{"id":10048,"date":"2011-01-06T15:34:02","date_gmt":"2011-01-06T17:34:02","guid":{"rendered":"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/?p=10048"},"modified":"2017-01-01T15:34:52","modified_gmt":"2017-01-01T17:34:52","slug":"delete-the-virtue-of-forgetting-in-the-digital-age-resenha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/delete-the-virtue-of-forgetting-in-the-digital-age-resenha\/","title":{"rendered":"Delete: The Virtue of Forgetting in the Digital Age (Resenha)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/gp\/product\/B004YW6GLC\/ref=as_li_qf_sp_asin_il_tl?ie=UTF8&amp;tag=imapapefur-20&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;linkCode=as2&amp;creativeASIN=B004YW6GLC&amp;linkId=190364ab986520657f3c2a412d52c27a\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-10049\" src=\"http:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/delete-mayer-schonberger-194x300.gif\" alt=\"delete-mayer-schonberger\" width=\"194\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/delete-mayer-schonberger-194x300.gif 194w, https:\/\/tarciziosilva.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/delete-mayer-schonberger-97x150.gif 97w\" sizes=\"auto, (max-width: 194px) 100vw, 194px\" \/><\/a>Viktor Mayer-Schonberger inicia <a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/gp\/product\/B004YW6GLC\/ref=as_li_qf_sp_asin_il_tl?ie=UTF8&amp;tag=imapapefur-20&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;linkCode=as2&amp;creativeASIN=B004YW6GLC&amp;linkId=190364ab986520657f3c2a412d52c27a\" target=\"_blank\">Delete: The Virtue of Forgetting in the Digital Age<\/a> com alguns casos pol\u00eamicos e impactantes da interfer\u00eancia da mem\u00f3ria digital em casos reais de pessoas comuns. Um dos casos, que d\u00e1 t\u00edtulo ao primeiro cap\u00edtulo, \u00e9 o da professora Stacy Snyder que publicou uma foto pessoal em seu perfil <em>MySpace<\/em>, na qual segurava um copo em uma festa. A legenda, \u201c<em>drunken pirate\u201d<\/em>, dava a entender que Stacy estava consumindo bebidas alco\u00f3licas. A ocasi\u00e3o e a foto seriam corriqueiras se Stacy n\u00e3o estivesse em processo de certificar-se como professora. Os oficiais respons\u00e1veis em sua universidade fizeram uma busca na internet, encontraram a foto e julgaram que Snyder n\u00e3o poderia receber o certificado para ensinar, devido a seu suposto comportamento inadequado. Este \u00e9 um dos diversos casos lim\u00edtrofes que Mayer-Schonberger cita em seu livro para compartilhar com o leitor os problemas que diversos desenvolvimentos t\u00e9cnicos e novas pr\u00e1ticas sociais trouxeram. Segundo o autor, a sociedade estaria deixando de esquecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cap\u00edtulo seguinte trata, ent\u00e3o, do papel da mem\u00f3ria e da import\u00e2ncia do esquecimento. Mayer-Schonberger fala da mem\u00f3ria humana, do papel da linguagem como apoio \u00e0 mem\u00f3ria, mem\u00f3ria externa como pintura e escrita, mem\u00f3ria compartilhada, novos suportes da mem\u00f3ria como fotografia, filme e v\u00eddeo. Quando fala sobre as mat\u00e9rias da mem\u00f3ria, o autor parece temer que a recupera\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria atrav\u00e9s de suportes f\u00edsicos engesse os significados. O autor explica que a pesquisa sobre a mem\u00f3ria humana hoje concorda que o processo de lembran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 apenas uma recupera\u00e7\u00e3o est\u00e9ril da informa\u00e7\u00e3o armazenadas, mas sim um reprocessamento cont\u00ednuo. Como explica Jos\u00e9 van Dijck:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cmemory objects are not simply technological or material prostheses of the mind, as the movie wants us to believe. Personal cultural memory, as I will argue in this article, is neither located strictly within the brain nor outside in technological artifacts or in culture, but is the result of a complex interaction between brain, material objects, and the cultural matrix from which they arise\u201d (VAN DIJCK, 2004, p.2)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os suportes descritos por Mayer-Schonberger neste cap\u00edtulo s\u00e3o vistos como mecanismos e dispositivos que trariam em si tra\u00e7os que levavam ao esquecimento, visto como natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novos dispositivos digitais, como computadores, entretanto, estariam ajudando a acabar com o esquecimento. O pr\u00f3ximo cap\u00edtulo \u00e9 aberto com a descri\u00e7\u00e3o da pesquisa de Gordon Bell e o