A Construção do Marco Regulatório da Inteligência Artificial no Brasil

O Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal (CEJ/CJF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) realizou, no dia 17 de abril, no auditório do CJF, o seminário “A Construção do Marco Regulatório da Inteligência Artificial no Brasil”. O encontro teve o objetivo debater sobre a elaboração do Marco Regulatório da Inteligência Artificial no Brasil, bem como tratar das principais repercussões para o setor de inovação tecnocientífica a partir da implementação de ferramentas de governança regulatória. Colaborei em painel sobre Discriminação Algorítmica, que pode ser assistido no registro abaixo:

Assine princípios e compromissos pela regulação de IA no Pacto Digital Global da ONU

No último fevereiro, pude participar do encontro do Pacto Digital Global – Consulta às Américas, iniciativa do Secretariado de Tecnologias das Nações Unidas. Foi uma troca de ideias entre as partes interessadas sobre o uso futuro de tecnologias digitais, realizado no Ministério das Relações Exteriores do México. Discutimos como a comunidade internacional pode usar essas tecnologias para acelerar o cumprimento da Agenda 2030 das Nações Unidas. Pude levar considerações a partir do trabalho com a Mozilla Foundation e Tecla/Ação Educativa.

Amandeep Singh Gill, Emissário de Tecnologia do Secretariado Geral das Nações Unidas, destacou o papel fundamental que o diálogo multilateral e a ONU podem desempenhar no desenvolvimento de princípios globais sobre tecnologia. “A tecnologia afeta todos os países, comunidades e indivíduos em todo o mundo. É por isso que um processo inclusivo e com várias partes interessadas é fundamental para o sucesso do Pacto Digital Global“.

O objetivo das consultas é produzir recomendações tangíveis e orientadas para a ação que serão refletidas no Pacto Digital Global, que será adotado na Cúpula do Futuro em 2024 e envolve compromissos concretos de todas as partes interessadas, incluindo governos, empresas, civis organizações da sociedade, academia e juventude.

Você também pode contribuir ao Pacto Digital Global! Há várias atividades de consulta multissetorial em andamento, que vão de deep dives temáticos até a submissão de contribuições escritas que são disponibilizadas em plataforma interativa e serão consideradas pelos times das Nações Unidas trabalhando no Summit of the Future.

A Tecla, unidade de direitos digitais e tecnologia da Ação Educativa, desenvolveu submissão escrita ao Pacto Digital Global em três dos eixos trabalhados pela organização: “Conectar todas as pessoas à internet, incluindo todas as escolas”; “Regulação de inteligência artificial” e “Digital commons (bens comuns digitais) como bens globais públicos”.

Veja abaixo os compromissos que subscrevemos em regulação de inteligência artificial, mas você pode ler todo o documento e comentar ou aderir no Typeform:

  • Estados, universidades e o setor privado devem se comprometer a investir no desenvolvimento de tecnologias digitais que não representem riscos conhecidos ou projetados a direitos humanos;
  • Banimento do desenvolvimento de tecnologias digitais emergentes com evidências de discriminação racializada, a exemplo de vigilância biométrica remota em massa; reconhecimento de expressões faciais, identificação de gênero e sexualidade; publicidade segmentada por características psicográficas; armas letais e não-letais semiautônomas ou autônomas; entre outras;
  • Desenvolvimento de abordagem regulatórias deve considerar análise ex-ante que inclua identificação interseccional e interdisciplinar sobre impactos previstos das tecnologias digitais emergentes, com a participação das comunidades possivelmente impactadas;
  • Reivindicar que Estados supervisionem plataformas de intermediação algorítmica de trabalho e estabelecer políticas públicas de regulação ou de fomento em prol da defesa e geração de empregos justos;
  • Estabelecer que Estados, setor privado, sociedade civil e academia desenvolvam políticas mensuráveis de inclusão para combater a falta de representatividade de pessoas negras, mulheres, pessoas com deficiência, LGBTQ+ e suas interseções na idealização, desenho, desenvolvimento, análise, supervisão e implementação de tecnologias digitais emergentes;
  • Exigir que sistemas de alto risco e/ou larga escala, obrigatoriamente, prevejam análises análise de impacto de justiça racial. Este procedimento deve incluir a participação de avaliadores independentes e também de com representação das comunidades impactadas e sociedade civil;
  • Criar alternativas públicas, sem fins lucrativos ou infraestrutura de propriedade dos trabalhadores para competir ou substituir empresas de extração de dados. Implementar transparência obrigatória de código e dados, compartilhados de monopólios de tecnologia, para permitir alternativas públicas ou sem fins lucrativos.

Você concorda com os compromissos acima? Quer saber mais sobre a posição da carta sobre redes comunitárias ou bens digitais comuns? Acesse a carta completa clicando na imagem abaixo e colabore com a defesa dos direitos humanos na tecnologia ao assinar (até o dia 28/4):

Qual o sentido das redes comunitárias?

Nesse episódio do Tecnopolítica, Sérgio Amadeu conversou com Daiane Araújo dos Santos, da Casa dos Meninos e da Ação Educativa, sobre os sentidos e a importância das redes comunitárias de conexão e do uso da Internet. Em um cenário de alta tecnologia, Daiane mostra qual o papel da comunidade na organização da conectividade, na produção de conteúdos, na luta pelos seus valores e na gestão democrática das redes.

Daiane menciona exemplos importantes de utilização e de possibilidades de desenvolvimento dessas redes, que permitem a construção de práticas colaborativas e solidárias a partir das tecnologias. Segue alguns links para quem quiser saber mais sobre as redes comunitárias: IBEBrasil, Casa dos Meninos, Cartilha de Redes Comunitárias, Coolab, PiPA

Justiça Racial e Tecnologia

No episódio #176 do podcast Tecnopolítica, Sérgio Amadeu conversou com Juliane Cintra de Oliveira, diretora executiva da ABONG e coordenadora de tecnologia e comunicação da Ação Educativa. Juliane conversou sobre como podemos levar o conceito de justiça racial para o terreno da tecnologia.

O bate-papo avançou para a importância de explicitar os dispositivos de racialização e preconceitos embarcados nas tecnologias e no ciberespaço. Em seguida, Juliane descreveu o projeto Tecla (https://tecla.org.br/), uma parceria da Ação Educativa, do Projeto Mozilla e de outras organizações da sociedade civil, voltado a ações digitais que priorizem os princípios da educação popular, pluralização de vozes no debate público e a produção de informação e conhecimento.

Tecnologias digitais, ética e vieses discriminatórios

O Ciclo de Conversas “Inteligência Artificial, Algoritmos e Media” foi organizado pela Universidade da Beira Interior – por meio da Unidade de Investigação Labcom – Comunicação e Artes e do projeto MediaTrust.Lab durante janeiro de 2023. Pude participar do painel “Tecnologias digitais, ética e vieses discriminatórios”: Marisa Torres da Silva – Universidade Nova de Lisboa (Portugal); Patrícia Ventura – Universitat Autònoma de Barcelona (Espanha); Tarcízio Silva – Mozilla Foundation (Brasil); com mediação de Paulo Victor Melo (ICNOVA FCSH e Labcom/UBI). Veja abaixo: