Social Ads Summit

Idade, interação com conteúdo, preferências musicais, esportes praticados, livros lidos, emprego, escolaridade, gênero, orientação sexual, sites visitados, conexão com perfil, comentário em notícia, país, estado, cidade, email, tempo de emprego, palavra-chave, comerciais assistidos… estas são apenas algumas das centenas de segmentações permitidas por plataformas de anúncios em mídias sociais como Facebook, Twitter e LinkedIn.

social ads summit

Um fascinante mercado que movimenta bilhões em todo o mundo, mas ainda tem poucos espaços de articulação e troca de conhecimento. Aproveitando a deixa, a Media Education lançou o Social Ads Summit – primeiro evento totalmente focado em gestão e criação de anúncios para mídias sociais. Na programação, palestras como Criando anúncios que convertem no Facebook + Cases; Descobrindo deficiências na estratégia de postagens com o Facebook Insights; Atribuições multicanais: Definição do ROI e defesa dos resultados com o cliente; e Twitter: como anunciar em 140 caracteres com bons resultados?. Curadoria realizada pelo Fabio Prado Lima, da AdResults.

Acontecerá no dia 10 de maio, na Cásper Líbero (São Paulo). O segundo lote de inscrições vai até o dia 03 de abril, esta quinta-feira.

10 anos de Facebook, um ponto obrigatório de passagem

Ao completar seus dez anos de existência, o Facebook serve de excelente exemplo prático de uma das definições mais interessantes do que significa poder no mundo contemporâneo. Pensadores como Michel Callon e Bruno Latour exploraram o conceito de “ponto obrigatório de passagem” sobre uma das estratégias para alcançar poder. Nas palavras de Callon: “podemos tentar nos tornar tão indispensáveis que ninguém pode agir sem nós, criando um monopólio sobre certo tipo de força. Se sucedermos nesta estratégia, nos tornamos um “ponto obrigatório de passagem”, um porto compulsório onde todos são forçados a negociar”.facebook-2004-640

Em 2004, como acompanhamos em primeira mão, lemos ou vimos em biografias controversas sobre Mark Zuckerberg, surgia o site que hoje supera o bilhão de usuários em todo o mundo. Inicialmente uma comunidade exclusiva para alunos de Harvard, o Facebook foi se abrindo pouco a pouco e hoje tem como público potencial qualquer cidadão mundial com acesso à internet. Porém, este crescimento e sua força não foi resultado dessa abertura apenas, mas sim da inserção do Facebook nas propriedades digitais para além de seus domínios.

Os aplicativos sociais, como o mercado de social games que movimentou alguns bilhões nos últimos anos, o newsfeed e sua circulação de informações baseadas em fluxo, os logins sociais e os botões likes trouxeram facilidades para usuários, desenvolvedores, jornalistas, gerentes de marketing e comércio eletrônico e até ativistas políticos. A facilidade construída pelo volume de dados e sua circulação pelos servidores do Facebook seduz os mais diferentes atores sociais: agir, expressar-se, conversar e vender não só são facilitados através do Facebook, como também suas manifestações neste site tornam-se quase que obrigatórias. Para muitos, a rede praticamente engoliu a web, tornando-se sinônimo desta. É uma espécie de simbiose fomentada pelo site de rede social, para seu próprio benefício.

Trata-se aqui tanto de conexão e conectividade (tradução difícil dos conceitos de Jose van Dijck: connectedness e connectivity). Por um lado a cultura participativa é promovida pelas pessoas e seus interesses de sociabilidade e compartilhamento. Atravessando esta comunicação, está presenta também a transformação dos pontos de dados relacionais e de atributos sobre os indivíduos e seus comportamentos, empreendida pelo Facebook para fortalecer seus modelos de negócio. Cada perfil – os “eus” digitais de bilhões de usuários – são também nós em uma rede de dados que só o gigante das mídias sociais tem acesso completo.

