Como mensurar o discurso de ódio e o racismo online?

A mesa “Como mensurar o discurso de ódio e o racismo online?” fez parte da conferência “Racismo e Discurso de Ódio na Internet: Narrativas e Contra-Narrativas, promovida pelo Berkman Center (Harvard) e plataforma Vojo Brasil, entre 27 e 29 de abril. Além de mim, participaram Renato Meirelles (DataPopular) e Fábio Senne (Cetic.br).

Eu falei especialmente sobre o papel da construção de dados como contra-narrativa:

No canal YouTube do portal Correio Nagô é possível assistir a gravação completa do evento:

Social Analytics Summit 2015: inscrições abertas!

social analytics summitTenho o prazer de realizar a curadoria, pelo terceiro ano, do evento Social Analytics Summit, que acontecerá nos dias 27 e 28/11 em São Paulo. Neste ano tive a fantástica ajuda da Mariana Oliveira como co-curadora para pensar uma grade bem completa! Neste ano teremos palestras com pensadoras e profissionais como Raquel Recuero, Gustavo Vasconcellos (Globo), Agatha Kim (Havas), Cristina Cardoso (Sky), Wesley Muniz (Bradesco) e Douglas Oliveira (Thinking Insight). Entre os temas, veremos de modelos estatísticos pra métricas a cicloativismo, passando por social network analysis. A quinta edição da pesquisa sobre os profissionais da nossa área também será lançada no evento pelo Júnior Siri (F.Biz).

No mini-curso, uma novidade: preparamos um material com objetivo de ajudar profissionais que já estão no mercado a inovar em seus relatórios de monitoramento. Eu, a co-curadora Mariana Oliveira (Havas), Débora Zanini (Ogilvy) e Julie Teixeira (Trip) explicaremos como melhorar seus relatórios com 4 técnicas: linguística de corpus, dataviz, técnicas etnográficas e geolocalização. Veja os temas do mini-curso e palestras já confirmados:

MINI-CURSO
– Linguística aplicada
– Técnicas etnográficas
– Geolocalização
– Dataviz

PALESTRAS
– Do outro lado da mesa: como entender as demandas dos clientes
– Insights para transformar as cidades
– Previsões e modelos estatísticos para métricas de mídias sociais
– Profissional de inteligência de mídias sociais no mercado brasileiro
– O desafio de transformar dados em estratégia sob a ótica de planejamento
– Cruzando Dados e Pesquisas em Grandes Organizações
– Métodos de pesquisa digital: SNA

Para quem se inscrever até o dia 30 a Media Education preparou um valor bem bacana e ainda podem usar o código sas05taru pra mais um desconto de 7% em cima.

Saiba mais em mediaeducation.com.br/socialanalytics

XII Seminário LGBT do Congresso Nacional terá como tema ““Nossa vida d@s outr@s – Empatia, a verdadeira revolução”

Nos dias 20 e 21 de maio de 2015 acontecerá o XII Seminário LGBT do Congresso Nacional. Sob o tema “Nossa vida d@s outr@s – Empatia, a verdadeira revolução”, o evento acontece no auditório Nereu Ramos, no Anexo II e será aberto pela cantora Daniela Mercury no primeiro dia de atividades (20/05).

Segue link e programação, como postados no Facebook do Jean Wyllys. Os temas são de especial interesse aos comunicadores digitais:
nossa vida dos outros
PROGRAMAÇÃO:

– Tema: Nossa vida dos outros

– Lema: Empatia: a verdadeira revolução
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20 DE MAIO, QUARTA-FEIRA

– Mesa de abertura – 9:00 horas

– Deputado Fábio Ramalho (PV/MG) – Presidente da Comissão de Legislação
Participativa

– Deputado Félix Mendonça Júnior (PDT/BA) – Presidente da Comissão de Cultura

– Deputado Fábio Sousa (PSDB/GO) – Presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática

– Deputada Erika Kokay (PT/DF)

– Deputado Jean Wyllys (PSol/RJ)

– Rogério Koscheck e Weykman Koscheck – Representantes da sociedade civil

– Daniela Mercury – Convidada especial

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Mesa 1 – 14:00 horas

– “Ódio nas redes” – Que sentimentos você propaga na web? Pare. Pense. Poste.

