Lamba sua revista!

Sempre fui apaixonado por revistas. Finalmente um sonho foi realizado. Agora também posso lambê-las! E com gosto de suco de uva!
Exageros (será mesmo?) à parte, a postagem aqui é para noticiar o rebuliço causado pela publicidade do suco Welch’s, na revista People. É só puxar um selinho, meter a língua e voilà: amostra grátis do produto. Leia mais aqui.

Sintaxe da Linguagem Visual, de Donis A. Dondis

A tradução do título do livro da designer e professora Donis A. Dondis é enganador. Sintaxe da Linguagem Visual é uma “tradução” muito inadequada, que pode fazer um leitor desavisado não se interessar ou, pior, evitar o livro.

Na verdade, o título original é “A Primer of Visual Literacy”. Uma tradução correta seria algo como “Princípios de alfabetismo visual”. O nome do livro vem da reivindicação da autora de que “se a invenção do tipo móvel criou o imperativo de um alfabetismo verbal universal, sem dúvida a invenção da câmera e de todas as suas formas paralelas, que não cessam de se desenvolver, criou, por sua vez, o imperativo do alfabetismo visual universal, uma necessidade que há muito se faz sentir.”Mas a autora não se limita a diagnosticar o problema. O livro é uma solução muito bem sucedida.

Depois do prefácio do qual foi retirado o excerto acima, e de um capítulo sobre alfabetismo visual, somos introduzidos à Composição: fundamentos sintáticos do alfabetismo visual, no caso: equilíbrio, tensão, nivelamento e aguçamento, vetor do olhar, atração e agrupamento, positivo/negativo.

No capítulo seguinte, Elementos Básicos da Comunicação Visual, a autora decompõe a matéria visual em Ponto, Linha, Forma, Direção, Tom, Cor, Textura, Escala, Dimensão e Movimento, e trata de cada um deles minuciosamente, sempre com exemplos.

Em seguida, Anatomia da Mensagem Visual trata dos níveis de expressão e recepção das mensagens visuai: o representacional, o abstrato e o simbolico, e a interação entre os três níveis. Em A Dinâmica do Contraste, a autora discorre sobre a técnica mais importante no controla de uma mensagem visual, o Contraste, e sua aplicação aos elementos básicos da comunicação visual.Técnicas Visuais: Estratégias de Comunicação, traz dezenove pares conceituais como: Simetria/Assimetria, Simplicidade/Complexidade, Neutralidade/Ênfase e sua aplicação intencional a peças de comunicação, trazendo vários exemplos, principalmente de cartazes.

Síntese do Estilo Visual apresenta a noção de estilo e cinco grandes grupos: Primitivismo, Expressionismo, Classicismo, Estilo Ornamental, e Funcionalidade.Artes Visuais: Função e Mensagem, depois de falar sobre alguns aspectos universais da comunicação visual, traz seções dedicadas a cada uma das principais artes visuais: escultura, arquitetura, pintura, ilustração, design gráfico, artesanato, desenho industrial, fotografia, cinema e televisão.

Por fim, depois de todas as lições, a autora fecha o livro com um capítulo de título auto-explicativo: Alfabetismo Visual: Como e Por Quê. O livro foi originalmente registrado em 1973. São facilmente identificadas as influências da Psicologia da Forma, confirmada com a presença de Rudolf Arnheim na bibliografia. É uma pena que, apesar da iniciativa da autora de criar um guia para o alfabetismo visual, não seja prática constante no ensino básico a presença de disciplinas deste tipo. A preocupação da autora chega ao ponto de que cada capítulo traz ao final alguns exercícios de aplicação do conhecimento adquirido.

De qualquer forma, é um livro básico exemplar. Vale a compra para uso próprio, se você estuda design ou comunicação, ou simplesmente quer entender melhor o que vê à sua volta. Vale como guia, para quem precisa ensinar comunicação visual, seja para ensino médio ou superior. Seja para disponibilização para alunos ou mesmo como meta a ser seguida na construção de outro guia ou manual mais específico, como no meu caso (estou escrevendo o manual de diagramação de uma revista).

Exemplo de página do livro, do capítulo "Técnicas Visuais: Estratégias de Comunicação".

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Persépolis perto de chegar ao Brasil

Texto de Marcelo Oliveira: estudante de Jornalismo na UFBa, planeja livros e histórias nas horas vagas.

Dia 22 de fevereiro estréia nos cinemas brasileiros o longa de animação Persépolis (Persépolis, França, 2007). Baseado na história em quadrinhos autobiográfica de mesmo nome, escrita e desenhada pela franco-iraniana Marjane Satrapi, a obra foi dirigida pela autora em parceria com Vincent Paronnaud.

A produção aporta quase um ano depois do seu lançamento original, mas já é bastante comentada em algumas rodas de cinéfilos. Isso se deve ao reconhecimento obtido no Cannes do ano passado, quando obra foi selecionada pelo júri, juntamente com outro filme, filme Luz Silenciosa, e à exibição na Mostra SP de outubro do ano passado. Obviamente, ele era discutido também pelos leitores da história em quadrinhos, que infelizmente vendeu pouco.O enredo gira em torno das aventuras de Marjane, ou Marji, na Irã sob os ditames da república islâmica dos anos 80 e 90. Descendente de duas gerações de militantes comunistas, ela leva a rebeldia e a garra para todos os campos de sua vida, do âmbito político ao sexual. Confusa entre o que acredita e o que vê, Marjane é uma garota que luta para ser forte em meio a um país que é um extramente repressor. No decorrer da adolescência, a garota se muda para a Áustria e descobre-se atraída pela cultura ocidental como nunca acontecera, mas mesmo assim tenta se apegar às tradições iranianas, o que a faz se sentir sem identidade.

Os maiores destaques do enredo narrado em primeira pessoa são as buscas de Satrapi por liberdade e o panorama político iraniano traçado. Mesmo a história se desenrolando na década de 80, flashbackes remontam ao passado, para desembocar no presente de violência e repressão. Enquanto vive na Áustria, ela tenta ser uma jovem comum, mas sua descendência dificulta o processo de integração pelos amigos ocidentais.

A animação tem arte variada. Quase sempre ela segue o clássico padrão 2D como nos antigos filmes da Disney. No entanto, em alguns pontos a animação digital aparece para compor cenários e linhas narrativas diferentes. Aliás, o filme tem diferentes momentos e climas, em transições naturais e rápidas. Essa característica é uma faca de dois gumes: o ritmo meio alucinado da animação difere do compasso demarcado visto mo quadrinho, e dá uma impressão de superficialidade à história – ao contrário da graphic novel, que desenvolve muito bem cada fase da personagem. Em compensação, o mosaico de narrativas e cenas vêm recheadas de fascinantes e lindas imagens.

A trilha sonora do filme é bem escolhida, salvo a execução de “Eye of the tiger”, numa cena muito forçada e desnecessária, que não estava presente no livro. Destaque para a música de abertura, tema da película.

Persépolis é um filme bom, que tem potencial para levar o Oscar de Melhor Animação. No entanto, a verdadeira essência da obra está encarnada na mídia em que foi originalmente lançada: os quadrinhos. Ali vemos, com uma emoção vibrante, cada passo dado pela autora até seu amadurecimento e saída do Irã. Em muitas passagens, ela demonstra a importância de viver, de lutar e de conhecer a si mesmo. Muita dessa força foi perdida na adaptação das telonas, que corre para em pouco mais de 80 minutos de filme narrar um livro de 327 páginas – pelo menos na edição definitiva da Editora Cia. Das Letras.

A arte econômica de Satrapi é bastante envolvente e nos conduz a um mundo fantasioso e instável, porém cheio de recompensas belas e feiúras marcantes. Mesmo sendo minimalista, muitas vezes a autora adota certo exagero para demonstrar os loucos desejos que existiam em si mesma ou então a sua desgraça que vinha em doses homeopáticas. É impossível não sentir o que está acontecendo com a autora, mesmo se tratando tão-somente da leitura de quadros e mais quadros.

Se você se interessar pelo filme, recomendo a história em quadrinhos. Ela me fez chorar três vezes, o filme não.

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Os Livros Mais Bonitos da França

Desde 1963 acontece anualmente em Leipzig (Alemanha) um concurso que elege os melhores exemplares de design de livro do “mundo”. Na verdade são 33 países (basicamente os maiores da Europa, mais China, Japão e EUA). Primeiro acontece uma fase eliminatória em cada país, como a francesa, que acontece desde 2007. Os vencedores franceses são expostos na galeria Anatome. A página do Concours des plus beaux livres français traz informações, notícias, fotos e links sobre o concurso. Vale a visita.