{"id":11690,"date":"2020-04-02T12:28:50","date_gmt":"2020-04-02T15:28:50","guid":{"rendered":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/?p=11690"},"modified":"2020-04-02T14:22:12","modified_gmt":"2020-04-02T17:22:12","slug":"colonizacao-algoritmica-da-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/colonizacao-algoritmica-da-africa\/","title":{"rendered":"Coloniza\u00e7\u00e3o Algor\u00edtmica da \u00c1frica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez um dos exemplos mais c\u00ednicos do car\u00e1ter predat\u00f3rio das grandes corpora\u00e7\u00f5es de plataformas seja o projeto <em>Internet.org<\/em>. Lan\u00e7ado pelo  Facebook e empresas de infraestrutura, foi ao ar em 2013 com a suposta miss\u00e3o de &#8220;oferecer acesso \u00e0 internet e os benef\u00edcios da conectividade \u00e0 por\u00e7\u00e3o do mundo que ainda n\u00e3o as tem&#8221;. Na pr\u00e1tica tinha como objetivo realizar um verdadeiro <em>dumping<\/em> de tecnologia em pa\u00edses do Sul Global como <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Brasil (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/05\/15\/tecnologia\/1431707500_364949.html\" target=\"_blank\">Brasil<\/a>, <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"\u00cdndia (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/www.cnet.com\/news\/why-india-doesnt-want-free-basics\/\" target=\"_blank\">\u00cdndia<\/a>, Senegal, Qu\u00eania e outros pa\u00edses da \u00c1frica, Sudeste Asi\u00e1tico e Am\u00e9rica Latina. O primeiro impacto \u00e9 gerar oligop\u00f3lios, destruindo a neutralidade de rede nos locais, pois o acesso \u00e0 internet oferecido pelo grupo e seus parceiros s\u00f3 poderia dar acesso a um punhado de servi\u00e7os e websites.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1870\" height=\"793\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/internetorg.jpg?fit=580%2C246&amp;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-11693\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/internetorg.jpg 1870w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/internetorg-300x127.jpg 300w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/internetorg-580x246.jpg 580w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/internetorg-150x64.jpg 150w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/internetorg-768x326.jpg 768w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/internetorg-1536x651.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1870px) 100vw, 1870px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo impacto, mais relevante e de longa dura\u00e7\u00e3o, com efeitos na economia, soberania, cultura e pol\u00edtica \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de sistemas de infraestrutura, acesso e software que favorecem a extra\u00e7\u00e3o de valores atrav\u00e9s da l\u00f3gica de <em>big data<\/em> e correla\u00e7\u00f5es algor\u00edtmicas sobre os dados das popula\u00e7\u00f5es destes pa\u00edses. Apesar do projeto Internet.org <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/technology\/2016\/may\/12\/facebook-free-basics-india-zuckerberg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"ter sido recha\u00e7ado (opens in a new tab)\">ter sido recha\u00e7ado<\/a> em muitos pa\u00edses, alguns o aceitaram e, no final das contas, representa apenas uma face mais expl\u00edcita do colonialismo algor\u00edtmico exercido por in\u00fameros meios.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide has-media-on-the-right\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"392\" height=\"580\" src=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Capa-comunidades-algoritmos-ativismos-olhares-afrodiasporicos-392x580.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11618\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Capa-comunidades-algoritmos-ativismos-olhares-afrodiasporicos-392x580.jpg 392w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Capa-comunidades-algoritmos-ativismos-olhares-afrodiasporicos-203x300.jpg 203w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Capa-comunidades-algoritmos-ativismos-olhares-afrodiasporicos-101x150.jpg 101w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Capa-comunidades-algoritmos-ativismos-olhares-afrodiasporicos.jpg 572w\" sizes=\"auto, (max-width: 392px) 100vw, 392px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este \u00e9 o tema principal do cap\u00edtulo <strong><em>Coloniza\u00e7\u00e3o Algor\u00edtmica<\/em> <em>da \u00c1frica<\/em><\/strong>, publicado no livro <em><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Comunidades, Algoritmos e Ativismos Digitais: olhares afrodiasp\u00f3ricos (opens in a new tab)\" href=\"http:\/\/www.literarua.com.br\/livro\/olhares-afrodiasporicos\" target=\"_blank\">Comunidades, Algoritmos e Ativismos Digitais: olhares afrodiasp\u00f3ricos<\/a><\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Convidei para o livro a <a href=\"https:\/\/twitter.com\/Abebab\/status\/1205708663236620289\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"premiada (opens in a new tab)\">premiada<\/a> pesquisadora et\u00edope <a href=\"https:\/\/abebabirhane.