– Mediadora: Deputada Maria do Rosário (PT/RS)

– Raquel Recuero – Jornalista, professora e pesquisadora do
Programa de Pós-Graduação em Letras e do Curso de Comunicação Social da Universidade Católica de Pelotas. Dedica-se, principalmente ao estudo das redes sociais e comunidades virtuais na Internet, da conversação e fluxos de informação e capital social no ciberespaço, e ao jornalismo digital

– Bruno Magrani – Diretor de relações institucionais do Facebook Brasil

– Silvia Pilz – Jornalista e blogueira

– Romi Bencke – Pastora da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, mestra em Ciências da Religião pela Universidade Federal de Juiz de Fora e Secretária Geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).

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21 DE MAIO, QUINTA-FEIRA

– Mesa 2 – 9:00 horas

– “Ódio na carne” – A agressão além do verbo/A expressão letal da injúria e difamação.

Mediador: Deputado Jean Wyllys (PSol/RJ)

– Márcia Tiburi – Filósofa, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Mackenzie, e professora convidada da Fundação Dom Cabral.

– Cláudia Pereira Dutra – Secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação

– Luma de Andrade – Professora e doutora em Educação. Em sua pesquisa analisou as experiências e resistências de jovens travestis no espaço escolar.

– Irina Bacci – Diretora do Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

*PAUSA PARA ALMOÇO – 12:00 às 14:00 horas

Mesa 3 – 14:00 horas

– “Mais amor, por favor!” – Tolerância, respeito e diferenças.

Mediador: Deputada Erika Kokay (PT/DF)

– Viviane Mosé – Poetisa, filósofa, psicóloga e psicanalista.
Mestre e doutora em filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

– Maria Clara Araújo – Ativista do transfeminismo. Estudante de pedagogia da Universidade Federal de Pernambuco.

– Ana Lúcia e Letícia – Casal de lésbicas e seus dois filhos. História positiva de amor.

– Pedro HCM – Idealizador do canal de humor Põe na Roda composto por jovens LGBT. O canal fala sobre os limites do humor, o politicamente correto/incorreto e a liberdade de expressão/discurso de ódio.

Programação Cultural – 19:00 horas

– Apresentação do grupo teatral “Grupo Cantigas Boleráveis” – Teatro dos Bancários.

– Exposição “#AHomofobiaé”. Artistas e celebridades completam a frase “a homofobia é” para combater a intolerância contra a comunidade LGBT.

Serviço:

– 12º Seminário LGBT do Congresso Nacional:

“Nossa vida d@s outr@s. Empatia: a verdadeira revolução”.

Dias 20 e 21 de maio de 2015, no auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados.

Informações: (61) 3215-5646.

Big Data: medindo e prevendo o comportamento humano

Em 20 de abril foi lançado o curso online massivo e aberto (MOOC: massive online open course) “Big Data: measuring and predicting human behaviour“. Possui a duração de 9 semanas e pode ser iniciado em qualquer momento até a última semana. Ou seja: corra pra fazer, que dá tempo!

