{"id":10250,"date":"2017-05-27T20:51:03","date_gmt":"2017-05-27T23:51:03","guid":{"rendered":"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/?p=10250"},"modified":"2017-11-07T00:47:13","modified_gmt":"2017-11-07T02:47:13","slug":"a-pesquisa-de-campo-experimental-perecquiana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/a-pesquisa-de-campo-experimental-perecquiana\/","title":{"rendered":"A pesquisa de campo experimental Perecquiana"},"content":{"rendered":"<p>Em\u00a0<strong><em>Georges Perec\u2019s experimental fieldwork; Perecquian fieldwork<\/em><\/strong>, publicado em dezembro de 2016 na revista\u00a0<em>Social &amp; Cultural Geography<\/em>, o pesquisador <a href=\"https:\/\/www.sheffield.ac.uk\/geography\/staff\/phillips_richard\/index\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Richard Phillips<\/a> da University of Sheffield aborda a pesquisa de campo experimental a partir das propostas do escritor <a href=\"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/tag\/georges-perec\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Georges Perec<\/a>. Para Phillips, \u201cPerec antecipa e informa temas chave em pesquisa de campo contempor\u00e2nea \u2013 uso do l\u00fadico, aten\u00e7\u00e3o ao ordin\u00e1rio e escrita como pr\u00e1tica de pesquisa \u2013 e a abordagem ensa\u00edstica que apoia cada uma destas\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-10254\" src=\"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/georges-perec-e-gato-580x388.jpg\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"388\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/georges-perec-e-gato-580x388.jpg 580w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/georges-perec-e-gato-150x100.jpg 150w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/georges-perec-e-gato-300x201.jpg 300w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/georges-perec-e-gato-768x514.jpg 768w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/georges-perec-e-gato.jpg 995w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/p>\n<p>O autor cita diversos modos experimentais de pesquisa nos quais se prop\u00f5em aos leitores realizar trabalhos de campo, como <em>How to be an Explorer of the world<\/em> e <em>The lonely planet guide to experimental travel; <\/em>e trabalhos relacionados a geografia com proposi\u00e7\u00f5es de observa\u00e7\u00e3o urbana relacionados a modos de selecionar e agrupar atividades, objetos e lugares.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-10253\" src=\"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/how-to-be-an-explorer-of-the-world-people-watching-580x386.jpg\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"386\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/how-to-be-an-explorer-of-the-world-people-watching-580x386.jpg 580w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/how-to-be-an-explorer-of-the-world-people-watching-150x100.jpg 150w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/how-to-be-an-explorer-of-the-world-people-watching-300x200.jpg 300w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/how-to-be-an-explorer-of-the-world-people-watching.jpg 650w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/p>\n<p>Prop\u00f5e que as abordagens mais sistem\u00e1ticas s\u00e3o fruto das perspectivas que se baseiam no Situacionismo e, portanto, vai comparar a perspectiva situacionista com a abordagem de Perec, defendendo que a aplica\u00e7\u00e3o mais estruturada de leituras do autor pode ser ainda mais \u00fatil. Phillips defende no artigo que o trabalho de Perec, apesar do pr\u00f3prio tratar de alguns de seus livros como &#8220;sociol\u00f3gicos&#8221; seria eminentemente geogr\u00e1ficos. Na Fran\u00e7a dos anos 60 e 70, evidentemente, a sociologia estava mais em voga, da\u00ed a aproxima\u00e7\u00e3o mais clara. Por\u00e9m, tanto o <em>Tentativa de Esgotamento de um Local Parisiense<\/em>\u00a0como o pr\u00f3prio\u00a0<em>Species of Spaces\u00a0<\/em>al\u00e9m de conceitualmente estar mais pr\u00f3ximos da geografia, tamb\u00e9m trazem a quest\u00e3o do espa\u00e7o no t\u00edtulo.<\/p>\n<p>Phillips sugere que Perec antecipou tr\u00eas tend\u00eancias no trabalho de campo experimental: o l\u00fadico; a explora\u00e7\u00e3o de locais ordin\u00e1rios; e a escrita como pr\u00e1tica de campo.