Crítica de revista em vídeo – Boicovideo

O blog Boicozine acaba de lançar um projeto que eu já tinha – não pus em prática ainda por causa da voz fraca e câmera ruim… São pequenos vídeos em que o locutor Michael Bojkowski apresenta, folheia e critica revistas variadas. O Boicozine é mantido pela Press Publish. Abaixo os dois vídeos que abriram o projeto.


Boicozine #1: Distill Magazine Review from Michael Bojkowski on Vimeo.


Boicozine #2: L’œil / Design / The Architectural Review from Michael Bojkowski on Vimeo.

Design Gráfico Cambiante – Dois Artigos de Rudinei Kopp

“A estética cambiante que o design gráfico nos oferece atualmente pode não ser uma prática ou estratégia hegemônica. Não foi adotada por um grande número de designers ou empresas e tampouco sabemos se um dia isso acontecerá. O fenômeno é visível e vem crescendo como possibilidade no design gráfico atual. Os elementos que deram condições para o seu surgimento se confundem com a Pós-Modernidade e uma das faces desse tempo é o próprio design gráfico cambiante.“

O logotipo da MTV é um dos exemplos mais famosos desse tipo de design observado por Rudinei Kopp. O pesquisador e professor da Universidade de Santa Cruz do Sul possui dois artigos disponíveis na internet sobre o assunto.

– Design gráfico cambiante: a instabilidade como regra (baixar pdf)
– A capa efêmera: raízes e causas da instabilidade como estratégia no design editorial (baixar pdf)

O excerto acima foi retirado do segundo. Ambos tratam de algumas manifestações do design contemporâneo, ou Pós-moderno, como confronto aos ideais modernos de controle e redundância. Apesar de deixar de lado algumas questões importantes como quais seriam (por exemplo: M não serifado, relação de tamanho e localização entre o M, o T e o V etc) os elementos que possibilitam o reconhecimento do logotipo como tal, os exemplos de Kopp são muito interessantes.

Além da MTV, Kopp mostra as capas das revistas Ray Gun (a lendária revista de David Carson), Matiz, Big e Sexta Feira. Fazendo o resgate histórico, apresenta a série de logotipos abaixo, do Jornal Literatur in Koln, de 1974.

Em uma postagem a ser publicada em breve, resenharei com mais cuidado o livro Design Gráfico Cambiante.

Reformulação gráfica do Correio da Bahia: Correio*

(texto publicado originalmente em 27-08-08 para o blog da revista Lupa)

E o incensado novo Correio da Bahia foi lançado. Na Faculdade de Comunicação da UFBa, os comentários dos proto-jornalistas eram variações sobre “virou revista”. A qualidade gráfica, que não é nada tão excepcional em termos absolutos, incomum no jornalismo do estado foi o motivo do espanto. Mas nem toda revista é especializada e nem todo jornal é 80% texto e 20% foto p&b borrada, apesar do que faz(ia?) crer o jornalismo impresso baiano.

Seguindo o clima de renovação da reforma editorial (ver matéria de Ana Camila), o Correio da Bahia contratou a empresa de consultoria em mídia Innovation para criar o novo projeto gráfico do jornal. É tendência mundial a substituição do formatão standard por formatos menores como o tablóide ou o berliner que o jornal adotou. Logo na primeira página o maior elemento (mais de 60% da área) é uma fotografia que toma metade do espaço. Dentro desta, “Correio da Bahia” agora é apenas “Correio*”. Apenas uma palavra, e o asterisco do mesmo vermelho do “Bahia” em “O que a Bahia quer saber”, frase que acompanha o logotipo. Asterisco que remete à exclamação do Yahoo! e tantas marcas web com sinais gráficos.

A criação da redação informatizada, as incursões mais vigorosas pelo webjornalismo, e finalmente a reforma editorial e gráfica do jornal são todos decorrência da disseminação do acesso à internet no Brasil. A indústria de informação impressa se encontra em crise e, para manter-se viva acaba tanto por migrar parcialmente de mídia quanto por incorporar técnicas, estéticas e recursos característicos da internet no próprio produto impresso.

Os degradês de laranja sumiram, graças aos deuses. A arquitetura de informação está muito melhor desenvolvida. Acima das chamadas, o número da página vem, em cor vermelha, ao lado do nome da editoria. E nada da redundância de repetir que o número é de “página”. No miolo, o topo de praticamente todas as páginas é composto de pequenas notas de 60 ou 120 palavras em média. Mesmo a seção “Mais” que apresentaria material mais longo e jornalístico – no sentido rigoroso da palavra – mantem as notinhas. A exceção é a editoria “24h”, que abre o jornal com notícias mais quentes e tem uma estrutura mais livre.


A imagem acima mostra apenas duas das dez páginas que apresentam infográficos, entre as sessenta e quatro que totalizam a publicação. Apesar de uma produção longe da qualidade apresentada pela Folha de São Paulo, a equipe de André Renato Malvar, além da retrospectica de 30 anos de Correio*, também representou visualmente bem os pontos de falta de segurança dos campi da UFBa e as contratações do Esporte Clube Bahia.

Jornalismo cultural nulo (faço minhas as palavras de Ana Camila) na publicação, mas informação mais direta. A agenda de cinema apresenta as salas e horários em uma tabela bem mais prática e opta por não poluir a página com informações sobre produção, diretor e elenco pra um público que não está interessado nisso, ao menos não no jornal.

Para mais conteúdo sobre a relação entre internet e jornalismo impresso, ouça o podcast de Fernando Firmino chamado “Tablodização dos jornais diante do impacto da internet”. Firmino é jornalista, doutorando do Poscóm-UFBa e blogueiro do Jornalismo Móvel.

Clique abaixo para ver o anúncio, realizado pela Propeg, que exalta o novo Correio* e sua “diagramação dinâmica e moderna, sem precedentes na história da imprensa brasileira”.