Na primeira semana do curso, os professores se dedicam a apresentar o que é big data, especialmente em torno de um projeto desenvolvido pelos próprios professores do curso fazem parte. Suzy Moat e Tobias Preis falam sobre o Future Orientation Index, índice criado para identificar o quanto a população de determinado país se preocupa/planeja/pensa sobre o futuro. O mais interessante deste índice é que ele utiliza basicamente dados do Google Trends. Para cada país analisado (todos com 5mi ou mais de usuários de internet), os pesquisadores extraíram o volume de buscas pelos anos anteriores e anos futuros. O índice calcula se a população está mais voltada ao futuro ou ao passado em suas buscas. O gráfico da direita abaixo mostra considerável correlação entre o índice e o GDP per capita (Gross Domestic Product per capita, ou PIB per capita):

future orientation index

Tela de “Quantifying the Advantage of Looking Forward”, por Preis, Moat, Stanley e Bishop

Na segunda semana, o tema é “Medindo e Prevendo Comportamentos com Big Data”. São vários vídeos realizados pelos dois professores e por outros pesquisadores convidados mostrando seus projtos sobre mecanismos de busca, tecnologias vestíveis e cidades inteligentes. Merece destaque um projeto que me surpreendeu. Paul Lukowics, da DFKI/TU Kaiserslautern, mostra o “Magic Collar”, que tem o objetivo de conseguir medir classes de alimentos sendo engolidos através do som realizado na deglutição.
the magic collar

Nesta semana começam os exercícios práticos, que ensinarão coletas e processamentos simples de dados com o R e R-Studio. Da segunda à sexta semana, são apresentados passos simples de como redigir script para coletar dados históricos de visualização de páginas na Wikipedia. Tudo é realizado extraindo dados de forma organizada do stats.grok.se. Já conhecia e usava o website, mas a criação do script no R expande e aprofunda as possibilidades.

stats wikipedia

O mercado financeiro é o tema da terceira semana. Os professores e entrevistados da semana mostram exemplos de estudos que relacionam atividades online de busca de informação, como visitas à Wikipedia e busca no Google, como correlacionados a atividades no mercado financeiro. O gráfico abaixo, tela de aula do Tobias Preis, mostra estudo que compara a busca pelos termos Lehman Brothers e Financial Crisis com o índice S&P 500 em torno da crise de 2008.

big data - university of warwick - mercado financeiro

A quarta semana traz estudos sobre big data, crime e conflito. São aplicações em redução e prevenção de criminalidade, sobretudo a partir da compreensão das dinâmicas de ocorrências nas cidades. Um bom projeto é realizado por Toby Davies, da University College London, que utilizou métricas como intermediaridade de rede para analisar a disseminação de ocorrências.

intermediaridade - big data - crime nas cidades

Mas de particular interesse para os brasileiros é o estudo liderado por Neil Johnson, do Complex Systems Initiative at the University of Miami (oh, a ironia). Johnson procurou descobrir uma fonte de dados que pudesse ajudar a prever o tamanho dos protestos realizados em 2013 no Brasil. O pesquisador explica as dinâmicas encontradas e como se surpreendeu que este dado foi a atividade e crescimento em páginas do Facebook dedicadas à política e protestos.

big data - neil johnson

Durante todo o curso, há atividades específicas de comentários e discussão. A cada semana, os professores e a assistente, Chanuki Seresinhe, publicam um novo vídeo “round-up” para resumir a semana anterior e comentar dúvidas e colaborações dos alunos nos campos de discussões e comentários. Mas a quinta semana levará tudo isto além, incluindo uma seção de Twitter Chat em torno da hashtag #FLBigData. Já há bastante debate e colaborações, como você pode ver no widget abaixo, mas no dia 21 de maio, entre 1-2PM Uk Time (entre 10h-11h da manhã aqui na faixa de horário de Brasília), Suzy e Tobias participarão ao vivo da conversa.


Uso do big data para saúde é o tema da interessante sexta semana. O caso mais curioso é o da história da predição efetiva de tendências de gripe através de buscas no Google e a posterior falha do mecanismo em 2013, causada por mudanças no comportamento dos indivíduos.

