Entrevista com Tuka Roberta Rossatti

Tuka Roberta Rossatti

Em mais uma entrevista da série de conversas com palestrantes e professores do Social Analytics Summit, hoje temos a colaboração da Tuka Roberta Rossatti, Supervisora de BI na ID/TBWA. A Tuka será responsável por mostrar aos participantes do workshop como planejar um monitoramento de mídias sociais.

O quê os profissionais devem ter em mente ao planejar o escopo de um monitoramento de mídias sociais?
A primeira coisa que se deve ter em mente no planejamento de um projeto de monitoramento é ter uma hipótese do que se pretende conseguir em meio a tanta informação. Ideias secundárias aparecerão no meio do processo, mas a princípio é importante ter um norte para que o trabalho não se perca.
Por exemplo: monitorar uma marca de banco de varejo porque quero saber quais são os pontos mais problemáticos que os clientes dessa marca têm. Certamente, no meio do caminho eu vou perceber comentários de pessoas comparando outras marcas de banco à minha, pontos que são positivos para uns e negativos para outros, períodos em que o banco pode ter tido problemas, mas que foram solucionados depois.

Você acredita que há segmentos em que o monitoramento de mídias sociais é mais efetivo?
Acredito que sim. Já tive que monitorar marcas do segmento de mercado luxo, as quais não tinham sequer volume de menções.

De maneira geral, o segmento de serviços rende bons projetos de monitoramento, assim como bens de consumo, em geral, e eventos.

Tem algum caso que você poderia citar no qual teve um planejamento de monitoramento mais desafiante?
Certa vez tive que monitorar características específicas de cervejas Premium para que fosse criada uma nova linha de cerveja. Foi desafiador porque eu não tinha uma marca, tinha aspectos de uma bebida para estudar e identificar se eram válidos para que a cervejaria produzisse uma linha especial de modo que seus consumidores apreciassem o resultado.

Felizmente deu bastante certo =)

Qual a sua expectativa com relação ao Social Analytics Summit 2014? Pra deixar o pessoal do SAS mais curioso, pode falar um pouco sobre o que você vai apresentar no workshop?

A expectativa está altíssima porque já sei que vai ter gente muito boa como palestrante, como professor e como aluno, também. E é bom ser parte disso =)

E sobre o workshop, com certeza a parte que diz respeito ao monitoramento de concorrentes vai trazer surpresas. Isso porque muitas vezes os concorrentes de uma marca não são necessariamente outras marcas que oferecem os mesmos produtos/serviços, mas outra marca pouco óbvia, que compete pela atenção daquele grupo de consumidores em um determinado momento.

Não esqueça de assinar o blog e acompanhar também as entrevistas publicadas pela Priscila Marcenes.

Entrevista com Gabriel Ishida

eu profissional 2013 paulistaContinuando com a série de entrevistas com palestrantes/professores do Social Analytics Summit 2014, hoje temos um papo com o Gabriel Ishida, que é Cordenador de Social Intelligence na dp6, além de produtor de muito conteúdo sobre a área em seu blog Midializado, SlideShare ou na escola Atlas Media Lab.

Com este atual domínio do Facebook, como o profissional pode descobrir em quais outras plataformas e mídias sociais vale a pena investir?
Acredito que o monitoramento em mídias sociais pode fornecer bons indícios para se investir em outras plataformas. Configurar a ferramenta para buscar menções em outras redes e verificar o comportamento que o público mostra em cada uma é uma forma inicial de se entender até qual abordagem e estratégia fazer em cada canal.

O que você acha que é essencial para um profissional que deseje se especializar em mensuração de resultados?
Acho que a melhor forma de se aprender é tendo contato com alguém do mercado e, junto com isso, trabalhando na área. Muitas pessoas acreditam que lendo, pesquisando e acompanhando o trabalho de outras pessoas é o suficiente, mas hoje vejo que é muito importante para o aprendizado a pessoa trabalhar na área e ter um bom tutor. Se por acaso não tem oportunidades de trabalho, busque fazer relatórios para seus projetos ou de amigos e busque saber a opinião de profissionais. Assim, você vai construindo portfólio e bagagem para concorrer a uma vaga.

Tem algum caso que você poderia citar no qual alguma métrica ou dado menos comum foi decisivo para alguma estratégia, ação ou decisão?
Certa vez, criamos a métrica “Usuários convertidos” para mensurar quantas pessoas mudaram de ideia positivamente sobre a marca. Era necessário saber se os esforços realizados estava mudando a imagem da marca ou se mantinham negativas no buzz. Com isso, a comunicação da marca se acertou e começou a mudar as opiniões das pessoas.