<\/p>\n<p>Quanto ao<em>\u00a0trabalho de campo l\u00fadico, e<\/em>m contraposi\u00e7\u00e3o ao trabalho de campo ortodoxo e mecanicista, a aproxima\u00e7\u00e3o ao l\u00fadico e ao jogo trouxeram frescor \u00e0 explora\u00e7\u00e3o urbana. Apesar das regras e restri\u00e7\u00f5es impostas pela literatura experimental de Perec, sobretudo relacionadas aos projetos como OuLiPo, eram regras e restri\u00e7\u00f5es flu\u00eddas. Est\u00e3o presentes o uso criativo de listas, \u00edndices, refer\u00eancias acad\u00eamicas fict\u00edcias e propostas impl\u00edcitas de replica\u00e7\u00e3o de experimentos.<\/p>\n<p>Sobre a\u00a0<em>explora\u00e7\u00e3o de locais ordin\u00e1rios<\/em>, livros como o\u00a0<em>Tentativa<\/em>&#8230;<em>\u00a0<\/em>se destacam do ponto de vista da observa\u00e7\u00e3o e descri\u00e7\u00e3o de um cotidiano ordin\u00e1rio, mas o pr\u00f3prio livro\u00a0<em>Vida: Modo de Usar<\/em> tamb\u00e9m aplica, para produzir fic\u00e7\u00e3o, recursos similares. Ao descrever cada ambiente de um pr\u00e9dio, assim como suas hist\u00f3rias, em um quebra-cabe\u00e7a narrativo, Perec aproxima o projeto do narrador a ideia de levantamento ou censo, incluindo desta vez as rela\u00e7\u00f5es entre as unidades habitacionais. Os exerc\u00edcios de descri\u00e7\u00e3o do ordin\u00e1rio pro&#8217;curam gerar reencantamento do j\u00e1 conhecido, de modo similar \u00e0 proposta de Merleau-Ponty citada pelo autor\u00a0<span class=\"fontstyle0\">\u2018the act of describing the world undoes its familiarity to produce wonderment&#8221;<\/span><\/p>\n<p>E ver a escrita como pr\u00e1tica de pesquisa de campo, para Perec, passa por pensar minuciosamente e criativamente como a pr\u00f3pria documenta\u00e7\u00e3o e escrita ser\u00e1 realizada. As notas de pesquisa e descri\u00e7\u00f5es &#8211; sejam narrativas, ensa\u00edsticas ou &#8216;densas &#8211; podem ser pensadas como &#8220;flat&#8221; (em &#8220;writing flatly&#8221;), que seria descrever o observado sem adicionar julgamento, camadas simb\u00f3licas ou evoca\u00e7\u00f5es sociais, te\u00f3ricas ou hist\u00f3ricas. Entretanto, esta tentativa \u00e9 aprioristicamente fadada ao fracasso parcial, pois uma escrita totalmente &#8220;factual, simple, descritive, unvarnished, empirical&#8221; \u00e9 imposs\u00edvel de ser alcan\u00e7ada. A tentativa, por\u00e9m, \u00e9 um exerc\u00edcio de explora\u00e7\u00e3o da pesquisa. O autor prop\u00f5e que<\/p>\n<blockquote><p><span class=\"fontstyle0\">writing is fundamental to another feldwork practice: the identifcation of individual observations with classes of things and actions through categories and classes, categorisation and classifcation. Perec used lists and inventories to explore the taxonomies that are commonly deployed in the experience and interpretation of the everyday<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p>Na conclus\u00e3o o autor revisita o impacto de Georges Perec em m\u00e9todos etnogr\u00e1ficos, observa\u00e7\u00e3o de massa e t\u00e9cnicas de pesquisa de mercado. A tradi\u00e7\u00e3o &#8220;perecquiana&#8221; de pesquisa, impulsionada pelo resgate e\u00a0reapropria\u00e7\u00e3o de suas obras, poder\u00e1 nos levar para prosseguirmos experimentalmente, tentativamente, ensaisticamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>PHILLIPS, Richard. Georges Perec\u2019s experimental fieldwork; Perecquian fieldwork. <b>Social &amp; Cultural Geography<\/b>, p. 1-21, 2016.<\/p>\n<p>PEREC, Georges.\u00a0<b>A vida modo de usar<\/b>. Editora Companhia das Letras, 1989.<\/p>\n<p>PEREC, Georges.\u00a0<strong>Tentativa de Esgotamento de um Local Parisiense<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Editorial Gustavo Gili, 2016.<\/p>\n<p>SMITH, Keri. <strong>How to be an explorer of the world<\/strong>: portable life museum. Penguin, 2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em\u00a0Georges Perec\u2019s experimental fieldwork; Perecquian fieldwork, publicado em dezembro de 2016 na revista\u00a0Social &amp; Cultural Geography, o pesquisador Richard Phillips da University of Sheffield aborda a pesquisa de campo experimental a partir das propostas do escritor Georges Perec. 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