É uma população digital conectada e relativamente madura, que já passou por diversas mídias sociais e investiu mais tempo em uma específica, criando suas redes e apresentação de si. O esforço de procurar alternativas supera as insatisfações com o Facebook, de modo geral e prescindir do site significa perder os valores afetivos, temporais e até financeiros depositados ali durante anos.

Assim como acontece com os usuários comuns, o mundo da comunicação passa por um grande desafio ao enfrentar esta dualidade. Ao mesmo tempo em que oferece vantagens gigantescas (circulação rápida de informações, social big data e visibilidade são só alguns exemplos), o ecossistema midiático que tem o Facebook como o centro também lhe dá plenos poderes de mudar as regras do jogo, através de seus algoritmos e decisões de interface.

O que hoje é visto como uma das poucas ameaças ao Facebook, o suposto abandono da rede por adolescentes, é próprio do choque entre gerações. Talvez este grupo social, historicamente contestador, seja justamente o que tem mais energia de mudar e menos coisas a perder. Resta acompanhar e agir nesta rede e nas que a perpassam: nossas ações individuais, de forma coletiva, é que definirão se o Facebook continuará sendo “obrigatório” nos próximos anos.

E você, consegue imaginar o aniversário de 20 anos do site?

Estudo sobre predição de traços e atributos pessoais a partir de likes no Facebook

Um estudo promovido por pesquisadores da Universidade de Cambridge e da Microsoft Research ganhou uma enorme repercussão nos últimos dias, por mostrar um método pra predizer características e atributos pessoais, tais como gênero, orientação sexual, etnia, a partir dos likes realizados no Facebook.

A estudante de jornalismo Cátia Tocha me consultou para uma matéria no New4Media, produto laboratorial da Universidade Autônoma de Lisboa e publicou hoje “Gostos” no Facebook analisados para caracterizar utilizadores. Reproduzo abaixo algumas reflexões que fiz a partir das questões realizadas:

 

1 – Qual o principal objetivo de traçar perfis dos utilizadores das redes sociais?

Os objetivos podem ser dos mais variados, mas o que se observa é o interesse mais intenso de três tipos de atores sociais: os próprios detentores dos sites de redes sociais, organizações comerciais e pesquisadores acadêmicos.

Quanto aos primeiros, os sites de redes sociais buscam entender melhor os perfis de seus usuários com fins de realizar ajustes a fim de otimizar a interface, usabilidade e recursos oferecidos pelos seus produtos, com fins de monetizá-los através da venda desta audiência e engajamento.

As organizações comerciais, como empresas e agências, esperam entender seus públicos específicos – o de compradores e potenciais compradores de produtos e serviços -, para criar segmentos e direcionar comunicação, marketing e produtos do modo mais efetivo para cada um deles.

Por fim, os pesquisadores acadêmicos estão interessados em traçar perfis dos usuários de sites de redes sociais como operadores para os mais diversos tipos de problema de pesquisa. Mas, o próprio ato de traçar estes perfis é um dos temas mais interessantes sobre os quais alguns pesquisadores de Comunicação, Psicologia e Computação se debruçam atualmente. Entender até que ponto os dados online são fiéis aos comportamentos efetivos em outras esferas sociais e comportamentais é um dos grandes desafios hoje.

O Facebook sucede e se transformou em uma das maiores empresas do mundo por juntar estes diversos tipos de atores, alguns dos melhores e mais capazes, a serviço da maior comunidade online do mundo.

2 – Estaremos a passar das redes sociais de pessoas para grafos de interesses?

Na verdade, as redes sociais e seus grafos de interesses sempre estiveram intrinsecamente ligados. É difícil, até, operacionalizar como ver as redes sociais e seus interesses de forma separada no mundo real. Diversos fenômenos sociais podem ser expressos com os métodos e visualizações próprios da análise de redes sociais, tais como a homofilia, que é a tendência das pessoas com traços semelhantes (crenças, educação, interesses, consumo cultural etc) a se agruparem.

