Padronizações Completas de Mensuração em Mídias Sociais: tradução do documento #SMMStandards

No início do mês de junho de 2013 o Conclave #SMMStandards lançou o documento  Complete Social Media Measurement Standards, reunindo os avanços deste grupo de associações, profissionais e empresas na definição de padrões, orientações e melhores práticas para Metodologia, Audiência e Impressões, Engajamento, Influência, Opinião & Advocacia e Impacto & Valor. O documento e anotações sobre o progresso do Conclave podem ser vistos em http://www.smmstandards.com/category/progress-summaries/

Para ajudar a fomentar o debate sobre o tema aqui no Brasil, traduzi o documento, que pode ser visualizado e baixado no meu SlideShare:

[slideshare id=23469462&doc=padronizacoesmensuracaomidiassociais-130625113325-phpapp01&type=d]

Uma das coisas mais interessantes é que, quando compara-se o documento aos resultados da survey com 148 profissionais que fiz em 2011, é fácil identificar como os cinco âmbitos prioritários do Conclave estão presentes nas cinco primeiras posições dos “Tipos de Métricas” utilizadas aqui no país:

Ou seja: está tudo conectado e, na verdade, como era de se esperar, um projeto do tipo na verdade “apenas” consolida as melhores práticas do mercado, distribuídas no dia a dia dos bons profissionais. A alta cúpula por trás do SMM Standards está apenas, no final das contas, consolidando conhecimento que já está distribuído em cada um de nós, nossas agências, nossos artigos, universidades e práticas no dia a dia. As práticas já se auto-regulavam, até certo ponto. Documentos como este podem servir de uma referência comum para que falemos a mesma língua.

O que achou do documento? Necessário para o mercado? Útil para seu trabalho? Reflete as práticas que você já segue, ou propõe outras?

Lançado livro “Do Clique à Urna: Internet, Redes Sociais e Eleições no Brasil”

Jamil Marques, Rafael Sampaio e Camilo Aggio lançaram o livro “Do Clique à Urna: Internet, Redes Sociais e Eleições no Brasil”. O e-book, publicado pela EDUFBA e disponível gratuitamente, reúne trabalhos de pesquisadores de diversas instituições que, ao longo dos últimos anos, têm se dedicado a estudar temas na área de Internet e Democracia.

O livro pode ser encontrado gratuitamente aqui  em formato e-Pub. É importante lembrar que para abrir o arquivo e-Pub é necessário instalar o visualizador, oferecido aqui. Tive o prazer de ser co-autor em dois dos capítulos. Vejam a descrição e sumário abaixo:

 

Sobre o livro:

Diante de um cenário ainda nebuloso, continua forte a demanda por trabalhos que discutam ‒ tanto do ponto de vista teórico-metodológico, quanto da perspectiva prática ‒ quais são os efeitos políticos dos media digitais sobre o jogo eleitoral. O livro Do Clique à Urna: Internet, Redes Sociais e Eleições no Brasil procura dar conta de parte dessas preocupações ao reunir capítulos elaborados por pesquisadores de diferentes instituições do Brasil e do exterior. A intenção da obra é servir como ferramenta de leitura para estudiosos, agentes do campo político e ativistas.

 

Sumário:

PREFÁCIO

Othon Jambeiro

 

INTRODUÇÃO

Francisco Paulo Jamil Almeida Marques

Rafael Cardoso Sampaio

Camilo Aggio

 

PARTE I – QUESTÕES GERAIS SOBRE INTERNET E ELEIÇÕES

 

CAPÍTULO 1

INTERAÇÃO ONLINE E POR QUE OS CANDIDATOS A EVITAM.

Jennifer Stromer-Galley

Tradução: Camilo Aggio

 

CAPÍTULO 2

“POLITICS 2.0”: A CAMPANHA ONLINE DE BARACK OBAMA EM 2008.

Wilson Gomes

Breno Fernandes

Lucas Reis

Tarcízio Silva

 

CAPÍTULO 3

INTERNET E ELEIÇÕES 2010 NO BRASIL: RUPTURAS E CONTINUIDADES NOS PADRÕES MEDIÁTICOS DAS CAMPANHAS POLÍTICAS ONLINE.

Francisco Paulo Jamil Almeida Marques

Rafael Cardoso Sampaio

 

CAPÍTULO 4

CAMPANHAS ONLINE: O PERCURSO DE FORMAÇÃO DAS QUESTÕES, PROBLEMAS E CONFIGURAÇÕES A PARTIR DA LITERATURA PRODUZIDA ENTRE 1992 E 2009.

Camilo Aggio

 

PARTE II – INTERNET E ELEIÇÕES NO BRASIL

 

CAPÍTULO 5

ELEIÇÕES NO BRASIL EM 2010: COMPARANDO INDICADORES POLÍTICO-ELEITORAIS EM SURVEYS E NA INTERNET.

João Francisco Resende

Juliana Sawaia Cassiano Chagas

 

CAPÍTULO 6

MODALIDADES DE PARTICIPAÇÃO POLÍTICA EM WEBSITES ELEITORAIS: UMA ANÁLISE DE FÓRUNS DE DISCUSSÃO COM UMA PROPOSTA METODOLÓGICA.

Sylvia Iasulaitis

 

CAPÍTULO 7

ELITES POLÍTICAS E NOVAS TECNOLOGIAS: UMA ANÁLISE DO USO DA INTERNET PELOS CANDIDATOS AOS GOVERNOS ESTADUAIS E AO SENADO NAS ELEIÇÕES BRASILEIRAS DE OUTUBRO DE 2010.

Sérgio Braga

Maria Alejandra Nicolás

André Roberto Becher

 

CAPÍTULO 8

ESFERA CIVIL E ELEIÇÕES 2010: UMA ANÁLISE DE INICIATIVAS ONLINE PARA MAIOR CONTROLE POR PARTE DA SOCIEDADE.

Rafael Cardoso Sampaio

Dilvan Azevedo

Maria Paula Almada

 

PARTE III – MÍDIAS SOCIAIS NAS CAMPANHAS DE 2010

 

CAPÍTULO 9

ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO POLÍTICA ONLINE: UMA ANÁLISE DO PERFIL DE JOSÉ SERRA NO TWITTER.

Francisco Paulo Jamil Almeida Marques

Fernando Wisse Oliveira Silva

Nina Ribeiro Matos

 

CAPÍTULO 10

O ELEITOR TEM A FORÇA!: OS COMENTÁRIOS DOS ELEITORES NO TWITTER E O PAPEL DA AUDIÊNCIA NOS DEBATES PRESIDENCIAIS.

Adriane Figueirola Buarque de Holanda

Ariane Holzbach

CAPÍTULO 11

REDES SOCIAIS NAS CAMPANHAS POLÍTICAS: COMO CANDIDATOS A GOVERNADOR DO PARANÁ USARAM O MICROBLOG TWITTER EM 2010?

Emerson Urizzi Cervi

Michele Goulart Massuchin

 

CAPÍTULO 12

MONITORAMENTO DOS SITES DE REDES SOCIAIS NAS ELEIÇÕES BRASILEIRAS DE 2010: APONTAMENTOS SOBRE OS USOS DO MONITORAMENTO NA COMUNICAÇÃO DIGITAL NAS ELEIÇÕES BRASILEIRAS DE 2010.

Tarcízio Silva

Nina Santos

Pontos, Linhas e Métricas #07: explore sua rede no Gmail

[O texto a seguir faz parte de uma série que pode ser visualizada em “Pontos, Linhas e Métricas: introdução à análise estrutural de redes sociais”]

Voltando às postagens da série Pontos, Linhas e Métricas, vou sugerir o primeiro exercício de exploração de redes a partir dos seus próprios dados. Antes de chegarmos aos softwares mais complexos, como NodeXL e Gephi, vou apresentar diversos softwares online de visualização de redes para que vocês possam se habituar a observar os formatos, agrupamentos e relações entre os nós.

Immersion

O projeto Immersion é uma iniciativa do estudante de mestrado no MIT Media Lab Daniel Smilkov (@dsmilkov2) do MIT Media Lab, do pesquisador do grupo Macro Connections do MIT Media Lab Deepak Jagdish (@dj247) e do líder do grupo César Hidalgo (@cesifoti). No site do Macro Connections é possível saber mais e acessar outros projetos do grupo.

