{"id":8923,"date":"2014-11-02T13:11:11","date_gmt":"2014-11-02T15:11:11","guid":{"rendered":"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/?p=8923"},"modified":"2014-11-02T13:13:11","modified_gmt":"2014-11-02T15:13:11","slug":"dataclysm-a-disrupcao-da-abundancia-de-dados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/dataclysm-a-disrupcao-da-abundancia-de-dados\/","title":{"rendered":"Dataclysm &#8211; a disrup\u00e7\u00e3o da abund\u00e2ncia de dados"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.amazon.com\/gp\/product\/0385347375\/ref=as_li_qf_sp_asin_il_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=0385347375&amp;linkCode=as2&amp;tag=imapapefur-20&amp;linkId=WGUATWL5SIESTRV6\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-8925\" alt=\"dataclysm\" src=\"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/dataclysm.png\" width=\"240\" height=\"359\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/dataclysm.png 300w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/dataclysm-150x224.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a>Disrup\u00e7\u00e3o \u00e9 uma palavra que sofre muito nas m\u00e3os de publicit\u00e1rios com ego inflado e baixo poder de auto-avalia\u00e7\u00e3o. Por ser usada em 95% dos casos de forma err\u00f4nea, evito-a de modo consistente. Por\u00e9m, dif\u00edcil n\u00e3o falar de disrup\u00e7\u00e3o, quebra de paradigma, quando se trata da atual abund\u00e2ncia de dados p\u00fablicos e semi-p\u00fablicos sobre atributos, rela\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es sociais, devido \u00e0 emerg\u00eancia das m\u00eddias sociais. Este foi um dos motivos para Christian Rudder dar o t\u00edtulo apocal\u00edptico\u00a0<strong>Dataclysm &#8211; Who We Are* (*When We Think No One&#8217;s Looking)<\/strong> a seu livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rudder est\u00e1 numa posi\u00e7\u00e3o invej\u00e1vel para a grande maioria dos cientistas sociais, sejam eles focados em pesquisa acad\u00eamica ou mercadol\u00f3gica: na frente do site de encontros\u00a0<em>OkCupid<\/em> e com habilidades estat\u00edsticas e computacionais, ele tem a chance de cruzar e analisar dados comportamentais, expressivos e afetivos exclusivos de milh\u00f5es de usu\u00e1rios.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Twitter, Reddit, Tumblr, Instagram, all these companies are businesses first, but, as a close second, they\u2019re demographers of unprecedented reach, thoroughness, and importance. Practically as an accident, digital data can now show us how we fight, how we love, how we age, who we are, and how we\u2019re changing. All we have to do is look: from just a very slight remove, the data reveals how people behave when they think no one is watching.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Em inspirado trecho, Rudder fala sobre quem fez &#8220;hist\u00f3ria&#8221; no decorrer da exist\u00eancia humana: apenas algumas figuras p\u00fablicas e\/ou extraordin\u00e1rias (geralmente as vencedoras, quando se trata de conflito) tornaram-se merecedoras de ter mem\u00f3ria para al\u00e9m de sua exist\u00eancia. Mas esta assimetria acaba quando temos mem\u00f3ria, armazenamento e registro abundante:<\/p>\n<blockquote><p>But this asymmetry is ending; the small noise, the crackle and hiss of the rest of us, is finally making it to tape. As the Internet has democratized journalism, photography, pornography, charity, comedy, and so many other courses of personal endeavor, it will, I hope, eventually democratize our fundamental narrative.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro \u00e9 estruturado em tr\u00eas partes: What Brings Us Together; What Pulls Us Apart; e What Makes Us Who We Are. Como os t\u00edtulos d\u00e3o a entender, o autor vai procurar mostrar como os dados sociais digitais podem explicar ou representar similaridades, conflitos e individualidades. No primeiro cap\u00edtulo, um dos dados mais curiosos, gerado a partir do pr\u00f3prio <em>OkCupid<\/em>, mostra a diferen\u00e7a entre atratibividade percebida no website entre indiv\u00edduos heterossexuais. No gr\u00e1fico abaixo est\u00e3o cruzadas a idade dos usu\u00e1rios e idades preferidas para parceiros, dado coletado a partir dos\u00a0<em>rates<\/em> (avalia\u00e7\u00f5es) reais no site de encontros:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-8932 aligncenter\" alt=\"okcupid - preferencia por idade\" src=\"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/okcupid-preferencia-por-idade-600x290.png\" width=\"600\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/okcupid-preferencia-por-idade-600x290.png 600w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/okcupid-preferencia-por-idade-150x72.png 150w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/okcupid-preferencia-por-idade-300x145.png 300w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/okcupid-preferencia-por-idade.png 1150w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 incr\u00edvel observar como os homens, em m\u00e9dia, mantem o ideal da mulher jovem adulta, enquanto as mulheres permanecem com um ideal de homem pouco mais jovem ou velho do que si mesmas. O dado fica ainda mais interessante quando cruzado com a m\u00e9dia de idade em que os homens e mulheres efetivamente enviam mensagens, dado no qual a discrep\u00e2ncia \u00e9 muito menor.