Revista Kino

Kino é uma revista brasileira de cinema, design e fotografia. Já são 04 edições desde 2007. Em cada uma delas é definido um tema cinematográfico e colaboradores são incentivados a enviar material de design, ilustração e fotografia sobre o tema escolhido. O primeiro foi Clube da Luta, seguido de Janela Indiscreta, Taxi Driver e Corra, Lola, Corra. O próximo número será sobre Volver, do cineasta espanhol Pedro Almodóvar. Pode ser enviado material até o próximo dia 20, seguindo algumas regras e especificações. A ilustração ao lado é de Marcelo Carreiro.

Layout: o design da página impressa, de Allen Hurlburt

Layout: o design da página impressa é um daqueles bons livros introdutórios ao design gráfico. Simples, direto e recheado de ilustrações. As 160 páginas do livro são divididas em quatro seções: Estilo, Forma, Conteúdo e Resposta.

Estilo é a parte mais histórica do livro. Traz capítulos sobre estilos, escolas e designers, como De Stijl, El Lisstsky e, claro, Bauhaus. O livro é de 1977, então não há nada sobre o design contemporâneo ou pós-moderno, ou como queiram chamar.

Em seguida, Forma traz capítulos sobre os elementos do design gráfico. Forma, Simestria e Assimatria, Equilíbrio, Contraste, Sinais e Símbolos, Módulos e outros.

Conteúdo é a seção sobre aspectos produtivos. Tipografia, Fotografia, Ilustração, Humor etc. Resposta, por fim, traz alguns poucos capítulos sobre a recepção. Psicologia da Gestalt, Ilusão e Paradoxos Visuais.

O autor, Allen Hurlburt, foi um renomado diretor de arte. Ganhou vários prêmios e tem algumas publicações específicas sobre design editorial. Uma delas, Publication Design, será resenhada em breve aqui no blog.

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+ para os leitores ufbianos do blog, é só passar na Biblioteca Central e ir na prateleira 655.1 H965
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Revista Lupa 4 – lançamento

A revista Lupa lança sua quarta edição na próxima quinta-feira, 28, às 9 hs, no auditório da Faculdade de Comunicação da UFBa, com palestras e uma demonstração da arte do Parkour. Confira! – Na Lupa, o leitor poderá saber mais sobre o universo dos cosplayers, pessoas que se vestem como personagens de desenhos animados, além de poder acompanhar de perto a vida de transformistas soteropolitanos e ficar por dentro do desfile da Daspu, a grife das prostitutas. A comemoração continua a noite, no Bar Balcão Botequim, às 20hs, no Rio Vermelho, numa festa aberta para leitores e colaboradores.

Eu escrevi para essa revista (a matéria sobre transformistas), que é produto laboratorial daqui da faculdade. É a segunda revista produzida na faculdade (a primeira é a Fraude) e tem atualmente um projeto gráfico e direção de arte bem realizados. O primeiro número foi experimental ao extremo, e no mal sentido. Totalmente produzida por alunos (e com problemas na produção, que não vêm ao caso) foi uma revista com textos fracos, reportagens mal-apuradas e uma diagramação de mau gosto. Não havia como ser melhor, porém. A Facom-UFBa tem um problema grave de falta de disciplinas e professores de programação visual, editoração e design. O responsável pela diagramação foi um aluno que, sozinho, enfrentou a tarefa hérculea de 32 páginas em pouquíssimo tempo.

O segundo número foi uma revolução. Simplesmente a revista ficou irreconhecível, e no bom sentido. Com mais tempo e planejamento na disciplina, a professora responsável Graciela Natansohn exigiu que os alunos produzissem várias matérias cada um, e apenas as melhores entraram na edição, que é semestral. Sobre o projeto gráfico, mudou mais drasticamente ainda. Na verdade, o projeto gráfico de fato foi produzido de fato, além de novo logotipo e direção de arte por Alice Vargas, designer que “adotou” a revista, digamos assim.

Apesar de ter formação na Facom (Produção Cultural) e especialização em design, a diretora de arte da Lupa não faz parte do quadro de professores da faculdade. E os alunos que colaboraram na diagramação desse número já tinham algum conhecimento prévio, não adquirido em disciplinas. Os poucos professores com formação em design da Facom estão afastados, por um motivo ou outro. É um indicador triste, que demonstra que os profissionais formados ali sofrem de uma lacuna grave na formação.

Mas não é essa minha reclamaçãozinha aqui nessa postagem que vai mudar alguma coisa. Então falemos do número quatro da revista. Durante dois meses, eu e Carlos Eduardo Oliveira visitamos transformistas e casas de show de Salvador. Conversamos sobre o estado da arte, os problemas enfrentados e os bons momentos. A matéria definitiva traz depoimentos, experiências e fotografias de quatro transformistas. Um ensaio foi realizado por Fabíola Freire e produzido por Wendell Wagner, monitores do Labfoto. A partir do ensaio e de algumas fotografias que tiramos em campo, a matéria de quatro páginas tem uma diagramação impactante. Veja abaixo um vídeo feito por Carlos Eduardo Oliveira durante a realização do ensaio.