Em resumo, o Immersion acessa o histórico do seu Gmail pra coletar os dados de “De”, “Para”, “Cc” e a data de cada email. Assim, a visualização transforma cada email enviado e recebido em uma aresta, onde cada nó representa uma pessoa. As datas permitem a visualização temporal das redes. Ou seja, aqui trata-se de uma rede social ego (centrada no indivíduo) e que pode trazer informações sobre padrões e intensidade da comunicação, via email, do usuário e seus contatos. Um dos principais recursos é a clusterização dos nós (agrupamento dos nós de acordo com suas conexões). Como é explicado no próprio site, trata-se de auto-reflexão, arte, privacidade e estratégia:

“So Immersion is not about one thing. It’s about four. It’s about self-reflection, art, privacy and strategy. It’s about providing users with a number of different perspectives by leveraging on the fact that the web, and emails, are now an important part of our past”.

O vídeo abaixo mostra os bastidores do projeto:

Immersion: Beneath the surface from Deepak Jagdish on Vimeo.

 

Exemplo de Análise

O Immersion, assim como centenas de outros projetos do tipo, é um exemplo do que eu chamo, na minha dissertação, de aplicativos de análise de informações sociais digitais. Hoje, aplicativos como Klout, PeerIndex, TweetStats, You Are What You Like e muitos outros são também utilizados pelas pessoas comuns para entender melhor a si e ao seu contexto social. Afinal de contas, se eu falo muito com uma pessoa através de emails, isto significa a princípio que tenho algum tipo de relação.

Rede 01 – Esta rede corresponde a fase final de meu período de graduação. Observe como os clusters (agrupamentos) são bem próximos, possuem muitas arestas em comum. Os dados estão anonimizados para exibir aqui, mas os maiores nós (o vermelho e o verde na rede abaixo) representam pra mim dois relacionamentos, respectivamente pessoal e profissional, que definem aquele período:

Rede 02 – Esta segunda rede representa a fase de idealização e construção de uma agência. Observem como é ainda mais densa. Os dois maiores nós representam parceiros profissionais e a discrepância em relação aos outros nós são indicadores da prioridade dada, no período, ao projeto:

Rede 03 – Esta fase representa o período de saída da agência e escrita da dissertação. As comunidades de contatos são mais dispersas entre si e bem definidas, pois se multiplicaram. Devido à relativa reclusa e trabalho focado, individual (dissertação), o maior nó é de um relacionamento amoroso. A comunidade azul escura são outros amigos que faziam parte deste círculo social. A comunidade verde tem como maior nó o orientador de mestrado e é composta de outros pesquisadores da pós-graduação.

Os nós vermelhos são de um projeto profissional realizado basicamente através do email. Os nós possuem quase o mesmo tamanho pois foi uma longa discussão através e uma lista de e-mails para a produção de um ebook. Os nós laranjas são os mesmos parceiros profissionais da fase anterior: aqui são menores, numa fase de transição. Os nós marrons representam contatos tanto profissionais quanto pessoais de São Paulo, pois foi uma fase de preparação para a mudança. Os algoritmos de visualização acabam por perceber esta diferença de locais: os clusters acima da metade da figura são de São Paulo, enquanto os de baixo são de Salvador:

Rede 04 – Esta rede representa os primeiros meses em São Paulo. A importância das relações presenciais para os contatos online se confirma: apenas o cluster vermelho e os pequenos nós do cluster marrom (com exceção do maior, também uma ponte) são de Salvador. Os outros clusters são de São Paulo e outras cidades: representam projetos profissionais, grupos de alunos etc. O grupo verde representa novamente a descrição de um ebook. Observe como um dos nós rosa está perto do cluster verde: é um contato profissional que foi responsável por que eu conhecesse o cluster rosa (uma indicação de trabalho). Ou seja, é possível também visualizar a importância estratégica das pessoas enquanto “pontes” sociais.

Rede 05 – por fim, esta rede representa os últimos meses, onde outro redirecionamento pessoal e profissional foi realizado. Os clusters representam pequenos projetos pontuais e grupos de amigos. A grande quantidade de nós isolados é resultado das trocas de e-mails para uma pesquisa em andamento.

Observando os dados de redes sociais extraídos e processados a partir do meu email, realizei uma ação de auto-reflexão sobre meu passado recente. É um tema cada vez mais importante na atualidade, uma vez que mais e mais rastros e traços digitais são armazenados no nosso cotidiano. Em artigo com o José Carlos Ribeiro (RIBEIRO e SILVA, 2012), propusemos o seguinte diagrama para mostrar a dinâmica envolvida em dois tipos de dinâmicas: visualização comparativa e visualização temporal abrangente.

