Entrevista com Fábio Mestriner

Fábio Mestriner é professor da ESPM, presidente da ABRE e dono da agência Packing. Na página da rádio CBN está disponível uma entrevista de 19 minutos em que o professor fala da importância da embalagem. Fábio também é autor do livro Gestão Estratégica de Embalagem. Um trecho:

“Existem também os aspectos subjetivos. O produto, ao longo do tempo, vai fazendo parte da vida das pessoas. Então, a cor, a forma, as imagens passam a habitar o universo cotidiano das pessoas, sem que as pessoas se dêem conta disso. São objetos que vão adornando a sua vida. Então a forma é o principal atributo diferencial da embalagem, porque ela ativa dois sentidos. Ativa a visão e o tato. Então ela tem um envolvimento físico com a pessoa. Em segundo lugar é a cor, porque a cor passa direto do racional e entra na avaliação interna do cérebro e portanto ela é impermeável às avaliações racionais. Então ela é o segundo componente em importância na performance da embalagem. E o terceiro são as imagens que são acopladas ao produto. Existem imagens inesquecíveis associadas à embalagem como por exemplo aquela menina que tem no Coopertone com o cachorrinho baixando o shortinho dela pra mostrar o bronzeado.“

Revista Muito #0

Fazer revista não é fácil. Já comecei outro texto deste blog com a mesma frase. Não é à toa que a Muito pode se gabar de ser a primeira revista semanal baiana, com maior tiragem.

A partir de amanhã, domingo 06 de abril, a revista criada pelo grupo A Tarde será distribuída, “de graça”, nas edições de domingo do jornal. Tiragem de 50.000, ultrapassa de muito longe as tiragens modestas, e periocidade mais ainda, das poucas revistas baianas, a maior parte delas univesitárias.

O número zero da revista já está disponível para download. A capa exibe Cláudia Leite de “bobs” no cabelo. A matéria é A fantástica fábrica de ídolos, sobre a produção de estrelas da música pop, rock e axé. De Kurt Cobain a Michael Jackson, nem Joelma fica de fora. No começo da revista, uma entrevista com a psicanalista Leda Guimarães, que fala algumas coisas interessantes e outras besteirinhas, o de sempre.

O projeto gráfico é bem bonitinho. Também foi criado por Iansã Negrão, responsável pelo jornal. As chamadas de capa são feitas em um tipo sem serifa bem fininho e elegante, que me lembra muito a Geo Sans Light, que uso nos títulos internos da Fraude. O logotipo da revista é a palavra ‘muito’, vermelha, com extremidades angulares ou arredondadas alternadamente. O “pingo” do “i” fica embaixo. Mais uma vez a tríade divina preto-branco-vermelho está presente.

Como não poderia deixar de ser em qualquer revista que queira viver mais que os habituais quatro primeiros números, a publicação é recheada de publicidade, tanto direta quanto indireta. De vestidinhos para as socialites da Vitória vestirem seus poodles a óculos de sol com mp3, para nenhum cooper da Barra botar defeito. Em moda, algumas bolsas pseudo-rústicas. Ainda tem uma seção de produtos de tecnologia e outra de cosméticos.

Bio fala de Receca Falcone, moça baiana multi-performática, que canta, dança, atua e desfila. A revista ainda traz dicas de estabelecimentos culturais e um pingue-pongue com o escritor Santiago Nazarian.

O melhor texto é a Crônica de Aninha Franco, “Mamãe, eu quero ir a Cuba e quero voltar…” Em Parede, fechando a revista, uma ilustração de Juliana Moraes.

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Menininho e menininha

A sinalização de banheiros pode ser algo bem mais criativo do que aqueles símbolos clássicos de menininho e menininha. Pois foi sabendo disso que Tugas (não tem o sobrenome) criou o blog Toilet Signs. Desde 2006 são quase duzentas postagens com fotografias de sinais de banheiros, dos mais variados lugares do mundo. Do moderno (foto ao lado) ao arrojado, passa pelo rústico e pelo pitoresco.

It keeps going, and going, and going…

A imagem acima é uma publicidade (para revistas provavelmente) realizada pela agência Zegers DDB. Infame? Sim. A Energizer a rejeitou, claro. A página Rejected Online – The Best Rejected Advertising reúne campanhas ou material publicitário que foi rejeitado pelos próprios clientes (as empresas). Originada de um livro que publicou algumas dessas campanhas, a página traz também campanhas banidas legalmente ou rejeitadas pelo público. Mas só as mais criativas. Apesar da infâmia, temos de concordar. É muito legal.

Revista Fraude #3

A Fraude chega ao terceiro número no final de 2005. A revista existia há dois números com outra equipe. Dessa vez, a revista se diferenciou bastante em relação aos primeiros números, em parte por causa dessa mudança.

Apesar de ter mais unidade que as duas primeiras, não é tão bonita. Há um uso muito maior de brancos e as texturas foram praticamente abolidas em favor da legibilidade. As duas matérias de três páginas, não utilizam bem a sequência, porém. O conto é uma das melhores duplas, utilizando um efeito de contraste/espelho muito interessante, apesar de inexato.

A dupla da matéria “Bonecas de Plástica”, uma das poucas com fotografias produzidas, também traz uma proposta interessante. A melhor, entretanto, é a da matéria “Na cena do crime”. Na página par, um aparente erro na imagem traz uma segunda interpretação do todo da página, e a página ímpar traz uma integração entre a ilustração e página bem realizada.

Em relação às pautas, essa edição trouxe como núcleo temático, essa edição trouxe à discussão a ‘Ficção e realidade: os labirintos do século XXI”: uma matéria sobre o reality show policial Linha Direta, outra sobre metaficção histórica, além de rastrear a inspiração para o programa Pânico na TV! , o comediante americano Andy Kaufman. Renovação constante da moda, literatura pop e programas infantis também tiveram espaço. Sobre cinema, a Fraude trouxe matéria sobre a nova abordagem do sexo, e outra sobre o monstro dos filmes de terror como representação do Outro.

O professor André Lemos contribuiu com o conto “Palavras Escritas”, enquanto que o jornalista Danilo Fraga (um dos fundadores da revista, atualmente no Caderno Dez!) escreveu texto sobre “A jovem Jovem Guarda”, mostrando a influência da Jovem Guarda no novo rock gaúcho. Uma dessas bandas é o Cachorro Grande, entrevistada nesse número da revista.

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