Design Gráfico Cambiante – Dois Artigos de Rudinei Kopp

A estética cambiante que o design gráfico nos oferece atualmente pode não ser uma prática ou estratégia hegemônica. Não foi adotada por um grande número de designers ou empresas e tampouco sabemos se um dia isso acontecerá. O fenômeno é visível e vem crescendo como possibilidade no design gráfico atual. Os elementos que deram condições para o seu surgimento se confundem com a Pós-Modernidade e uma das faces desse tempo é o próprio design gráfico cambiante.

O logotipo da MTV é um dos exemplos mais famosos desse tipo de design observado por Rudinei Kopp. O pesquisador e professor da Universidade de Santa Cruz do Sul possui dois artigos disponíveis na internet sobre o assunto.

Design gráfico cambiante: a instabilidade como regra (baixar pdf)
A capa efêmera: raízes e causas da instabilidade como estratégia no design editorial (baixar pdf)

O excerto acima foi retirado do segundo. Ambos tratam de algumas manifestações do design contemporâneo, ou Pós-moderno, como confronto aos ideais modernos de controle e redundância. Apesar de deixar de lado algumas questões importantes como quais seriam (por exemplo: M não serifado, relação de tamanho e localização entre o M, o T e o V etc) os elementos que possibilitam o reconhecimento do logotipo como tal, os exemplos de Kopp são muito interessantes.

Além da MTV, Kopp mostra as capas das revistas Ray Gun (a lendária revista de David Carson), Matiz, Big e Sexta Feira. Fazendo o resgate histórico, apresenta a série de logotipos abaixo, do Jornal Literatur in Koln, de 1974.

Em uma postagem a ser publicada em breve, resenharei com mais cuidado o livro Design Gráfico Cambiante.

Cadernos de Tipografia

A imagem ao lado é a capa do quarto Cadernos de Tipografia. Atualmente no seu nono número, a publicação é disponibilizada gratuitamente no Tipografos.net, portal referência em português sobre tipografia.

O primeiro e o segundo números, ainda tateantes, não tinham um tema ou núcleo definido. A partir do terceiro, entretanto, os cadernos começaram a ser mais íntegros internamente. Neste número, o tema foi Legibilidade. No quarto, da capa ao lado, tipografia da Bauhaus. No quinto, fontes romanas. Em seguida, dois números dedicados a tipografia “Made in USA”. O oitavo, tratou de reformas ortográficas.

O nono e mais recente, por fim, é sobre desenho de fontes. Começa com uma matéria sobre a Fontstruct, ferramenta sobre a qual já escrevi aqui. Mais curioso é o texto sobre Nü Shu, uma escrita exclusivamente feminina de uma região chinesa. Finalizando o caderno, ótimo texto sobre a publicação de Jan Tschichold chamada “Tipografia Elementar.

Control Print – Pensando o futuro da tinta no papel

Control Print – Considering the future of ink on paper é um projeto do Royal College of Art, universidade inglesa totalmenta dedicada a arte e ao design. O livro, totalmente gratuito e disponível em .pdf, trata de produção gráfica, valor estético e produtivo do livro impresso.

Um trecho da seção 4, chamada “In my hands, in my eyes – an emotional experience of an object”, de Sara Carneholm:

“When you read a book all your senses are recording (how the pages move, what the paper feels like, what it smells like etc), however reading is more than a purely haptic experience, you are involved in the making of the experience. Books use their physical form as well as content to convey meaning – the weight of a book can indicate importance or perceived value of the content within, for example think about the difference between reference books and paperbacks or your schoolbooks carefully inscribed with your name and form on the inside cover, each has it’s own character – they become artifacts, objects with cultural and personal significance.” (pag. 14)

Jamie Reid, Sex Pistols e expressão punk

A identidade cultural de um grupo qualquer é sempre uma negociação com as outras identidades possíveis. Negociação tanto no sentido de partilha de alguns elementos em comum quanto no sentido de posicionamento contrário. Para definir qualquer coisa, e não só uma identidade, é preciso dizer o que não se é. A alteridade do posicionamento de um sujeito em relação ao outro é mais evidente em alguns grupos, como os punks.

Os adeptos do movimento punk quiseram se diferenciar do restante de uma sociedade que eles abominavam, daí a necessidade de desmerecer os símbolos dos poderes institucionalizados – caso do repúdio do Sex Pistols à rainha da Inglaterra. A cultura punk pretende-se iconoclasta de todos os valores clássicos. A música – sob a forma do punk rock – é reconhecidamente o principal pilar do movimento e sua subcultura, com letras de caráter contestador.

A enunciação oficial histórica é combatida por intervenções urbanas que contestam a autoridade. O movimento punk foi especialmente prolífico nesse sentido. A capa do single ao lado, por exemplo, usa como base uma imagem oficial largamente difundida da rainha da Inglaterra. Essa imagem foi utilizada em diversos fanzines e grafites, com dizeres ofensivos sobrepostos à imagem.

O álbum “Never Mind the Bollocks”, da banda inglês Sex Pistols é um exemplo característico da quebra de regras formas de composição. Também elaborada pelo designer Jamie Reid, ignora propositalmente conceitos básicos de design, como visibilidade, simplicidade e padronização. O título do álbum é fragmentado em duas famílias diferentes de tipos, causando uma certa estranheza na primeira leitura. O nome “Sex Pistols” é escrito com letras irregulares em espaço negativo numa faixa lilás sobre um fundo amarelo. O uso de letras diferentes em uma mesma palavra foi utilizado pela cultura punk para se referir à cartas anônimas (de seqüestro ou atentado, por exemplo).

Outros trabalhos de Jamie Reid:


Leia mais:
+ HALL, Stuart. A Identidade Cultural na Pós-Modernidade.

+ LOPES, M.B.P. As fontes no rock: uma análise dos elementos tipográficos em capas de discos.
+ mais sobre Jamie Reid no site mital-U