O estudo dos pesquisadores de Cambridge, amplamente divulgado na imprensa nos últimos dias, traz como uma das principais colaborações à análise desta relação entre redes sociais e interesses o seu método de pesquisa. Ao conseguirem 58 mil voluntários que emprestaram seus dados ao algoritmo desenvolvido, os pesquisadores puderam afirmar as correlações entre os atributos.

É preciso pontuar, entretanto, que as chamadas “mídias sociais” como Facebook, Twitter e afins são desenhadas de modo a serem representações online de seus usuários, que as utilizam para se comunicar, consumir conteúdo e expor-se de acordo com seus interesses e objetivos sociais, profissionais e estéticos. Na medida em que mais e mais pessoas utilizam estes sites por mais e mais tempo em seus dias, as atividades vão se transformando em traços digitais cada vez mais representativos do mundo físico e cultural em torno da internet.

Dessa forma, não são os likes que predizem algo, mas sim os interesses que, no caso do Facebook, são representados desta forma. Um like, no Facebook, é um ponto de dado que serve para uma pessoa se aproximar do que gosta e reafirmar seus traços identitários. Os grafos de interesse são praticamente infinitos e podem ser vistos de infinitas óticas. O Facebook possui 1 bilhão de usuários e seus dados, podendo realizar estas análises do zeitgeist social e cultural de forma profunda. Já outros atores, como organizações, indivíduos e pesquisadores o podem fazer só com pequenos recortes. As pessoas, por exemplo, podem usar de recursos de quantified self tal como o Friends Visual Map (https://apps.facebook.com/challenger_meurs) para identificar padrões de interesses em suas próprias redes, mas só nelas. Organizações podem realizar diversos novos métodos de pesquisas digitais para seus objetivos de negócio, mas com diversas restrições impostas pelo Facebook. O que Michal Kosinski, David Stillwell e Thore Graepel e seus colaboradores conseguiram muito bem, com o apoio de organizações do tamanho da Microsoft Research e Cambridge University, foi mostrar um pequeno – e loquaz – exemplo do que o Facebook pode fazer hoje.

3 – A inteligência dos utilizadores pode ser medida pela apropriação das funcionalidades do Facebook?

Aqui talvez esteja o ponto mais polêmico deste estudo. A aplicação da correlação entre alguns traços culturais e uma medida de inteligência pode trazer diversos malefícios. Qualquer tipo de mensuração de um atributo como “inteligência” é severamente discutido e pode ser contestado. O método utilizado por estes pesquisadores para atribuir um escore à inteligência dos participantes não é totalmente consensual. Na verdade, não existem avaliações consensuais de atributos como inteligência e o “Raven’s Progressive Matrices” é apenas um, por mais reconhecido que seja dos muitos testes do tipo.

Os pesquisadores citam que alguns produtos comerciais e culturais como “The Colbert Report” e “Sephora” podem ser indicativos de maior ou menor inteligência, mas esquecem de pontuar que as medidas de inteligência são também mediadores culturais com influência sobre o comportamento humano. Um indivíduo que tira notas altas em testes de inteligência hoje, provavelmente tirou notas altas ao longo da vida e cresceu com determinadas expectativas sobre si e sua imagem social que o podem ter aproximado mais de produtos e grupos culturais socialmente vistos como “inteligentes”.

O artigo que apresenta os resultados da pesquisa pode ser baixado no site da Proceedings of the National Academy of Sciences of the USA – http://www.pnas.org/content/early/2013/03/06/1218772110.abstract

Gauge lança blog sobre inteligência, pesquisa, métricas e monitoramento

A Gauge é uma das empresas mais bacanas na área no Brasil e lançou um blog pra compartilhar algumas de suas ideias. Além de notícias sobre a pesquisa “Faces do Facebook“, alguns de seus profissionais já começaram a publicar lá, como a Priscila Muniz sobre relatórios de monitoramento e o Felipe Ferrari sobre análise de performance digital.