Convide uma mulher para palestrar!

Em outra postagem, apresentei um mapeamento de eventos que mostra a absurda discrepância entre números de homens e mulheres nos palcos de eventos sobre comunicação digital, mídias sociais e afins. Na maioria dos casos, as mulheres representam apenas 1/5 dos palestrantes! Há vários eventos, inclusive, que chegam ao absurdo de só terem palestrantes homens.

Mariana Oliveira, Nathalia Capistrano e Ana Paula Passarelli decidiram fazer algo contra esta incoerência e lançaram um projeto colaborativo de mapeamento de boas profissionais/palestrantes na área. O “Convide uma mulher para palestrar” oferece uma lista pública de profissionais com sua área de atuação, LinkedIn e descrição, além de receber sugestões. Confira e colabore:

convidemulher_post1


Mensuração: de 2010 a 2015, o principal entrave para as marcas nas mídias sociais

O gráfico abaixo, da histórica pesquisa “Mídias Sociais nas Empresas”, da Deloitte em 2010, esteve presente nas primeiras aulas e palestras que realizei. Cinco anos atrás, quando se falava bem menos sobre digital social analytics e mensuração de resultados em mídias sociais, era um gráfico necessário para se mostrar a importância destas capacidades para o profissional:
pesquisa deloitte
Ontem, no #FORRForum, da Forrester Research, o gráfico abaixo foi compartilhado. Trata-se da quantificação dos problemas e entraves mais frequentes para o marketing nas mídias sociais, em plataformas orgânicas. “Medir a performance destes perfis” lidera com muita folga frente a “Achar ou criar conteúdo para publicar” e “Decidir que tipo de conteúdo publicar”.

The Biggest Problem - Measurement

É particularmente alarmante esta percepção, pois os canais orgânicos são justamente os que oferecem mais dados para os gestores de marca e conteúdo. A importância de se divulgar análise rigorosa e procedimentos científicos, além de fomentar o debate na área, parece continuar tão relevante quanto cinco anos atrás.

O que sua agência, consultoria ou associação está fazendo para mudar esta situação?


Discurso no Twitter e Mídias Sociais: como usamos linguagem para criar afiliação na web

discourse and social media

O livro “Discourse of Twitter and Social Media: How We Use Language to Create Affiliation on the Web” foi lançado em 2012 pela professora Michelle Zappavigna, da University of South Wales (Austrália). A discussão e análise teórico-analítica se debruçou em um corpus, chamado de HERMES, criado pela pesquisadora com cerca de 7 milhões de tweets e de 100 milhões de palavras.

É um excelente exemplo da aplicação da linguística de corpus para a análise de mídias sociais, discurso, práticas interacionais, afetivas e políticas. Ao longo de seus capítulos, a autora aplica técnicas como análise de colocações, n-gram e contagem de frequências para identificar padrões e desvios nos textos do Twitter.

O primeiro capítulo, Social Media as Corpora, discute a possibilidade de entender as mídias sociais, e a sociedade através delas, a partir da construção de corpora de conteúdos textuais gerados em tempo real no Twitter. Parte do princípio de que as mídias sociais permitiram, sobretudo, a emergência da possibilidade de “discurso buscável” (searchable talk), com impactos relevantes na sociabilidade. Qualquer pessoa que já utilizou uma hashtag para marcar uma posição política ou para falar de um programa televiso, sabe muito bem do que a autora está falando:

“searchable talk, a change in social relations whereby we mark our discourse so that it can be found by others, in effect so that we can bond around particular values”

Zappavigna utiliza a SFL (systemic functional linguistics), que direciona a análise para uma abordagem funcional de análise utilizando metodologias de linguística de corpus. A partir da base antropológica, sobretudo de Malinowski, vê a linguagem como recurso para a realização de três funções: função ideacional de determinação de experiência, função interpesssoal de negociação de relações e função de textual de organização da informação.

Deste modo, no segundo capítulo, The Language of Microblogging, descreve as particularidades da linguagem no Twitter em suas manifestações fáticas, conversacionais ou como “backchannel” de outras atividades (vide segunda tela). Fatores da affordance do Twitter, como tamanho, hashtags e sua temporalidade própria são também analisadas. Neste capítulo a autora apresenta as primeiras aplicações de técnicas de linguística de corpus, como frequência de palavras:

hermes corpus - michele zappavigna

Evaluation in Microblogging, o terceiro capítulo, percorre o corpus HERMES a partir dos marcadores de sentimento/avaliação Julgamento, Afeto e Apreciação. Cada um dos “sistemas” de avaliação é explorado em detalhes, com inúmeros exemplos. Até o uso de emoticons é analisado de forma minuciosa, a partir da compreensão das emoções  expressas pelos usuários:

articulation network for facial emoticons

A criação de afiliação através dos textos é o tema do quarto capítulo, Ambient Affiliation. Através deste termo, a Michele Zappavigna procura mostrar como a plataforma é utilizada pelos seus usuários para gerar afiliações em torno de temas, tópicos e identidades. Aplicando o sociólogo Goffman, autor que melhor entendeu os processos micro-interacionais já na década de 1930 e hoje é aplicado em inúmeros estudos online, Zappavigna fala inclusive de como diversos estudos, inclusive o seu, mostram que técnicas de agrupamento (clustering) dão resultados consistentes apesar da aparente dispersão dos usuários. A liga social, neste caso, é a própria linguagem.

