Entrevista com a pesquisadora Andrea Hiranaka

Hoje trago para vocês uma entrevista com a Andrea Hiranaka, Gerente na Ipsos SMX (Social Media Exchange). Com grande experiência em pesquisa nas mídias sociais, Hiranaka participará de uma mesa sobre o tema no Social Analytics Summit 

andrea hiranakaQual o seu caminho percorrido para trabalhar com pesquisa em mídias sociais?
Apesar de formada em Relações Públicas, comecei a carreira e sempre trabalhei com pesquisa de mercado. Por curiosidade e interesse em inovação e tecnologia, conheci uma empresa especializada em monitoramento de mídias sociais, a E.Life, e vi a oportunidade de unir as duas coisas. A oportunidade rolou e entrei na empresa em 2008 como analista. Desde então passei por algumas vagas sempre transitando entre pesquisa tradicional, pesquisa online e monitoramento. Hoje sou gerente da área SMX (Social Media Exchange) da Ipsos.

Em quê a pesquisa em mídias sociais se diferencia, para o bem e para o mal, de outros tipos e modalidades de pesquisa?
A pesquisa em mídias sociais é um complemento fantástico para a pesquisa tradicional. Ela traz a oportunidade de estudar as opiniões espontâneas dos consumidores, a entender o relacionamento do consumidor com a marca no momento do ponto de contato e complementar os dados numéricos com falas reais. Além disso, por ser um tipo de pesquisa prática e rápida, ela traz velocidade à construção de conhecimento.
Contudo, a falta de dados de perfil dos pesquisados (seja demográficos ou atitudinais) e a impossibilidade de explorar mais profundamente alguns pontos faz com que seja preciso algum outro tipo de abordagem de pesquisa para conseguir trazer uma resposta completa às questões das empresas.

Você pode nos compartilhar um case em que a pesquisa qualitativa foi crucial para o desenvolvimento de alguma estratégia do cliente ou que a descoberta com a pesquisa tenha gerado informações particularmente úteis/aplicáveis?
Infelizmente não vou poder abrir um case com resultados por conta de confidencialidade, mas vou trazer alguns exemplos de aplicações com objetivos de negócio. Na Ipsos, nossa metodologia se chama Social Business Intelligence, ou seja, desde a sua concepção tem como objetivo entregar informações acionáveis para as empresas.

Qual a sua expectativa com relação ao Social Analytics Summit 2014? Pra deixar o pessoal do SAS mais curioso, pode falar um pouco sobre o que você vai apresentar no evento?
No Social Analytics Summit 2014 vou falar sobre como uma das maiores empresas de pesquisa de mercado do mundo, a ipsos, está trabalhando com o monitoramento e como estamos usando a bagagem de experiência e know-how da pesquisa tradicional para elevar o Social Listening para outro patamar. Estou com boas expectativas do evento. Espero que a gente consiga fazer um bom debate, que a gente traga novas discussões para o mercado. Espero que gostem!

 

Em breve mais entrevistas com os palestrantes do #SAS2014, aqui e no blog da Priscila Marcenes.


Conferência sobre Twitter acontecerá neste sábado 25 de outubro

Se o Twitter é um dos melhores amigos do pesquisador em comunicação digital e dos analistas de monitoramento, o mesmo não pode se dizer do mercado de mídias sociais de modo geral, que praticamente só teve olhos para o Facebook nos últimos tempos. Porém, 2014 está se tornando um marco na correção desta miopia.

