Malvados

Uma tirinha com dois personagens: uma flor chamada Malvadinho e outra chamada Malvado. Logo de cara, a ironia dá o tom da coisa. Sarcasmo, humor negro e piadas mais que politicamente incorretas pipocam (ou florescem?) nessa tirinha, de André Dahmer.

O desenho é bem tosco mesmo. Algumas linhas em preto, branco e cinza e boas idéias fizeram o sucesso inicial. Nas primeiras tiras, os Malvados eram por demais assentados no texto. Mas aos poucos foi ficando mais inventivo. Mesmo a falta de braços dos personagens é motivo de piada em uma tira. Depois de algum tempo, sob a mesma rubrica Os Malvados, André Dahmer criou novos personagens e séries.

Emir Saad é um tirano de algum país distante, provavelmente oriental. Aqui as tirinhas são rudimentarmente coloridas. O ditador é sádico, adora tortura. Mas é explicado: tem pinto pequeno.

Como também não poderia deixar de ser em uma tirinha de humor ácido, também há as piadas com o próprio autor. Passou de piadas do tipo “quadrinista mal-pago e incompreendido” para piadas sexuais com clichês de psicoanálise.

Ziniguistão é uma terra de ninguém. Guerras étnicas e religiosas são o alvo da vez. Em parte das tirinha, uma estratégia interessante. No topo, em caixa alta, texto objetivo, como se fosse uma manchete: “ZINIGUISTÃO, 1994. FANÁTICOS MANTÊM CEM CRIANCINHAS SOB A MIRA DE ARMAS.” Em baixo a piada infame: “Não gosto de violência, mas vou dar um tiro em quem jogar outra bolinha de papel.”

Uma série recente particularmente interessante é Apostólos, A Série. Jesus e seus seguidores são hippies em busca de boa vida (leia-se erva barata).

Um comentário sobre “Malvados

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