{"id":12434,"date":"2021-12-20T11:43:32","date_gmt":"2021-12-20T13:43:32","guid":{"rendered":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/?p=12434"},"modified":"2021-12-20T11:50:39","modified_gmt":"2021-12-20T13:50:39","slug":"visao-computacional-e-racismo-algoritmico-branquitude-e-opacidade-no-aprendizado-de-maquina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/visao-computacional-e-racismo-algoritmico-branquitude-e-opacidade-no-aprendizado-de-maquina\/","title":{"rendered":"Vis\u00e3o Computacional e Racismo Algor\u00edtmico: Branquitude e Opacidade no Aprendizado de M\u00e1quina"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[<em>O artigo abaixo foi originalmente publicado na <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/abpnrevista.org.br\/index.php\/site\/article\/view\/744\" target=\"_blank\"><strong>Revista da ABPN<\/strong><\/a>. Confira ao final link para o PDF e como citar<\/em>]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tecnologias Digitais de Comunica\u00e7\u00e3o: Branquitude como Padr\u00e3o e Representa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As reflex\u00f5es sobre representa\u00e7\u00e3o e grupos minorizados em tecnologias digitais ganharam f\u00f4lego desde a d\u00e9cada de 1990 inicialmente a partir de desdobramentos sobre os estudos em torno do conceito de fosso digital (\u201cdigital divide\u201d) e desigualdade de acesso. Durante os primeiros anos da discuss\u00e3o sobre a web social, como f\u00f3runs e blogs textuais, o discurso hegem\u00f4nico em disciplinas que estudaram a comunica\u00e7\u00e3o mediada por computador cogitava uma \u201cdescorporifica\u00e7\u00e3o\u201d dos indiv\u00edduos e suas identidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez que a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o-simult\u00e2nea limitada por texto permitia experimentar a simula\u00e7\u00e3o de diferentes marcadores sociais e identit\u00e1rios, parte da pesquisa sobre ra\u00e7a na internet explorava como alteridades raciais e de g\u00eanero poderiam ser \u201cexperimentadas\u201d em f\u00f3runs e posteriormente como avatares visuais em ambientes tais como o <em>Second Life<\/em>. Como aponta Daniels, por\u00e9m, este olhar evocava uma \u201clinguagem da explora\u00e7\u00e3o e descoberta (por exemplo: \u2018descobrir identidade racial em um grupo <em>Usenet\u2019<\/em>). Esta ret\u00f3rica foi consistente com as ent\u00e3o correntes descri\u00e7\u00f5es da Internet como uma \u2018fronteira eletr\u00f4nica\u2019 e evoca o olhar do colonizador\u201d (Daniels, 2013, p. 708, trad. livre). Por\u00e9m, a autora (2009, 2013) resgata como supremacistas brancos viram a internet como um campo de atua\u00e7\u00e3o desde meados dos anos 1990, com sites de desinforma\u00e7\u00e3o contra figuras hist\u00f3ricas tais como Martin Luther King ou ainda a constru\u00e7\u00e3o de portais com o objetivo de conectar internacionalmente afiliados aos grupos mais extremistas de supremacia branca (como o <em>Stormfront<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A evolu\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas sociot\u00e9cnicas da internet como multiplica\u00e7\u00e3o de plataformas digitais de intera\u00e7\u00e3o tais como m\u00eddias sociais, conex\u00e3o pervasiva e <em>mobile<\/em>, alta velocidade de transfer\u00eancia de dados, centralidade da imagem, plataformas de v\u00eddeo e aumento da popula\u00e7\u00e3o conectada trouxe mais debates sobre ra\u00e7a e comunica\u00e7\u00e3o digital. Os casos midi\u00e1ticos de racismo online discursivo multiplicaram-se, como os mapeados por Trindade (2018), vitimando, sobretudo mulheres negras em alguma posi\u00e7\u00e3o de destaque ou desafio ao <em>status quo<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso, por\u00e9m, sublinhar que o racismo online n\u00e3o trata apenas de casos aberracionais de inj\u00farias isoladas, mas sim um \u201csistema de pr\u00e1ticas contra grupos racializados que privilegiam e mant\u00eam poder pol\u00edtico, cultural e econ\u00f4mico para os brancos no espa\u00e7o digital\u201d (Tynes et al, 2019, p.195). Estes privil\u00e9gios s\u00e3o constru\u00eddos, mantidos e transformados em novas manifesta\u00e7\u00f5es geralmente elusivas que v\u00e3o al\u00e9m da materialidade dos discursos e imagens, indo da contrata\u00e7\u00e3o privilegiada de grupos raciais hegem\u00f4nicos (NELSON, TU &amp; HINES, 2001) \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o diferencial de puni\u00e7\u00f5es ligadas aos Termos de Uso das plataformas<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>. Dados da pesquisa EEO-1 nos Estados Unidos, por exemplo, mostram que as empresas do Vale do Sil\u00edcio est\u00e3o muito longe de representar a diversidade da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a> &#8211; e devido a concentra\u00e7\u00e3o global das tecnologias criadas nos EUA, a situa\u00e7\u00e3o se agrava quando se trata da complexidade e diversidade mundiais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerando que as manifesta\u00e7\u00f5es do racismo s\u00e3o \u201cconstru\u00eddas e expressas na infraestrutura online ou <em>back end<\/em> (por exemplo: algoritmos) ou atrav\u00e9s das interfaces (por exemplo: s\u00edmbolos, imagem, voz, texto e representa\u00e7\u00f5es gr\u00e1ficas)\u201d (Tynes et al, 2019, p.195, trad. livre) \u00e9 necess\u00e1rio olhar tamb\u00e9m para estes materiais relacionados \u00e0s pr\u00e1ticas econ\u00f4micas e produtivas nos contextos socio-hist\u00f3ricos onde emergem. As interfaces e sistemas podem materializar, de forma an\u00e1loga ao que acontece nos fluxos sem\u00e2nticos da sociedade os &#8220;preconceitos n\u00e3o manifestos, presentes invisivelmente na cabe\u00e7a dos indiv\u00edduos, e as consequ\u00eancias dos efeitos da discrimina\u00e7\u00e3o na estrutura ps\u00edquica das pessoas&#8221; (Carone &amp; Bento, 2017, pos. 74).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Crescentemente, os algoritmos e intelig\u00eancia artificial ganham destaque no debate sobre comunica\u00e7\u00e3o, sociedade e tecnologia por regirem cada vez mais esferas da vida. Recomenda\u00e7\u00e3o de conte\u00fado nas <em>timelines<\/em> de m\u00eddias sociais, seguran\u00e7a digital, biometria, processamento de linguagem natural e reconhecimento facial s\u00e3o algumas das aplica\u00e7\u00f5es j\u00e1 frequentes no cotidiano em nossos computadores e <em>smartphones<\/em>. Mas os problemas destes agentes artificiais que tomam decis\u00f5es de visibilidade, acesso, classifica\u00e7\u00e3o e processamento de materiais digitais tamb\u00e9m s\u00e3o frequentes, muitas vezes ligados a vieses de ra\u00e7a, g\u00eanero, classe, localidade, neuroatipicidade e outros. Entender a \u201cracializa\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica como uma forma de opress\u00e3o algor\u00edtmica nos permite us\u00e1-la como um importante <em>framework <\/em>para criticar discursos sobre a Internet como um ambiente democr\u00e1tico\u201d (Noble, 2018, pos. 1341, trad. livre).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Defendemos que os estudos sobre a branquitude s\u00e3o uma chave importante para entender os modos pelos quais as tecnologias automatizadas demonstram continuamente vieses racistas, mesmo provenientes de empresas globais bilion\u00e1rias com todo aparato tecnol\u00f3gico-financeiro dispon\u00edvel. Interessada nos mecanismos que comp\u00f5e o que chamou de \u201cpacto narc\u00edsico da branquitude\u201d em contextos organizacionais de empresas e setor p\u00fablico, Bento descreve a branquitude como<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>um lugar de privil\u00e9gio racial, econ\u00f4mico e pol\u00edtico, no qual a racialidade, n\u00e3o nomeada como tal, carregada de valores, de experi\u00eancias, de identifica\u00e7\u00f5es afetivas, acaba por definir a sociedade. Branquitude como preserva\u00e7\u00e3o de hierarquias raciais, como pacto entre iguais, encontra um territ\u00f3rio particularmente fecundo nas Organiza\u00e7\u00f5es, as quais s\u00e3o essencialmente reprodutoras e conservadoras (Bento, 2002, p.7)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A manuten\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o dos privil\u00e9gios da branquitude partindo de uma centralidade evocativa \u00e0 Europa se ligaram hist\u00f3rica e economicamente \u00e0 domina\u00e7\u00e3o colonial e neocolonial, com desdobramentos da ci\u00eancia \u00e0 tecnologia, mas sempre atrav\u00e9s da evita\u00e7\u00e3o ao debate sobre ra\u00e7a. Mills chama este esfor\u00e7o coletivo de inverter a epistemologia de uma \u201cepistemologia da ignor\u00e2ncia\u201d, um \u201cpadr\u00e3o particular de disfun\u00e7\u00f5es globais e locais (que s\u00e3o funcionais psicol\u00f3gica e socialmente), produzindo o resultado ir\u00f4nico que os brancos em geral ser\u00e3o incapazes de entender o mundo que eles pr\u00f3prios formataram\u201d (Mills, pos.327, trad. nossa).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas disfun\u00e7\u00f5es s\u00e3o tamb\u00e9m registradas nos mitos de racial-<em>blindness<\/em>, pos-racialidade (BONILLA-SILVA, 2006) e democracia racial (NASCIMENTO, 2016[1978]; SOUZA, 2017) como vetores do silenciamento do debate sobre ra\u00e7a em todas as esferas, que acreditamos que se liga plenamente <em>technochauvinismo<\/em>. Este seria \u201ca cren\u00e7a que a tecnologia \u00e9 sempre a solu\u00e7\u00e3o\u201d, acompanhada de no\u00e7\u00f5es de \u201ccomputadores s\u00e3o mais \u201cobjetivos\u201d ou \u201cenviesados\u201d porque eles destilam quest\u00f5es e respostas em avalia\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica\u201d (BROUSSARD, 2018, pos. 166, trad. livre).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Propomos que isto implica em uma \u201cdupla opacidade\u201d, que definimos como o modo pelo qual os discursos hegem\u00f4nicos invisibilizam tanto os aspectos sociais da tecnologia quanto os debates sobre a primazia de quest\u00f5es raciais nas diversas esferas da sociedade \u2013 incluindo a tecnologia, recursivamente. A inspira\u00e7\u00e3o para estas cr\u00edticas parte dos pilares da Teoria Racial Cr\u00edtica (TRC), <em>framework<\/em> te\u00f3rico-metodol\u00f3gico e ativista desenvolvido na d\u00e9cada de 1980 nos EUA, inicialmente para transformar os Estudos Legais no Direito, promovendo a compreens\u00e3o da sociedade em um panorama da supremacia branca (DELGADO &amp; STEFANCIC, 2017). Questionando a invisibilidade legal do racismo em uma sociedade baseada no mesmo, a TRC prop\u00f5e uso de contra-narrativas, conhecimento interdisciplinar experiencial e ag\u00eancia efetiva no combate \u00e0 opress\u00e3o racial. A atua\u00e7\u00e3o e temas da TRC trazem muitos pontos em comum com o pensamento social negro brasileiro (FERREIRA &amp; QUEIROZ, 2018; SILVA, 2019a) e tem sido crescentemente usada internacionalmente para entender a tecnologia (ALI, 2014; BROCK, 2016; NOBLE, 2018; BENJAMIN, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia de \u201ccaixa preta\u201d, que se tornou recurso explicativo na \u00e1rea de Estudos da Ci\u00eancia e Tecnologia, se refere a dispositivos que funcionam em termos de <em>entrada<\/em> de informa\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es e <em>sa\u00edda<\/em> de resultados e opera\u00e7\u00f5es que ocultam os modos pelos quais ci\u00eancia e tecnologia s\u00e3o constru\u00eddas. Falando de dispositivos tecnol\u00f3gicos e softwares, \u201cabrir a caixa preta\u201d significa observar &#8220;n\u00e3o somente que qualquer ordem social \u00e9 impactada por desenvolvimento tecnol\u00f3gico [&#8230;] mas tamb\u00e9m que normas, ideologias e pr\u00e1ticas sociais s\u00e3o parte constitutivo de desenhos t\u00e9cnicos&#8221; (BENJAMIN, 2019, p. 72).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desta forma, o referencial de estudos sobre a \u201cbranquitude\u201d \u00e9 elaborado a seguir como ferramenta para abrir as caixas-pretas da vis\u00e3o computacional de forma cr\u00edtica ao racismo algor\u00edtmico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Vis\u00e3o Computacional: invisibilidade, visibilidade e interpreta\u00e7\u00e3o racistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A computa\u00e7\u00e3o visual (<em>visual computing<\/em>) \u00e9 um termo que engloba \u00e1reas da computa\u00e7\u00e3o e iniciativas interdisciplinares dedicadas a construir sistemas para o entendimento automatizado de imagens e v\u00eddeos. Ou seja, busca-se fazer softwares e hardwares computacionais capazes de entender objetos, entidades e situa\u00e7\u00f5es a partir de informa\u00e7\u00e3o visual, como imagens ou <em>frames<\/em> de v\u00eddeo. Suas aplica\u00e7\u00f5es s\u00e3o amplas, da ind\u00fastria e mecatr\u00f4nica at\u00e9 o marketing e publicidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Especificamente a vis\u00e3o computacional (<em>computer vision<\/em>) \u201cse refere \u00e0 coleta, an\u00e1lise e s\u00edntese de dados visuais atrav\u00e9s de computadores, com objetivos diversos como a identifica\u00e7\u00e3o de rostos e biometria, a an\u00e1lise de representa\u00e7\u00f5es de objetos, entidades, conceitos e contextos em imagens, entre outros\u201d (Wang, Zhang &amp; Martin, 2015, trad. livre). Foi popularizada com os buscadores, m\u00eddias sociais e aplicativos <em>mobile<\/em>. Por exemplo, a busca Google que identifica imagens similares e quais objetos est\u00e3o fotografados; a marca\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica de rostos de amigos em fotos no Facebook; e os filtros l\u00fadicos do Snapchat e Instagram s\u00e3o todas aplica\u00e7\u00f5es que entraram no dia a dia de grande parte dos usu\u00e1rios contempor\u00e2neos de tecnologias digitais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os sistemas passam a saber como identificar rostos, objetos e contextos nas imagens atrav\u00e9s do que \u00e9 chamado de \u201caprendizado de m\u00e1quina\u201d (<em>machine learning<\/em>), um campo da intelig\u00eancia artificial restrita que trata do reconhecimento de padr\u00f5es atrav\u00e9s de uma base de dados e posterior aplica\u00e7\u00e3o do aprendizado no reconhecimento das vari\u00e1veis em outras unidades ou conjuntos de dados (Oliveira, 2018). No caso da vis\u00e3o computacional, trata-se de \u201ctreinar\u201d o sistema alimentando-o com um n\u00famero relevante de imagens j\u00e1 marcadas (por ex: centenas de imagens da classe \u201ccachorro\u201d; centenas de imagens de uma ra\u00e7a espec\u00edfica e assim por diante) para que o software \u201centenda\u201d novas imagens que n\u00e3o foram anteriormente vistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ampla disponibilidade destes recursos hoje \u00e9 um fato n\u00e3o s\u00f3 para empresas altamente especializadas em intelig\u00eancia artificial, mas para todo um rol de empresas de m\u00eddia e tecnologia que podem usar os recursos oferecidos pelas grandes corpora\u00e7\u00f5es da \u00e1rea. Empresas como IBM, Google, Microsoft e Amazon oferecem servi\u00e7os de intelig\u00eancia artificial e computa\u00e7\u00e3o cognitiva atrav\u00e9s do modelo <em>API<\/em> (<em>application programming interfaces<\/em>) que permite que qualquer desenvolvedor com o m\u00ednimo de conhecimento contrate recursos de intelig\u00eancia artificial tais como processamento de linguagem natural, descoberta de padr\u00f5es em dados tabulares, modelos de aprendizado de m\u00e1quina e vis\u00e3o computacional. Na <em>Figura 1<\/em> podemos ver uma captura de tela da demonstra\u00e7\u00e3o do recurso de vis\u00e3o computacional da Google, chamado de Google Vision:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"580\" height=\"301\" src=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Exemplo-Google-Vision-580x301.