{"id":9967,"date":"2016-12-22T23:26:47","date_gmt":"2016-12-23T01:26:47","guid":{"rendered":"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/?p=9967"},"modified":"2016-12-23T00:02:25","modified_gmt":"2016-12-23T02:02:25","slug":"pesquisa-academica-o-caminho-para-a-evolucao-da-analise-de-dados-no-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/pesquisa-academica-o-caminho-para-a-evolucao-da-analise-de-dados-no-mercado\/","title":{"rendered":"Pesquisa acad\u00eamica: o caminho para a evolu\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise de dados no mercado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A fatia da popula\u00e7\u00e3o brasileira com ensino superior ainda \u00e9 absurdamente pequena. O gr\u00e1fico abaixo compara dados de 2014 da <a href=\"http:\/\/stats.oecd.org\/\" target=\"_blank\">OECD<\/a>, mostrando a fatia da popula\u00e7\u00e3o entre 25-64 anos com ensino superior. Apesar da relativa evolu\u00e7\u00e3o na \u00faltima decada, o\u00a0Brasil conseguiu formar apenas\u00a014%, nesta lista \u00e0 frente apenas de Indon\u00e9sia e China (que, devido a sua popula\u00e7\u00e3o gigantesca, acaba por ter v\u00e1rias vezes o n\u00famero de formados que o Brasil). Jap\u00e3o, R\u00fassia, Canad\u00e1 e EUA superam 50%.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9969\" src=\"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Popula\u00e7\u00e3o-com-Ensino-Superior-620x340.png\" alt=\"populacao-com-ensino-superior\" width=\"620\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Popula\u00e7\u00e3o-com-Ensino-Superior-620x340.png 620w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Popula\u00e7\u00e3o-com-Ensino-Superior-150x82.png 150w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Popula\u00e7\u00e3o-com-Ensino-Superior-300x165.png 300w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Popula\u00e7\u00e3o-com-Ensino-Superior.png 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar desta triste realidade, s\u00e3o comuns os discursos que menosprezam o papel das universidades e da forma\u00e7\u00e3o e pesquisa acad\u00eamicas no pa\u00eds, sobretudo entre parte do mercado ligado \u00e0 publicidade. Lembro como, no ano passado, uma mat\u00e9ria sobre o papel da gradua\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o de bilionarios viralizou no meio. Seu t\u00edtulo era &#8220;Voc\u00ea vai se surpreender quando descobrir qual gradua\u00e7\u00e3o mais forma bilion\u00e1rios&#8221; e supostamente surpreendia o leitor ao mostrar que, na verdade,\u00a0na frente de cursos de Business e Engenharia, estava simplesmente a op\u00e7\u00e3o &#8220;Nenhuma&#8221;. O estudo mostrou que 32% dos bilion\u00e1rios americanos levantados n\u00e3o se formaram, contra 68% que se formaram em alguma gradua\u00e7\u00e3o. Este dado foi visto como indicador, no discurso neoliberal, de que gradua\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de &#8220;sucesso&#8221;.<\/p>\n<div id=\"attachment_9973\" style=\"width: 512px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9973\" class=\"wp-image-9973 size-full\" src=\"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/materia-bilionarios.png\" alt=\"materia-bilionarios\" width=\"502\" height=\"578\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/materia-bilionarios.png 502w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/materia-bilionarios-130x150.png 130w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/materia-bilionarios-261x300.png 261w\" sizes=\"auto, (max-width: 502px) 100vw, 502px\" \/><p id=\"caption-attachment-9973\" class=\"wp-caption-text\">Uma das vers\u00f5es da reportagem.<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ironia \u00e9 que cruzar dados \u00e9 justamente algo que pode ser aprendido em gradua\u00e7\u00f5es.\u00a0Os dados da OECD tamb\u00e9m mostram que 45% da popula\u00e7\u00e3o americana, onde est\u00e1 a maioria dos bilion\u00e1rios, se formou. Ou seja, 55% n\u00e3o se formaram contra 32% dos bilion\u00e1rios. Bastaria\u00a0ter um pouco de repert\u00f3rio cr\u00edtico-anal\u00edtico para ver que os dados da mat\u00e9ria mostram que os rica\u00e7os s\u00e3o mais educados formalmente que a m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o. E isto sem falar de todas as vari\u00e1veis sist\u00eamicas que explicam sua riqueza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em novembro foi publicada a pesquisa\u00a0<strong>Perfil dos Profissional de Intelig\u00eancia em M\u00eddias Sociais<\/strong>, desenvolvida por Ana Claudia Zandavalle. \u00a0Como comentei nos resultados do ano passado, a pesquisa mostra importante fatia de p\u00f3s-graduandos neste mercado, com sal\u00e1rio muito maior que a m\u00e9dia.