Metrics Summit: evento sobre mensuração e monitoramento de internet e mídias sociais

Daqui a exatamente um mês, no dia 29 de novembro, acontecerá em São Paulo o Metrics Summit. Você provavelmente deve conhecer o Social Media Brasil, evento que já se tornou uma referência no país e chegou à sua quarta edição em 2012, certo? Pois bem, a Media Education, mesma empresa por trás do SMBR – e de outros eventos – é a que nos traz este importante marco no mercado de monitoramento e mensuração de web e mídias sociais.

Na programação, temas de palestras e debates como “Do tradicional para o social: a perspectiva de ROMI para o anunciante e o novo conceito de usuário”, “Métricas para pequenos e-commerces”, “Monitoramento, e agora? Planejamento, how-to e avaliação”, “All Media Analytics” e “Padrões e Tendências do Monitoramento de Mídias Sociais aplicado à inteligência de mercado”. Este último tema é de uma mesa que terei o prazer de dividir com Gabriel Ishida (dp6) e Danila Dourado (Moringa Digital), dois profissionais que admiro bastante.

Bastante gente legal, né? Confira mais detalhes sobre o evento em http://metricssummit.com.br/.

Te vejo lá!?

Using Social Media Data Aggregators to Do Social Research, por David Beer

Tenho observado o monitoramento e mensuração de mídias sociais há anos como possíveis ferramentas também para o pesquisador acadêmico em ciências sociais, especialmente comunicação. Incrível como alguns ferramentais surgidos e desenvolvidos no mercado podem ajudar a coletar dados de forma agregada e usável, mas uma parte dos pesquisadores ainda exibe desconhecimento ou preconceito. Por me interessar e trabalhar nos dois mundos, sempre advoguei pela integração, seja do lado dos pesquisadores seja do lado dos fornecedores. Hoje, uma evolução é que diversos players do mercado de monitoramento no Brasil oferecem planos para pesquisadores acadêmicos e pode-se perceber o crescimento do uso destas ferramentas em trabalhos apresentados nos congressos em cibercultura pelo país.

David Beer, autor que acompanho há alguns anos (destaco três trabalhos anteriores dele: uma crítica à pesquisa sobre redes sociais online; uma discussão sobre web 2.0 e “sociologia vernacular”; e o livro sobre conceitos de “novas mídias”, em parceria com Nicholas Gane) publicou recentemente o artigo Using Social Media Data Aggregators to Do Social Research:

This article asks if it is possible to use commercial data analysis software and digital by-product data to do critical social science. In response this article introduces social media data aggregator software to a social science audience. The article explores how this particular software can be used to do social research. It uses some specific examples in order to elaborate upon the potential of the software and the type of insights it can be used to generate. The aim of the article is to show how digital by-product data can be used to see the social in alternative ways, it explores how this commercial software might enable us to find patterns amongst ‘monumentally detailed data’. As such is responds to Andrew Abbott’s as yet unresolved eleven year old reflections on the crucial challenges that face the social sciences in a data rich era.

Beer discute se e como estas ferramentas podem fazer parte da metodologia de pesquisa e se aprofunda em conceitos e tipos de dados que são perseguidos pelo mercado: geografia, associação de palavras, influência, buzz e sentimento. O autor utiliza a ferramenta Insighlytics e diversos tipos de gráficos resultantes da coleta e processamento de dados para descrever as possibilidades e restrições. Para ler o artigo, basta acessar o site da revista Sociological Research.

Como é uma agência digital por dentro?

Apresentação que realizamos no SMW/Shared deste semestre, lá na Coworkers. Os diretores e gerentes da agência apresentaram suas ideias, concepções e dia-a-dia de suas respectivas áreas para estudantes e profissionais:

Curadoria Digital e o Campo da Comunicação

O Grupo COM+, da Escola de Comunicação e Artes da USP, está discutindo curadoria, curadoria digital e sua relação com as mídias digitais e redes sociais online como um projeto de pesquisa de sua coordenadora, Beth Saad, e de seus diversos pesquisadores. Como resultado deste esforço, o grupo acabou de lançar o livro “Curadoria Digital e o Campo da Comunicação“, que conta com artigos de membros do grupo e convidados. A importância deste debate é enfatizada por Saad, em trecho da apresentação do livro:

O termo curadoria entrou na categoria dos ciber-significados de uma forma impactante e muito recentemente. O bem conhecido e consolidado curador das artes ou aquele curador gestor legal de patrimônios passaram a conviver com uma multidão de curadores da informação, curadores digitais, curadores de festas, de musicas, de programações, de coletâneas literárias, entre outras novas funções que necessitam de “cura” para se concretizarem.

Um dos primeiros questionamentos que um pesquisador do campo das mídias e comunicação digitais faz ao deparar-se com tal profusão de usos de um mesmo termo está na analise do seu potencial transformador das relações sociais. Quando isso acontece no meio digital, nos vemos acelerando analises e olhares para entender as implicações de um novo ciber-significado nos contextos da comunicação e da informação. Antes que o significado se perca.

Tive a honra de compor a lista de autores, com artigo sobre o processo curatorial de publicações voltadas ao emergente mercado da comunicação em mídias sociais. Os trabalhos são: Anotações para a compreensão da atividade do “Curador de Informação Digital”,por Daniela Osvald Ramos; O papel do comunicador num cenário de curadoria algorítmica de informação, por Elizabeth Saad Corrêa e Daniela Bertocchi; Curadoria de informação e conteúdo na web: uma abordagem cultural por Adriana Amaral; Usuário-mídia: o curador das mídias sociais?, por Carolina Frazon Terra; Curadoria, mídias sociais e redes profissionais: reflexões sobre a prática, por Tarcízio Silva; Da edição para a curadoria: o jornalista-curador na revista Samuel, Heitor Ferraz em entrevista para Daniela Osvald Ramos.

Então, sem mais delongas, segue a publicação, que busca ser uma contribuição a este questionamento tão atual. Visualize o ebook e baixe através do issuu:

moviegalaxies: Análise Estrutural de Redes Sociais de Filmes

O fabulosíssimo projeto de pesquisa de Jermain Kaminski e Michael Schober é resumido no artigo Social Networks in Movies. Segue o abstract:

Although humanities and cultural studies have a long tradition in formalistic interpretations of works of art and literature (e. g. Wellek and Warren, 1956), only few writers have understood these works as networks of characters that (inter)act with each other. This paper expands this stream of thought by extracting, visualizing and analyzing the evolution of the characters’ interaction networks in about 797 movies from 1915 to 2011 and teasers a collobarative online solution of the technique, which is crowdsourcing the further development. There are only a very few examples of research where the social network of movies has ever been analyzed. These studies mostly had a low scale (n=1) and were not automated with machine learning algorithms (e.g. Hillman, 2011; Park et al., 2011; Ding and Yilmaz, 2010). Looking at the amount of analyzed movies and technique, this paper is a new approach.

Além de apresentar esta interessante perspectiva na interpretação de obras artísticas, os autores lançaram o site moviegalaxies, que apresenta as redes sociais de personagens de filmes. As quase 800 redes podem ser visualizadas de forma interativa, com os agrupamentos, métricas de grau, intermediaridade e cluster. Abaixo alguns exemplos de redes: Magnolia (diversos grupos, resultado das diversas linhas narrativas), Solaris (rede pequena e densa do sci fi claustrofóbico, que se passa em uma nave espacial), e Fight Club (rede altamente centralizada em Jack, protagonista narrador em primeira pessoa).

Magnolia

Solaris

 

Fight Club