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12437\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Exemplo-Google-Vision-580x301.jpg 580w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Exemplo-Google-Vision-300x155.jpg 300w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Exemplo-Google-Vision-150x78.jpg 150w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Exemplo-Google-Vision-768x398.jpg 768w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Exemplo-Google-Vision.jpg 1042w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>Figura 1: Captura de tela da Google Vision<a href=\"#_ftn1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como \u00e9 poss\u00edvel ver acima, o recurso identifica elementos, cena, objetos e conceitos. Na fotografia de exemplo, o recuso identificou c\u00e9u, mar, horizonte e o poss\u00edvel contexto de f\u00e9rias, entre outros. Recursos como a Google Cloud Vision e outros citados tamb\u00e9m prometem identificar express\u00e3o facial de rostos, padr\u00f5es de cores, elementos sens\u00edveis (como pornografia ou viol\u00eancia), personalidades famosas, logotipos e marcas, identificar imagens similares na web e outros grupos de entidades em constante desenvolvimento (Etlinger, 2016; Mintz et al, 2019),<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, a aplica\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o computacional traz problem\u00e1ticas e controv\u00e9rsias espec\u00edficas a diversos campos. Neste trabalho o objetivo \u00e9 focar no uso de tecnologias p\u00fablicas como m\u00eddias sociais, computadores pessoais, aplicativos <em>mobile<\/em> e outros recursos dispon\u00edveis para a maior popula\u00e7\u00e3o no cotidiano. Na outra ponta est\u00e3o tecnologias usadas por corpora\u00e7\u00f5es e governos, especialmente reconhecimento facial para fins de vigil\u00e2ncia ou policiamento. Entender estas tecnologias de forma m\u00faltipla \u00e9 relevante pois a experi\u00eancia do afrodiasp\u00f3rico foi constru\u00edda pelo colonialismo sob uma l\u00f3gica &#8220;vigil\u00e2ncia racializada como tecnologia de controle social onde pr\u00e1ticas, pol\u00edticas e performances de vigil\u00e2ncia remetem a produ\u00e7\u00e3o de normas pertinentes a ra\u00e7a&#8221; (Browne, 2015, p. 32, trad. livre) e se relacionam de diversos modos a tecnologias e ideologias carcerais (Benjamin, 2019) que v\u00e3o muito al\u00e9m da pris\u00e3o, mas definem o lugar e o n\u00e3o-lugar do negro, pass\u00edvel sempre a viol\u00eancia f\u00edsica ou simb\u00f3lica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em aplica\u00e7\u00f5es como as que veremos, entretanto, tr\u00eas pontos s\u00e3o especialmente relevantes na rela\u00e7\u00e3o com as tecnologias do cotidiano: s\u00e3o recursos que normalizam a identifica\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica e registro em <em>big data<\/em> dos indiv\u00edduos; s\u00e3o dispositivos usados pelas corpora\u00e7\u00f5es para o treinamento de suas bases de dados para diversos fins; e se tratam de din\u00e2micas de comunica\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o com impactos cumulativos na autoestima e sa\u00fade mental dos indiv\u00edduos (Pierce, 1970; Tynes et al, 2018; Silva, 2019b).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <em>Tabela 1<\/em> mostra alguns dos casos mais famosos de problemas identificados por usu\u00e1rios ou jornalistas com resultados nocivos a indiv\u00edduos negros ou popula\u00e7\u00e3o negra de modo geral. Procederemos \u00e0 descri\u00e7\u00e3o breve destes casos, para demonstrar o paralelismo com caracter\u00edsticas da branquitude nas epistemes da tecnologia das plataformas de comunica\u00e7\u00e3o e intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Tabela 1: Casos Selecionados de Manifesta\u00e7\u00e3o de Vi\u00e9s\/Racismo Algor\u00edtmico em Vis\u00e3o Computacional<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery aligncenter columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"453\" height=\"580\" src=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/racismo-algoritmico-visao-computacional-453x580.jpg\" alt=\"\" data-id=\"12439\" class=\"wp-image-12439\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/racismo-algoritmico-visao-computacional-453x580.jpg 453w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/racismo-algoritmico-visao-computacional-234x300.jpg 234w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/racismo-algoritmico-visao-computacional-117x150.jpg 117w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/racismo-algoritmico-visao-computacional-768x983.jpg 768w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/racismo-algoritmico-visao-computacional-1200x1536.jpg 1200w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/racismo-algoritmico-visao-computacional.jpg 1328w\" sizes=\"auto, (max-width: 453px) 100vw, 453px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos primeiros casos de problemas quanto de vis\u00e3o computacional racista a viralizar aconteceu em 2009 com computadores da Hewlett-Packard (HP). Em v\u00eddeo publicado no YouTube, um homem negro e uma mulher branca testam um computador da HP em uma loja de eletr\u00f4nicos. O recurso MediaSmart de rastreamento de movimento de rostos conseguia identificar o rosto da mulher branca, mas n\u00e3o o rosto do homem negro. Com r\u00e1pida viraliza\u00e7\u00e3o (400 mil visualiza\u00e7\u00f5es em poucos dias, hoje o v\u00eddeo tem mais de 3 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es), o caso ganhou cobertura jornal\u00edstica e um porta-voz da empresa alegou problemas que ocorrem quando \u201cilumina\u00e7\u00e3o de fundo n\u00e3o \u00e9 suficiente\u201d<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2015, ao lan\u00e7ar o recurso de etiqueta\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica de fotos em seu aplicativo <em>Google Photos<\/em>, o programador Jacky Alcin\u00e9 teve fotos suas e de sua namorada marcadas com a <em>tag<\/em> \u201cgorilas\u201d. Ao divulgar o insulto no Twitter<a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a>, um engenheiro da Google pediu desculpas, n\u00e3o prometeu a\u00e7\u00f5es concretas, mas divulgou publica\u00e7\u00e3o no portal da <em>Fortune<\/em> que dizia que o sistema de reconhecimento de faces da Google \u00e9 considerado o melhor do mercado. Em 2018, jornalistas da <em>Wired<\/em> realizaram testes e mostraram que a solu\u00e7\u00e3o da empresa foi simplesmente eliminar a <em>tag<\/em> \u201cgorila\u201d do rol poss\u00edvel na ontologia do recurso<a href=\"#_ftn4\">[4]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro exemplo de confus\u00e3o de \u201ctags\u201d ligadas a indiv\u00edduos e popula\u00e7\u00e3o negras foi realizado em projeto de interroga\u00e7\u00e3o de APIs de vis\u00e3o computacional e bancos de imagens. Ao comparar como sites de bancos de imagens