{"id":8239,"date":"2014-02-04T13:11:23","date_gmt":"2014-02-04T15:11:23","guid":{"rendered":"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/?p=8239"},"modified":"2021-02-11T18:14:30","modified_gmt":"2021-02-11T20:14:30","slug":"10-anos-de-facebook-um-ponto-obrigatorio-de-passagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/10-anos-de-facebook-um-ponto-obrigatorio-de-passagem\/","title":{"rendered":"10 anos de Facebook, um ponto obrigat\u00f3rio de passagem"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Ao completar seus dez anos de exist\u00eancia, o Facebook serve de excelente exemplo pr\u00e1tico de uma das defini\u00e7\u00f5es mais interessantes do que significa poder no mundo contempor\u00e2neo. Pensadores como Michel Callon e Bruno Latour exploraram o conceito de &#8220;ponto obrigat\u00f3rio de passagem&#8221; sobre uma das estrat\u00e9gias para alcan\u00e7ar poder. Nas palavras de Callon: \u201cpodemos tentar nos tornar t\u00e3o indispens\u00e1veis que ningu\u00e9m pode agir sem n\u00f3s, criando um monop\u00f3lio sobre certo tipo de for\u00e7a. Se sucedermos nesta estrat\u00e9gia, nos tornamos um \u201cponto obrigat\u00f3rio de passagem\u201d, um porto compuls\u00f3rio onde todos s\u00e3o for\u00e7ados a negociar\u201d.<a href=\"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/facebook-2004-640.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-8242\" src=\"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/facebook-2004-640-400x344.jpg\" alt=\"facebook-2004-640\" width=\"400\" height=\"344\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/facebook-2004-640-400x344.jpg 400w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/facebook-2004-640-150x129.jpg 150w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/facebook-2004-640-600x516.jpg 600w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/facebook-2004-640.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2004, como acompanhamos em primeira m\u00e3o, lemos ou vimos em biografias controversas sobre Mark Zuckerberg, surgia o site que hoje supera o bilh\u00e3o de usu\u00e1rios em todo o mundo. Inicialmente uma comunidade exclusiva para alunos de Harvard, o Facebook foi se abrindo pouco a pouco e hoje tem como p\u00fablico potencial qualquer cidad\u00e3o mundial com acesso \u00e0 internet. Por\u00e9m, este crescimento e sua for\u00e7a n\u00e3o foi resultado dessa abertura apenas, mas sim da inser\u00e7\u00e3o do Facebook nas propriedades digitais para al\u00e9m de seus dom\u00ednios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os aplicativos sociais, como o mercado de <i>social games<\/i> que movimentou alguns bilh\u00f5es nos \u00faltimos anos, o <i>newsfeed<\/i> e sua circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es baseadas em fluxo, os logins sociais e os bot\u00f5es likes trouxeram facilidades para usu\u00e1rios, desenvolvedores, jornalistas, gerentes de marketing e com\u00e9rcio eletr\u00f4nico e at\u00e9 ativistas pol\u00edticos. A facilidade constru\u00edda pelo volume de dados e sua circula\u00e7\u00e3o pelos servidores do Facebook seduz os mais diferentes atores sociais: agir, expressar-se, conversar e vender n\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o facilitados atrav\u00e9s do Facebook, como tamb\u00e9m suas manifesta\u00e7\u00f5es neste site tornam-se quase que obrigat\u00f3rias. Para muitos, a rede praticamente engoliu a web, tornando-se sin\u00f4nimo desta. \u00c9 uma esp\u00e9cie de simbiose fomentada pelo site de rede social, para seu pr\u00f3prio benef\u00edcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se aqui tanto de conex\u00e3o e conectividade (tradu\u00e7\u00e3o dif\u00edcil dos conceitos de Jose van Dijck: <i>connectedness<\/i> e <i>connectivity<\/i>). Por um lado a cultura participativa \u00e9 promovida pelas pessoas e seus interesses de sociabilidade e compartilhamento. Atravessando esta comunica\u00e7\u00e3o, est\u00e1 presenta tamb\u00e9m a transforma\u00e7\u00e3o dos pontos de dados relacionais e de atributos sobre os indiv\u00edduos e seus comportamentos, empreendida pelo Facebook para fortalecer seus modelos de neg\u00f3cio. Cada perfil \u2013 os \u201ceus\u201d digitais de bilh\u00f5es de usu\u00e1rios \u2013 s\u00e3o tamb\u00e9m n\u00f3s em uma rede de dados que s\u00f3 o gigante das m\u00eddias sociais tem acesso completo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma popula\u00e7\u00e3o digital conectada e relativamente madura, que j\u00e1 passou por diversas m\u00eddias sociais e investiu mais tempo em uma espec\u00edfica, criando suas redes e apresenta\u00e7\u00e3o de si. O esfor\u00e7o de procurar alternativas supera as insatisfa\u00e7\u00f5es com o Facebook, de modo geral e prescindir do site significa perder os valores afetivos, temporais e at\u00e9 financeiros depositados ali durante anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como acontece com os usu\u00e1rios comuns, o mundo da comunica\u00e7\u00e3o passa por um grande desafio ao enfrentar esta dualidade. Ao mesmo tempo em que oferece vantagens gigantescas (circula\u00e7\u00e3o r\u00e1pida de informa\u00e7\u00f5es, <i>social big data<\/i> e visibilidade s\u00e3o s\u00f3 alguns exemplos), o ecossistema midi\u00e1tico que tem o Facebook como o centro tamb\u00e9m lhe d\u00e1 plenos poderes de mudar as regras do jogo, atrav\u00e9s de seus algoritmos e decis\u00f5es de interface.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que hoje \u00e9 visto como uma das poucas amea\u00e7as ao Facebook, o suposto abandono da rede por adolescentes, \u00e9 pr\u00f3prio do choque entre gera\u00e7\u00f5es. Talvez este grupo social, historicamente contestador, seja justamente o que tem mais energia de mudar e menos coisas a perder. Resta acompanhar e agir nesta rede e nas que a perpassam: nossas a\u00e7\u00f5es individuais, de forma coletiva, \u00e9 que definir\u00e3o se o Facebook continuar\u00e1 sendo \u201cobrigat\u00f3rio\u201d nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E voc\u00ea, consegue imaginar o anivers\u00e1rio de 20 anos do site?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao completar seus dez anos de exist\u00eancia, o Facebook serve de excelente exemplo pr\u00e1tico de uma das defini\u00e7\u00f5es mais interessantes do que significa poder no mundo contempor\u00e2neo. Pensadores como Michel Callon e Bruno Latour exploraram o conceito de &#8220;ponto obrigat\u00f3rio de passagem&#8221; sobre uma das estrat\u00e9gias para alcan\u00e7ar poder. 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