Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados

No último mês foi lançado o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados, que busca ser um centro de formação de pesquisadores nas áreas de pesquisa, comunicação digital, análise de dados, política e relações governamentais.

instituto brasileiro de pesquisa e análise de dados

Nas palavras de Max Stabile, idealizador do IBPAD: “Nossa missão é conquistar mentes e corações sobre essas duas áreas. Temos como valores três pilares: a autonomia, queremos formar alunos e mentes que sigam seus caminhos de forma autônoma, mais do que isso, queremos ser iniciadores e o primeiro passo de quem nunca teve contato com pesquisa e análise de dados; visão científica, pois acreditamos e entendemos como a academia é fundamental para endossar e colaborar no desenvolvimento das metodologias de trabalho e ensino do Instituto; e, por último, excelência técnica, nosso time de profissionais é especializado, com excelente formação acadêmica e com vasta experiência em suas áreas de atuação.”

Análise de Redes - Mobilização OnlineEm breve serão lançados cursos sobre Análise de Redes para Mídias Sociais; Análise de Dados e BI para Planners; Etnografia em Mídias Sociais; Dados para Relações Governamentais; Programação em R; Machine Learning e outros temas no universo do instituto.

Acesse o site e o blog do IBPAD para conhecer mais sobre a proposta.

Pesquisa em Mídias Sociais: da prática à teoria, por Anatoliy Gruzd

Anatoliy Gruzd, diretor do Social Media Lab, publicou recentemente a primeira parte de uma dupla de textos sobre o atual estado da pesquisa sobre mídias sociais. A partir da extração de textos acadêmicos sobre mídias sociais, Gruzd publicou algumas visualizações sobre os temas e teorias mais vinculados à pesquisa em mídias sociais. No treemap abaixo, por exemplo, é possível observar como Critical Theory, Media Theory e Game Theory são as teorias mais comumente utilizadas:

Theoretical Approaches Frequently Cited in Social Media Literature

As teorias e modelos propostos pela análise de redes sociais e pela pesquisa sobre apresentação do self são apontados por Gruzd como as referências explicativas para os comportamentos coletivos e individuais, respectivamente. Mas, para além do diagnóstico do atual panorama de pensamento sobre as mídias sociais, o texto busca apontar algumas particularidades das redes digitais, citando os conceitos de outros autores canadenses, como o individualismo em rede do Barry Wellman e os laços latentes de Caroline Haythornthwaite.

Leia em: “Current State of Social Media Research: from practice to theory part 1

Material do Curso Monitoramento de Mídias Sociais – Cásper Líbero (07/2015) – parte 02

Disponibilização do material apresentado na segunda parte do curso Monitoramento de Mídias Sociais: Inteligência de Mercado, em 23/07/15, na Cásper Líbero. Visualize e baixe pelo SlideShare ou pelo dropbox.

O kitsch pop cult paraense e as personas na pesquisa em mídias sociais

As novas roupagens para referências musicais e culturais vistas como “bregas”, transmutadas em kitsch e cult, ganharam considerável e oportuno destaque nos últimos 10 anos no Brasil. Um exemplo desta safra é o cantor e compositor Felipe Cordeiro, de Belém do Pará,  “Kitsch Pop Cult” (2012) e “Se Apaixone Pela Loucura do seu Amor” (2013). A estética hiperbólica, exagerada e passional do gênero direcionou a beleza da música e clipe “Legal e Ilegal”, lançada em 2012, uma verdadeira aula de construção de personas.


Dirigido por Brunno Regis e Carolina Matos, o clipe traduziu magistralmente a letra. Inspirada tematicamente por uma declaração do João Gordo e melodicamente por Karnak, “Legal e Ilegal” fala das drogas no mundo da música, fazendo pares entre substâncias e estilos/nichos.

Aguardente no bom samba canção
Uisquinho da bossa nova
Caspa do diabo no rock’n’roll
Erva do amor no reggae night.

Cultura sintética no drum’n’bass
(rosinha, branquinha, pílula amarela)
Cuba libre na salsa peruana
Flocos de milho com cerveja no velho punk
Lança perfume no carnaval.

A gengibirra no marabaixo
Muito tabaco no bolero (essa eu não tolero, essa eu não tolero)
Um vinhozinho ou chocolate quente (no tango é bom)
A tequila no merengue (é dessa que eu gosto, é dessa que eu gosto)

Grupos culturais, especialmente ligados a nichos musicais, compartilham de todo um arsenal de referências em comum, que vão muito além da música em si. Vestuário, léxico, gírias, locais, inclinações políticas, atitudes sociais são algumas das variáveis identitárias em jogo. O consumo de certas drogas também tem considerável correlação, seja pela ligação estreita com a filosofia do gênero, seja por efeitos propícios ao tipo de fruição ou uma combinação de vários fatores.

legal e ilegal - personas - música e drogas

Para quem busca compreender o público nas mídias sociais, especialmente para construir personas, ter sempre em mente as referências, valores e atividades que definem o público quem ele é torna-se um aprendizado essencial. A construção identitária de um grupo vai muito além de sua atividade núcleo. E, mais ainda, vai além do que você está observando. Seu consumidor não é o que ele faz com sua marca ou produto. A rigor, nem deve ser visto apenas como consumidor, pois este termo pressupõe a relação pessoa-produto como prioritária, mas como indivíduo, com suas várias dimensões, atividades, interesses e opiniões.

personas - caspa do diabo - legal e ilegal

“estereótipo” e “clichê” possuem papéis tanto no caso da dinamicidade do clipe Legal e Ilegal quanto na simplicidade de um bom relatório de público e personas. Os pares droga-gênero no clipe não são determinantes ou presentes em todos os indivíduos que se identificam com as respectivas culturas. Mas estão presentes no imaginário e nas expectativas sobre cada um dos nichos e são frequentes (absoluta ou relativamente a outros). Com responsabilidade, é possível apelar para atalhos referenciais com alta carga semântica.

cuba libre salsa peruana

O apuro cenográfico, minimalista, faz lembrar da importância das referências visuais e artísticas na construção de um público.  Quando falamos de mídias sociais, as minúcias nos perfis do público são grande fonte deste tipo de informação, especialmente em um momento de suma importância de Instagram e Snapchat. Além de poses e gestos, as fotografias e selfies são indicadores também do com o quê cada pessoa e grupo decide e se permite fotografar e enquadrar.

legal e ilegal - reações

Em parte das viradas de câmera, o clipe faz a ponte entre gestos e olhares realizados entre os grupos representados. Implicitamente lembra que a definição de uma comunidade é composta também de sua alteridade: também sou aquilo que não sou. No contexto da representação online dos indivíduos através das mídias sociais, atitudes de conflito e agressividade muitas vezes são motivadas não só por ódio, mas por posicionamento. Representatividade, espelhamento ou rejeição ao outro constrói o eu.

O kitsch é a estética da descoberta do valor popular do colorido, do contraste, da mistura de elementos e aparente vulgarização de referências de todas as áreas, da política à religião, sem deixar de lado a arte clássica. Esse caldeirão de referências só é possível graças à observação de muitos fenômenos, traços, características e comportamentos. Junte esta postura de hiper-observação com o olhar crítico-metodológico e entenda melhor as pessoas!