Edição e Design, de Jan White

Na contra-capa da edição, o título da resenha de Thomaz Souto Corrêa, vice-presidente da abril é “O Indispensável Manual do Bom Senso”. Inexato. Não pela pretensão, e sim pela humildade: Edição e Design, de Jan White é indispensável sim, mas não só pelas dicas de bom senso. O autor, prolífico diretor de arte, já publicou 14 livros e é consultor de grandes editoras do mundo, incluindo a Abril. Este livro, que teve sua primeira edição lançada em 1974, é referência por ser livro totalmente dedicado ao design de revistas. Livro de cabeceira de dez entre cada dez diretores de arte de revistas, é indispensável a qualquer designer que pretenda trabalhar com revistas.

Os títulos dos capítulos são simples e diretos: indução, espaço, desfile, colunas e grades, margens, espaçamento, largura, escala grande, contraste, disfarçar, simetria e assimetria, tipologia de texto, títulos e subtítulos, entretítulos e capitulares, citações entre aspas, legendas, imagens, gráficos, boxes e fios, sombreamentos, capas, sumário, sinais gráficos, cor, originalidade, checagem.

“Desfile” é o capítulo mais suculento. Infelizmente, a maioria dos livros de design gráfico ignoram um aspecto importantíssimo: a sequencialidade entre as páginas como recurso estético ou narrativo. White diz: “o modo pelo qual os observadores reagem a uma página é afetado pela memória daquilço que acabaram de ver, assim como a curiosidade pelo que vem em seguida. Hábeis comunicadores exploram essa quarta dimensão – o tempo – para dar ‘ritmo’ ao produto e incluir surpresas, altos e baixos emocionais.” Utiliza essa metáfora do “desfile” e compara o passar das páginas a várias outras artes e performances.

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+ Leia de Jan White: Utilizando a parte gráfica para propósitos editoriais

Parq

Seu primeiro número é de fevereiro deste ano. Mensal, a revista portuguesa Parq publica 20.000 exemplares e também é distribuída gratuitamente em pdf em um site bem criativo. Em alguns títulos de seções, o clichê de termos em inglês. “Really People” são pequenas entrevistas – um ou duas páginas -, com músicos, artistas plásticos, produtores. “You Must – Trends” é só a apresentação visual de produtos. Mas é bem criativa: as peças estão como que suspensas no ar, e a revista segue essa disposição em todos os números. “You Must – News” traz as imagens dos produtos acompanhados de pequenas críticas, assinadas divertidas. “View Point” são ensaios fotográficos ou cobertura de exposições, acompanhadas de resenha ou entrevista com o artista. “Soundstation” traz novidades da música, de dj’s semi-desconhecidos ao novo álbum de R.E.M. “Grande Entrevista” é auto-explicativo. A seção “Moda” traz ensaio fotográfico de moda, em torno de um ‘conceito’ por edição. Em “Central Parq”, por fim, reportagens e ensaios.

O design da Parq é bem pop. Abusa das cores saturadas e gradientes, mas de forma elegante. Essa elegância também pode ser encontrada no uso dos fios tipográficos. O conteúdo da revista, sejam imagens, sejam colunas textuais, é organizado entre fios lineares ou ornamentais. Justamente na resenha a “Letras Brancas”, de Stephanie Dermond, temos texto rosa em fundo branco. Cria um contraste cromático e textual com o título e as imagens e enfatiza a intencionalidade na escolha das cores, seja da revista, seja das peças em cerâmica. No segundo número, surpresa rara: crítica de revista, da Avant Garde. No quinto número, Pedro Marques é novamente convidado para falar de outra revista, a Interview.

MagCloud

Um site que permite que você publique suas revistas. Tudo o que você tem de fazer é mandar um PDF e eles tomam conta: impressão, envio, gerência de assinaturas e todo o resto. Bom demais para ser verdade? Não mais. Em parceria com a HP Labs, Derek Powazek criou a MagCloud, que promete ser uma mão-na-roda em se tratando de impressão por demanda.

Horny, de Steven Smith

Horny, de Steven Smith, faz parte da exposição MFA Chair Show, da School of Visual Arts de Nova York. Segundo o autor: “I initially had more prurient, debased ideas for my chair. I rejected the autoerotic approach that utilized a severed cow’s tongue in favor of simplicity, red rubber and leather riding crops. This chair is as nasty as it wants to be and it doesn’t give a damn what you think“. Genial. Visto na revista Parq, que será resenhada em breve.

Coleção Debates e o design moderno no Brasil

“E quais são as invariantes então? A primeira é o formato, uma informação básica que já particulariza a Debates ao primeiro contato: o volume é mais estreito do que a proporção convencional 2:3 (como no caso 14cm x 21cm, por exemplo). Sua dimensão é 11,5 x 20,5, aproximando-se da proporção de 1:2. Além de marcar uma diferença perceptível em relação ao restante do mercado, essa proporção altera a visualidade geral do livro, deixando-o mais esbelto. O maior impacto, porém, se dá na informação tátil. A relação da mão com o volume altera-se. Ele é manipulável com mais facilidade, sem perder a escala que a altura convencional garante. Nesse aspecto, lembra os guias de viagem, sempre mais estreitos para facilitar o manuseio e o transporte.

A segunda invariante é o diagrama, rigorosamente igual em todos os volumes. A capa é dividida em setores, cada um deles correspondendo a um tipo de informação. O tratamento gráfico dado a cada uma delas é sempre o mesmo. A terceira invariante é a cor do fundo, branco em todos os volumes. A quarta é o logotipo, a palavra “debates” repetida três vezes, formando um bloco visual, localizado sempre no alto, à esquerda.

As variantes, além do nome do autor e do título, são o nome da área, a cor dos dois fios grossos do alto e o número na lombada. A cor dos fios é um código que indica a área de conhecimento à qual o volume pertence.

O resultado é que, ao entrarmos numa livraria, ou na biblioteca da casa de alguém, os livros da Debate eram – e ainda são – reconhecidos num relance, mesmo se for um único volume guardado numa prateleira cheia de outros livros. Dado o seu caráter de coleção, o mais frequente era eles serem guardados agrupados, o que torna sua presença visual ainda mais marcante. Limpeza, precisão, legibilidade, clareza, código. Sistema. O ideário modernista brasileira chega aos livros em 1968 e dá uma das melhores respostas ao desafio de projetar uma coleção na história do design brasileiro.”

O excerto acima foi retirado do ensaio “Design de livros: muitas capas, muitas caras”. Faz parte do livro “O Design Gráfico Brasileiro: Anos 60“, organizado por Chico Homem de Melo. É ele quem assina esse ensaio, no qual está surpreendentemente inspirado ao falar do design editorial de Moysés Baumstein. Também constam no livro mais dois ensaios de Melo: “Um Panorama dos vertiginosos anos 60” e “Design de revistas: Senhor está para a ilustração assim como Realidade está para a fotografia”. O designer baiano Rogério Duarte é tema de “O design tropicalista de Rogério Duarte”, de Jorge Caê Rodrigues. E, na outra ponta da prática do design, dois ensaios se debruçam sobre práticas modernistas: “A identidade visual toma corpo”, de André Stolarski” e “De costas para o Brasil, o ensino de um design internacionalista”, de João de Souza Leite.

O livro continua a história do design brasileiro pela editora Cosaca Naify, que já publicou “O Design brasileiro antes do design”, organizado por Rafael Cardoso Denis. Já mencionamos o ensaio sobre J. Carlos e a Paratodos… Sobre Stolarski também já falamos. Ele foi o produtor, e entrevistador, do documentário Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil. O livro é bastante suculento, renderá outras postagens com certeza. Enquanto isso, alguns links:

+ Mais sobre Moysés Baumstein
+ Compre o livro aqui
+ Signofobia, O Design Como Ele É e Os Desafios do Designer, livros de Chico Homem de Melo
+ Baixe “Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil”
+ Leia sobre “J. Carlos, Para Todos e o Pierrô“