{"id":12585,"date":"2022-05-13T10:33:13","date_gmt":"2022-05-13T13:33:13","guid":{"rendered":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/?p=12585"},"modified":"2022-05-13T10:33:16","modified_gmt":"2022-05-13T13:33:16","slug":"ministerio-publico-federal-discute-racismo-e-discurso-de-odio-nas-midias-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/ministerio-publico-federal-discute-racismo-e-discurso-de-odio-nas-midias-sociais\/","title":{"rendered":"Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal discute racismo e discurso de \u00f3dio nas m\u00eddias sociais"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">[Reprodu\u00e7\u00e3o de texto publicado no <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.mpf.mp.br\/pfdc\/noticias\/encontros-da-cidadania-especialistas-discutiram-o-papel-dos-algoritmicos-na-promocao-do-discurso-de-odio\" target=\"_blank\">website do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal<\/a>]<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"266\" src=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/encontros-da-cidadania-MPF-PFDC.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12586\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/encontros-da-cidadania-MPF-PFDC.jpg 400w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/encontros-da-cidadania-MPF-PFDC-300x200.jpg 300w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/encontros-da-cidadania-MPF-PFDC-150x100.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c<em>O Brasil ainda n\u00e3o conseguiu se livrar da m\u00e1cula da discrimina\u00e7\u00e3o racial, o que se agrava quando se vincula ao discurso de \u00f3dio. Dos mais de 12 mil crimes de \u00f3dios registrados no Brasil em 2019, quase 73% tinham motiva\u00e7\u00e3o racial<\/em>\u201d. Com essa afirma\u00e7\u00e3o, a procuradora federal dos Direitos do Cidad\u00e3o substituta, Ana Borges, abriu o webin\u00e1rio sobre racismo e discurso de \u00f3dio \u2013 o evento faz parte de um ciclo no qual est\u00e3o previstos mais cinco debates virtuais com especialistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, a procuradora lembrou a recente aprova\u00e7\u00e3o, pelo Brasil, da Conven\u00e7\u00e3o Interamericana contra o Racismo, a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial e Formas Correlatas de Intoler\u00e2ncia. \u201cEssa norma certamente ser\u00e1 de grande valia para o enfrentamento do discurso de \u00f3dio vinculado ao racismo em nosso pa\u00eds, alimentando a esperan\u00e7a por dias melhores\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em seguida, o procurador Regional da Rep\u00fablica Walter Claudius Rothenburg, moderador do evento, exaltou a import\u00e2ncia do uso de espa\u00e7os virtuais para promover a troca de ideias entre Minist\u00e9rio P\u00fablico e a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos convidados foi o pesquisador Tarc\u00edzio Silva, doutorando em Ci\u00eancias Humanas e Sociais na Universidade Federal do ABC, especialista em monitoramento de m\u00eddias sociais e m\u00e9todos de pesquisa digitais. Ele teceu uma exposi\u00e7\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre racismo estrutural e discurso de \u00f3dio apresentando dados estat\u00edsticos. Citou, por exemplo, o estudo do pesquisador Luiz Val\u00e9rio de Paula Trindade, que identificou o perfil mais suscet\u00edvel aos ataques na rede social Facebook: mulheres, negras, de classe m\u00e9dia, com ensino superior completo e na faixa et\u00e1ria de 20 a 35 anos &#8211; que representam 81% de todos os ataques. \u201c<em>O professor Lu\u00eds Val\u00e9rio identificou uma esp\u00e9cie de rancor contra mulheres negras que apesar de todas as dificuldades, conquistaram e conquistam coisas<\/em>\u201d, ressaltou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Silva, o mais surpreendente \u00e9 que essas manifesta\u00e7\u00f5es de \u00f3dio, na maioria das vezes, s\u00e3o direcionadas a postagens que n\u00e3o apresentam nenhuma manifesta\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o, como por exemplo exposi\u00e7\u00e3o de viagens de f\u00e9rias, relacionamentos inter-raciais, exerc\u00edcio de posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a ou conquistas profissionais. \u201cAlgo que deveria ser corriqueiro em m\u00eddias sociais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro ponto abordado foi o conceito dupla opacidade, pelo qual mostra que h\u00e1 uma dificuldade, na pesquisa cient\u00edfica e na incid\u00eancia em pol\u00edticas p\u00fablicas, de se reconhecer o racismo e a incid\u00eancia da tecnologia nesse contexto. \u201c<em>Se acreditamos que o racismo inexiste e que a tecnologia \u00e9 neutra, fica imposs\u00edvel combater a intersec\u00e7\u00e3o dessas duas quest\u00f5es<\/em>\u201d, esclareceu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tarc\u00edzio concluiu falando sobre o papel facilitador ao crime de \u00f3dio que as plataformas digitais acabam desempenhando. Isso se d\u00e1, por exemplo, pelo uso de algoritmos que privilegiam algumas informa\u00e7\u00f5es mais pol\u00eamicas para gerar engajamento, desconsiderando o fato de conter algum tipo de viol\u00eancia de \u00f3dio contra outras pessoas. Citou exemplo recente da vit\u00f3ria de uma organiza\u00e7\u00e3o francesa de ativistas l\u00e9sbicas contra o Google, obrigando que o mecanismo de busca ajustasse o seu algoritmo de forma que a pesquisa pelo termo \u201cl\u00e9sbica\u201d parasse de dar destaque a conte\u00fados pornogr\u00e1ficos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O debatedor Irapu\u00e3 Santana do Nascimento Silva, doutor em Direito Processual pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro e consultor jur\u00eddico da Educafro, abordou a quest\u00e3o do racismo algor\u00edtmico fornecendo alguns exemplos em que a situa\u00e7\u00e3o ocorre, como \u00e9 o caso de tecnologias de reconhecimento facial que funcionam melhor em peles claras. \u201c<em>No reconhecimento facial utilizado pelas pol\u00edcias, por exemplo, h\u00e1 uma possibilidade muito maior de que ocorra algum erro em peles negras<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para ele, \u00e9 preciso desmistificar a ideia de que existe uma neutralidade nos algoritmos. Como eles leem e interpretam um volume imenso de informa\u00e7\u00f5es criadas por humanos, acabam reproduzindo os mesmos preconceitos existentes na sociedade. Para assistir o webin\u00e1rio completo, acesse: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=3BVEfP4Ta6s\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=3BVEfP4Ta6s<\/a>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Webin\u00e1rio: Racismo e Discurso de \u00d3dio (Projeto Encontros da Cidadania)\" width=\"630\" height=\"354\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3BVEfP4Ta6s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[Reprodu\u00e7\u00e3o de texto publicado no website do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal] \u201cO Brasil ainda n\u00e3o conseguiu se livrar da m\u00e1cula da discrimina\u00e7\u00e3o racial, o que se agrava quando se vincula ao discurso de \u00f3dio. 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