desenvolvimento do dispositivo <em>MyLifeBits<\/em>. A proposta desta pesquisa \u00e9 construir um dispositivo de armazenamento das experi\u00eancias e mem\u00f3ria pessoais para uso individual. Descrito no livro <em>O Futuro da Mem\u00f3ria \u2013 Como essa transforma\u00e7\u00e3o mudar\u00e1 tudo o que conhecemos <\/em>(BELL &amp; GEMMEL, 2009), este projeto vai de encontro ao que Mayer-Schonberger pensa sobre a mem\u00f3ria. Alguns dos motivadores do \u201cdecl\u00ednio do esquecimento\u201d, que o autor descreve neste cap\u00edtulo, s\u00e3o desenvolvidos por Bell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Mayer-Schonberger, o primeiro foi a digitaliza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o. A cultura mainstream de hoje \u00e9 quase totalmente baseada em digitaliza\u00e7\u00e3o, o que deixa para o passado a adi\u00e7\u00e3o de ru\u00eddo e envelhecimento nas c\u00f3pias das informa\u00e7\u00f5es. A reprodutibilidade hoje \u00e9 exata, n\u00e3o se perde <em>bits<\/em> de informa\u00e7\u00e3o a cada c\u00f3pia realizada de outra c\u00f3pia. O armazenamento barato \u00e9 outro motivador pois chegou-se a um ponto em que \u00e9 mais f\u00e1cil, r\u00e1pido e barato manter as informa\u00e7\u00f5es do que apag\u00e1-las. Sistemas complexos e consistentes de metadados permitem a recupera\u00e7\u00e3o f\u00e1cil das informa\u00e7\u00f5es \u2013 ou mem\u00f3rias -, que podem ser encontradas t\u00e3o facilmente quanto fazer uma busca no <em>Google<\/em>. O alcance global, por fim, permite que as pessoas acessem suas \u2013 e, muitas vezes, de outras pessoas \u2013 informa\u00e7\u00f5es de qualquer lugar do mundo. Os dispositivos de armazenamento est\u00e3o conectados \u00e0 web e os dispositivos de acesso n\u00e3o se limitam aos <em>desktops<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O decl\u00ednio do esquecimento traz muitas conseq\u00fc\u00eancias nefastas, descritas no quarto cap\u00edtulo. O autor discorre sobre o poder da informa\u00e7\u00e3o e diz que \u201c<em>others gain in information power from our loss, influencing the circumstances of our future interactions with the world and how we function as a society<\/em>\u201d (p.63). Tr\u00eas caracter\u00edsticas da mem\u00f3ria digital teriam tornado isto poss\u00edvel: acessibilidade, durabilidade e abrang\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira caracter\u00edstica, o autor explica que possu\u00edmos informa\u00e7\u00f5es que dependem do contexto para serem relevantes, apropriadas ou n\u00e3o. Com a atual configura\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria digital, isso se perde em diversos casos. O car\u00e1ter p\u00fablico e semi-p\u00fablico das intera\u00e7\u00f5es realizadas permite que estas informa\u00e7\u00f5es compartilhas sejam acessadas por pessoas n\u00e3o previstas originalmente pelo emissor. A durabilidade das informa\u00e7\u00f5es \u00e9 outro fator relevante, pois permite que informa\u00e7\u00f5es sejam acessadas em momentos socioculturais muito diferentes, nos quais os interagentes exercem outros pap\u00e9is sociais. A abrang\u00eancia, por fim, d\u00e1 conta do car\u00e1ter m\u00faltiplo das informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis e, tamb\u00e9m, \u00e0 possibilidade de cruzamento destas informa\u00e7\u00f5es. Estas tr\u00eas caracter\u00edsticas seriam respons\u00e1veis por maiores desn\u00edveis de poder entre pessoas e entidades como empresas e institui\u00e7\u00f5es governamentais. Estas \u00faltimas teriam acesso privilegiado a peda\u00e7os de informa\u00e7\u00f5es individuais que estas pessoas sequer tem consci\u00eancia de que est\u00e3o armazenadas em algum local. Al\u00e9m disso, o poder de transforma\u00e7\u00e3o dessas informa\u00e7\u00f5es em recursos financeiros (atrav\u00e9s de perfis de consumo, por exemplo) ou sistemas de controle (atrav\u00e9s da vigil\u00e2ncia dos cidad\u00e3os) n\u00e3o est\u00e1 nas m\u00e3os dos cidad\u00e3os. O autor enfatiza o fator \u201ctempo\u201d durante o cap\u00edtulo. Para Mayer-Schonberger, a mem\u00f3ria completa nega o tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O quinto capitulo traz \u201crespostas poss\u00edveis\u201d ao decl\u00ednio do esquecimento. O autor discorre sobre seis poss\u00edveis respostas. A primeira, mais radical, \u00e9 a da simples abstin\u00eancia digital. Se as pessoas n\u00e3o utilizarem os dispositivos tecnol\u00f3gicos de digitaliza\u00e7\u00e3o e compartilhamento da informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o haveria mem\u00f3rias digitais fora de seu