Futuros da pesquisa e das cidades: entrevista com Carolina Zaine

social analytics summit

Falta apenas 1 semana para o Social Analytics Summit! Aquecendo os motores para as palestras e mesas do evento, hoje temos mais uma entrevista. Carol Zaine, fundadora da Vert Inteligência Digital, participará do debate “Insights para Transformar as Cidades”, junto ao Douglas Oliveira da Thinking Insight.

carol zaineTarcízio: A Vert acabou de completar 5 anos focada em inteligência digital. Muita coisa mudou quanto a comportamentos e plataformas. Você acha que o crescente fechamento de dados, como as mudanças no Facebook, ameaçam nosso mercado?

Nesses 5 anos muitas coisas aconteceram. Por mais de uma vez ouvi pessoas dizendo “Agora sem poder fazer isso vai ficar difícil para vocês”. A questão primordial é que sempre existirão mudanças, porque é um jogo de interesses muito grande e que vai muito além da nossa atuação. Quando se trabalha com tecnologia, que talvez seja um dos mercados mais voláteis, devemos estar preparados para tudo, principalmente mudanças repentinas na “regra do jogo”. O mercado ficou bem receoso com o fechamento dos dados do Facebook e sabemos que eventualmente isso pode vir a acontecer em outras redes. Por isso, em paralelo ao trabalho que realizamos hoje, de análise de comportamento humano baseado em dados de redes sociais, temos que ir pensando em novas tecnologias, novos canais, novos métodos e nunca ser dependente de uma única estratégia.

T: Com formação e prática também em pesquisa de mercado, qual a sua opinião sobre as diferenças de lógicas de trabalho com informações e dados em agências em comparação a empresas de pesquisa?

C: O trabalho de análise de dados digitais, seja dados de navegação, redes sociais, entre outros…permite algumas coisas que o mercado de pesquisa tradicional não consegue entregar, ou se consegue, o custo fica altíssimo, como trabalhar com a análise de um alto volume de dados (big data), e a velocidade da analise que hoje, graças a recursos tecnológicos e mesmo com bases gigantescas, ainda é mais rápida que métodos tradicionais.

Muitos dizem que isso vai matar o mercado tradicional de pesquisa, como vem acontecendo com o jornalismo – Mídia física x Online. Mas eu não acredito nisso, acho que não só tem espaço para todos como são métodos que se complementam.

Percebo que ainda existe um receio dos mais antigos de mercado em trabalhar com dados proveniente de fontes como sites ou redes sociais, por exemplo, e percebo também uma falta de interesse dos jovens que estão entrando nesse mercado em entender o que já existe de pesquisa e métodos e saber como integrar de alguma maneira o que já existe com o que está para ser descoberto.

Tenho certeza de que se esses dois mercados, que ainda andam em paralelo de alguma maneira, ganhariam muito se interagissem mais.

T: O que é possível descobrir sobre uma cidade utilizando dados nas mídias sociais? Especialmente falando de bairros e áreas “marginalizados”, é possível entender comportamentos só a partir do social?

C: Acho que depende do que você quer descobrir, mas a princípio, os dados de redes sociais já dariam uma grande noção, por exemplo, do comportamento de consumo de uma dada região. As pessoas que frequentam o Centro da cidade, elas vão até lá em busca de que? Turismo? Compras? Restaurantes? Arte? Elas vivem no Centro e consomem no Centro? Ou elas são de outras partes da cidade mas gostam de frequentar o Centro por algum motivo especial?

Isso são só alguns exemplos básicos do que podemos descobrir monitorando o comportamento digital de quem frequenta essa parte da cidade e que já ajudariam a empresas ou até mesmo a prefeitura saber em que e como investir nessa região. Mostrando o potencial de consumo conseguimos contribuir para o desenvolvimento local, principalmente do Centro que é uma parte muito rica, em todos os aspectos, e extremamente marginalizada.

Leia mais entrevistas sobre o Social Analytics Summit aqui e no blog da Mariana Oliveira. Para saber mais sobre o evento e se inscrever, só seguir em mediaeducation.com.br/socialanalytics

Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados

No último mês foi lançado o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados, que busca ser um centro de formação de pesquisadores nas áreas de pesquisa, comunicação digital, análise de dados, política e relações governamentais.

instituto brasileiro de pesquisa e análise de dados

Nas palavras de Max Stabile, idealizador do IBPAD: “Nossa missão é conquistar mentes e corações sobre essas duas áreas. Temos como valores três pilares: a autonomia, queremos formar alunos e mentes que sigam seus caminhos de forma autônoma, mais do que isso, queremos ser iniciadores e o primeiro passo de quem nunca teve contato com pesquisa e análise de dados; visão científica, pois acreditamos e entendemos como a academia é fundamental para endossar e colaborar no desenvolvimento das metodologias de trabalho e ensino do Instituto; e, por último, excelência técnica, nosso time de profissionais é especializado, com excelente formação acadêmica e com vasta experiência em suas áreas de atuação.”

Análise de Redes - Mobilização OnlineEm breve serão lançados cursos sobre Análise de Redes para Mídias Sociais; Análise de Dados e BI para Planners; Etnografia em Mídias Sociais; Dados para Relações Governamentais; Programação em R; Machine Learning e outros temas no universo do instituto.

Acesse o site e o blog do IBPAD para conhecer mais sobre a proposta.

Pesquisa em Mídias Sociais: da prática à teoria, por Anatoliy Gruzd

Anatoliy Gruzd, diretor do Social Media Lab, publicou recentemente a primeira parte de uma dupla de textos sobre o atual estado da pesquisa sobre mídias sociais. A partir da extração de textos acadêmicos sobre mídias sociais, Gruzd publicou algumas visualizações sobre os temas e teorias mais vinculados à pesquisa em mídias sociais. No treemap abaixo, por exemplo, é possível observar como Critical Theory, Media Theory e Game Theory são as teorias mais comumente utilizadas:

Theoretical Approaches Frequently Cited in Social Media Literature

As teorias e modelos propostos pela análise de redes sociais e pela pesquisa sobre apresentação do self são apontados por Gruzd como as referências explicativas para os comportamentos coletivos e individuais, respectivamente. Mas, para além do diagnóstico do atual panorama de pensamento sobre as mídias sociais, o texto busca apontar algumas particularidades das redes digitais, citando os conceitos de outros autores canadenses, como o individualismo em rede do Barry Wellman e os laços latentes de Caroline Haythornthwaite.

Leia em: “Current State of Social Media Research: from practice to theory part 1

Material do Curso Monitoramento de Mídias Sociais – Cásper Líbero (07/2015) – parte 02

Disponibilização do material apresentado na segunda parte do curso Monitoramento de Mídias Sociais: Inteligência de Mercado, em 23/07/15, na Cásper Líbero. Visualize e baixe pelo SlideShare ou pelo dropbox.