Qual a sua expectativa com relação ao Social Analytics Summit 2014? Pra deixar o pessoal do SAS mais curioso, pode falar um pouco sobre o que você vai apresentar no workshop?
Tenho certeza que manterá a qualidade das edições anteriores e continuará a ser referência para nós, profissionais de métricas e monitoramento. No meu módulo do workshop, trabalharei o que chamo de “raciocínio horizontal em métricas”, ou seja, a pessoa olhar uma métrica e pensar o que ela impacta, como ela é influenciada e como ela trabalha com outras métricas. Além disso, buscarei mostrar outras formas de análise e outras possíveis visões dentro de métricas no Facebook, Twitter, etc que podem ser úteis para o profissional.

Para acompanhar todas as entrevistas do #SAS2014, fique de olho aqui e no blog da Priscila Marcenes.

Conferência sobre Twitter acontecerá neste sábado 25 de outubro

Se o Twitter é um dos melhores amigos do pesquisador em comunicação digital e dos analistas de monitoramento, o mesmo não pode se dizer do mercado de mídias sociais de modo geral, que praticamente só teve olhos para o Facebook nos últimos tempos. Porém, 2014 está se tornando um marco na correção desta miopia.

Nada mais apropriado, então, do que um evento dedicado à plataforma do nosso querido pássaro azul da informação e conversão ágeis, rápidas e mundiais. A conferência Twitter Summit acontecerá neste sábado, 25 de outubro, na Faculdade Cásper Libero. Ainda dá pra se inscrever:

twitter summit

 

Papo sobre analytics e ciência de dados

Final do mês passado tive um papo rápido com o Vinícius Ghise, que tá reforçando a escassa blogosfera sobre social analytics com não apenas um, mas dois blogs: o seu próprio e o 2Read Analytics (sigam!). A mini-entrevista foi feita para um texto sobre o #SAS2014 e, como o estilo jornalístico pede brevidade, reproduzo as respostas inteiras aqui:

O Social Analytics Summit está na terceira edição. Como você avalia a evolução do mercado desde a primeira edição do evento?
Ao longo destes três anos, os setores de monitoramento, pesquisa e mensuração em mídias sociais deixaram as posições secundárias, tornando-se muitas vezes centro das estratégias. O nível de exigência do mercado cresceu muito junto à experiência dos profissionais. Falando de monitoramento de mídias sociais, o número de especialistas com perfil de liderança aumentou bastante, graças ao que foi realizado nestes últimos anos. Então temos dois movimentos fortes: valorização dos profissionais com experiência, que “desbravaram” o mercado e a busca por profissionais de outras áreas com capacidades que são escassas no mercado, como pensamento científico, conhecimento estatístico ou compreensão de metodologias de ciências sociais. O Social Analytics Summit 2014 traz então dois pilares que representam o atual mercado brasileiro de dados sociais: maturidade e ciência.

Apesar da insistência dos especialistas (de social analytics), muitas vezes a inteligência de dados fica um pouco de lado na concepção de novos projetos, em detrimento do conceito criativo, principalmente em agências que surgiram e se consolidaram no mercado trabalhando com propaganda, até então offline, e em determinado momento foram praticamente forçadas a conectar com o digital. Como você avalia este cenário?
Gosto de citar um caso real bem curioso em outro evento que assisti. Numa mesa com um cliente, um planejador e um atendimento, foi justamente o planejador que criticou o uso de métricas na comunicação. Para ele, “métricas tiram a poesia da publicidade”. De bate-pronto, um espectador tuita algo como “não sabe ele que métricas ajudam os poetas desde sempre”. A ojeriza de alguns criativos em relação a matemática e mensuração de modo geral não faz sentido, na minha opinião. É possível analisar tendências, padrões e estilos – inclusive o que “foge” deles – mesmo sem usar uma única fórmula matemática. O pensamento científico pode ser aplicado em todas áreas humanas, inclusive nas criativas, para expandir o domínio até da experimentação.

Como debate de encerramento pusemos dois profissionais que vieram do “mundo acadêmico” para agências de publicidade justamente para mostrar o quanto isto funciona bem. Não por acaso, os dois vieram de outras áreas, administração e ciência política, devido a esta lacuna atual no mundo publicitário. Acredito que, em breve, o mercado publicitário vai voltar a investir ainda mais no entendimento sólido de ciências sociais e metodologia, forçada pelos meios digitais. Esta falsa dicotomia entre criatividade e mensuração vai ser demolida nos próximos anos.

Para quem já trabalha com mídias sociais e deseja se especializar em métricas, qual conselho (ou conselhos) você daria?
O conselho vale para profissionais que desejem trabalhar com mensuração, monitoramento e pesquisa: estudem metodologia. Ao contrário do que se fala por aí em relação a marketing – e em relação a qualquer ciência, no final das contas – o que é considerado ser um bom indicador ou resultado é socialmente estabelecido. Então, os profissionais que conseguem compreender muito bem o mercado, suas demandas e ferramentas para atendê-las, devem compreender como transformar estas necessidades em produtos informacionais. E isto pode ser feito de forma rentável e eficiente apenas por quem compreende como transformar tantos dados de atributos, relações, interações, fluxos, conversas e opiniões, disponíveis nas mídias sociais, em informações acionáveis.