“we affiliate with a co-present, impermanente community by bonding around evolving topics of interest. This function is directly inscribed in the web interface to users’ Twitter accounts as the list of trending topics”

Nos três capítulos seguintes, Internet Memes, Internet Slang Internet Humour and fail: ‘The world is full of #fail tonight”, o livro analisa algumas particularidades das gírias, memes e humor no Twitter. Em sua maioria dos casos, são circulações meméticas que perpassam várias plataformas, como reddit e 4chan. Um trecho particularmente interessante é a análise da redefinição e complexificação do termo geek.

michele zappavigna collocates - geek out

Por fim, no nono capítulo, Political discourse online, a autora analisa um sub-corpus do Hermes chamado OWC – Obama Win Corpus. São 45290 publicados nas 24 horas subsequentes à vitória de Barack Obama nas eleições de 2008. O foco da análise se dá em torno da ideia de “mudança” (change), explorada pela campanha e militantes do político. É bem interessante também o relato que a autora faz dos tweets falando do cachorro presidencial, uma tradição no processo de construção da imagem dos presidentes americanos.michele zappavigna - collocates OWC - puppy

Por fim, nas conclusões a autora problematiza o futuro e limitações da linguística de corpus para as mídias sociais, especialmente relacionados à circulação de informação, inclusive textual, em formato de imagens.

+ Mais sobre Michele Zappavigna:

Twitter - https://twitter.com/smlinguist

Publicações - http://socialmedialinguist.blogspot.com.br/p/publications.html

Página na UNWS - https://sam.arts.unsw.edu.au/about-us/people/michele-zappavigna/

Google Scholar - https://scholar.google.com/citations?user=ILicbSEAAAAJ&hl=en


Atlas Media Lab lança ebook sobre mídias sociais para jornalistas

midias sociais para jornalistasVoltado tanto para jornalistas que precisam compreender melhor como lidar com as mídias sociais quanto para profissionais que estão entrando no mercado de produção de conteúdo informativo, seja para marcas quanto para organizações, o ebook Mídias Sociais para Jornalistas é uma extensão do workshop homônimo ministrado pela Atlas Media Lab, e foca na compreensão do novo jornalismo que o público espera, nas boas práticas atuais, em dicas sobre como fazer curadoria, buscar personagens e informações e divulgar o material final nas redes, atingindo o público certo com seu conteúdo, seja ele institucional, informativo ou jornalístico.

Autores:

Gabriel Ishida é formado em Midialogia na Unicamp e trabalha há cinco anos com análise em mídias sociais, sendo especialista em mensusação de resultados e performance. Atualmente é coordenador de Social Intelligence na DP6, atendendo marcas como Coca-Cola Company, Itaú e Mizuno. É um dos fundadores da Atlas Media Lab e criador do blog Midializado.

Jacqueline Lafloufa é jornalista de tecnologia desde 2009, focada em conteúdos para mídias digitais. Integrou o Blue Bus por 4 anos, chegando à editoria executiva. Hoje é editora no B9, colunista na Revista Galileu, blogueira do BrasilPost e consultora digital. É formada em literatura e pós-graduada em jornalismo científico pela Unicamp.

 

Ilustrador:

 Marcos Singulano é bacharel em Midialogia pela Unicamp, trabalha como diretor de arte na agência Supera Comunicação, onde atende clientes como Locaweb, Monsanto, Hospital Albert Einstein e Catho. Tendo ministrado cursos como Publicação de Trabalhos na Web no Festival de Artes da Unicamp e Design para Iniciantes no Oficinaria, é também ilustrador e colaborador do blog Midializado, onde escreve sobre temas da área.

 

 O ebook pode ser baixado em http://www.amazon.com.br/dp/B00UUN23V6

 


Quem é dono dos seus dados?

Excelente vídeo produzido pelo pessoal do incrível PHD Comics com o apoio de várias universidades. Basicamente problematiza a posse dos dados pessoais digitais e o paradoxo da privacidade em relação aos negócios. Se hoje a maioria dos grandes negócios e a maioria dos negócios inovadores (e sobretudo os grandes E inovadores negócios), aumentar a privacidade pode prejudicar a economia? Como respeitar a posse pessoal dos dados e manter a inovação?