Metodologia e Processo Criativo em Projetos de Comunicação Visual

Janaina Fuentes Panizza apresentou este trabalho em 2004, como dissertação de mestrado na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, a ECA/USP. As 254 páginas de Metodologia e Processo Criativo em Projetos de Comunicação Visual se dividem em três capítulos e considerações finais, além de introdução, bibliografia etc.

O primeiro capítulo trata de Comunicação Visual e Design Gráfico. É aquele “basicão”:  o que é comunicação visual; mensagens visuais; design gráfico etc. A melhor seção deste capítulo é Expressões do Design, na qual a autora escreve sobre sete subáreas do design gráfico. Esta divisão ainda mostra um tatear reunindo toda a comunicação digital em “mídia eletrônica”. Mas não é nada que comprometa nem de longe os capítulos seguintes.

Em Metodologia Projetual, depois de discorrer se é realmente necessário a utilização de métodos, Panizza apresenta as principais escolas de design da história e seus métodos. Em seguida, apresenta os métodos projetuais de Bruno Munari, Verônica Nápoles, Don Koberg & Jim Bagnall, Norberto Chaves, Bernd Löbach, Maria Luísa Peón, Fábio Mestriner, Guto Lins e Francisco Homem de Melo. Finaliza este segundo capítulo com considerações sobre os diversos métodos apresentados.

No terceiro capítulo, Janaína Panizza escreve sobre Criatividade.  Começa combatendo a lenda da iluminação divina, das lendas que inventam e mitificam o “Eureka” ou a maçã de Newton. Depois, escreve sobre diferentes técnicas criativas, recorrendo a vários autores de diferentes disciplinas e proveniências teóricas.

Fecha a dissertação com as Considerações Finais, relacionando de forma mais sistemática a criatividade e o método, além de discorrer sobre o ensino do design e da comunicação visual nas escolas contemporâneas.

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Design e Comunicação Visual, de Bruno Munari

design-e-comunicacao-visual-bruno-munariDesign e Comunicação Visual foi escrito a partir de um curso que Bruno Munari ministrou na Harvard University, em 1967. A primeira parte do livro chama-se Cartas de Harvard. A maioria dos vinte textos (que compõem as primeiras 80 páginas do livro) começa com a narração de algum acontecimento cotidiano, aparentemente trivial do dia do autor. Em seguida, Munari escreve sobre alguma de suas aulas ou técnicas empregadas e o leitor percebe que o início do capítulo não tinha nada de trivial. Tal estratégia liga, por exemplo, a pluralidade de vestimentas dos alunos dos campi de Harvard à individualidade da expressão de cada um deles nos exercícios propostos.

decomposicao-mensagem-visual-bruno-munariA segunda parte, que se chama Comunicação Visual tem quase trezentas páginas nesta edição que tenho em mãos. Ao definir mensagem visual, Munari a decompõe da seguinte forma (ver imagem abaixo). A Mensagem Visual é composta por Suporte e Informação. O Suporte, por sua vez, em Textura, Forma, Estrutura, Módulo e Movimento.

Talvez seja um problema na tradução, mas o uso das palavras “suporte” e “informação” confundem. Na verdade, Munari propõe esse modelo algo que poderia ser descrito como análogo a suporte/significante e informação/significado. Mas a palavra “suporte” pode dar a entender que se trata apenas do papel ou do material “bruto”. Não é o caso. O Suporte de Munari é textura, forma, estrutura, módulo e movimento. No design de uma revista seria todos os materiais significantes, do papel e da ilustração ao projeto gráfico, grelha, sequência das páginas e até mesmo do passar do tempo.

Estas 300 páginas da segunda parte são compostas prioritariamente por imagens a partir da página 100. Cada dimensão do Suporte é definida para em seguida ser destrinchada em questões secundárias e derivadas. Formas, por exemplo, é seguida de 22 capítulos, tratando de, por exemplo: simestria; formas interiores do cubo; formas nos líquidos; sequência de formas; etc. E cada capítulo é acompanhado de várias imagens (alguns trabalhos de alunos, inclusive).

Bruno Munari apresenta neste livro uma fervorosa defesa do estruturalismo. A corrente filosófica (que influenciou correntes de pensamento na semiótica, antropologia, comunicação etc) acredita que toda a experiência humana e, em alguns casos, todo o mundo físico é regido por estruturas. A bibliografia também não nega. Entre os cinco livros de semiótica está A Estrutura do Ausente, de Umberto Eco. Neste maravilhoso livro, a estrutura é provocativamente “ausente” no título porque, afinal, se a estrutura está em tudo não pode ser “presente”, tampouco. Munari fala de estruturas em rios, por exemplo, e descreve um exercício a partir disso.

O livro ainda traz, nas últimas páginas considerações breves sobre a cor e a apresentação do método projetual de Bruno Munari com diagrama e tudo.

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The Vignelli Canon – livro sobre design gráfico

the-vignelli-canonMassimo Vignelli acaba de lançar em pdf e gratuito o The Vignelli Canon (pdf). É um livro com os fundamentos do design, divido em duas partes. A primeira é sobre os valores “intangíveis”, enquanto a segunda traz considerações sobre as técnicas do design gráfico.

Vignelli é um dos grandes nomes do design gráfico desde a década de 1960. Atualmente é um grande detrator do “design pós-moderno”. No documentário Helvetica, por exemplo, declarou polemicamente que “nos anos 70, a geração jovem estava atrás de fontes psicodélicas, e qualquer coisa junkie que poderiam encontrar. Nos anos 80, com suas mentes completamente confusas por essa doença que foi chamada de Pós-Modernismo, as pessoas estavam desnorteadas como galinhas sem cabeça, usando todo tipo de fontes que poderiam dizer “não modernas”.

