Curso “Monitoramento de Mídias Sociais – Inteligência de Mercado” é lançado na Casper Líbero

curso casper libero - monitoramento de midias sociais

A Faculdade Casper Líbero (São Paulo) acabou de lançar o curso livre “Monitoramento de Mídias Sociais – Inteligência de Mercado“, de minha autoria. São 16 horas de conteúdo e prática, incluindo exercícios com o objetivo de capacitar estudantes e profissionais de comunicação nas etapas de planejamento, análise e produção de relatórios de monitoramento de mídias sociais.

Nas 4 aulas, realizadas em 21, 23, 28 e 30 de julho (terças e quintas), os estudantes serão apresentados a conceitos, técnicas, softwares e inovações na área.programa de aula - tarcizio silva - monitoramento de mídias sociais

Para saber mais, basta visitar a página no site da Casper Libero e baixar o manual do aluno.


Pesquisa baseada em Dados Sociais Digitais: mapeamento de ferramentas e táticas de coleta de dados no Intercom

Acaba de ser publicado meu artigo “Pesquisa baseada em Dados Sociais Digitais: mapeamento de ferramentas e táticas de coleta de dados no Intercom“, na revista digital iberoamericana Razón y Palabra. O objetivo do trabalho foi mapear padrões entre os artigos publicados no evento que realizaram coleta de dados interacionais, conversacionais e opinativos em sites de redes sociais. Variáveis relacionadas a quantidade de dados, ferramentas de coleta, plataformas analisadas e apresentação dos resultados foram rastreadas à luz de questões referentes aos desafios e potencialidades destas modalidades de pesquisa.

Total de Artigos x Artigos baseados em Coleta de Dados Sociais

O congresso da Intercom, Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, é o maior congresso de ciências da comunicação no Brasil. Além de conferências, traz grupos de trabalho, atividades de exposição competitiva de produtos laboratoriais, lançamento de livros e outros espaços de sociabilidade e colaboração entre pesquisadores do Brasil e outros países. A produção publicada neste evento serviu de indicador para refletir sobre as oportunidades, desafios e tendências que a oferta de dados nos sites de redes sociais trazem para os pesquisadores acadêmicos.

principais fontes de dados sociais digitais

Os GTs diretamente relacionados à mídias sociais neste congresso foram mapeados: Núcleo de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação [até 2008) e os grupos Cibercultura e Conteúdos Digitais e Convergências Tecnológicas a partir de 2009. A partir da filtragem de 704 artigos, cheguei a 72 que trabalharam diretamente dados interacionais, conversacionais e opinativos. As questões de pesquisa abaixo são respondidas e cruzadas com questionamentos sobre a redistribuição de métodos e especificidades da pesquisa digital.

a) Quantos trabalhos publicados no evento utilizaram coleta de dados sociais digitais?
b) Quais sites de redes sociais são abordados nos trabalhos do evento?
c) Quais as ferramentas utilizadas para coleta e processamento dos dados?
d) Quais os tipos de conteúdo e volume analisados nos artigos?
e) Como os pesquisadores abordam a relação entre conteúdo e indivíduos publicadores?
f) O conteúdo é apresentado de forma direta ou através de visualizações?
g) Os indivíduos observados, direta ou indiretamente, nos dados empíricos, são anonimizados?

De modo geral, os resultados parecem apontar para a necessidade de maior domínio e clareza de procedimentos metodológicos, exploração do potencial de tratamento do volume de dados e detalhamento de processos de codificação e análise que potencializem o aproveitamento das particularidades dos sites de redes sociais.

Leia o artigo em: Pesquisa baseada em Dados Sociais Digitais: mapeamento de ferramentas e táticas de coleta de dados no Intercom.


The Smarter Researcher – Ray Poynter lança mini-ebook com críticas ao big data

Ray Poynter, um dos principais advogados dos novos métodos de pesquisa no Reino Unido, principal ativador da excelente comunidade NewMR, lançou pequeno ebook chamado “The Smarter Researcher – how to survive in the changing market research landscape“. Entre as dicas para sobreviver no novo panorama da pesquisa de mercado, críticas relevantes ao big data. Clique para baixar:

big data isnt enough


Mapeando redes de blogs e os blogueiros não-sociais de… mídias sociais

Um dos primeiros capítulos que me debrucei na leitura do “Inventive Methods – the happening of the social” foi o “Experiment – the experiment in living” da Noortje Marres, pesquisadora da Goldsmiths (University of London) que escreve sobre o fascinante tema da redistribuição dos métodos das ciências sociais.

O olhar da autora sobre blogs de projetos “sustainable living” é bem interessante, por vê-los como experimentos que tornam explícitas relações e rotinas da vida cotidiana que, de tão naturalizadas, são pouco observadas. Um trecho é especialmente interessante por mostrar como blogs com temas específicos podem realizar certas modalidades de pesquisa, ainda que “não intencionalmente”:

“sustainable living blogs can also be seen to perform network analysis in more-or-less explicit ways, as they maintain blogrolls of other sites and, by linking to them, produce recommendations that search engines and others rely on to rank these sites. By produzing such links, bloggers are thus likely to influence the organization of sustainable living networks on the Web”

Marres exemplifica a questão com rede gerada pelo Issue Crawler (do Digital Methods Initiative), ferramenta que rastreia os links indexados entre as páginas, gerando redes a partir destas conexões.

Isto me fez lembrar de um projeto realizado ano passado, de mapeamento de blogs de determinados segmentos. Redes de blogs de viagens, cosméticos (esmaltes) e temática plus size foram mapeados com uma metodologia de inserção manual de conexões. O foco era observar, especificamente, as redes construídas através de regiões dedicadas de indicação: blogrolls e listas de links que estivessem claramente incorporadas na estrutura central dos blogs. Isto pode ser através das sidebars ou em páginas dedicadas a indicar links. Os resultados para estes três segmentos foram bem interessantes. Abaixo, por exemplo, uma das redes geradas (segmento de plus size).Plus Size blogs

As listas explícitas de links são espaços privilegiados nas relações entre blogueiros, sendo utilizadas para expressão de apoio, recomendação e afeto. Pouco mais de uma dúzia de links do mesmo segmento, idealmente, são escolhidos pelos blogueiros para serem exibidos em suas páginas. Dessa forma é possível realizar o mapeamento utilizando a metodologia de cascata, mas de modo não-obstrusivo: a partir de cada lista de blogs, encontrar novos e continuar o mapeamento até certo ponto de redundância.

Seção de Links em Blog

A listagem de links, realizadas por blogueiros em segmentos de grande engajamento, pode ser vista também como um exercício de mapeamento que direciona e possibilita a compreensão do pesquisador.

Busquei realizar o mapeamento também na blogosfera específica de profissionais relacionados a mídias sociais. Partindo tanto de blogs de profissionais como Mariana Oliveira e Pedro Rogedo ou de blogs mais editorializados, a técnica da cascata foi empreendida.

Mas logo ficou claro que a quantidade de blogs deste segmento com lista de links, blogroll e afins é mínima! Faça um experimento: abra um blog da área de mídias sociais e tente encontrar uma lista de indicações. Quase não existem mais. Atribuo isto a dois motivos: o primeiro é a simples falta de engajamento com o conceito de blogosfera e troca real entre os escritores; e o segundo é a tendência de mashablização, a tentativa de transformar layout e interface de blogs em portais de conteúdo como o Mashable.

Sou um defensor dos conceitos mais “tradicionais” de blogs e achei bastante irônico a blogosfera de mídias sociais, comunicação digital e afins ter blogs tão auto-centrados.

O que você acha?