Análise no Trabalho Etnográfico

Continuando com a série de resumos das palestras do NewMR, vamos falar rapidamente da “Analysis in Etnographic Work” realizada por Neil McPhee, da Nuance Research e ETHNOS Consultants.

Em primeiro lugar, McPhee fala que a etnografia é a ferramenta menos compreendida no mercado. É vendida de forma inadequada por agência, comprada de forma inadequada por clientes, vista como vigilância por clientes e percebida de forma extremamente simplista por muitos clientes e agências.

McPhee mostra um gráfico que liga a Análise a: Dados sobre Comportamento; Observações e Notas; Codificação de Ações e Eventos; Análise de Vídeos e Transcrições; Apoio de Computadores e Ferramentas de Análise Qualitativa; Objetivos do Cliente.

Citando a velha máxima “se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho pode ser feito”, McPhee explica a importância de saber exatamente que problema ou desafio deve ser resolvido.

Armazenar dados é essencial: vídeos, notas, diagramas e outros permitem contabilizar e perceber padrões de comportamento. McPhee cita um estudo sobre comportamento em cozinhas, pro exemplo: em uma hora, é possível contar o uso do fogão, lixeira, tempo de procura por utensílios, número de vezes em que a participantes se curvou para pegar algo etc.

Transcrições textuais podem ser muito úteis com um bom sistema de QDA e codifição, além de tempo e equipe disponíveis.

Qual o escopo de dados e tópicos que estão sendo buscados? Cultura? Economia? Meio ambiente? Família? Educação? Redes Sociais? Estratificação? Definindo bem isto, as perguntas específicas podem ser realizadas.

A etnografia procura por: eventos espontâneos e comportamentos; relação com ambientes internos e externos; interações. McPhee explica o processo de análise, baseado na Grounded Theory:

As abordagens e ferramentas de análise podem ser variadas. Fala do armazenamento de dados e padrões à mão livre, uso do excel para formalizar e cruzar informações e uso de softwares especializados como o Atlas/ti.

Entrevista sobre Inovação com Cláudio Terra

Ótima entrevista com o Cláudio Terra, CEO da TerraForum Consultores, empresa brasileira referência no assunto e que, como era de se esperar, publica muito conteúdo no tema. Já citei aqui o SlideShare dele: confira em http://www.slideshare.net/jcterra

Você pode ler a entrevista no site da PEGN, aqui deixo a resposta de uma pergunta pra lembrar que uma ideia é uma ideia, no final das contas. Discursos sensacionalistas do tipo “tenha a ideia inovadora e fique milionário” ou “você tem um Zuckerberg na sua empresa” são mais nocivos do que incentivadores. Como explica o Terra na resposta abaixo, o que vai importar realmente é se os atores individuais e organizacionais envolvidos poderão movimentar recursos e redes de outras organizações, pessoas, discursos, leis e comunicação para que a inovação seja realmente aplicada:

3) Depois de ter “a ideia inovadora”, quais são as etapas para concretizá-la?
Há um ditado que se aplica muito bem a esta pergunta: “O inferno está cheio de boas ideias”. O que quero dizer com isso é que as ideias são apenas um pequeno pedaço do processo de inovação. A grande questão na inovação depois da boa ideia é a mobilização de recursos para concretizá-la. Há uma metodologia clássica chamada “stage-gates”, que nada mais é do que ter marcos bem claros que mostrem como uma ideia pode estar evoluindo, no sentido de se tornar efetivamente uma inovação. Nesses marcos, diferentes tipos de pessoas, perfis e especialistas são chamados para avaliar e, principalmente, apoiar o projeto de inovação. O inovador e empreender são pessoas especiais porque sabem que ao longo do processo de evolução da ideia para o projeto, muitos obstáculos são encontrados e que precisam ser vencidos com persistência.

Etnografia, por Ray Poynter

Ray Poynter é um pesquisador de marketing que fomenta a área do NewMR – New Marketing Research. Autor do excelente livro Handook of Online and Social Media Research, Poynter também é criador e coordenador da rede NewMR.org que produz periodicamente eventos – presenciais e online – sobre a área. Já falei aqui sobre dois eventos, um sobre text analytics e outro sobre neurociência, através do resumo das palestras “Mídias Sociais: a próxima fronteira para text analytics” e “Neurociência explicada“. No último mês, a rede NewMR organizou um evento sobre Etnografia. Abaixo um pequeno resumo da palestra ‘Ethnography 101”, na qual Ray Poynter introduziu o tema. Não esqueça de se inscrever para os próximos eventos da NewMR: apenas os participantes recebem acesso aos slides e gravações.