Neste livro continua com as palavras ácidas, como em:

The advent of the computer generated the phenomena called desktop publishing. This enabled anyone who could type the freedom of using any available typeface and do any kind of distortion. It was a disaster of mega proportions. A cultural pollution of incomparable dimension. As I said, at the time, if all people doing desktop publishing were doctors we would all be dead!

Na Parte 1 Vignelli escreve sobre is valores “intangíveis que acredita: semântica, sintaxe, pragmática, disciplina, propriedade, ambiguidade, unicidade, poder visual, elegância intelectual, atemporalidade, responsabilidade e equidade.

A segunda parte é sobre o tangível: tamanhos de papel; grelha, margem, colunas e módulos; carta corporativa; grelhas para livros; família de fontes, as básicas; alinhamento à esquerda, centro ou justificado; relação entre tamanhos de fontes; fios tipográficos; contratando tamanho de fontes; escala; textura; cor; layouts; sequência; acabamento; identidade e diversidade; espaço em branco; uma coleção de experiência; e conclusão.

Destaco o trecho sobre sequência. É uma dimensão do design de brochuras (revistas, livros, guias…) que é comumente ignorada e que eu penso ser de importância crucial para a maioria das publicações desse tipo. Segue um trecho e a imagem de uma dupla:

A publication, whether a magazine, a book, a brochure, or even a tabloid is a cinematic object where turning of the pages is an integral part of the reading experience. A publication is simultaneously the static experience of a spread and the cinematic experience of a sequence of pages.

the-vignelli-canon-sequancia

+ Resenhas de mais livros

Teoria da Cultura de Massa

teoria-da-cultura-de-massa-luiz-costa-limaTeoria da Cultura de Massa, com introdução, comentários e seleção de Luiz Costa Lima reúne doze dos textos mais clássicos da área das teorias que observam a cultura de massa, como sociologia, comunicação, semiótica e arte.

Com direito a capa colada com durex, a imagem ao lado é o meu exemplar escaneado: primeira edição, de 1969 pela Editôra (com circunflexo e tudo) Saga. Já são seis edições, desde então, agora na editora Paz e Terra.

O nome deste blog é levemente inspirado no título de Visão, Som e Fúria de Marshall McLuhan. O teórico canadense, autor de Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem, foi um dos pesquisadores mais “pop” dos anos 60 e 70, ao ponto de fazer participação no filme de Woody Allen chamado Annie Hall (me recuso a reproduzir a “tradução” do título em português).

McLuhan dicuste os meios de comunicação dando alguma ênfase na forma específica de cada um deles. Portanto, discute a página impressa a partir dos livros da época de Gutemberg, que “liquidou” com a cultura manuscrita  e que criou uma cultura abstrata. Discute a invenção da fotografia e do jornal como uma mudança para o visual. E a televisão, por sua vez, como a retomada de uma cultura da visão e do som. A partir deste paradigama, junto a outros “avanços” tecnológicos da comunicação e dos transportes, criou o conceito de “aldeia global”.

Este texto de McLuhan foi originalmente publicado em 1954. O autor faleceu antes do advento da internet comercial. Hoje em dia suas teorias ainda são discutidas em relação aos novos meios, como computador, dispositivos móveis etc.  Praticamente todos os textos deste livro ainda são “atuais” na discussão da comunicação e cultura “de massa”. Recomendo especialmente também os textos de Jean Baudrillard e Roland Barthes.

Os doze textos são:
Doutrinas sobre a Comunicação de Massas – Abraham A. Moles
Comunicação de Massa, Gosto Popular e A Organização da Ação Social – Paul F. Lazarsfeld, Robert K. Merton
O Turno da Noite – David Riesman
Visão, Som e Fúria – Marshall McLuhan
A Indústria Cultural, O Iluminismo como Mistificação de Massa – Max Horkheimer, Theodor W. Adorno
A Obra de Arte na Época de sua Reprodutibilidade Técnica – Walter Benjamin
A Arte na Sociedade Unidimensional – Herbert Marcuse
Sociologia da Vanguarda – Edoardo Sanguineti
Significação da Publicidade – Jean Baudrillard
A Semiologia: Ciência Crítica e/ou Crítica da Ciência – Julia Kristeva
A Mensagem Fotográfica – Roland Barthes
Estilo e Meio no Filme – Erwin Panofsky

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En Caja Baja

En Caja Baja – prensa y diseño é mais um ótimo blog em língua espanhola . Já escrevi aqui sobre o Quinta Tinta e sobre o CuatroTipos. Neste blog são cinco: Javier Vidal, Quique Falcón, Mario Benito, Rubén Martín e Luís Blasco. Desde 2007 já são mais de trezentos posts, com análises de páginas e jornais, e também foco em alguns redesigns.

O blog também publica o Diseñario, um “dicionário” sobre o design de jornal. Com bom humor, vários tópicos são abordados, como jornal, família de tipos, revista, sensacionalismo etc.

Abaixo um trecho do “adeus” à Helvetica:

De proporciones imposibles de mejorar a pesar de los continuos intentos, de formas imperecederas, dulces y poderosas a la vez, ha dado más fuerza a títulos que ya tenían fuerza, y también a otros que no; ha puesto su enorme carácter al servicio de un periodismo de carácter, guste o no, gusten o no ambos; su presencia significaba que aquélla era la noticia principal de la página porque muy pocos tipos, ninguno en realidad, pueden competir con ella. Contigo, Helvética. De quien nunca podré separarme, aunque esta noche tengamos que decirnos