como Shutterstock representam fotos de diferentes pa\u00edses, estudo identificou que diversas fotos de mulheres com cabelos crespos volumosos foram marcadas com a tag \u201cwig\u201d, que significa \u201cperuca\u201d. Este erro possivelmente \u00e9 resultante de uma base de treinamento mais rica em fotos de pessoas brancas em contexto de apropria\u00e7\u00e3o cultural-est\u00e9tica \u2013 como a pr\u00e1tica de usar perucas afro como fantasias em festas e carnaval. Os autores concluem que \u201carquiteturas algor\u00edtmicas favorecem a performance de neutralidade cultural, mas com categorias gen\u00e9ricas com muito mais destaque do que termos espec\u00edficos\u201d (Mintz et al, 2019) onde esta ideia de neutralidade \u00e9 marcada socialmente como a percep\u00e7\u00e3o dos desenvolvedores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda sobre identifica\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas de imagens, o reconhecimento de express\u00f5es por vis\u00e3o computacional permitiria marcar rostos em tipologias de emo\u00e7\u00f5es humanas b\u00e1sicas organizadas pela Psicologia, tais como Raiva, Medo, Surpresa, Nojo e Tristeza. Experimento de Rhue (2019) com conjunto de fotos cuidadosamente selecionadas de atletas para testar como os fornecedores <em>Face++<\/em> e <em>Microsoft<\/em> identificaria imagens equivalentes de atletas brancos e negros. Os resultados consistentemente atribu\u00edram emo\u00e7\u00f5es\/express\u00f5es negativas aos atletas negros. Rhue conclui que \u201co uso de reconhecimento racial pode formalizar estere\u00f3tipos preexistentes em algoritmos, automaticamente incorporando-os na vida cotidiana\u201d (Rhue, 2018, s.p., trad. livre).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra nota particularmente interessante foi emitida pelo CEO do aplicativo <em>FaceApp<\/em>. O aplicativo de edi\u00e7\u00e3o de selfies possu\u00eda um filtro de \u201cembelezar\u201d o rosto dos usu\u00e1rios. Uma das principais edi\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas era clarear a pele, gerando resultados aberrantes em fotos de pessoas negras ou indianas, por exemplo. Depois da divulga\u00e7\u00e3o dos problemas, Yaroslav Goncharov, CEO do aplicativo, alegou que \u00e9 \u201cum infeliz efeito colateral da rede neural subjacente causado pelo conjunto de dados de treinamento, n\u00e3o comportamento esperado\u201d<a href=\"#_ftn5\">[5]<\/a>. Como estamos falando de aprendizado de m\u00e1quina (<em>machine learning<\/em>), os dados de treinamento s\u00e3o fator essencial em como o sistema vai performar. Ao mesmo tempo em que algumas posturas alegam que o \u201calgoritmo em si\u201d seria neutro, alega\u00e7\u00f5es como a de Goncharov s\u00e3o comuns ao fugir da responsabilidade sobre a sele\u00e7\u00e3o dos dados de treinamento, assim como aconteceu no caso citado anteriormente. Podemos evocar aqui como a invisibilidade do negro \u00e9 &#8220;elemento importante da identidade do branco: ele n\u00e3o v\u00ea o negro. Uma reflex\u00e3o sobre rela\u00e7\u00f5es raciais pode explicitar um desconforto do branco diante da paradoxal constata\u00e7\u00e3o que ele n\u00e3o v\u00ea, n\u00e3o lembra, nunca pensou nos negros&#8221; (BENTO, 2002, p.91). Comumente aplicativos que buscam alcance global projetam seus consumidores apenas como brancos. Ao viralizar novamente em 2019 em terras brasileiras, o problema do embranquecimento permanece pervasivo no recurso de envelhecimento do app<a href=\"#_ftn6\">[6]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez que boa parte das empresas supracitadas tamb\u00e9m desenvolvem sistemas para vigil\u00e2ncia e policiamento, biometria e reconhecimento facial, o potencial de impactos fatais contra a vida de grupos racializados parece j\u00e1 ser \u00f3bvia. Mas um caso a ser citado neste artigo pode mostrar a pervasividade do problema al\u00e9m das plataformas e aplicativos de comunica\u00e7\u00e3o. Em estudo publicado neste ano, Wilson, Hoffman e Morgenstern (2019) analisaram 8 sistemas de reconhecimento de imagens usados em carros aut\u00f4nomos e a acur\u00e1cia na identifica\u00e7\u00e3o de pessoas com pele escura poderia ser 5% menor, resultando em potenciais atropelamentos. Os autores concluem a necessidade de se olhar para o \u201creal problema que pode surgir se este tipo de fonte de vi\u00e9s de captura n\u00e3o for considerado antes de distribuir estes tipos de modelos de reconhecimento\u201d (2019, p.9, trad. livre).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os casos acima, portanto, mostram que os modos pelos quais a visibilidade ou invisibilidade de brancos e negros s\u00e3o contextuais de acordo com as vantagens e desvantagens de cada ponto dessa dicotomia nas m\u00eddias e tecnologias em quest\u00e3o. A invisibilidade negra surge como uma quest\u00e3o de fato enquanto a invisibilidade branca \u00e9 um conceito muito diferente pois se vincula \u00e0 sua padroniza\u00e7\u00e3o e refer\u00eancia como universal e, como relata Machado \u201cn\u00e3o porque nossa cor branca passa despercebida, pelo contr\u00e1rio, porque nossa cor \u00e9 vis\u00edvel, por\u00e9m tal visibilidade \u00e9 silenciada e representa o universal garantindo a n\u00f3s brancas\/os, posi\u00e7\u00f5es de privil\u00e9gios, das quais ningu\u00e9m quer abrir m\u00e3o\u201d (Machado, 2018, p.381).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rea\u00e7\u00f5es e Contra-Narrativas: c\u00f3digos contra-hegem\u00f4nicos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E quais as rea\u00e7\u00f5es poss\u00edveis? Tr\u00eas casos de auditoria, rea\u00e7\u00f5es e ajustes levados a cabo por desenvolvedores negros pode nos mostrar alternativas poss\u00edveis e respons\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um dos casos ligados \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o, podemos destacar os experimentos e projeto <em>GenderShades.org<\/em> de Buolamwini e colaboradoras. Em experimento inovador, Buolamwini e Gebru (2018) testaram os recursos de identifica\u00e7\u00e3o de idade e g\u00eanero fornecidos por Microsoft, Face++ e IBM.&nbsp; Elas descobriram que os recursos falhavam com muito mais frequ\u00eancia em fotos de mulheres negras, no que chamaram de \u201cdisparidade interseccional\u201d. Ao investigar as causas, descobriram que o conjunto de dados para \u201ctreinamento\u201d do sistema era muito enviesado, com muito mais fotos de homens de pele clara (sobretudo caucasianos) do que mulheres de pele escura. A <em>Figura 2<\/em> mostra duas destas bases enviesadas usadas pelos sistemas (Adience e IJB-A) e uma base de treinamento criada por elas, com o nome de <em>Pilot Parliament Benchmark<\/em>, com uma boa distribui\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e fen\u00f3tipo quanto \u00e0 cor da pele. O trabalho teve um impacto relevante no campo pois, sozinhas, elas conseguiram fazer um sistema mais preciso neste aspecto do que o oferecido por aquelas corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"580\" height=\"218\" src=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/buolamwini-gebru-2018-580x218.