{"id":11052,"date":"2019-05-23T20:04:55","date_gmt":"2019-05-23T23:04:55","guid":{"rendered":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/?p=11052"},"modified":"2019-05-23T20:11:01","modified_gmt":"2019-05-23T23:11:01","slug":"por-humanidades-digitais-negras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/por-humanidades-digitais-negras\/","title":{"rendered":"Por Humanidades Digitais Negras"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/dhdebates.gc.cuny.edu\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-11055 size-medium\" src=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/debates-in-digital-humanities-2016-209x300.jpg\" alt=\"\" width=\"209\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/debates-in-digital-humanities-2016-209x300.jpg 209w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/debates-in-digital-humanities-2016-105x150.jpg 105w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/debates-in-digital-humanities-2016-404x580.jpg 404w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/debates-in-digital-humanities-2016.jpg 497w\" sizes=\"auto, (max-width: 209px) 100vw, 209px\" \/><\/a>As\u00a0<em>Humanidades Digitais<\/em>\u00a0ganharam mais visibilidade nos \u00faltimos 20 anos, gra\u00e7as \u00e0 gradativa expans\u00e3o do campo em termos de pesquisadores engajados, produ\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica, ferramentas e projetos p\u00fablicos. Um dos principais destes \u00e9 a\u00a0s\u00e9rie <a href=\"http:\/\/dhdebates.gc.cuny.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Debates in the Digital Humanities<\/em><\/strong><\/a>. O livro, que pode ser lido na vers\u00e3o impressa ou digital interativa, re\u00fane diversas abordagens sobre as humanidades digitais em se\u00e7\u00f5es com reflex\u00f5es sobre sua hist\u00f3ria e futuros, m\u00e9todos, pr\u00e1ticas, disciplinas e cr\u00edticas, com um foco bem relevante em <a href=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/text-analysis-with-antconc-for-social-media-data-exploration-intro-files-and-settings\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">text analysis<\/a>.<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo &#8220;<strong><em>Making a Case for the Black Digital Humanities<\/em><\/strong>&#8220;, <a href=\"https:\/\/cla.purdue.edu\/facultyStaff\/profiles\/new\/newfaculty-14\/Gallon._Kim.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Kim Galllon<\/a> busca apresentar reflex\u00f5es, casos, refer\u00eancias e possibilidades para uma abordagem das digitais humanidades do ponto de vista do campo chamado por ela de forma resumida de\u00a0<em>Black Studies<\/em> (incluindo a linha de Africana\/African American studies). Recomendo a leitura do cap\u00edtulo e da produ\u00e7\u00e3o de Gallon, que atualmente \u00e9 Professora de Hist\u00f3ria na Purdue University, mas aqui vou enfatizar alguns pontos do excelente texto.<\/p>\n<p>Para Gallon, &#8220;os black studies tem sido entendidos como estudos comparativos das experi\u00eancias culturais e sociais negras sob sistemas euroc\u00eantricos de poder nos Estados Unidos, na di\u00e1spora Africana mais ampla e no continente africano&#8221;.<\/p>\n<p>Um dos principais pontos \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o de Gallon sobre a pesquisa dos black studies nas humanidades digitais como um tipo de\u00a0&#8220;<strong>tecnologia de recupera\u00e7\u00e3o<\/strong>&#8221; <em>(technology of<\/em> recovery). As &#8220;humanidades digitais negras ajudam a desmascarar os sistemas racializados de poder em jogo quando entendemos as humanidades digitais como um campo e utilizamos suas t\u00e9cnicas associadas&#8221;. As tecnologias de recupera\u00e7\u00e3o s\u00e3o os esfor\u00e7os de grupos minorizados\/marginalizados em usar plataformas e ferramentas digitais tanto para resgatar hist\u00f3ria e literatura n\u00e3o-registrada, apagada, invisibilizada ou <a href=\"https:\/\/theintercept.com\/2018\/11\/20\/ruy-barbosa-escravidao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">intencionalmente destru\u00edda<\/a> quanto para recuperar a humanidade das pessoas negras em um sistema de racializa\u00e7\u00e3o global.<\/p>\n<p>Gallon cita o papel do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nypl.org\/about\/locations\/schomburg\/digital-schomburg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Digital Schomburg<\/em><\/a>, um dos primeiros grandes projetos de digitaliza\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria afro-americana, reunindo informa\u00e7\u00f5es, literatura e arquivos de fotografias e imagens dos s\u00e9culos 19 e 20. Abaixo uma das exposi\u00e7\u00f5es online do centro, com hist\u00f3ria de nova-iorquinos afro-americanos:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blacknewyorkers-nypl.