{"id":12104,"date":"2021-03-28T12:55:58","date_gmt":"2021-03-28T15:55:58","guid":{"rendered":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/?p=12104"},"modified":"2021-03-28T13:01:44","modified_gmt":"2021-03-28T16:01:44","slug":"por-outros-imaginarios-sociotecnicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/por-outros-imaginarios-sociotecnicos\/","title":{"rendered":"Por outros imagin\u00e1rios sociot\u00e9cnicos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[<em>Texto originalmente publicado na revista <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Observat\u00f3rio Ita\u00fa Cultural, n.28 (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/issuu.com\/itaucultural\/docs\/obs28_final_issu\" target=\"_blank\">Observat\u00f3rio Ita\u00fa Cultural, n.28<\/a> para dossi\u00ea sobre<\/em> Cultura, Artes e Pandemia]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As\ntecnologias de todos os tipos s\u00e3o moldadas por contextos hist\u00f3ricos, sociais e\nideol\u00f3gicos. N\u00e3o existem tecnologias neutras implementadas em v\u00e1cuos sociais\nass\u00e9pticos: a pr\u00f3pria aus\u00eancia ou presen\u00e7a de um artefato abre ou restringe\npossibilidades e usos. As tecnologias hegem\u00f4nicas implementadas em um mundo\nabsurdamente desigual, fruto da interse\u00e7\u00e3o da supremacia branca, patriarcado e\ncolonialismo tendem a ser suas reprodutoras. A crise de um mundo em aparente\nsuspens\u00e3o na pandemia nos faz perguntar: h\u00e1 um futuro melhor p\u00f3s-pandemia com\nos aprendizados que podemos acumular?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um\ntrabalho duro e focado em prol da transforma\u00e7\u00e3o social \u00e9 tanto uma quest\u00e3o de\neconomia, pol\u00edtica e ativismo quanto o \u00e9 de constru\u00e7\u00e3o de imagin\u00e1rios. Aquelas\ns\u00e3o quest\u00f5es que v\u00e3o muito al\u00e9m do que pensamos ser o escopo da materialidade\nda tecnologia ou da ci\u00eancia. S\u00e3o quest\u00f5es que tratam do que somos capazes de\nimaginar sobre o poss\u00edvel, o imposs\u00edvel e o desej\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Provavelmente\ndevemos deixar de lado a ideia de uma lan\u00e7a cortante em dire\u00e7\u00e3o a um futuro\n\u00fanico e com mais e mais progresso atrav\u00e9s do dom\u00ednio e subjuga\u00e7\u00e3o da natureza.\nEssa fic\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica subjaz as sociedades industriais e p\u00f3s-industriais do\ncapitalismo ocidental. Ela moldou como a ci\u00eancia e como a arte pensam o pr\u00f3prio\npassado: um dos cortes mais memor\u00e1veis do cinema faz o espectador ligar a\ndescoberta primitiva do uso de um osso como porrete, a suposta g\u00eanese da\ntecnologia, \u00e0 nave espacial desbravadora do universo, suposto z\u00eanite\ntecnol\u00f3gico da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas h\u00e1 outras narrativas e abordagens sobre a g\u00eanese da tecnologia. A partir dos estudos da antrop\u00f3loga Elizabeth Fisher, a escritora de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica Ursula K. Le Guin nos ensina que uma tecnologia essencial para a constru\u00e7\u00e3o da sociedade foi subestimada nos modos hegem\u00f4nicos de contar a hist\u00f3ria da humanidade e as est\u00f3rias dos humanos. Le Guin lembra que \u201ccom ou antes da ferramenta que projeta energia, fizemos a ferramenta que traz energia para casa\u201d (LE GUIN, 2017, pos. 2985) \u2013 e esta ferramenta \u00e9 a aparentemente prosaica sacola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O\nrecipiente, o container e demais objetos para guardar e compartilhar marcaram\num momento em que os seres humanos desenvolveram uma rela\u00e7\u00e3o mais criativa com\no tempo e consigo mesmos. As jornadas dos her\u00f3is individualistas, por\u00e9m,\nhistoricamente n\u00e3o tiveram espa\u00e7o para a centralidade destes artefatos. Se a\nconta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, o <em>storytelling<\/em> nos discursos anglicistas, \u00e9\nlinear com um fio narrativo que emula lan\u00e7as ou flechas, s\u00f3 temos espa\u00e7os para\na hist\u00f3rica \u00fanica, um perigo que nos alerta tamb\u00e9m a Chimamanda Adichie (2019),\nonde n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7os para olhares feministas, africanos, ind\u00edgenas,\nafrodiasp\u00f3ricos, decoloniais da tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jurema\nWerneck concorda ao lembrar que a cria\u00e7\u00e3o de sat\u00e9lites deslumbra, mas\ntecnologias de armazenamento, compartilhamento e transporte de alimentos e\nbens, foram inven\u00e7\u00f5es de mulheres na \u00c1frica nos passos essenciais de constru\u00e7\u00e3o\nda humanidade (WERNECK, 2019). Mas enviar carros para a \u00f3rbita ganha mais capas\nde jornais do que experi\u00eancias inovadoras de seguran\u00e7a alimentar ou autogest\u00e3o\nde comunidades perif\u00e9ricas.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Precisamos\nfalar do que conseguimos, enquanto sociedades, imaginar de solu\u00e7\u00f5es para o\npresente e o futuro sobre a rela\u00e7\u00e3o entre tecnologia e sociedade. Evoco aqui a\nideia de imagin\u00e1rios sociot\u00e9cnicos, que s\u00e3o \u201cvis\u00f5es de futuros desej\u00e1veis\nmantidas coletivamente, estabilizadas institucionalmente e publicamente\nperformadas, incentivadas por compreens\u00f5es compartilhadas de formas de ordem e\nvida social alcan\u00e7\u00e1veis por e apoiadoras de avan\u00e7os na ci\u00eancia e tecnologia\u201d\n(JASANOFF, 2015, p.19)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E\nquais s\u00e3o os imagin\u00e1rios sociot\u00e9cnicos hegem\u00f4nicos na sociedade brasileira? E\npara al\u00e9m disto: quais s\u00e3o os imagin\u00e1rios sociot\u00e9cnicos \u201cimportados\u201d nas\ntecnologias e ideologias dos outros pa\u00edses e culturas que vemos como refer\u00eancia\nde onde importamos tanto as tecnologias materiais quanto as epistemologias na\nprodu\u00e7\u00e3o de artefatos? O poeta e pesquisador Amiri Baraka faz uma contundente\ncr\u00edtica \u00e0s tecnologias ocidentais em seus projetos de moldar o mundo \u00e0 suas\npr\u00f3prias reprodu\u00e7\u00f5es. N\u00e3o s\u00e3o neutras pois poderiam ter seguido outros\ncaminhos, outros modos de intera\u00e7\u00e3o com o humano. Se olharmos para as formas\ndas coisas e tamb\u00e9m para as din\u00e2micas sociais e culturais da tecnologia para\nal\u00e9m de tais formas, poderemos nos libertar de seu falso determinismo. Baraka\nnos lembra que a p\u00f3lvora nasceu para fins medicinais, se transformou em beleza nos\nfogos de artif\u00edcio na China, mas se globalizou como uma ferramenta da viol\u00eancia.\nNos pede ent\u00e3o que questionemos \u201co que as m\u00e1quinas produzir\u00e3o? O que\nalcan\u00e7ar\u00e3o? Qual ser\u00e1 sua moralidade? (BARAKA, 1965, p.158).