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-12442\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/buolamwini-gebru-2018-580x218.png 580w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/buolamwini-gebru-2018-300x113.png 300w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/buolamwini-gebru-2018-150x56.png 150w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/buolamwini-gebru-2018.png 710w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>Figura 2: Compara\u00e7\u00e3o de datasets de treinamento (BUOLAMWINI &amp; GEBRU, 2018)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 relevante citar que uma das motiva\u00e7\u00f5es para a trajet\u00f3ria de Buolamwini foi a experi\u00eancia real, em primeira m\u00e3o, de racismo algor\u00edtmico. Durante sua gradua\u00e7\u00e3o na Georgia Tech, a estudante foi a diversas feiras de tecnologia e empreendedorismo. Por mais de uma vez os rob\u00f4s conseguiam encontrar os rostos de todos seus colegas brancos \u2013 exceto ela. Para mostrar o absurdo dos problemas enviesados destes aplicativos e rob\u00f4s, a pesquisadora usou uma m\u00e1scara branca gen\u00e9rica, sem fei\u00e7\u00f5es \u2013 e at\u00e9 esta m\u00e1scara foi reconhecida, em uma reedi\u00e7\u00e3o involunt\u00e1ria da met\u00e1fora de <em>pele negra<\/em>, <em>m\u00e1scaras brancas<\/em> de Frantz Fanon (FANON, 2008). Em palestra no TEDx onde falou sobre a quest\u00e3o e sua jornada acad\u00eamica, Buolamwini convoca espectadores a se conectarem pela \u201ccria\u00e7\u00e3o de um mundo onde a tecnologia trabalhe em favor de todos, n\u00e3o apenas em favor de alguns, um mundo onde valorizemos a inclus\u00e3o e tenhamos como foco a mudan\u00e7a social\u201d<a href=\"#_ftn7\">[7]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2019, as pesquisadoras retornaram aos dados do experimento citado acima para analisar se a divulga\u00e7\u00e3o dos problemas gerou impacto na diminui\u00e7\u00e3o da disparidade. De fato, a iniciativa gerou impacto e os sistemas da Microsoft e IBM diminu\u00edram o abismo da taxa de erros na acur\u00e1cia dos sistemas. As autoras lembram, na conclus\u00e3o, que a import\u00e2ncia deste tipo de auditoria vai muito al\u00e9m do campo das tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o, uma vez que \u201co potencial de abuso e aplica\u00e7\u00e3o b\u00e9lica das tecnologias de an\u00e1lise facial n\u00e3o podem ser ignorados nem as amea\u00e7as \u00e0 privacidade ou infra\u00e7\u00f5es de liberdades civis diminu\u00eddas mesmo quando as disparidades de precis\u00e3o diminuam\u201d (RAJI &amp; BUOLAMWINI, 2019, p.6, trad. livre).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois que o primeiro estudo foi publicado, tanto a IBM quanto a Microsoft emitiram notas afirmando compromisso com a busca pela equidade nos resultados<a href=\"#_ftn8\">[8]<\/a>. A Microsoft emitiu nota breve, mas a IBM detalhou longamente projetos internos e experimento pr\u00f3prio defendendo o uso respons\u00e1vel de suas tecnologias. Apesar disso, relat\u00f3rios mostram que a empresa vende a tecnologia para projetos repressivos de governos, como nos Emirados \u00c1rabes Unidos<a href=\"#_ftn9\">[9]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Iniciativa similar de transforma\u00e7\u00e3o da tecnologia tem sido realizada por Jacky Alcin\u00e9, o desenvolvedor que foi v\u00edtima da marca\u00e7\u00e3o racista pela <em>Google Photos<\/em> citada na se\u00e7\u00e3o anterior. Com ampla experi\u00eancia em programa\u00e7\u00e3o, o profissional lan\u00e7ou em 2018 o projeto <em>black.af <\/em>que desenvolve produtos, servi\u00e7os e aplicativos para \u201cfornecer ferramentas e plataformas a pessoas para que possam us\u00e1-las e expandir seu impacto e alcance em projetos de apoio social, promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e com\u00e9rcio digital\u201d<a href=\"#_ftn10\">[10]<\/a>. Assim como outros desenvolvedores de grupos minorizados, Alcin\u00e9 busca ligar a iniciativa comercial \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o social do mundo a partir de um ponto de vista muito particular e ainda raro nas empresas de tecnologia. Sua iniciativa evoca os projetos da Teoria Racial Cr\u00edtica que prop\u00f5e como um dos seus pilares o conhecimento experiencial na pesquisa e na <em>pr\u00e1xis<\/em> buscando se associar a conhecimento criado por grupos minorizados para \u201crevelar os modos pelos quais ra\u00e7a, classe, g\u00eanero e outras formas de opress\u00e3o interagem para mediar as experi\u00eancias e realidades daqueles afetados por tais opress\u00f5es\u201d (MALAGON, HUBER &amp; VELEZ, p.264, trad. livre).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os casos citados foram identificados tanto por cientistas e engenheiras da computa\u00e7\u00e3o quanto por ativistas, jornalistas e pesquisadoras das ci\u00eancias sociais e humanidades. Concordamos com Osoba e Welser IV ao dizer que<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>a pesquisa t\u00e9cnica em vieses no aprendizado de m\u00e1quina e intelig\u00eancia artificial ainda est\u00e1 em sua inf\u00e2ncia. Quest\u00f5es sobre vieses e erros sist\u00eamicos em algoritmos demandam um diferente tipo de sabedoria de cientistas de dados e criadores de algoritmos. Estes profissionais s\u00e3o comumente engenheiros e cientistas com menos exposi\u00e7\u00e3o a quest\u00f5es de pol\u00edticas p\u00fablicas ou sociais (OSOBA &amp; WELSER IV, 2017, p.24, trad. livre)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Deste modo, a pouca exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 alteridade, sobretudo em \u00e1reas como Computa\u00e7\u00e3o e Engenharias, refor\u00e7a uma \u201cinvisibilidade, dist\u00e2ncia e um silenciamento sobre a exist\u00eancia do outro [&#8230;]. A racialidade do branco \u00e9 vivida como um c\u00edrculo conc\u00eantrico: a branquitude se expande, se espalha, se ramifica e direciona o olhar do branco\u201d (BENTO, 2017, pos. 645). Junto a iniciativas tanto de experimenta\u00e7\u00e3o e auditoria algor\u00edtmica como as citadas e promo\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o de lugares de reflex\u00e3o e poder na tecnologia por grupos racializados (DANIELS, NKONDE &amp; MIR, 2019), faz-se necess\u00e1rio tamb\u00e9m \u2013 pela branquitude consciente \u2013 buscar desenvolvimento de compet\u00eancia cultural diversa (SUE, 2001; JAIME, 2014).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um \u00faltimo caso que podemos citar de rea\u00e7\u00e3o a controv\u00e9rsias ligadas a racismo algor\u00edtmico e vis\u00e3o computacional foi a pol\u00eamica em torno do aplicativo <em>Diversity Recognition<\/em> da Kairos. Lan\u00e7ado em 2017, o aplicativo Diversity Recognition buscou divulgar a empresa Kairos atrav\u00e9s da identifica\u00e7\u00e3o de tra\u00e7os fenot\u00edpicos da &#8220;heran\u00e7a gen\u00e9tica&#8221; dos usu\u00e1rios. Ao enviar uma selfie para o aplicativo, cada usu\u00e1rio recebia sua selfie com um gr\u00e1fico sobreposto, onde as categorias Hisp\u00e2nica, Negra, Branca, Asi\u00e1tica ou &#8220;Outros&#8221; eram representadas atrav\u00e9s de porcentagem. Usado por mais de 5 milh\u00f5es de pessoas, o aplicativo logo se tornou fonte para memes humor\u00edsticos e conte\u00fado ofensivo. Por\u00e9m tamb\u00e9m cr\u00edticas muito relevantes de usu\u00e1rios<a href=\"#_ftn11\">[11]<\/a> que n\u00e3o se encaixam nos grupos \u00e9tnico-raciais listados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em junho de 2018, o CEO da Kairos, o desenvolvedor negro Brian Brackeen publicou texto com o t\u00edtulo \u201cN\u00f3s aposentamos o aplicativo Diversity Recognition: estes s\u00e3o os motivos\u201d. Ao longo da publica\u00e7\u00e3o Brackeen cita controv\u00e9rsias de casos de vis\u00e3o computacional aplicados a policiamento, deixando expl\u00edcita sua decis\u00e3o de n\u00e3o oferecer os servi\u00e7os da Kairos para este tipo de uso. Especificamente sobre oDiversity Recognition, Brackeen \u201cenquanto a maioria dos usu\u00e1rios v\u00e3o receber um resultado preciso, n\u00f3s reconhecemos que as categorias de etnicidade atualmente oferecidos (Negros, Brancos, Asi\u00e1ticos, Hisp\u00e2nicos, \u201cOutros\u201d) n\u00e3o representam a diversidade rica e rapidamente cambiante da complexidade da cultura e ta\u00e7a\u201d<a href=\"#_ftn12\">[12]<\/a>. Al\u00e9m disto, ao aplicar uma tipologia espec\u00edfica do ponto de vista estadunidense hegem\u00f4nico a um recurso usado em todo o mundo focando em caracter\u00edsticas fenot\u00edpicas, podemos lembrar que a identidade branca criou um fen\u00f3tipo espec\u00edfico e cambiante sempre a servi\u00e7o de \u201cdemarcar a superioridade dos colonizadores, dos indiv\u00edduos pertencentes ao grupo que imp\u00f4s sua hegemonia em prol da explora\u00e7\u00e3o dos povos nativos\u201d (BASTOS, 2016, p.228).