clique no gráfico abaixo para ler o artigo completo:

vendas online vendas offline

Publicidade em Redes Sociais Online

[Este post foi escrito originalmente em outubro de 2008. É um resumo de um relatório que produzi para o Observatório de Publicidade em Tecnologias Digitais, e postado em seu blog. Depois de passar por problemas técnicos, o blog perdeu todos seus posts. Então o resgato aqui. Para ler slides dessa apresentação, visite meu slideshare.]

Publicidade em Redes Sociais Online

O Orkut foi visitado, em maio de 2008, segundo o Ibope Net/Ratings, por 16 milhões de usuários únicos no Brasil. A página, que possui o endereço mais visitado no país, tem sido alvo de diversas ações de comunicação, mas geralmente amadoras e sem unidade, porque faltam modelos de utilização do espaço. O relatório “Publicidade em Redes Sociais Online”  apresentou como o Orkut, Sonico e MySpace vem sendo utilizados com fins publicitários e as tendências, especialmente os aplicativos sociais baseados no código OpenSocial.

Desnecessário dizer que, como todo resumo, algumas minúcias foram deixadas de lado em favor da concisão. Sejam problemas terminológicos ou demais dúvidas possíveis, sintam-se à vontade para comentar.

Web 2.0, Mídia Social e Redes Sociais
O conceito de web 2.0 já é batido demais para precisar ser conceitualizado aqui. Dentro dessa realidade, diferenciamos os termos mais utilizados em língua portuguesa: mídia social e rede social online. O primeiro é, hoje, praticamente qualquer serviço de sucesso. O que define mídia social é a importância dos usuários: são eles que criam, editam, selecionam, hierarquizam e demandam o conteúdo.

Por exemplo, o YouTube, site de compartilhamente de mídia, é um tipo de mídia social porque: são os usuários que enviam a maior parte dos vídeos; hierarquizam porque são os mais vistos os melhor posicionados; divulgam enviando para amigos ou incorporando em blogs; escolhem o que querem ver – podem, por exemplo, assisitir um programa de TV no horário que quiser.

Sites como o Delicious e StumbleUpon, chamados de social bookmarking, permitem que os usuários selecionem seus links preferidos e os liguem a marcadores. Estes marcadores organizam seus links, definem suas preferências e podem ser utilizados para encontrar conteúdo relacionado. A própria existência de marcadores, sem chegar ao mérito de quais são, é um indicativo: uma página que não existe no Delicious provavelmente não tem relevância.

Os exemplos acima são alguns dos tipos de mídia social existentes. O Mashable, principal portal sobre mídia social, foi base para categorizar as mídias sociais em

– sites de compatilhamento de mídia (YouTube, DailyMotion)
– blogs (Blogger, WordPress)
– social bookmarking (como Delicious, Digg, StumbleUpon)
– resenhas (Amazon, Orangotag)
– jogos online (Ragnarok, Warcraft)
– microblogging (Twitter, Jaiku)
– redes sociais (Orkut, Facebook, MySpace)

O que particulariza as últimas é o foco na comunicação e relacionamento entre as pessoas. No YouTube as estrelas são os vídeos, no StumbleUpon os sites, na Amazon os produtos, no Twitter são as recomendações e a velocidade. No Orkut são as pessoas. Citando (e tentando traduzir) danah boyd, uma das maiores especialista no assunto:

“serviços de web que permite que os usuários (1) construam um perfil público ou semipúblico dentro de um sistema conectado, (2) articular uma lista de outros usuários com os quais eles compartilham uma conexão e (3) ver e mover-se pela sua lista de conexões e pela dos outros usuários. A natureza e nomenclatura dessas conexões podem variar de site para site.”

Como causa e conseqüência do tipo de atividade desenvolvida – manutenção e criação de amizades –, esses sites possuem algumas características próprias. A primeira delas é a página pessoal chamada perfil. Apesar de alguns dos exemplos de mídia social supracitados permitirem a criação de perfis, a diferença é que as redes sociais são caracterizadas por perfis públicos, que permitem a postagem de comentários ou recados também públicos, ao menos para os amigos. E a navegação nesses sites se dá através das ligações entre os perfis, ao contrário de sites de compartilhamento de mídia, que oferecem navegação prioritariamente pela mídia em questão.

Tendências: Aplicativos Sociais e OpenSocial

Essa particularidades sempre foram uma pedra no sapato de profissionais de marketing e publicidade. O Orkut não previa o uso comercial de sua rede social. Apesar disso, como qualquer um que tem um perfil no Orkut sabe, recados, perfis e comunidades tem sido utilizados. Então posso suprimir essa parte deste resumo aqui, já extenso.

Os chamados aplicativos sociais são programas, desenvolvidas por terceiros para serem disponibilizados em sites diversos que permitem a utilização do tipo de código no qual foi criado o aplicativo. O parâmetro de sucesso é o Facebook, a maior rede social do mundo, quinto endereço mais visitado. Criado em 2004, o Facebook pode ser considerado o modelo de rede social (apesar do último redesign, mas isso é outra história). Experimenta diversos modos de monetização, sendo os aplicativos sociais o mais desenvolvido.

Quando respeitam as característias de seu ambiente, estes aplicativos merecem com jus o nome de aplicativos SOCIAIS. Por exemplo, a página do produto Red Bull no Facebook mantem o Roshambull: um jogo tipo pedra-papel-e-tesoura que permite competições levando os usuários a interagir com seus amigos, promovendo a marca.

Para concorrer com o Facebook, o Google e outras empresas proprietárias de redes sociais desenvolveram o OpenSocial, um código aberto, gratuito e padronizado que permite que qualquer desenvolvedor crie um aplicativo social compatível com qualquer uma das redes sociais afiliadas.