Mais:
+ Blog da revista
+ Portifólio e blog de Alice Vargas
+ Faculdade de Comunicação da UFBa

Grid Systems in Graphic Design, de Josef Müller-Brockmann

Just as in nature systems of order govern the growth and structure of animate and inanimate matter, so human activity itself has, since the earliest times, been distinguished by the quest for order. Even the most ancient peoples created ornaments with mathematical forms of great beauty. The desire to bring order to the bewildering confusion of appearences reflects a depp human need. Do mesmo jeito que os sistemas naturais de ordem governam o crescimento e a estrutura de matéria animada e inanimada, a atividade humana tem sido, desde tempos primordiais, caracterizada pela busca de ordem. Mesmo os povos ancestrais criaram ornamentos com formas matemáticas de grande beleza. O desejo de trazer ordem à confusão selvagem das aparências reflete uma profunda necessidade humana.
O livro Grid Systems in Graphic Design prega o uso da grelha como princípio básico do projeto de design. Na página 10 do livro, Muller-Brockmann declara “o uso do sistema de grelha implica a intenção de sistematizar, de buscar a clareza, a intenção de penetrar ao essencial, de concentrar, a intenção de cultivar objetividade ao invés de subjetividade, a intenção de racionalizar os processos criativos e técnicos de produção, a intenção de integrar elementos de cor, forma e material, a intenção de alcançar donínio arquitetural sobre
a superfície e o espaço […]”

Grid Systems in Graphic Design foi lançado em 1961. É um grande exemplar do que é chamado de design moderno, pregando a racionalidade nos projetos, a importância da matemática e das relações espaciais entre os elementos de um produto. Foi lançado em português em 1982, esgotado e nunca mais reeditado.

Josef Müller-Brockmann (1914-60) foi um design gráfico e professor suíço. Estudou arquitetura, design e história da arte na Universidade de Zurich. Também é autor de The Graphic Artist and his Design Problems. O cartaz ao lado é um de seus clássicos.

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+ mais sobre Muller-Brockmann
+ galeria de imagens de cartazes
+ o livro pode ser baixado na versão bilíngue inglês-alemão neste
torrent
+ esta versão bilíngue pode ser comprada aqui

Sintaxe da Linguagem Visual, de Donis A. Dondis

A tradução do título do livro da designer e professora Donis A. Dondis é enganador. Sintaxe da Linguagem Visual é uma “tradução” muito inadequada, que pode fazer um leitor desavisado não se interessar ou, pior, evitar o livro.

Na verdade, o título original é “A Primer of Visual Literacy”. Uma tradução correta seria algo como “Princípios de alfabetismo visual”. O nome do livro vem da reivindicação da autora de que “se a invenção do tipo móvel criou o imperativo de um alfabetismo verbal universal, sem dúvida a invenção da câmera e de todas as suas formas paralelas, que não cessam de se desenvolver, criou, por sua vez, o imperativo do alfabetismo visual universal, uma necessidade que há muito se faz sentir.”Mas a autora não se limita a diagnosticar o problema. O livro é uma solução muito bem sucedida.

Depois do prefácio do qual foi retirado o excerto acima, e de um capítulo sobre alfabetismo visual, somos introduzidos à Composição: fundamentos sintáticos do alfabetismo visual, no caso: equilíbrio, tensão, nivelamento e aguçamento, vetor do olhar, atração e agrupamento, positivo/negativo.

No capítulo seguinte, Elementos Básicos da Comunicação Visual, a autora decompõe a matéria visual em Ponto, Linha, Forma, Direção, Tom, Cor, Textura, Escala, Dimensão e Movimento, e trata de cada um deles minuciosamente, sempre com exemplos.

Em seguida, Anatomia da Mensagem Visual trata dos níveis de expressão e recepção das mensagens visuai: o representacional, o abstrato e o simbolico, e a interação entre os três níveis. Em A Dinâmica do Contraste, a autora discorre sobre a técnica mais importante no controla de uma mensagem visual, o Contraste, e sua aplicação aos elementos básicos da comunicação visual.Técnicas Visuais: Estratégias de Comunicação, traz dezenove pares conceituais como: Simetria/Assimetria, Simplicidade/Complexidade, Neutralidade/Ênfase e sua aplicação intencional a peças de comunicação, trazendo vários exemplos, principalmente de cartazes.

Síntese do Estilo Visual apresenta a noção de estilo e cinco grandes grupos: Primitivismo, Expressionismo, Classicismo, Estilo Ornamental, e Funcionalidade.Artes Visuais: Função e Mensagem, depois de falar sobre alguns aspectos universais da comunicação visual, traz seções dedicadas a cada uma das principais artes visuais: escultura, arquitetura, pintura, ilustração, design gráfico, artesanato, desenho industrial, fotografia, cinema e televisão.

Por fim, depois de todas as lições, a autora fecha o livro com um capítulo de título auto-explicativo: Alfabetismo Visual: Como e Por Quê. O livro foi originalmente registrado em 1973. São facilmente identificadas as influências da Psicologia da Forma, confirmada com a presença de Rudolf Arnheim na bibliografia. É uma pena que, apesar da iniciativa da autora de criar um guia para o alfabetismo visual, não seja prática constante no ensino básico a presença de disciplinas deste tipo. A preocupação da autora chega ao ponto de que cada capítulo traz ao final alguns exercícios de aplicação do conhecimento adquirido.

De qualquer forma, é um livro básico exemplar. Vale a compra para uso próprio, se você estuda design ou comunicação, ou simplesmente quer entender melhor o que vê à sua volta. Vale como guia, para quem precisa ensinar comunicação visual, seja para ensino médio ou superior. Seja para disponibilização para alunos ou mesmo como meta a ser seguida na construção de outro guia ou manual mais específico, como no meu caso (estou escrevendo o manual de diagramação de uma revista).

Exemplo de página do livro, do capítulo "Técnicas Visuais: Estratégias de Comunicação".

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