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes tr\u00eas casos citados mostram as possibilidades de se pensar a diversidade nos ciclos de treinamento e dissemina\u00e7\u00e3o de sistemas e algoritmos. Especificamente mostram pontos de vista paradoxalmente privilegiados de desenvolvedoras e desenvolvedores negros que, ao serem afetados pelos padr\u00f5es da branquitude na tecnologia, agem por projetos alternativos. Para al\u00e9m do papel de especialistas em programa\u00e7\u00e3o, entretanto, um engajamento social cr\u00edtico mais amplo da sociedade com a tecnologia \u00e9 necess\u00e1rio. Daniels, Nkonde e Mir (2019) citam os tr\u00eas pilares da literacia racial cr\u00edtica da tecnologia que poderiam ter impacto at\u00e9 em grandes organiza\u00e7\u00f5es globais:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Compreens\u00e3o intelectual de como racismo estrutural opera em algoritmos, plataformas de m\u00eddias sociais e tecnologias ainda n\u00e3o desenvolvidas; intelig\u00eancia emocional sobre como resolver situa\u00e7\u00f5es racialmente estressantes em organiza\u00e7\u00f5es e; compromisso na tomada de a\u00e7\u00e3o para reduzir danos a grupos racializados (DANIELS, NKONDE &amp; MIR, 2019, p.2)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Investiga\u00e7\u00f5es e auditorias como as citadas se multiplicam, entretanto o volume em que algoritmos e sistemas de intelig\u00eancia artificial s\u00e3o publicados, divulgados e aplicados em tecnologias p\u00fablicas \u00e9 muito maior do que seus testes ou otimiza\u00e7\u00f5es. Ao analisar artigos publicados em uma das principais confer\u00eancias de aprendizado de m\u00e1quina e intelig\u00eancia artificial do mundo, a Neural Information Processing Systems Conference de 1987 a 2017, Epstein (2018) observou que o <em>gap<\/em> entre o n\u00famero de trabalhos propondo novos modelos e trabalhos estudando modelos existentes aumenta ano a ano \u2013 em 2017 os novos modelos eram 10 vezes mais numerosos do que o estudo de modelos existentes. Como a sociedade racista e desvantagens estruturais decorrentes resultam em uma pequena quantidade relativa de desenvolvedores e gerentes de produto de grupos minorizados, \u00e9 especialmente premente combater \u201ca interioriza\u00e7\u00e3o\/internaliza\u00e7\u00e3o da branquitude e do racismo entre brancos e negros, se aprofundando na supremacia branca como um fen\u00f4meno perigoso e expansionista dentro dos processos sociais e educacionais\u201d (ROSSETTO, 2014, p.131)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Podemos falar de uma sociedade algor\u00edtmica (GILLESPIE, 2014; PASQUALE, 2015; O\u2019NEIL, 2016; SILVEIRA, 2017) onde procedimentos do tecnoliberalismo \u2013 como classifica\u00e7\u00e3o, pseudo-meritocracia, mensura\u00e7\u00e3o e vigil\u00e2ncia &#8211; s\u00e3o automatizados e consolidados em caixas-pretas que permitem poucos desvios. Os casos citados s\u00e3o numerosos, mas apresentam apenas uma pequena parte dos problemas que podem ser analisados ou interrogados por m\u00e9todos criativos. A regula\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia \u00e9 necess\u00e1ria, mas a sociedade americana construiu a ideologia do Vale do Sil\u00edcio e seus p\u00f3los de tecnologia de modo a normalizar branquitude e masculinidade, com decorrentes impactos nos modos e n\u00edveis de avalia\u00e7\u00e3o dos procedimentos de treinamento de m\u00e1quina (BROUSSARD, 2018; NOBLE, 2018). E no campo da educa\u00e7\u00e3o e pesquisa, concordamos e expandimos em escopo as prerrogativas que Rossatto aponta, vendo como adequados tamb\u00e9m aos curr\u00edculos interdisciplinares de sociedade e tecnologia que incluam estudos anti-racistas que \u201cdesconstruam a interioriza\u00e7\u00e3o\/internaliza\u00e7\u00e3o da branquitude e do racismo entre brancos e negros, se aprofundando na supremacia branca como um fen\u00f4meno perigoso e expansionista\u201d (2014, p.131).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vis\u00e3o computacional \u00e9 um grupo de tecnologias cada vez mais relevante na sociedade contempor\u00e2nea, com impacto em pr\u00e1ticas de mercado e gest\u00e3o governamental. Apresentamos alguns casos de problemas em vi\u00e9s algor\u00edtmico que demonstram a dificuldade de se debater o que chamamos de \u201cdupla opacidade\u201d \u2013 o car\u00e1ter difuso tanto da tecnologia, vista erroneamente como neutra, quanto das rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais na sociedade e, por consequente, na tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos mercados e ambientes produtivos de tecnologia de ponta, concentrados em p\u00f3los como Vale do Sil\u00edcio, a diversidade \u00e9 rara, o que tem impactos materiais e simb\u00f3licos nas interfaces e sistemas usados por grande parte das popula\u00e7\u00f5es mundiais. Tanto os problemas identificados como parte da rea\u00e7\u00e3o dos desenvolvedores quando contestados, mostram que \u201ca hegemonia da brancura presente em todos os \u00e2mbitos sociais n\u00e3o colabora para que os indiv\u00edduos brancos passem a questionar seus privil\u00e9gios bem como se importar com as desvantagens impostas aos demais grupos\u201d (BASTOS, 2016, p.227).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto programa de pesquisa, a an\u00e1lise cr\u00edtica das tecnologias como vis\u00e3o computacional viabilizada por intelig\u00eancia artificial e aprendizado de m\u00e1quina se mostra urgente para os campos das ci\u00eancias sociais. Uma vez que a \u201cgera\u00e7\u00e3o de dados \u00e9 um fen\u00f4meno social reflete de vieses humanos, aplicar algoritmos \u201cproceduralmente corretos\u201d a dados enviesados \u00e9 um jeito de ensinar agentes artificiais a imitar qualquer vi\u00e9s que os dados contenham\u201d (OSOBA &amp; WELSER IV, 2017, p. 17).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o mundo imerso em ideologia hiper-neo-liberal, a ci\u00eancia racial ganha nova relev\u00e2ncia com a desregula\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia e investimento do capital financeiro a favor da segmenta\u00e7\u00e3o dos corpos quanto a gen\u00e9tica, biomedicina e vigil\u00e2ncia (MBEMBE, 2001, 2016; ROBERTS, 2011; BROWNE, 2015). Apesar de que \u201ccategorias raciais n\u00e3o s\u00e3o simples propriedades de pessoas individuais, mas sim resultados complexos de processos sociais raramente capturados no paradigma do aprendizado de m\u00e1quina\u201d (BENTHALL &amp; HAYNES, 2019, p.3, trad. livre), temos visto como a desigualdade brutal tanto nos dados de treinamento quanto na preocupa\u00e7\u00e3o com procedimentos de ajuste dos sistemas vitimizam popula\u00e7\u00f5es j\u00e1 em desvantagem. &nbsp;A constru\u00e7\u00e3o de contra-narrativas e espa\u00e7os de reflex\u00e3o e a\u00e7\u00e3o sobre intelig\u00eancia artificial e datafica\u00e7\u00e3o do mundo por desenvolvedores, soci\u00f3logos e cientistas negros de v\u00e1rios campos \u00e9 cada vez mais premente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Bibliografia:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ALI, Syed Mustafa. Race: The difference that makes a difference. <em>tripleC: Cognition, Communication, Co-operation<\/em>, v. 11, n. 1, p. 93-106, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BASTOS, Jana\u00edna Ribeiro Bueno. O lado branco do racismo: a g\u00eanese da identidade branca e a branquitude. <em>Revista da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisadores\/as Negros\/as (ABPN),<\/em> v. 8, n. 19, p. 211-231, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BENJAMIN, Ruha.