Em 10 de julho de 2008 os aplicativos sociais foram disponibilizados para os usuários brasileiros do Orkut. O código OpenSocial é aberto e a utilização dos aplicativos, desde que siga uma série de regras, pode ser monetizado de diversas maneiras. Analisamos os 25 aplicativos mais populares duas semanas depois e encontramos o seguinte panorama.

Treze aplicativos exibem anúncios patrocinados, doze promovem outro serviço/site da internet, e seis promovem marca. A soma dá 31 porque alguns ficam na fronteira de dois modelos. Os tipos de aplicativos mais populares são: Avatares, como o líder BuddyPoke; disponibilização de música e vídeo, como o Minha Música; e Esporte, como o GloboEsporte. Dentre as grandes empresas brasileiras, foi a Globo a primeira a entender o potencial dos aplicativos sociais. Estão disponíveis diversos aplicativos associados com seus portais.

As empresas especializadas em mídia social com destaque são a HiperSocial e a Mentez. Entre agências interativas, a StudioSol, criadora do Minha Música, demonstra o potencial do seu aplicativo em seu site. A falta de conhecimento das empresas acaba deixando para desenvolvedores autônomos uma grande fatia dos usuários. Longe de ser algo ruim, mostra como o poder de criação na web 2.0 é descentralizado. Por outro lado, essa audiência poderia ser melhor aproveitada com parcerias entre empresas e desenvolvedores.

O modelo mais bem sucedido é, no momento, o de aplicativos vinculados a outros serviços web. Como o Terra Sonora (sobre o qual já postei aqui), o Oyo Músicas e os desenvolvidos pela Globo, estes aplicativos fornecem alguns dos serviços na própria rede social, convidando o usuário para o site original.

Os serviços oferecidos pelos aplicativos tem de ser sociais. A tautologia evidente nem sempre é compreendida. O usuário de rede social quer se comunicar com amigos, quer que essa comunicação seja publicada e quer receber benefícios além do aspecto lúdico. O aplicativo social em uma campanha, na qual deve ser mais um item, deve priorizar a comunicação e interação entre seus usuários, além de se manter atualizado renovando o interesse. Essas particularidades foram compreendidas pelos criadores do BuddyPoke, que se mantêm invicto como o mais popular. Em outra postagem tratarei apenas dele.

Atualizações [outubro de 2008]
O relatório foi produzido entre maio e julho de 2008. Agora, outubro, a quantidade de aplicativos continua a crescer e mais empresas e desenvolvedores estão produzindo conteúdo. Sobre publicidade em redes sociais online de modo geral, agora o Orkut também exibe em algumas poucas páginas links patrocinados. Para saber mais sobre esse tipo de publicidade, o maior na internet, leia sobre o relatório “Marketing de Buscas como uma Estratégia de Comunicação para a Internet“.

Fontes Recomendadas
Textos da danah boyd, maior autoridade mundial do assunto
Levantamento de textos brasileiros sobre redes sociais, feito por Raquel Recuero
– O 13° volume do Journal of Computer-Mediated Communication, dedicado a social network(ing) sites, especialmente os artigos de danah boyd & Nicole B. Ellison e o de Judith Donath
– E a resposta ao artigo de boyd & Ellison, por David Beer, no número seguinte

Twitter: participação web de 15% no Brasil, mas não é a maior no geral.

O Ibope Nielsen Online acabou de publicar um relatório que indica que o Twitter alcançou uma penetração de 15% no Brasil em junho. Ou seja, segundo o estudo, 15 entre cada 100 usuários de internet acessaram o site do Twitter neste mês. Os dados comentados pelo analista José Calazans (ver idgnow) ainda indicam que os brasileiros seriam o país com a maior participação, contra 11% dos EUA e 9% do Reino Unido. Este artigo também fala do número de  minutos gastos: Brasil com 36; EUA com 31; e Reino Unido com 25.

O IDG Now!, o Twitter Brasil e vários outros sites publicaram a notícia sem uma crítica aos dados, como se o Brasil tivesse a maior participação entre estes países. O boom brasileiro do Twitter se deu nos últimos meses. Dos “descolados” que acham CQC a coisa mais esperta do mundo ,aos corinthianos e rivais que seguem o Mano Menezes, ou telespectadores do Fantástico, muita gente entrou no Twitter. Porém, há pouco tempo. E usando praticamente apenas a web para twittar.

Um dos trunfos do Twitter é sua API aberta, que permite o desenvolvimento de aplicativos de acesso como Tweetdeck, Twititerfeed, Twitterfox etc. E são estes aplicativos, que permitem uma utilização mais customizada e avançada do Twitter os mais utilizados nos EUA e Reino Unido. Nestes países, o site do Twitter representa menos de 30% do acesso à plataforma (ver dados no Mashable e no twitstats), enquanto no Brasil a pesquisa da Bullet indica que a relação  de uso entre site e aplicativos é de aproximadamente 48% x 52%:

pesquisa bullet twitter - ferramentas para postagem

São dados de fontes diversas, mas uma coisa é clara: faltou contextualização das informações. Acredito que as mídias sociais são maravilhosas por diversos motivos e para diversos fins. Porém, um “oba-oba” generalizado sem crítica é prejudicial ao desenvolvimento do mercado.

O uso do Twitter no Brasil, apesar do crescimento, anida está em uma fase de descoberta e experimentação, com uma menor participação dos aplicativos. Entre os milhões de usuários que entraram no boom da cobertura pelas outras mídias, não serão todos que continuarão a utilizá-lo. E muito menos o Twitter é mais relevante aqui no Brasil do que nos Estados Unidos ou Reino Unido. Estar atento à realidade dos dados e informações é indispensável para desenvolver e apresentar projetos que busquem resultados reais.