{"id":3931,"date":"2008-03-06T21:00:00","date_gmt":"2008-03-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/imagempapelefuria.wordpress.com\/2008\/03\/06\/a-funcao-social-do-design-realidades-e-utopias\/"},"modified":"2008-03-06T21:00:00","modified_gmt":"2008-03-07T00:00:00","slug":"a-funcao-social-do-design-realidades-e-utopias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/a-funcao-social-do-design-realidades-e-utopias\/","title":{"rendered":"A Fun\u00e7\u00e3o Social do Design: realidades e utopias"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify;\">O texto a seguir foi postado originalmente no<span style=\"font-weight:bold;\"> <a href=\"http:\/\/disenoiberoamericano.com\/\">dise\u00f1oiberamericano.com<\/a><\/span>. O site &#8220;<span style=\"font-style:italic;\">es un proyecto de gesti\u00f3n del conocimiento en dise\u00f1o cuyo objetivo es el de propiciar la interacci\u00f3n entre las personas de los pa\u00edses iberoamericanos desde una perspectiva amplia y participativa, mediante el lenguaje del dise\u00f1o, creando espacios para que el conocimiento circule, fomentando la reflexi\u00f3n, el an\u00e1lisis y el impulso a los procesos de creaci\u00f3n, formaci\u00f3n e innovaci\u00f3n<\/span>.&#8221;<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-weight:bold;\"><\/span>Abaixo temos uma tradu\u00e7\u00e3o, autorizada, feita por mim, do texto da video-confer\u00eancia oferecida por <span style=\"font-weight:bold;\">Norberto Chaves<\/span> no evento \u201c<span style=\"font-weight:bold;\">Dise\u00f1o em Sociedad<\/span>\u201d que foi realizado no final do ano passado na Universidade do Valle de Cali, Col\u00f4mbia. O original pode ser acessado diretamente <a href=\"http:\/\/disenoiberoamericano.com\/?p=114\"><span style=\"font-weight:bold;\">aqui<\/span><\/a>.<\/p>\n<p><span style=\"font-size:130%;\"><span style=\"font-weight:bold;font-style:italic;\">A Fun\u00e7\u00e3o Social do Design: realidades e utopias, por Norberto Chaves<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight:bold;\">Premissas<\/span><br \/><span style=\"font-weight:bold;\"><\/span><br \/><span style=\"font-weight:bold;\"><\/span><span style=\"font-weight:bold;\">1. <\/span>   A frequ\u00eancia com que se apresenta o debate sobre \u2018a fun\u00e7\u00e3o social do design\u201d tem feito que esta frase adquira um car\u00e1ter de verdadeira categoria ideol\u00f3gica da disciplina.<br \/><span style=\"font-weight:bold;\">2.  <\/span>  O mero formular desta problem\u00e1tica leva \u00edmplicita uma tomada de posi\u00e7\u00e3o. Quem as formulam, s\u00f3 por faz\u00ea-lo, a reivindicam: atribuem de antem\u00e3o para a discplina uma miss\u00e3o humanit\u00e1ria: a frase cont\u00eam, latente, uma afirmativa: \u201co design tem uma fun\u00e7\u00e3o social\u201d.<br \/><span style=\"font-weight:bold;\">3. <\/span>   E a reitera\u00e7\u00e3o desta reivindica\u00e7\u00e3o leva, tamb\u00e9m impl\u00edcita, outra afirma\u00e7\u00e3o: o reconhecimento que o Design, na verdade, n\u00e3o cumpre esse compromisso supostamente inerente ao seu pr\u00f3prio conceito.<br \/><span style=\"font-weight:bold;\">4.    <\/span>Quando se supera toda tomada de posi\u00e7\u00e3o <span style=\"font-style:italic;\">a priori<\/span> acerca desta problem\u00e1tica e a analisa com objetividade, veremos que a resposta n\u00e3o apresenta dificuldade alguma, n\u00e3o implica nenhum desafio intelectual.<br \/><span style=\"font-weight:bold;\">5.<\/span>    O interessante da dita insist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 tanto a resposta que se possa dar ao tema, mas as origens do dilema, seu car\u00e1ter de uma patologia profissional.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight:bold;\">Proposta<\/span><br \/><span style=\"font-weight:bold;\"><\/span><br \/><span style=\"font-weight:bold;\"><\/span>Para abordar o tema da \u201cfun\u00e7\u00e3o social do design\u201d resulta indispens\u00e1vel fazer duas declara\u00e7\u00f5es de partida:<br \/><span style=\"font-weight:bold;\">a) <\/span>   Definir se por \u201cfun\u00e7\u00e3o social\u201d nos referimos \u00e0 incid\u00eancia geral do design na sociedade ou se nos referimos a um determinado tipo de incid\u00eancia: a animada por fins solid\u00e1rios ou humanit\u00e1rios.<br \/><span style=\"font-weight:bold;\">b)  <\/span>  Definir se, ao abordar este tema, consideraremos o design tal e como se manifesta na sociedade real, ou se tentaremos fazer uma proposta alternativa, ou seja, formular um \u201cdever ser\u201d do design.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight:bold;\">1.    O design s\u00f3 tem fun\u00e7\u00e3o social<\/span><br \/>Se nos referimos \u00e0 fun\u00e7\u00e3o social em sentido amplo e ao design em sua realidade atual, esta pr\u00e1tica em todas suas manifesta\u00e7\u00f5es tem uma indiscut\u00edvel fun\u00e7\u00e3o social: tudo o que o design produz \u00e9 dirigido \u00e0 sociedade e incide poderosamente sobre ela, para o bem em alguns casos e para o mal em outros.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight:bold;\">2.    O design tem escassa fun\u00e7\u00e3o social<\/span><br \/>Se continuamos a nos referir ao design como uma pr\u00e1tica real e atual, mas por \u201cfun\u00e7\u00e3o social\u201d nos restringimos \u00e1 sua acep\u00e7\u00e3o humanista, temos que reconhecer que esta fun\u00e7\u00e3o s\u00f3 se cumpre marginalmente. O design s\u00f3 pode cumprir uma fun\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria ali onde existam atores socio-econ\u00f4micos (\u201cclientes\u201d) que assumam um compromisso social real, n\u00e3o c\u00ednico.<\/p>\n<p>Estes atores s\u00e3o raros. Ou carecem de fundos (o que \u00e9 o mesmo). A economia e o mercado neoliberal \u2013 contexto real e predominante de la pr\u00e1ctica do design \u2013 possuem um car\u00e1ter abertamente antisocial e, por tanto, dificultam aquela fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Somente um setor muito minorit\u00e1rio de designers conseguir\u00e1 trabalho no campo efetivamente social e, ainda assim, com remunera\u00e7\u00f5es muito baixas, em regimes de voluntariado.<\/p>\n<p>Em uma economia de mercado n\u00e3o se pode falar de \u201cfun\u00e7\u00e3o social\u201d como caracter\u00edstica essencial do design. Neste modelo de sociedade a \u201cfun\u00e7\u00e3o social do design\u201d n\u00e3o passa de ser um <span style=\"font-style:italic;\">desideratum<\/span>, uma pura manifesta\u00e7\u00e3o de desejos, quando n\u00e3o uma fantasia compensat\u00f3ria de culpa.<\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o social, antisocial ou neutra de qualquer profiss\u00e3o n\u00e3o a determina, e sim o sistema social em que se inscreve. N\u00e3o est\u00e1 impl\u00edcita na disciplina (que pode t\u00ea-la ou n\u00e3o t\u00ea-la): a atribui de fora. E n\u00e3o \u00e9 o designer quem pode realiz\u00e1-la, e sim o cliente real, o que contrata e paga o servi\u00e7o e o p\u00f5e em uso. S\u00f3 h\u00e1 fun\u00e7\u00e3o social onde o cliente tenha uma miss\u00e3o social.<\/p>\n<p>Em um modelo de sociedade estruturalmente injusta como a vigente, a fun\u00e7\u00e3o social do design e de qualquer profiss\u00e3o est\u00e1 bloqueada pelos interesses priorit\u00e1rios do mercado. Esquecido este \u201cdetalhe\u201d, toda refer\u00eancia \u00e0 \u201cfun\u00e7\u00e3o social\u201d cai em contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight:bold;\">3.    