&nbsp;<em>Race After Technology: Abolitionist Tools for the New Jim Code<\/em>. John Wiley &amp; Sons, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BENTHALL, Sebastian; HAYNES, Bruce D. Racial categories in machine learning. In<em>: Proceedings of the Conference on Fairness, Accountability, and Transparency<\/em>. ACM, 2019. p. 289-298.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BENTO, Maria Aparecida Silva. <em>Pactos narc\u00edsicos no racismo: branquitude e poder nas organiza\u00e7\u00f5es empresariais e no poder p\u00fablico<\/em>. Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BENTO, Maria Aparecida Silva. Branqueamento e branquitude no Brasil. In: CARONE, Iray; BENTO, Maria Aparecida Silva. <em>Psicologia social do racismo: estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil.<\/em> Editora Vozes Limitada, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BONILLA-SILVA, Eduardo.&nbsp;<em>Racism without racists: Color-blind racism and the persistence of racial inequality in the United States<\/em>. Rowman &amp; Littlefield Publishers, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BROUSSARD, Meredith. <em>Artificial unintelligence: How computers misunderstand the world<\/em>. MIT Press, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BUOLAMWINI, Joy; GEBRU, Timnit. Gender shades: Intersectional accuracy disparities in commercial gender classification. In: <em>Conference on Fairness, Accountability and Transparency<\/em>. 2018. p. 77-91.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CARONE, Iray; BENTO, Maria Aparecida Silva. <em>Psicologia social do racismo: estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil<\/em>. Editora Vozes Limitada, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">COTTOM, Tressie McMillan. Black Cyberfeminism: Ways Forward for Classification Situations, Intersectionality and Digital Sociology. 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DANIELS, Jessie.&nbsp;<em>Cyber racism: White supremacy online and the new attack on civil rights<\/em>. Rowman &amp; Littlefield Publishers, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DANIELS, Jessie. Race and racism in Internet studies: A review and critique.&nbsp;<em>New Media &amp; Society<\/em>, v. 15, n. 5, p. 695-719, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DANIELS, J.; NKONDE, M.; MIR, D. <em>Advancing Racial Literacy in Tech<\/em>. Relat\u00f3rio do Data &amp; Society Fellowship Program. 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DELGADO, Richard; STEFANCIC, Jean.&nbsp;<em>Critical race theory: An introduction<\/em>. NYU Press, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EPSTEIN, Ziv et al. Closing the AI Knowledge Gap.&nbsp;<em>arXiv preprint arXiv:1803.07233<\/em>, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ETLINGER, Susan. Image Intelligence: Making Visual Content Predictive. Altimeter Group. Online, 2016. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.prophet.com\/2016\/07\/image-intelligence-making-visual-content-predictive\/\">https:\/\/www.prophet.com\/2016\/07\/image-intelligence-making-visual-content-predictive<\/a>&gt;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FANON, Frantz. <em>Pele negra, m\u00e1scaras brancas<\/em>. SciELO-EDUFBA, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GILLESPIE, Tarleton. The relevance of algorithms. <em>Media technologies: Essays on communication, materiality, and society<\/em>, v. 167, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">JAIME, Pedro. Interculturalidade e comunica\u00e7\u00e3o nas organiza\u00e7\u00f5es: Reflex\u00f5es antropol\u00f3gicas e notas para uma agenda de pesquisas. <em>Organicom<\/em>, v. 11, n. 21, p. 77-89, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MACHADO, Eliana Sambo. Visibilidade n\u00e3o marcada da Branquitude: discursos de mulheres brancas acad\u00eamicas.&nbsp;<em>Revista da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisadores\/as Negros\/as (ABPN),<\/em> v. 10, p. 375-398, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MALAGON, Maria C.; HUBER, Lindsay Perez; VELEZ, Veronica N. Our experiences, our methods: Using grounded theory to inform a critical race theory methodology.&nbsp;<em>Seattle J. Soc. Just.<\/em>, v. 8, p. 253, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MBEMBE, Achille. <em>Pol\u00edticas da Inimizade<\/em>. Lisboa (Portugal: Ant\u00edgona, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MILLS, Charles W. <em>The racial contract<\/em>. Cornell University Press, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MINTZ, Andr\u00e9. M\u00e1quinas que veem: vis\u00e3o computacional e agenciamentos do vis\u00edvel. In: MENOTTI, Gabriel; BASTOS, Marcus; MORAN, Partr\u00edcia (orgs.). <em>Cinema apesar da imagem<\/em>. S\u00e3o Paulo: Intermeios, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MINTZ, A.; SILVA, T.; GOBBO, B.; PILIPETS, E.; AZHAR, H.; TAKAMITSU, H.; OMENA, J.; OLIVEIRA, T. <em>Interrogating Vision APIs<\/em>. Data Sprint Report. Smart Data Sprint, Lisboa \u2013 Portugal, 2019. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/smart.inovamedialab.org\/smart-2019\/project-reports\/interrogating-vision-apis\/\">https:\/\/smart.inovamedialab.org\/smart-2019\/project-reports\/interrogating-vision-apis\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NASCIMENTO, Abdias.&nbsp;<em>O genoc\u00eddio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Perspectiva SA, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NELSON, Alondra; TU, Thuy Linh Nguyen; HINES, Alicia Headlam (Ed.).&nbsp;<em>Technicolor: Race, technology, and everyday life<\/em>. NYU Press, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NOBLE, Safiya Umoja. <em>Algorithms of oppression: How search engines reinforce racism<\/em>. NYU Press, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">OLIVEIRA, Carla. Aprendizado de m\u00e1quina e modula\u00e7\u00e3o do comportamento humano. In: SOUZA, Joyce; AVELINO, Rodolfo; SILVEIRA, S\u00e9rgio Amadeu. <em>A Sociedade de Controle<\/em>: manipula\u00e7\u00e3o e modula\u00e7\u00e3o nas redes digitais. S\u00e3o Paulo: Hedra, 2018<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">OSOBA, Osonde A.; WELSER IV, William.&nbsp;<em>An intelligence in our image: The risks of bias and errors in artificial intelligence<\/em>. Rand Corporation, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PASQUALE, Frank.&nbsp;<em>The black box society<\/em>. Harvard University Press, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RAJI, I.; BUOLAMWINI, J.. <em>Actionable auditing: Investigating the impact of publicly naming biased performance results of commercial ai products<\/em>. In: AAAI\/ACM Conf. on AI Ethics and Society. 