<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" style=\"border: 1px solid #CCC; border-width: 1px; margin-bottom: 5px; max-width: 100%;\" src=\"\/\/www.slideshare.net\/slideshow\/embed_code\/key\/NwW2wVsdBDY5A0\" width=\"595\" height=\"485\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"> <\/iframe><\/p>\n<div style=\"margin-bottom: 5px; text-align: justify;\">Tamb\u00e9m curioso \u00e9 que grande parte destes profissionais est\u00e3o alocados em ag\u00eancias de publicidade, que em peso &#8220;ignoram&#8221; a forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Mas, nas \u00e1reas de monitoramento, business intelligence e m\u00e9tricas, profissionais com forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica densa se destacam.\u00a0Estes profissionais se destacam nas ag\u00eancias por capacidades adquiridas na universidade ou atrav\u00e9s de procedimentos de investiga\u00e7\u00e3o aprendidos em grupos de pesquisa &#8211; mas as ag\u00eancias subestimam a forma\u00e7\u00e3o. Ou, pior: as desmotivam publicamente.<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no recorte do &#8220;mercado de m\u00eddias sociais&#8221;, que cerca de 8 anos atr\u00e1s ainda era uma grande novidade, um fen\u00f4meno curioso aconteceu. De um lado, predominava o discurso de que as m\u00eddias sociais eram algo &#8220;novo&#8221; e por isto as forma\u00e7\u00f5es existentes n\u00e3o dariam conta de suas especificidades. Balela, claro, pois decisiva mesmo \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o em comunica\u00e7\u00e3o, psicologia social, lingu\u00edstica e disciplinas ligadas a intera\u00e7\u00e3o humana, e n\u00e3o aprender a apertar bot\u00e3o ou onde ficam as funcionalidades na interface do Facebook. E ao mesmo tempo, por ser um mercado\u00a0percebido como novo e que n\u00e3o requer inicialmente muito mais que um computador, as barreiras de entrada eram m\u00ednimas. Ent\u00e3o centenas de ag\u00eancias surgiram neste per\u00edodo, diversas delas criadas por graduandos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi o meu caso. Criei com amigos uma ag\u00eancia em 2008, quando ainda estava acabando a gradua\u00e7\u00e3o.\u00a0O ambiente\u00a0prop\u00edcio foi a excel\u00eancia acad\u00eamica da UFBA em um laborat\u00f3rio com apoio externo, do mercado. Desde ent\u00e3o, al\u00e9m desta ag\u00eancia, ao menos quatro ag\u00eancias\/institutos nasceram das m\u00e3os daqueles ex-bolsistas. E a maior parte continua desenvolvendo, tamb\u00e9m, pesquisa acad\u00eamica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, estas parceiras p\u00fablico-privadas em pesquisa &amp; desenvolvimento s\u00e3o raras em comunica\u00e7\u00e3o no Brasil.\u00a0Sobretudo devido ao desinteresse das empresas em retornar o que recebem direta e indiretamente das universidades e do Estado. A desvaloriza\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica em alguns meios da comunica\u00e7\u00e3o se intensificou ainda mais com as narrativas em torno de figuras como Steve Jobs e Mark Zuckerberg.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9983\" src=\"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/quatro-gigantes-da-tecnologia-620x558.png\" alt=\"quatro-gigantes-da-tecnologia\" width=\"620\" height=\"558\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/quatro-gigantes-da-tecnologia-620x558.png 620w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/quatro-gigantes-da-tecnologia-150x135.png 150w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/quatro-gigantes-da-tecnologia-300x270.png 300w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/quatro-gigantes-da-tecnologia.png 758w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, a maior parte deste discurso deixa de lado a relev\u00e2ncia do papel das universidades no in\u00edcio da cria\u00e7\u00e3o de empresas como Microsoft, Apple e Facebook; deixam de lado o quanto estas empresas contratam cientistas; e como elas pr\u00f3prias desenvolvem estruturas que copiam as universidades. Este discurso comumente vem casado com a velha demoniza\u00e7\u00e3o do papel do estado. Mas como mostra a\u00a0consultora italiana Mariana Mazzucato no excelente livro\u00a0<strong>O Estado Empreendedor<\/strong>, mesmo a Apple deve seu sucesso ao investimento em pesquisa de base que o liberal Estados Unidos faz:<\/p>\n<blockquote><p>Em suma, \u201cdescobrir o que voc\u00ea gosta\u201d enquanto continua sendo \u201clouco\u201d \u00e9 muito mais f\u00e1cil em um pa\u00eds em que o Estado desempenha um papel fundamental, assumindo o desenvolvimento das tecnologias de alto risco, fazendo os investimentos iniciais, maiores, mais arriscados e depois sustentando-os at\u00e9 que os atores do setor privado, em um est\u00e1gio muito mais adiantado, apare\u00e7am \u201cpara brincar e se divertir\u201d. Assim, enquanto os especialistas do \u201clivre mercado\u201d continuam a alertar para o perigo de o governo \u201cescolher vencedores\u201d, pode-se dizer que v\u00e1rias pol\u00edticas governamentais americanas lan\u00e7aram as bases que deram \u00e0 Apple os instrumentos para se tornar um dos principais integrantes de uma das ind\u00fastrias mais din\u00e2micas do s\u00e9culo XXI.