O design poderia ter uma fun\u00e7\u00e3o social<\/span><br \/>Se nos mantemos dentro daquela acep\u00e7\u00e3o humanista de \u201cfun\u00e7\u00e3o social\u201d; mas, a contrapelo da realidade nos animamos a propor que o design assuma essa fun\u00e7\u00e3o de um modo sistem\u00e1tico, n\u00e3o aned\u00f3tico, temos que ingressar no terreno da proposta alternativa. Conseq\u00fcentemente, devemos assumir o compromisso intelectual e \u00e9tico de denunciar as raz\u00f5es pelas quais dita fun\u00e7\u00e3o \u00e9 atualmente marginal e assinalar as condi\u00e7\u00f5es que teriam de dar-se para que se cumpra plenamente.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que, para que os designers possam trabalhar s\u00e9ria e continuamente a servi\u00e7o das necessidades da sociedade, e n\u00e3o do mero mercado, \u00e9 indispens\u00e1vel que prosperem os projetos pol\u00edtica e economicamente transformadores, ou seja: os populares. O designer preocupado com sua fun\u00e7\u00e3o social deve, enquanto sujeito pol\u00edtico, apoiar sem reservas todos os movimentos que defendam as causas sociais e n\u00e3o esperar, candidamente, do sistema imperante uma fun\u00e7\u00e3o alheia a sua natureza e objetivos.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight:bold;\">Corol\u00e1rio<\/p>\n<p><\/span>A apresenta\u00e7\u00e3o permanente e insistente desta problem\u00e1tica e sua situa\u00e7\u00e3o de irresoluta n\u00e3o \u00e9 produto de sua complexidade, mas sintoma de um \u201cmal-estar na cultura do design\u201d, de certa insatisfa\u00e7\u00e3o do profissional que pretende canalizar seu compromisso social atrav\u00e9s de uma profiss\u00e3o que resiste a acompanh\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Essa problem\u00e1tica tarda em resolver-se pois parte de uma contradi\u00e7\u00e3o: exigir compromisso social a uma profiss\u00e3o solidamente articulada com o mercado e a sociedade de consumo. Se trata de uma contradi\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria da classe m\u00e9dia: os privil\u00e9gios de que gozam sobre as classes oper\u00e1rias n\u00e3o os deixam ver \u2013 nem querem ver \u2013 seu car\u00e1ter de classe explorada. E o car\u00e1ter alienado de seu trabalho.<\/p>\n<p>O profissional quer \u201cp\u00f4r seu trabalho ao servi\u00e7o de uma fun\u00e7\u00e3o social\u201d apesar de n\u00e3o poder faz\u00ea-lo sozinho. Quer salvar a sociedade atrav\u00e9s do design sem reconhecer que esta profiss\u00e3o existe gra\u00e7as a um modelo socio-econ\u00f4mico que a configurou como tal. E que<br \/>\nmajoritariamente a p\u00f4s, direta ou indiretamente, a servi\u00e7o do mercado de consumo.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto a seguir foi postado originalmente no dise\u00f1oiberamericano.com. O site &#8220;es un proyecto de gesti\u00f3n del conocimiento en dise\u00f1o cuyo objetivo es el de propiciar la interacci\u00f3n entre las personas de los pa\u00edses iberoamericanos desde una perspectiva amplia y participativa, mediante el lenguaje del dise\u00f1o, creando espacios para que el conocimiento circule, fomentando la [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[556],"tags":[616,26],"class_list":["post-3931","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-outros-sites-e-blogs","tag-associacao","tag-design"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3931","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3931"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3931\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3931"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3931"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3931"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}