No caso do Immersion, tratamos da segunda: a coleta e apresentação dos dados traz dados e informações sobre padrões de interação que não seriam possíveis de serem analisadas por uma pessoa comum em outros contextos. Além disso, o tipo de visualização estrutural das redes é um tpo de recurso cognitivo também próprio da contemporaneidade: vinte anos atrás seria praticamente impossível a uma pessoa comum visualizar-se deste modo.

 

Exercício

Provavelmente a descrição de minhas redes ficou vaga, devido ao caráter anônimo e os poucos detalhes resultantes disto. Então, o melhor a ser feito é você explorar sua própria rede. O software, como vimos acima, permite realizar esta análise histórica sobre os seus próprios dados.

Então, para experimentar melhor as possibilidades, consolidar aprendizados e extrair insight, recomendo que abra sua própria rede e se pergunte o seguinte:

  • Quais são os grupos que você consegue identificar? A ferramenta dividiu bem seus ambientes sociais (trabalhos, cidades, grupos de amigos, escolas, universidades etc)?
  • Quais são as díades mais intensas? Por quê?
  • Que tríades representam algo significativo pra você?
  • Compare o ano inteiro de 2011 e o ano inteiro de 2012. Quais as diferenças? Quais pessoas estão mais presentes nas trocas de e-mails? Quais sumiram de um ano para o outro? Por quê?
  • Tente dividir o período coletado em fases, como eu fiz. As diferenças nas redes dizem o quê a você?

Em breve, publicações sobre sociometria e exploração de suas próprias rede no Facebook.

 

Referências

RIBEIRO, José Carlos; SILVA, Tarcízio. Self, Self-Presentation, and the Use of Social Applications in Digital Environments. In: LUPPICINI, Rocci. Handbook of Research on Technoself: Identity in a Technological Society. Idea Group,U.S., 2012.

Content Summit 2013

Em 13 de julho acontecerá mais um evento da Media Education, o Content Summit! Passando por tópicos como Branded Content, formatação de estratégias e diálogos, SAC até a prática, o evento promete abordar os diversos aspectos que envolvem desde insights e concepção de conteúdo até a execução e o retorno esperado.

A Media Education é a responsável por eventos como Social Media Brasil, Metrics Summit e Social Media Summit.  Neste ano reformulou seu sistema de curadoria, apresentando grandes avanços. Neste evento Daniele Rodrigues, chefe de curadoria da ME, definiu a grade junto com Bárbara Mota (Alquimistas) e Guilherme Valadares (Papo de Homem).

Entre os debates já confirmados, estou ansioso para os seguintes:

O resto da grade também está excelente, com temas tais como “O que a marca ganha ao não falar diretamente de si mesma? ” e “KPIs invisíveis: quanto custa o bom conteúdo e como medir o retorno do conteúdo”. Não perca tempo e se inscreva em http://mediaeducation.com.br/contentsummit/

Simpósio em Tecnologias Digitais e Sociabilidade 2013 abre chamada de trabalhos

SIMSOCIAL– Simpósio de Pesquisa em Tecnologias Digitais e Sociabilidade: Performances Interacionais e Mediações Sociotécnicas é um evento de cunho acadêmico destinado a promover debates e circulação da pesquisa produzida sobre as tecnologias digitais e sociabilidade no Brasil e no mundo.  Idealizado pelo GITS – Grupo de Pesquisa em Interações, Tecnologias Digitais e Sociedade, que compõe o PósCom/UFBA – Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas, o simpósio acontecerá nas dependências da Faculdade da Comunicação/UFBA, em Salvador, nos dias 10 e 11 de outubro de 2013.

Na programação, estão previstas atividades como conferências e apresentação de comunicações em grupos de trabalho. O SIMSOCIAL – Simpósio de Pesquisa em Tecnologias Digitais e Sociabilidade tem como público-alvo pesquisadores, professores e estudantes universitários, além de profissionais de instituições relacionadas ao campo da cibercultura, da sociabilidade e das interações mediadas por redes telemáticas.

O evento possui cinco Núcleos Temáticos: Sociabilidade, novas tecnologias e práticas interacionais (NT 1); Sociabilidade, novas tecnologias, consumo e estratégias de mercado (NT 2); Sociabilidade, novas tecnologias, política e ativismo (NT 3); Sociabilidade, novas tecnologias, educação e aspectos cognitivos (NT 4); Sociabilidade, novas tecnologias e práticas colaborativas de produção de conteúdo (NT 5). A submissão de artigos está aberta até 10 de julho.