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, para al\u00e9m desta discuss\u00e3o, chegamos a um momento crucial na rela\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o com pr\u00e1ticas cient\u00edficas. A &#8220;era do big data&#8221; e a metrifica\u00e7\u00e3o de (quase) tudo requerem mais ci\u00eancia, mais an\u00e1lise, mais dados, mais rigor, mais ferramentas, mais P&amp;D. Tanto o desenvolvimento do mercado como um todo quanto dos indiv\u00edduos interessados em atuar nesta \u00e1rea passa por mais especializa\u00e7\u00e3o e ci\u00eancia, n\u00e3o menos. \u00c9 hora do mercado se atualizar e ver que os cientistas acad\u00eamicos pesquisam e aplicam h\u00e1 d\u00e9cadas inova\u00e7\u00f5es que a maioria das empresas nem sonham.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Promover e defender a ci\u00eancia brasileira \u00e9 muito importante, sobretudo no atual momento. Se voc\u00ea que l\u00ea este texto atua e\/ou possui algum tipo de impacto no mercado da comunica\u00e7\u00e3o, espero que este texto possa te tocar para fazer parte desta\u00a0compreens\u00e3o. N\u00e3o consigo entender como um brasileiro\u00a0n\u00e3o se choque com aquele gr\u00e1fico l\u00e1 no topo do post. Precisamos atuar para expandir o acesso a universidades no pa\u00eds\u00a0e sua efetiva democratiza\u00e7\u00e3o. Do ponto de vista do &#8220;mercado&#8221;,\u00a0mesmo sem pensar em motivos mais nobres, este perde em muito em n\u00e3o\u00a0consumir e disseminar a pesquisa acad\u00eamica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se voc\u00ea \u00e9 estudante e est\u00e1 lendo o blog para aprender algo novo, saiba que o caminho pode passar pela jun\u00e7\u00e3o rigorosa dos diversos mundos de conhecimentos e pr\u00e1ticas. Leia, procure, atue, pesquise, se aproprie, transforme, ensine e leve suas experi\u00eancias para a universidade e para outras pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas por mais v\u00e1lida que seja esta minha cr\u00edtica em si, podemos ir al\u00e9m e tentar afetar o mercado de forma positiva. Recentemente lan\u00e7amos mais um <a href=\"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/livro-monitoramento-e-pesquisa-em-midias-sociais-ja-esta-disponivel\/\" target=\"_blank\">livro gratuito<\/a> (\u00e9 meu quinto) e hoje trago outra novidade relacionada ao tema que discuto aqui. Fizemos a curadoria\u00a0de uma lista de 100 pessoas do Brasil e do mundo que publicam conhecimento sobre\u00a0<strong>Pesquisa e Monitoramento de M\u00eddias Sociais<\/strong>. Isto resultou em mais de 1 mil links de artigos, v\u00eddeos, entrevistas, ferramentas e tutoriais:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.ibpad.com.br\/publicacoes\/whitepapers\/100-fontes-sobre-monitoramento-e-pesquisa-em-midias-sociais\/?utm_medium=prof&amp;utm_source=tarcsilva&amp;utm_campaign=whit&amp;utm_content=445\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9986\" src=\"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/100-fontes-de-monitoramento-547x620.png\" alt=\"100-fontes-de-monitoramento\" width=\"547\" height=\"620\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/100-fontes-de-monitoramento-547x620.png 547w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/100-fontes-de-monitoramento-132x150.png 132w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/100-fontes-de-monitoramento-265x300.png 265w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/100-fontes-de-monitoramento.png 1930w\" sizes=\"auto, (max-width: 547px) 100vw, 547px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma listagem destas, \u00e9 imposs\u00edvel dizer que h\u00e1 pouco conhecimento acad\u00eamico sobre o assunto ou alegar que n\u00e3o o encontra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos estudar e aplicar juntos?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fatia da popula\u00e7\u00e3o brasileira com ensino superior ainda \u00e9 absurdamente pequena. O gr\u00e1fico abaixo compara dados de 2014 da OECD, mostrando a fatia da popula\u00e7\u00e3o entre 25-64 anos com ensino superior. 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