alcance. Evidentemente, mesmo levando em considera\u00e7\u00e3o que o indiv\u00edduo consiga realizar tal feito, somos lembrados de que a mem\u00f3ria \u00e9 tamb\u00e9m constru\u00edda socialmente. Al\u00e9m das dificuldades em rela\u00e7\u00e3o a aspectos pr\u00e1ticos e cotidianos da sociedade (compras, por exemplo), as intera\u00e7\u00f5es com outras pessoas \u201cn\u00e3o-abst\u00eamias\u201d poriam em risco os objetivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desenvolver o direito \u00e0 privacidade da informa\u00e7\u00e3o \u00e9 outra alternativa. Se as pessoas tiverem controle efetivo sobre seus dados pessoais, poderiam evitar usos indevidos. Este tipo de direito tamb\u00e9m se aplica \u00e0 organiza\u00e7\u00f5es, que perdem (com a pirataria, por exemplo), o direito \u00e0 seus produtos. Outra alternativa \u00e9 a efetiva\u00e7\u00e3o de \u201cajustes cognitivos\u201d. Se as pessoas come\u00e7arem a pensar sobre todas as implica\u00e7\u00f5es da mem\u00f3ria digital, poderiam comportar-se de forma diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Regras de ecologia da informa\u00e7\u00e3o, propostas por alguns pesquisadores, regulamentariam, entre outras coisas, que os dados pessoais devem ter uma data de validade. Assim, parte do problema poderia ser resolvido. Esta solu\u00e7\u00e3o \u00e9 diretamente ligada \u00e0 sexta proposta, que busca a contextualiza\u00e7\u00e3o perfeita. Mayer-Schonberger sugere que uma abordagem inusitada, mas que poderia resolver alguns dos problemas, seria adicionar ainda mais informa\u00e7\u00f5es \u00e0s mem\u00f3rias digitais. Assim, poderia ser que dados de contextualiza\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es evitassem interpreta\u00e7\u00f5es e reapropria\u00e7\u00f5es das informa\u00e7\u00f5es distanciadas no tempo. Por\u00e9m, essa alternativa sofre de diversas fraquezas, pois cada decis\u00e3o tomada deveria, nessa perspectiva, estar acompanhada de reflex\u00e3o profunda e interpreta\u00e7\u00e3o de diversos dados de diversas fontes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No cap\u00edtulo seguinte, Mayer-Schonberger prop\u00f5e e discute a exeq\u00fcibilidade de se criar uma \u201cdata de expira\u00e7\u00e3o\u201d obrigat\u00f3ria e autom\u00e1tica para as informa\u00e7\u00f5es digitais. O autor fala das necessidades t\u00e9cnicas e comportamentais para levar o projeto \u00e0 frente. Na conclus\u00e3o, revisa o que discutiu e prop\u00f5e e retoma a import\u00e2ncia de \u201clembrar a import\u00e2ncia do esquecimento\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante seu livro, Mayer-Schonberger por vezes apresenta uma perspectiva um tanto ludista da tecnologia. Exagera consideravelmente nos malef\u00edcios que a mem\u00f3ria digital traz e oferece uma solu\u00e7\u00e3o muito radical \u2013 como suas premissas -, pouco pr\u00e1tica. A exeq\u00fcibilidade de seu projeto parece ser nula. Por\u00e9m, a discuss\u00e3o apresentada \u00e9 v\u00e1lida por chamar aten\u00e7\u00e3o a aspectos pouco discutidos sobre a chamada web 2.0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pontos altos do livro parecem ser os cap\u00edtulos tr\u00eas e quatro. A sistematiza\u00e7\u00e3o dos \u201cmotivadores\u201d do decl\u00ednio do esquecimento \u2013 armazenamento barato, digitaliza\u00e7\u00e3o, recupera\u00e7\u00e3o f\u00e1cil e alcance global \u2013, assim como as tr\u00eas caracter\u00edsticas da mem\u00f3ria digital que identifica como influenciadoras nas rela\u00e7\u00f5es de poder (acessibilidade, durabilidade e abrang\u00eancia) s\u00e3o \u00fateis para o entendimento de diversos fen\u00f4menos em torno das intera\u00e7\u00f5es sociais em ambientes online.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BELL, Gordon, GEMMEL, Jim. <strong>Total Recall: How the E-Memory Revolution will Change Everything<\/strong>. New York: Dutton, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MAYER-SCHONBERGER, Viktor. <strong>Delete<\/strong>: the virtue of forgetting in the digital age. Princeton, Princeton University Press: 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VAN DIJCK, Jos\u00e9. <strong>Memory Matters in the Digital Age<\/strong>. Configurations, Volume 12, Number 3, Fall 2004, pp. 349-373.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viktor Mayer-Schonberger inicia Delete: The Virtue of Forgetting in the Digital Age com alguns casos pol\u00eamicos e impactantes da interfer\u00eancia da mem\u00f3ria digital em casos reais de pessoas comuns. 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