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-11058 size-large\" src=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/black-new-yorkers-580x272.jpg\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"272\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/black-new-yorkers-580x272.jpg 580w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/black-new-yorkers-150x70.jpg 150w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/black-new-yorkers-300x141.jpg 300w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/black-new-yorkers-768x361.jpg 768w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/black-new-yorkers.jpg 1917w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Al\u00e9m do aspecto hist\u00f3rico, Gallon explica como grandes movimenta\u00e7\u00f5es ativistas online do &#8220;<a href=\"https:\/\/knightfoundation.org\/features\/twittermedia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Black Twitter<\/a>&#8221; e comunidades negras nas m\u00eddias sociais como #SayHerName, <a href=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/alem-das-hashtags-ferguson-blacklivesmatter-e-a-batalha-online-por-justica-offline\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">#BlackLivesMatter<\/a> e #ICanBreathe fazem parte de esfor\u00e7o de recupera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m sobre o presente: os ativistas e participantes destes movimentos lembram a si mesmos e o resto da popula\u00e7\u00e3o sobre a disparidade gigantes de indicadores sociais de viol\u00eancia policial, emprego, educa\u00e7\u00e3o, habita\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e outros.<\/p>\n<p>Em seguida, a autora discorre sobre a sali\u00eancia de alguns m\u00e9todos espec\u00edficos, como a relativa pouca explora\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>text analysis<\/em> sobre literatura negra. Aqui cita o\u00a0<a href=\"https:\/\/hbw.ku.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Project on the History of Black Writing<\/em><\/a>, fundado por Maryemma Graham, que realizou eventos e visualiza\u00e7\u00f5es de an\u00e1lise de literatura assistida por computador.<\/p>\n<p>Seguindo no debate sobre o car\u00e1ter das humanidades digitais negras, Gallon cita Johanna Drucker e sua defesa de &#8220;usar e construir ferramentas e infraestrutura embebidas de teoria human\u00edstica de modo que funcionem de modos que reflitam os valores das humanidades&#8221;. Isto sigficaria, ent\u00e3o, para Gallon, que<\/p>\n<blockquote><p>As humanidades digitais negras ent\u00e3o apresentam o digital como hospedeiro m\u00fatuo tanto de racismo quanto de resist\u00eancia e jogam luz sobre o papel da ra\u00e7a como uma metalinguagem que forma o terreno digital, fomentando estruturas hegem\u00f4nicas que s\u00e3o tanto novas e antigas e replicam e transcendem as an\u00e1logas<\/p><\/blockquote>\n<p>Essa perspectiva pode gerar quest\u00f5es sobre a rela\u00e7\u00e3o entre racializa\u00e7\u00e3o da humanidade e o digital como poder, superando a percep\u00e7\u00e3o ainda disseminada da &#8220;neutralidade&#8221; do digital ou tecnologia, nos levando e entender melhor a condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Kim Gallon n\u00e3o cita no texto o projeto\u00a0<em><a href=\"http:\/\/blackpressresearchcollective.org\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Black Press Research Collectiv<\/a>e<\/em>, fundado pela pr\u00f3pria. Recomendo a navega\u00e7\u00e3o no site e visualiza\u00e7\u00e3o\u00a0que inclui registros da imprensa afro-americana do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, visualiza\u00e7\u00f5es, mapas e gr\u00e1ficos sobre circula\u00e7\u00e3o e localiza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de registro de eventos e trabalhos derivados. Uma das <a href=\"http:\/\/blackpressresearchcollective.org\/visualizing-the-black-press\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">visualiza\u00e7\u00f5es mais interessantes (o mapa abaixo) \u00e9 a lista de vendedores do jornal The Chicago Defender<\/a>, que ajudava negros do Sul com informa\u00e7\u00e3o sobre como se defender e migrar para sobreviver. Os dados foram retirados de base de dados do FBI, que vigia(va) qualquer iniciativa de auto-defesa dos negros americanos:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-11061\" src=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/the-chicago-defender-dealer-list-580x448.jpg\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"448\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/the-chicago-defender-dealer-list-580x448.jpg 580w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/the-chicago-defender-dealer-list-150x116.jpg 150w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/the-chicago-defender-dealer-list-300x232.jpg 300w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/the-chicago-defender-dealer-list-768x593.jpg 768w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/the-chicago-defender-dealer-list.jpg 1067w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/p>\n<p>Esta resenha foi motivada pelo workshop\u00a0<em><a href=\"https:\/\/africanadhi.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AfricanaDHi<\/a>\u00a0<\/em>e faz parte da\u00a0bibliografia do evento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As\u00a0Humanidades Digitais\u00a0ganharam mais visibilidade nos \u00faltimos 20 anos, gra\u00e7as \u00e0 gradativa expans\u00e3o do campo em termos de pesquisadores engajados, produ\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica, ferramentas e projetos p\u00fablicos. 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