<\/p>\n<p>A primeira parte do livro \u00e9 baseada na an\u00e1lise das rela\u00e7\u00f5es afetivo-sexuais a partir dos dados do OkCupid. Vale a men\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m a um experimento realizado com um aplicativo de encontro \u00e0s cegas, no qual os usu\u00e1rios n\u00e3o poderiam ver a imagem com quem estavam marcando encontros. Cruzando os dados das pessoas que se encontraram com a atratividade percebida no site OkCupid, mesmo nos casos em qual a atratividade era muito discrepante (digamos, uma homem com nota 9 e uma mulher com nota 6), a satisfa\u00e7\u00e3o p\u00f3s-encontro \u00e0s cegas foi muito mais positiva do que o esperado.<\/p>\n<p>Na segunda parte do livro, Rudder passa a analisar itens mais sens\u00edveis, especificamente a &#8220;ra\u00e7a&#8221; dos usu\u00e1rios e atratividade percebida entre asi\u00e1ticos, latinos, brancos e negros. Rudder procura contextualizar os dados de forma respons\u00e1vel, mas acaba por ficar patente a crise que vivemos na sociologia emp\u00edrica (ver <a href=\"http:\/\/soc.sagepub.com\/content\/41\/5\/885.abstract\" target=\"_blank\">Savage &amp; Burrows<\/a>). A redistribui\u00e7\u00e3o das hierarquias tamb\u00e9m ocorreu na pesquisa, como bem descreveu a <a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/j.1467-954X.2012.02121.x\/abstract\" target=\"_blank\">Noortje Marres<\/a>, e este livro \u00e9 um dos exemplos disto. A for\u00e7a (pseudo) legitimadora dos dados quantitativos em uma fatia de mensura\u00e7\u00e3o (rating entre usu\u00e1rios) resultou no compartilhamento do gr\u00e1fico abaixo em f\u00f3runs racistas:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8938 aligncenter\" alt=\"okcupid match scores races\" src=\"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/okcupid-match-scores-races.png\" width=\"531\" height=\"455\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/okcupid-match-scores-races.png 531w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/okcupid-match-scores-races-150x128.png 150w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/okcupid-match-scores-races-300x257.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 531px) 100vw, 531px\" \/><\/p>\n<p>O tema, t\u00e3o importante, interessante e sens\u00edvel merecia ter seus dados explorados de forma mais fina por pesquisadores e pensadores com uma maior bagagem e peso em ci\u00eancias sociais. A cis\u00e3o que est\u00e1 se aprofundando com as restri\u00e7\u00f5es de acesso e habilidades computacionais a estes dados sociais digitais clama por esfor\u00e7os urgentes dos interessantes em ci\u00eancia mais aberta. Em tempos de <a href=\"https:\/\/medium.com\/message\/engineering-the-public-289c91390225\" target=\"_blank\">engenharia afetiva<\/a> no Facebook e seu bilh\u00e3o de usu\u00e1rios (<a href=\"http:\/\/blog.okcupid.com\/index.php\/we-experiment-on-human-beings\/\" target=\"_blank\">defendida pelo pr\u00f3prio Rudder<\/a>), isto parece estar cada vez mais longe.<\/p>\n<p>A terceira parte traz um dos cap\u00edtulos mais interessantes, chamado &#8220;Tall for an Asian&#8221;. A partir dos campos biogr\u00e1ficos de auto-express\u00e3o nos perfis da OkCupid, Rudder realiza a medi\u00e7\u00e3o de quais palavras s\u00e3o\u00a0<em>outliers<\/em> para cada grande grupo demogr\u00e1fico que analisa, mostrando como o gerenciamento de impress\u00f5es de cada segmento populacional \u00e9 enquadrado pelos seus comportamentos e expectativas percebidas. Outra vez uma densidade te\u00f3rica maior faria diferen\u00e7a, como a aplica\u00e7\u00e3o de referencial do Interacionismo Simb\u00f3lico e Teoria Dramat\u00fargica. Por\u00e9m, enquanto exibi\u00e7\u00e3o de possibilidades metodol\u00f3gicas, a se\u00e7\u00e3o traz muitas ideias.<\/p>\n<p>Em resumo,\u00a0<strong>Dataclysm<\/strong> \u00e9 um livro caracter\u00edstico das tend\u00eancias que fascinam (e\/ou amedrontam) interessados em an\u00e1lise social a partir de dados digitais e um dos primeiros a ser escrito pelos novos grandes e isolados privilegiados deste cataclisma dos dados: os criadores\/detentores de m\u00eddias sociais. O que est\u00e1 subjacente na possibilidade de produ\u00e7\u00e3o deste livro \u00e9 o que temos de mais importante e cr\u00edtico nas ci\u00eancias em torno da comunica\u00e7\u00e3o digital hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Disrup\u00e7\u00e3o \u00e9 uma palavra que sofre muito nas m\u00e3os de publicit\u00e1rios com ego inflado e baixo poder de auto-avalia\u00e7\u00e3o. Por ser usada em 95% dos casos de forma err\u00f4nea, evito-a de modo consistente. Por\u00e9m, dif\u00edcil n\u00e3o falar de disrup\u00e7\u00e3o, quebra de paradigma, quando se trata da atual abund\u00e2ncia de dados p\u00fablicos e semi-p\u00fablicos sobre atributos, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[24,3],"tags":[2262,2302,2342,2489,2343],"class_list":["post-8923","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livros-revistas-publicacoes","category-midias-sociais","tag-big-data","tag-ciencia-dos-dados","tag-dataclysm","tag-midias-sociais","tag-okcupid"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8923","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8923"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8923\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8942,"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8923\/revisions\/8942"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8923"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}