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Abeba Birhane (opens in a new tab)\">Abeba Birhane<\/a>, pesquisadora doutoral em Ci\u00eancia Cognitiva na Escola de Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o da University College Dublin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No cap\u00edtulo, Birhane nos descreve sobre a onda de enquadramento discursivo que busca posicionar a \u00c1frica como fonte de dados, &#8220;coleta de dados&#8221; que estariam dispon\u00edveis em um &#8220;data-rich continent&#8221;, termos que evocam a l\u00f3gica colonial removendo o indiv\u00edduo.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na primeira parte do cap\u00edtulo, Birhane cita especialmente o caso sobre como o Facebook desenvolveu, usando imagens de sat\u00e9lite, um mapa de densidade populacional da \u00c1frica. A empresa se designou como respons\u00e1vel e autorizada a desenvolver este projeto sem articula\u00e7\u00e3o com os povos da \u00c1frica, sem refletir sobre o que \u00e9 percebido como conhecimento leg\u00edtimo sobre a popula\u00e7\u00e3o do continente. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"798\" height=\"458\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/africa-density-map.png?fit=580%2C333&amp;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-11700\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/africa-density-map.png 798w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/africa-density-map-300x172.png 300w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/africa-density-map-580x333.png 580w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/africa-density-map-150x86.png 150w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/africa-density-map-768x441.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 798px) 100vw, 798px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As velhas justificativas a-hist\u00f3ricas de &#8220;fornecer ajuda humanit\u00e1ria&#8221; e afins s\u00e3o usadas, subestimando como os diferentes povos e regi\u00f5es da \u00c1frica avaliam suas prioridades. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao distinguir o poder colonial tradicional e o colonialismo algor\u00edtmico, Abeba Birhane diz que:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O poder colonial tradicional busca poder unilateral e domina\u00e7\u00e3o sobre as pessoas colonizadas. Declara o controle das esferas social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica,  reordenando e reinventando a ordem social de uma maneira que o beneficie. Na era dos algoritmos, essa domina\u00e7\u00e3o ocorre n\u00e3o por for\u00e7a f\u00edsica bruta, mas por  mecanismos invis\u00edveis e diferenciados de controle do ecossistema digital e da infraestrutura digital. O colonialismo tradicional e o colonialismo algor\u00edtmico compartilham o desejo comum de dominar, monitorar e influenciar o discurso social, pol\u00edtico e cultural atrav\u00e9s do controle dos principais meios de comunica\u00e7\u00e3o e infraestrutura.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atrav\u00e9s de relatos sobre a confer\u00eancia CyFyAfrica,  Birhane mostra como formadores de opini\u00e3o tem reproduzido acriticamente concep\u00e7\u00f5es erradas sobre quest\u00f5es relevantes para o continente, como por exemplo vincular o terrorismo online apenas a grupos isl\u00e2micos. O trabalho dialoga autoras americanas que criticam a falsa neutralidade da tecnologia, como O&#8217;Neil, <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"oble (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/algoritmos-de-opressao-como-mecanismos-de-busca-reforcam-o-racismo\/\" target=\"_blank\">Noble<\/a> e Zuboff em conversa com pensadores de pa\u00edses africanos como <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Michael Kimani (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/kioneki.com\/2019\/06\/28\/5-reasons-why-facebooks-new-cryptocurrency-libra-is-bad-news-for-africa\/\" target=\"_blank\">Michael Kimani<\/a> e Heidi Swart.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Leia o cap\u00edtulo completo no livro que pode ser comprado na <a href=\"http:\/\/www.literarua.com.br\/livro\/olhares-afrodiasporicos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"editora LiteraRUA (opens in a new tab)\">editora LiteraRUA<\/a> ou baixado <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/339954112_Comunidades_Algoritmos_e_Ativismos_Digitais_olhares_afrodiasporicos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"gratuitamente em PDF (opens in a new tab)\">gratuitamente em PDF<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acompanhe <a href=\"https:\/\/twitter.com\/Abebab\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Abeba Birhane no Twitter (opens in a new tab)\">Abeba Birhane no Twitter<\/a> e confira v\u00eddeos no YouTube, como esta palestra sobre injusti\u00e7a algor\u00edtmica e \u00e9tica relacional:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Algorithmic Injustices and Relational Ethics with Abeba Birhane - #348\" width=\"630\" height=\"354\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/A_CBVYCeceU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talvez um dos exemplos mais c\u00ednicos do car\u00e1ter predat\u00f3rio das grandes corpora\u00e7\u00f5es de plataformas seja o projeto Internet.org. 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