Nada mais apropriado, então, do que um evento dedicado à plataforma do nosso querido pássaro azul da informação e conversão ágeis, rápidas e mundiais. A conferência Twitter Summit acontecerá neste sábado, 25 de outubro, na Faculdade Cásper Libero. Ainda dá pra se inscrever:

twitter summit

 


Monitoramento de Mídias Sociais: segmento de viagens

Publicamos, na Social Figures, um whitepaper realizado pela Priscila Marcenes sobre Monitoramento de Mídias Sociais no Segmento de Viagens.  Convidamos a profissional, atualmente coordenadora de social intelligence e pesquisa na AD. Dialeto, para escrever o documento, que traz interessantes insights sobre o segmento, como o esquema abaixo. Clique para visualizar e baixar:

monitoramento para o segmento de viagens


Papo sobre analytics e ciência de dados

Final do mês passado tive um papo rápido com o Vinícius Ghise, que tá reforçando a escassa blogosfera sobre social analytics com não apenas um, mas dois blogs: o seu próprio e o 2Read Analytics (sigam!). A mini-entrevista foi feita para um texto sobre o #SAS2014 e, como o estilo jornalístico pede brevidade, reproduzo as respostas inteiras aqui:

O Social Analytics Summit está na terceira edição. Como você avalia a evolução do mercado desde a primeira edição do evento?
Ao longo destes três anos, os setores de monitoramento, pesquisa e mensuração em mídias sociais deixaram as posições secundárias, tornando-se muitas vezes centro das estratégias. O nível de exigência do mercado cresceu muito junto à experiência dos profissionais. Falando de monitoramento de mídias sociais, o número de especialistas com perfil de liderança aumentou bastante, graças ao que foi realizado nestes últimos anos. Então temos dois movimentos fortes: valorização dos profissionais com experiência, que “desbravaram” o mercado e a busca por profissionais de outras áreas com capacidades que são escassas no mercado, como pensamento científico, conhecimento estatístico ou compreensão de metodologias de ciências sociais. O Social Analytics Summit 2014 traz então dois pilares que representam o atual mercado brasileiro de dados sociais: maturidade e ciência.

Apesar da insistência dos especialistas (de social analytics), muitas vezes a inteligência de dados fica um pouco de lado na concepção de novos projetos, em detrimento do conceito criativo, principalmente em agências que surgiram e se consolidaram no mercado trabalhando com propaganda, até então offline, e em determinado momento foram praticamente forçadas a conectar com o digital. Como você avalia este cenário?
Gosto de citar um caso real bem curioso em outro evento que assisti. Numa mesa com um cliente, um planejador e um atendimento, foi justamente o planejador que criticou o uso de métricas na comunicação. Para ele, “métricas tiram a poesia da publicidade”. De bate-pronto, um espectador tuita algo como “não sabe ele que métricas ajudam os poetas desde sempre”. A ojeriza de alguns criativos em relação a matemática e mensuração de modo geral não faz sentido, na minha opinião. É possível analisar tendências, padrões e estilos – inclusive o que “foge” deles – mesmo sem usar uma única fórmula matemática. O pensamento científico pode ser aplicado em todas áreas humanas, inclusive nas criativas, para expandir o domínio até da experimentação.

Como debate de encerramento pusemos dois profissionais que vieram do “mundo acadêmico” para agências de publicidade justamente para mostrar o quanto isto funciona bem. Não por acaso, os dois vieram de outras áreas, administração e ciência política, devido a esta lacuna atual no mundo publicitário. Acredito que, em breve, o mercado publicitário vai voltar a investir ainda mais no entendimento sólido de ciências sociais e metodologia, forçada pelos meios digitais. Esta falsa dicotomia entre criatividade e mensuração vai ser demolida nos próximos anos.

Para quem já trabalha com mídias sociais e deseja se especializar em métricas, qual conselho (ou conselhos) você daria?
O conselho vale para profissionais que desejem trabalhar com mensuração, monitoramento e pesquisa: estudem metodologia. Ao contrário do que se fala por aí em relação a marketing – e em relação a qualquer ciência, no final das contas – o que é considerado ser um bom indicador ou resultado é socialmente estabelecido. Então, os profissionais que conseguem compreender muito bem o mercado, suas demandas e ferramentas para atendê-las, devem compreender como transformar estas necessidades em produtos informacionais. E isto pode ser feito de forma rentável e eficiente apenas por quem compreende como transformar tantos dados de atributos, relações, interações, fluxos, conversas e opiniões, disponíveis nas mídias sociais, em informações acionáveis.