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Infelizmente, os dados hist\u00f3ricos e\nmovimenta\u00e7\u00f5es mostram que Brasil e EUA se irmanam no que Ruha Benjamin chamou\nde \u201cimagina\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria da tecnologia\u201d. Para Benjamin, precisamos treinar nosso\nolhar para entender o desenvolvimento tecnocient\u00edfico para al\u00e9m da superf\u00edcie\nmaterial, observar e mapear \u201cquem e o que \u00e9 fixado no mesmo lugar &#8211;\nclassificado, encurralado e\/ou coagido, para permitir a inova\u00e7\u00e3o\u201d (BENJAMIN,\n2020, p.20). As tecnologias de rastreamento e controle dos cidad\u00e3os no espa\u00e7o\np\u00fablico e privado j\u00e1 estavam em crescimento, como mostram dados sobre o\nreconhecimento facial para policiamento e a profus\u00e3o de erros t\u00e9cnicos, morais\ne legais (NUNES, 2019) mas a pandemia \u00e9 usada como oportunidade para avan\u00e7ar a\nnormaliza\u00e7\u00e3o desta e de outras tecnologias que promovem a restri\u00e7\u00e3o e o\nautoritarismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tecnologias\ndo social como plataformas de compartilhamento, do valor do comum no <em>creative\ncommons<\/em>, do associativismo digital, movimento wiki e afins resistem para\nal\u00e9m do que recebe visibilidade nos oligop\u00f3lios da tecnologia digital do Vale\ndo Sil\u00edcio. O desencanto com a globaliza\u00e7\u00e3o tem muito a ver com essa distin\u00e7\u00e3o.\nSe os entusiastas da internet, das l\u00ednguas e do transporte globalizados\nsonharam com os benef\u00edcios das trocas em redes massivas, n\u00e3o levaram em conta a\ndin\u00e2mica de conex\u00e3o preferencial que seguiu a tend\u00eancia do capital (o\nfinanceiro e o social) para acumula\u00e7\u00e3o e desigualdade. O coletivismo irmana\nabordagens feministas e afrofuturistas sobre a tecnologia em prol de projetos\nigualit\u00e1rios, diametralmente contra a l\u00f3gica individualista da cultura de\nstartup onde o <em>winner takes all<\/em> nada tem de meritocracia, apenas\nreprodu\u00e7\u00e3o da capacidade de <em>dumping<\/em> dos mercados financeiros em projetos\nde automatiza\u00e7\u00e3o de desigualdades para concentra\u00e7\u00e3o de capital atrav\u00e9s de\naplicativos e plataformas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagin\u00e1rios\ntratam tanto das lentes usadas para interpretar fen\u00f4menos e a\u00e7\u00f5es presentes \u2013\nconsiderando interpreta\u00e7\u00f5es do passado \u2013 quanto na defini\u00e7\u00e3o de horizontes de\npossibilidades. Tecnologia vai muito al\u00e9m de dispositivos digitais. Falar de\nimagin\u00e1rios \u00e9 falar tamb\u00e9m de inspira\u00e7\u00f5es e retroalimenta\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas,\nafetivas e sociais como o afrofuturismo visto \u201ccomo um mecanismo para focar\ndiscurso substanciador em t\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o como design especulativo estende\nas fronteiras das solu\u00e7\u00f5es plaus\u00edveis atrav\u00e9s do engajamento\u201d (WINCHESTER III,\n2019, p.56) efetivo com quem produz, usa, inventa e reapropria as tecnologias. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma proposi\u00e7\u00e3o do afrofuturismo como ligada a desenhos e produ\u00e7\u00e3o liberat\u00f3rias, como design centrado no humano, inclusividade, frameworks anti-opressivos por padr\u00e3o e inten\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da idea\u00e7\u00e3o de artefatos pelas comunidades (WINCHESTER III, 2019) aproxima as iniciativas dos aprendizados paradoxais das periferias locais e mundiais. De comunidades perif\u00e9ricas brasileiras como Parais\u00f3polis que j\u00e1 usava tecnologias afetivas, digitais (como vaquinhas online e mapeamentos