Segundo Ray Poynter, a etnografia está localizada nos estudos das pessoas dentro do contexto social. Etnografia está localizada dentro do domínio da pesquisa de marketing qualitativa. Se baseia n experiência vivida: existe um abismo entre perguntar coisas às pessoas e observá-las enquanto elas vivem e experienciam coisas e eventos.

Citando Willis e Trondman, “etnografia é uma família de métodos que envolvem contato social direto e contínuo com os agentes sociais, e em registrar ricamente o encontro, respeitando, armazenando e representando ao menos parcialmente em seus próprios termos, a irredutibilidade dos seres humanos”.

Etnografia tipicamente inclui: pesquisa de campo; observação participante, discussões informais e outros métodos; coleta não estruturada e heterogênea   de dados; pequeno número de casos; explicações como resultados.

Os papéis do pesquisador etnógrafo pode variar em um espectro que vai do observador ao participante, como mostra a imagem acima.

Em seguida, Ray Poynter cita alguns estudos que podem ser posicionados em uma matriz que classifica as experiências dos objetos de estudo de acordo com a “Disposição a Compartilhar” e “Auto Consciência”:

Etnografia é situada. Ray Poynter cita um estudo que realizou em três cafés Starbucks. A pesquisa etnográfica é situada porque aquelas dinâmicas que ele observa são típicas daquelas três lojas, naquele ano e naquele período. O pesquisador etnógrafo deve estar atento à reflectividade. O pesquisador possui uma cultura, histórico, background e objetivos que devem ser levados em conta no momento da interpretação dos dados. As ações do pesquisador também devem ser consideradas. No caso em questão, Poynter cita alguns exemplos de possíveis interferências no ambiente: talvez ele estava no lugar preferido de alguém ou talvez a repetição de sua presença ali mudou o comportamento de alguém.

Utilizando uma definição de Denzin, Poynter ainda diz que “etnografia é um modo de pesquisa e escrita que produz descrições e relatos sobre os modos de vida do escritor e sobre quem está se escrevendo”.

Confira o NewMR e não perca os próximos eventos.

Uso e Desenvolvimento de Aplicativos Sociais: Perspectiva da Teoria Ator-Rede

O artigo Uso e Desenvolvimento de Aplicativos Sociais: Perspectiva da Teoria Ator-Rede é fruto da aproximação de um interesse de pesquisa meu com o referencial teórico sobre a Teoria Ator-Rede, com o qual tive contato em disciplina  (no PPGCCC-UFBA) do André Lemos no ano passado. Foi recém-publicado na revista Razón y Palabra, n.76. Segue o link (PDF) e resumo:

Uso e Desenvolvimento de Aplicativos Sociais: Perspectiva da Teoria Ator-Rede
O presente artigo busca observar o desenvolvimento contínuo de aplicativos sociais no Facebook a partir da Teoria Ator-Rede. Entendendo estes softwares como estruturas automatizadas que possuem elementos e recursos característicos de softwares web 2.0, pretendeu-se observar o desenvolvimento como exemplo desta dinâmica sócio-técnica particular. A análise mostrou que diversos actantes humanos e não-humanos estão envolvidos na criação e desenvolvimento destes aplicativos, que não podem, portanto, serem visto como criações apenas de desenvolvedores.

Quão intensa é a sua próxima inovação?

Em recente artigo na Harvard Business Review, Geof Tuff da Monitor apresentou (com o apoio da Open) um interessante infográfico sobre os dez tipos de inovação propostos pela Doblin. Segundo Tuff, uma ideia inovadora terá sucesso se atender a 6 ou mais tipos de inovação:

Os dez tipos são: 1. Modelo de Negócio; 2. Networking; 3. Processo de Aplicação; 4. Processo Principal; 5. Performance do Produto; 6. Sistema do Produto; 7. Serviço; 8. Canal; 9. Experiência do Consumidor; 10. Marca . Leia mais e veja laguns cases no site da HBR.