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ROBERTS, Dorothy.&nbsp;<em>Fatal invention: How science, politics, and big business re-create race in the twenty-first century<\/em>. New Press\/ORIM, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ROSSATTO, C\u00e9sar Augusto. A transgress\u00e3o do racismo cruzando fronteiras: estudos cr\u00edticos da branquitude: Brasil e Estados Unidos na luta pela justi\u00e7a racial.&nbsp;<em>Revista da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisadores\/as Negros\/as (ABPN)<\/em>, v. 6, n. 13, p. 120-133, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RHUE, Lauren<strong>. <\/strong><em>Emotion-reading tech fails the racial bias test<\/em>. The Conversation, 2019. Dispon\u00edvel em &lt; https:\/\/theconversation.com\/emotion-reading-tech-fails-the-racial-bias-test-108404 &gt;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA, Tarc\u00edzio. <em>Teoria Racial Cr\u00edtica e Comunica\u00e7\u00e3o Digital: conex\u00f5es contra a dupla opacidade<\/em>. Anais do 42\u00ba Congresso Brasileiro de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o. Bel\u00e9m, Par\u00e1, 2019a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA, Tarc\u00edzio. <em>Racismo Algor\u00edtmico em Plataformas Digitais: microagress\u00f5es e discrimina\u00e7\u00e3o em c\u00f3dig<\/em>o. Anais do VI Simp\u00f3sio Internacional LAVITS. Salvador (Bahia), Brasil, 2019b.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVEIRA, S\u00e9rgio Amadeu da. <em>Tudo sobre Tod@s<\/em>: redes digitais, privacidade e venda de dados pessoais. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Sesc, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SOUZA, Jess\u00e9. <em>A elite do atraso<\/em>.&nbsp;Rio de Janeiro: Leya, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SUE, Derald Wing. Multidimensional facets of cultural competence.&nbsp;<em>The counseling psychologist<\/em>, v. 29, n. 6, p. 790-821, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TYNES, Brendesha M. et al. From Racial Microaggressions to Hate Crimes: A Model of Online Racism Based on the Lived Experiences of Adolescents of Color.&nbsp;<em>Microaggression Theory: Influence and Implications<\/em>, p. 194-212, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">WANG, JuHong; ZHANG, SongHai; MARTIN, Ralph R. New advances in visual computing for intelligent processing of visual media and augmented reality. <em>Science China Technological Sciences<\/em>, v. 58, n. 12, p. 2210-2211, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">WILSON, Benjamin; HOFFMAN, Judy; MORGENSTERN, Jamie. Predictive inequity in object detection.&nbsp;<em>arXiv preprint arXiv:1902.11097<\/em>, 2019.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> O recurso da Google Vision pode ser testado no endere\u00e7o web <a href=\"https:\/\/cloud.google.com\/vision\/\">https:\/\/cloud.google.com\/vision\/<\/a> . A foto utilizada \u00e9 de autoria de Dazzle Jam e est\u00e1 dispon\u00edvel atrav\u00e9s da licen\u00e7a <em>creative Commons<\/em> em https:\/\/www.pexels.com\/@dazzle-jam-374075.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.wired.com\/2009\/12\/hp-notebooks-racist\/\">https:\/\/www.wired.com\/2009\/12\/hp-notebooks-racist\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.theverge.com\/2015\/7\/1\/8880363\/google-apologizes-photos-app-tags-two-black-people-gorillas\">https:\/\/www.theverge.com\/2015\/7\/1\/8880363\/google-apologizes-photos-app-tags-two-black-people-gorillas<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.wired.com\/story\/when-it-comes-to-gorillas-google-photos-remains-blind\/\">https:\/\/www.wired.com\/story\/when-it-comes-to-gorillas-google-photos-remains-blind\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.mirror.co.uk\/tech\/faceapp-apologises-hot-selfie-filter-10293590\">https:\/\/www.mirror.co.uk\/tech\/faceapp-apologises-hot-selfie-filter-10293590<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/infograficos\/link,alem-de-envelhecer-faceapp-embranquece-rostos-negros,1018384\">https:\/\/www.estadao.com.br\/infograficos\/link,alem-de-envelhecer-faceapp-embranquece-rostos-negros,1018384<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref7\">[7]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.ted.com\/talks\/joy_buolamwini_how_i_m_fighting_bias_in_algorithms\">https:\/\/www.ted.com\/talks\/joy_buolamwini_how_i_m_fighting_bias_in_algorithms<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref8\">[8]<\/a> IBM <a href=\"http:\/\/gendershades.org\/docs\/ibm.pdf\">http:\/\/gendershades.org\/docs\/ibm.pdf<\/a> e Microsoft: <a href=\"http:\/\/gendershades.org\/docs\/msft.pdf\">http:\/\/gendershades.org\/docs\/msft.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref9\">[9]<\/a> <a href=\"https:\/\/gizmodo.com\/ibm-sells-face-recognition-surveillance-to-a-dictatorsh-1835101881\">https:\/\/gizmodo.com\/ibm-sells-face-recognition-surveillance-to-a-dictatorsh-1835101881<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref10\">[10]<\/a> <a href=\"https:\/\/black.af\/\">https:\/\/black.af\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref11\">[11]<\/a> <a href=\"https:\/\/medium.com\/@BrianBrackeen\/diversity-gone-viral-c7d5c132029d\">https:\/\/medium.com\/@BrianBrackeen\/diversity-gone-viral-c7d5c132029d<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref12\">[12]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.kairos.com\/blog\/we-ve-retired-our-diversity-recognition-app-here-s-why\">https:\/\/www.kairos.com\/blog\/we-ve-retired-our-diversity-recognition-app-here-s-why<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> <a href=\"https:\/\/forward.com\/fast-forward\/423238\/twitter-white-nationalists-republicans\/\">https:\/\/forward.com\/fast-forward\/423238\/twitter-white-nationalists-republicans\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.eeoc.gov\/employers\/eeo1survey\/about.cfm\">https:\/\/www.eeoc.gov\/employers\/eeo1survey\/about.cfm<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como citar:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA, Tarc\u00edzio.<strong> Vis\u00e3o Computacional e Racismo Algor\u00edtmico: Branquitude e Opacidade no Aprendizado de M\u00e1quina<\/strong>. Revista ABPN, v. 12, p. 428-448, 2020. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[O artigo abaixo foi originalmente publicado na Revista da ABPN. Confira ao final link para o PDF e como citar] Tecnologias Digitais de Comunica\u00e7\u00e3o: Branquitude como Padr\u00e3o e Representa\u00e7\u00e3o As reflex\u00f5es sobre representa\u00e7\u00e3o e grupos minorizados em tecnologias digitais ganharam f\u00f4lego desde a d\u00e9cada de 1990 inicialmente a partir de desdobramentos sobre os estudos em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2549],"tags":[2543,2603,2575],"class_list":["post-12434","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-inteligencia-artificial-e-algoritmos","tag-google-vision","tag-racismo-algoritmico","tag-visao-computacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12434","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12434"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12434\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12443,"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12434\/revisions\/12443"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12434"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12434"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12434"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}