alternativos do espa\u00e7o urbano) e pol\u00edticas em seus &#8220;presidentes de rua&#8221;, respons\u00e1veis por <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"cuidar de grupos de fam\u00edlias de modo distribu\u00eddo (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ftLIVb7ZWos\" target=\"_blank\">cuidar de grupos de fam\u00edlias de modo distribu\u00eddo<\/a>, a aplicativos como o Market Garden que<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-002\/covid-19-solu%C3%A7%C3%B5es-tecnol%C3%B3gicas-multiplicam-se-em-%C3%A1frica\/a-53184756\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" conecta pequenas feirantes e agricultoras a consumidoras no interior de Uganda (opens in a new tab)\"> conecta pequenas feirantes e agricultoras a consumidoras no interior de Uganda<\/a>, as r\u00e1pidas e criativas inova\u00e7\u00f5es com impacto na prote\u00e7\u00e3o de vidas n\u00e3o ser\u00e3o vistas atrav\u00e9s dos valores de <em>high tech<\/em> ou disrup\u00e7\u00e3o dos grandes eventos de tecnologia. Estar\u00e3o mais pr\u00f3ximas das est\u00f3rias &nbsp;que nos dizem \u201co que as pessoas fazem e sentem, como as pessoas se relacionam com tudo o mais neste amplo e vasto recipiente, esta barriga do universo, este \u00fatero das coisas que foram, esta est\u00f3ria cont\u00ednua\u201d (LE GUIN, 2017, pos.3043) do comum, das pessoas comuns. Se rejeitarmos a centralidade do her\u00f3i \u00fanico, do conflito e da competi\u00e7\u00e3o nas est\u00f3rias que contamos sobre as tecnologias e o futuro, podemos pensar em um novo normal que d\u00ea o devido valor \u00e0 solidariedade que reinventou tecnologias e redes durante a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fins\ndo mundo j\u00e1 existiram em demasia para diferentes povos, como nos mostram as\nexperi\u00eancias da Porta do N\u00e3o Retorno e o sequestro genocida atrav\u00e9s do\nAtl\u00e2ntico e nas Am\u00e9ricas, que constru\u00edram a base cumulativa de valor que hoje\ndesemboca nos oligop\u00f3lios da tecnologia digital atrav\u00e9s do capital financeiro.\nA\u00edlton Krenak, ao falar do fetiche ocidental sobre a ideia de fim do mundo, diz\nque se preocupa \u00e9 com os brancos, uma vez que aprendeu &#8220;diferentes\nmanobras que os nossos antepassados fizeram e me alimentei delas, da\ncriatividade e da poesia que inspirou a resist\u00eancia&#8221; (KRENAK, 2019,\npos.135). Durante e p\u00f3s-pandemia, nossos futuros poss\u00edveis mais igualit\u00e1rios\nest\u00e3o pendentes fundamentalmente nas alian\u00e7as globais que reconhe\u00e7am e se\ninspirem no fato de que &#8220;as comunidades mais vulner\u00e1veis, de novo e de\nnovo, por gera\u00e7\u00f5es, ao longo de centenas de anos, criaram beleza e resili\u00eancia\nna vida repetidamente&#8221; (NELSON, 2020, s.p.).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Finalizo a reda\u00e7\u00e3o deste texto no dia em que mais um foguete de parceria p\u00fablico-privada dos EUA decola, alimentando a fantasia de coloniza\u00e7\u00e3o de outros planetas por um bilion\u00e1rio que defendeu o fim do isolamento social quando mais de 300 mil pessoas j\u00e1 estavam mortas pelo COVID-19 \u2013 para que suas f\u00e1bricas de carro voltassem a funcionar. N\u00e3o \u00e9 a imagina\u00e7\u00e3o dos bilion\u00e1rios que permitir\u00e1 a inova\u00e7\u00e3o em prol da diminui\u00e7\u00e3o das desigualdades. E n\u00e3o \u00e9 o imagin\u00e1rio sociot\u00e9cnico cartesiano, euroc\u00eantrico, colonial e capitalista que nos salvar\u00e1 enquanto humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como citar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA, Tarcizio. Por outros imagin\u00e1rios sociot\u00e9cnicos no novo normal. Revista Observat\u00f3rio Ita\u00fa Cultural, n.28, 2020, pp.37-41.