BuddyPoke: lições sobre aplicativos sociais

Esse é um post antigo, publicado originalmente no blog do Observatório de Publicidade em Tecnologias Digitais, ano passado. Trago pra cá pra reunir meu material sobre aplicativos sociais.

Os aplicativos sociais do Orkut foram lançados em 10 de julho de 2008. Desde então, quase todas as colocações dos primeiros 25 aplicativos mais populares mudam constantemente. Ascenções, quedas, novos aplicativos surgem, outros perdem a popularidade, mas um é invicto. Desde julho já são mais de seis meses de liderança absoluta do Buddy Poke. Quais são as razões desse sucesso? Tenho alguns palpites a partir de pesquisa na área e observação do aplicativo.

buddypoke

Formato – um característica essencial para aplicativos ou widgets em mídias sociais é que eles devem ser… sociais. Mas o tautologismo aparente não foi sempre observado. Por exemplo, entre os 25 aplicativos mais populares, apenas um não possibilita nenhum tipo de interação com outros usuários. E este aplicativo é o jogo Sonic, que praticamente qualquer adolescente ou adulto até 30 anos teve a oportunidade de jogar em consoles.

O BuddyPoke é um aplicativo que denomino de criação de avatar. Quando foi lançado no Orkut, permitia que o usuário modificasse seu humor em vários estados, como feliz/chateado/bravo/cansado/sonhador/etc e atividades como abraço/beijo/aceno/etc.

Como o Orkut copiou o “News Feed” do Facebook, com o nome “Atualizações dos amigos”, logo o Buddy Poke foi difundido através dos amigos que viam outros amigos interagindo com o aplicativo.

Customização – Cada avatar pode ser modificado em relação à rosto, cabelo, cor de pele, óculos e uma infinidade de roupas diferentes, com uma paleta de cores enorme.

Ao contrário do fracassado Yahoo Avatar, não é perseguida a fidelidade exata. A partir de formas esquemáticas (ver sobre as referências estéticas abaixo), a customização dos avatares permite inserir traços mais marcantes, mas ainda simples de cada pessoa.

Além das ações, uma das atualizações também inseriu a ferramenta “Imagens”, no qual o usuário pode criar uma imagem customizada e salvá-la para utilização em recados na própria rede social ou em outros meios.

buddypoke2

Constante atualização – Hoje uma nova atualização foi lançada. Agora, a quantidade de atividades possíveis é tão grande que foram divididas em sete grupos. Não nomeados, cada um é indicado por um pictograma. Com termos grosseiros, dividiria em: afetivos, atividades lúdicas, briga, esportes, dança, música e natal.

Já são mais de 100 ações possíveis. Desde julho, foram três grandes atualizações. São necessárias atualizações constantes tanto para aumentar o tempo de utilização do aplicativo (e possíveis cliques nos anúncios exibidos), quanto para renovar o interesse. Afinal, como toda novidade lúdica é normal que a curva de interesse decaia após algum tempo.

Referências estéticas – a estética do desenho do mangá chegou ao ocidente através dos animes num primeiro momento e hoje é utilizada até pelos selos conservadores de quadrinhos DC Comics e Marvel, nos Estados Unidos, e por Maurício de Souza, no Brasil.

Isto mostra que os criadores do aplicativo pensaram também nesse contexto de consumo dessa estética. Em outra época ou outro país, isso poderia ser uma barreira. Mas foi justamente o contrário: um incentivo ao uso.

A influência do Buddy Poke superou as redes sociais (Orkut, MySpace, Hyves, Hi5, Friendster e Netlog). Já é motivo de criação de machinimas, criações audiovisuais feitas pelos usuários a partir geralmente de jogos, como Warcraft e Ragnarok. Veja abaixo:

httpv://www.youtube.com/watch?v=5tqq2aZ6Pj0

Mentez vende créditos para aplicativos sociais em pontos de venda físicos

A @mentez pôs a imagem abaixo em seu twitpic. Para quem não sabe, a Mentez é representante do BuddyPoke no Brasil e desenvolvedora de diversos aplicativos sociais. Observo aplicativos sociais desde maio do ano passado e, pra ser sincero, essa imagem me surpreendeu. Só reafirma a  crescente força da economia dos aplicativos sociais. Investigarei se isso é prática existente para os aplicativos de Facebook e posto aqui, quando descobrir algo.

créditos aplicativos sociais

Olhares da rede – ebook gratuito discute cinco autores-chave das redes digitais

Cultura de RedeOlhares da Rede é um livro produzido pelo Grupo de Pesquisa: Comunicação, Tecnologia e Cultura da Rede, da Faculdade Casper Líbero. Organizado por Claudia Castelo Branco e Luciano Matsuzaki, o livro tem apresentação escrita por Sérgio Amadeu, um dos coordenadores do grupo. O livro discute a  obra, investigações e conceitos de Yochai Benkler, Manuel Castells, Henry Jenkins, Lawrence Lessig e Douglas Rushkof, que estão entre os pensadores mais importantes da  pesquisa contemporânea sobre cibercultura e redes digitais.

Intermídias – Onde todas as mídias formam uma só narrativa

Ian Castro estuda na mesma faculdade onde estudei até o início do ano. Apesar disso (vejam como sou nerd), fui conhecê-lo apenas pela internet, através do ótimo blog Altcore. Além de pesquisa acadêmica, o cara tambem é redator web da agência baiana Ideia 3.  Depois de muita enrolação (aqui fica o puxão de orelha), publicou o Intermídias, novo blog. Domínio próprio, plataforma wordpress e, principalmente, o que mais importa: conteúdo de muita qualidade.  Se quiser ler sobre comunicação e publicidade digital, com alguma ênfase em mobile, não pode deixar de clicar na imagem abaixo e também assinar o feed:

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