Detecting flu infections with Google searchesfacebook likes como preditores de atributos

A sétima semana vai tratar de felicidade! Há projetos baseados tanto em quantified self através de smartphones quanto do que as pessoas falam em Facebook e Twitter, através da identificação de marcadores linguísticos sobre afetividade, positividade e negatividade. Os estudos experimentais realizados pelo Facebook sobre difusão de estados emocionais e sobre predição de atributos através de likes (já escrevi sobre, aqui no blog), também são apresentados.

Nesta semana começa também a série de exercícios no R de redação de scripts para coletar e cruzar os mesmos dados que serviram de base para a criação do Future Orientation Index pelos professores do curso. Os dados de busca, obtidos através do Google Trends, serão cruzados com os dados do CIA World Factbook  nos exercícios.

Tratando de mobilidade e desastres, as aulas da oitava semana mostram como smartphones, Flickr e mapas colaborativos tem ajudado pessoas em situações de calamidades naturais. A tela abaixo mostra a correlação entre número de fotografias com hashtags selecionadas referentes ao furacão Sandy e a medição de uma variável ambiental: pressão atmosférica. O número de fotos esteve correlacionado à força do furacão.

Furacão Sandy - Flickr - Pressão Atmosférica - Big Data

Por fim, a nona semana é dedicada especialmente à reflexão e discussão do que foi aprendido. Um dos vídeos da última semana trata de como contar histórias com dados. Apresentado por Adrian Letchford, também da Warwick Business School, discorre sobre o processo de descoberta enquanto conta uma interessante história pessoal. Como exemplo, traz visualizações como a exibida abaixo, que comparou termos de busca em estados dos EUA com maior e menor taxa de natalidade.

Telling stories with data

Imagino que alguns destes poucos exemplos já devem ter despertado o interesse, não? Então cadastre-se em https://www.futurelearn.com/courses/big-data e participe!

Onde estão as mulheres nos eventos de comunicação digital e mídias sociais?

priscila marcenes, anna muniz e andrea hiranakaNa plateia. Segundo levantamento em realização com eventos (de mercado) de comunicação digital, mídias sociais e temas similares em 2014, apenas 19,35% das vozes no palco representaram mulheres.

Os dados são mais assustadores quando comparamos com a fatia das mulheres no mercado. Em alguns segmentos, como em mídias sociais, os dados da pesquisa do trampos mostram que representam 56,5% da força de trabalho, dado semelhante ao de minha pesquisa com profissionais de social analytics.

A tabela abaixo mostra a discrepância de representatividade. Em vermelho estão os eventos com menos de 30% de mulheres no palco. Em laranja, os relativamente equilibrados, com 30 a 70% de mulheres. E em verde os com mais de 70% de mulheres. Enquanto o vermelho domina, vocês não poderão conferir qual tonalidade de verde selecionei: mais de 80% dos eventos estão totalmente dominados por palestrantes homens, mas NENHUM teve mais de 70% de mulheres.

E quais são os motivos disto? Machismo e desigualdade nas relações de trabalho estão claros, mas aqui vai além disto ainda. São dados mais graves ainda quando falamos de um setor da comunicação relativamente novo, no qual diversos players importantes surgiram apenas nos últimos anos e poderíamos esperar que este tipo de desigualdade fosse menor. Ou seja: além da média salarial menor, as mulheres têm muito menos poder de voz. Podem até trabalhar, mas devem ganhar menos e ainda ficar caladas?

Como combater isto? Do meu ponto de vista, enquanto eventual curador de eventos, é abrir a caixa-preta e estar consciente desta discrepância, para combatê-la. Enquanto frequentador de eventos, não ir a eventos misóginos. Não será que o boicote por espectadores conscientes pode ajudar a mudar esta situação? Todos podemos acabar com o silêncio sobre o tema e outras distorções correlatas. E as profissionais da área podem realizar ações variadas para tentar combater tantas forças e pressões que tentam reafirmar estes privilégios de forma explícita ou disfaçada.

Qual a sua opinião sobre estes dados? Se puder colaborar com outros eventos para aumentarmos o mapeamento, só deixar links nos comentários.