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADICHIE, Chimamanda. <em>O perigo de uma hist\u00f3ria \u00fanica<\/em>.\nS\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BARAKA, Imamu Amiri.\nTechnology &amp; Ethos.&nbsp;<em>Raise, Race, Rays, Raze: Essays Since 1965<\/em>,\np. 155-158, 1965.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BENJAMIN, Ruha. <em>Retomando nosso f\u00f4lego: Estudos de Ci\u00eancia\ne Tecnologia, Teoria Racial Cr\u00edtica e a imagina\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria<\/em>. In: SILVA,\nTarc\u00edzio. Comunidades, Algoritmos e Ativismos Digitais: olhares\nafrodiasp\u00f3ricos. S\u00e3o Paulo:\nLiteraRUA, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">JASANOFF, Sheila. <em>Future\nImperfect: Science, Technology, and the Imaginations of Modernity<\/em>. In:\nJASANOFF, Sheila; KIM, Sang-Hyun (orgs.). Dreamscapes of modernity:\nsociotechnical imaginaries and the fabrication of power. Chicago (EUA): The\nUniversity of Chicago Press, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LE GUIN, Ursula K. <em>Dancing\nat the Edge of the Worlds: Thoughts on Words, Women, Places<\/em>. Open\nRoad+Grove\/Atlantic, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">KRENAK, Ailton.&nbsp;<em>Ideias para adiar o fim do mundo<\/em>.\nS\u00e3o Paulo: Editora Companhia das Letras, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NELSON, Alondra. <em>Coronavirus\nCrisis And Afrofuturism: A Way To Envision What&#8217;s Possible Despite Injustice\nAnd Hardship<\/em>. Entrevista concedida a Tonya Mosley, 04 de maio\nde 2020. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.wbur.org\/hereandnow\/2020\/05\/01\/afrofuturism-coronavirus\">https:\/\/www.wbur.org\/hereandnow\/2020\/05\/01\/afrofuturism-coronavirus<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NUNES, Pablo. <em>Maioria dos presos por reconhecimento\nfacial s\u00e3o negros<\/em>. Intercept, 21 de novembro de 2019. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/theintercept.com\/2019\/11\/21\/presos-monitoramento-facial-brasil-negros\/\">https:\/\/theintercept.com\/2019\/11\/21\/presos-monitoramento-facial-brasil-negros\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">WERNECK, Jurema. <em>Entrevista ao Olabi \u2013 Encontro Mulheres\nNegras Pautando o Futuro<\/em>. 2019.\nDispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/olabimakerspace\/videos\/1972206733088143\/\">https:\/\/www.facebook.com\/olabimakerspace\/videos\/1972206733088143\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">WINCHESTER III, Woodrow W. <em>Engaging the Black Ethos: Afrofuturism as a Design Lens for Inclusive Technological Innovation<\/em>. Journal of Futures Studies, 24(2), 2019.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[Texto originalmente publicado na revista Observat\u00f3rio Ita\u00fa Cultural, n.28 para dossi\u00ea sobre Cultura, Artes e Pandemia] As tecnologias de todos os tipos s\u00e3o moldadas por contextos hist\u00f3ricos, sociais e ideol\u00f3gicos. N\u00e3o existem tecnologias neutras implementadas em v\u00e1cuos sociais ass\u00e9pticos: a pr\u00f3pria aus\u00eancia ou presen\u00e7a de um artefato abre ou restringe possibilidades e usos. 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