Aplicativos de Análise de Informações Sociais – Mapeamento e Dinâmicas Interacionais

Divulgo aqui a dissertação “Aplicativos de Análise de Informações Sociais – Mapeamento e Dinâmicas Interacionais”, que foi defendida no início do ano no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da UFBa. Meu mestrado foi orientado pelo prof. José Carlos Ribeiro, foi uma importante fase de formação e esta é a produção de dois anos de dedicação a este tema.

Resumo
Esta dissertação busca caracterizar e analisar os aplicativos de análise de informações sociais quanto a sua utilização em processos interacionais online. Considerando a importância da comunicação através de ambientes digitais como os sites de redes sociais, buscamos observar novas práticas de auto-apresentação e de monitoramento. Partindo da perspectiva interacionista, a dissertação elenca o gerenciamento de impressões e a construção identitária como conceitos-chave para a compreensão da comunicação digital. Os aplicativos sociais são softwares que extraem, processam e classificam os dados publicados em sites de redes sociais com fins interacionais. A pesquisa está interessada em compreender como tais aplicativos podem exercer papéis nas dinâmicas interacionais online e utilizou como metodologia o mapeamento e classificação dos aplicativos quanto a variáveis relacionadas a suas Práticas Prescritas, Manejo dos Dados, Visualização, Motivação e Compartilhamento. Pode-se constatar a importância de aspectos destes aplicativos que podem condicionar as práticas de busca por informação social e auto-monitoramento, com consequências para os processos de vigilância, memória, gerenciamento de impressões e construção identitária.
Palavras-chave: sites de redes sociais, busca por informação social, gerenciamento de impressões, aplicativos sociais

 

Artigos do Encontro da Compós 2012

Anualmente acontece o Encontro da Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação em Comunicação, a Compós, que reúne alguns dos principais pesquisadores acadêmicos na área. Neste ano acontecerá entre 12 e 15 de junho em Juíz de Fora. É um importante momento de articulação de ideias e debates em diversos grupos de trabalho. Apesar de ainda não ter participado presencialmente do evento, aproveito a biblioteca disponível no site da associação, que armazena os artigos apresentados desde o encontro de 2000.

Neste ano, gostaria de destacar e indicar os seguintes trabalhos:

Rastros Digitais: o que eles se tornam quando vistos sob a perspectiva da teoria ator-rede? – Fernanda Bruno
Resumo: Um volume expressivo de rastros de nossas ações são gerados, monitorados e tratados cotidianamente na Internet, constituindo imensos arquivos sobre nossos modos de vida. Estes rastros digitais vêm sendo apropriados por diversos campos: vigilância, publicidade, entretenimento, serviços etc. Mas eles também vêm sendo valiosa fonte de pesquisa em ciências humanas e sociais. O valor desses rastros está atrelado ao conhecimento que possibilitam e há, neste domínio, uma série de embates. Este artigo confronta dois modelos de conhecimento neste domínio, os quais têm implicações diferenciadas para uma política dos rastros digitais. O primeiro, vigente nos aparatos comerciais e policiais, concebe o rastro como evidência atrelada ao indivíduo e/ou a padrões comportamentais. O segundo, objeto maior de nosso interesse e inspirado na teoria ator-rede, entende os rastros como inscrições de ações que permitem descrever a formação de coletivos sociotécnicos.

Sites de vídeos pornográficos amadores: encenação, midiatização e exibicionismo do anonimato – José Carlos Ribeiro e Thais Miranda
Resumo: Este trabalho problematiza algumas questões que cercam o fenômeno das interações efetivadas em sites de vídeos pornográficos amadores. Neste sentido, discute as características associadas à circulação – em “tempo real” – de imagens de sexo explícitas feitas e disponibilizadas por “pessoas comuns”, em especial aquelas relacionadas às práticas sociais que envolvem a privacidade e o anonimato. O site Cam4, dada a sua popularidade e recente crescimento no segmento em questão, é o objeto escolhido para análise. Propomos, neste artigo, que esse ambientes apontam, portanto, para o surgimento de elementos como: encenação das práticas sexuais, midiatização do sexo e exibicionismo do anonimato.

O Algoritmo Curador: o papel do comunicador num cenário de curadoria algoritmica de informação – Elizabeth Saad e Daniela Bertocchi
Resumo: A recente cena das redes digitais tem indicado com ênfase a atividade de curadoria e a própria figura do curador como saída ao problema da abundância informativa em rede. Argumentamos, contudo, que na atualidade a curadoria da informação em ambientes digitais tem se manifestado mais como um procedimento automático algorítmico que propriamente humano. Com base em na revisão da literatura, reiteramos entretanto que o processo curatorial configura-se como uma atividade inerente ao campo da Comunicação. O comunicador tem competências para assumir papéis de seleção, filtragem, agregação e, mais importante, re-mediação de conteúdos para partilha em rede, inclusive com auxílio de algoritmos.

Espaço, Mídia Locativa e Teoria Ator-Rede – André Lemos
Resumo: O social é o que emerge das associações, diz a Teoria Ator-Rede (TAR). As associações entre actantes (aquilo que produz uma ação) humanos e não-humanos são sempre localizadas. A TAR busca analisar como se dão as associações e suas localizações para conhecer o social. Esse tipo de enfoque sobre o social pode ser particularmente interessante para se pensar a espacialização nos processos comunicacionais e, mais ainda, naqueles emergentes com as atuais mídias de geolocalização . Esse artigo se insere em uma pesquisa maior sobre as “mídias locativas” a partir da TAR. Aqui discutimos, particularmente, a noção de espaço.

Aula de Métricas, Monitoramento e Mensuração na Web – parte 01

No último dia 26 de maio, tive o prazer de dar a primeira aula da disciplina Métricas, Monitoramento e Mensuração, que faz parte do programa da pós-graduação Estratégias Digitais, Redes e Mídias Sociais, oferecida pela Escola Sustentare de Negócios. Como de costume, segue o slideshow para os alunos e interessados:

Monitoramento de Mídias Sociais – Pré-Candidatos à Prefeitura de São Paulo em 2012

Provavelmente você já viu, mas não poderia deixar de publicar aqui o excelente estudo realizado pela Mariana Oliveira e pelo Daniel Souza.

Videoclipe colaborativo com Instagram: Móveis Coloniais de Acaju inovando mais uma vez

Móveis Coloniais de Acaju é uma das minhas bandas preferidas por vários motivos. Além da música ser sensacional e o show ser considerado literalmente o melhor do Brasil, eles tem um tato incrível para cultura digital. Além de liberarem todas as músicas para download gratuito e manterem blogs, flickr, twitter e outros canais, recentemente fizeram um clipe durante a Campus Party:

Agora acabaram de lançar um projeto chamado Instamóveis para produzir um clipe colaborativo com fotos publicadas no Instagram. Vejam o vídeo de apresentação do projeto: