Posted: February 19th, 2009 | Author: Tarcízio Silva | Filed under: Críticas e Resenhas | Tags: arte, artes visuais, desenho, escultura, percepção visual, Pesquisa, pintura, psicologia | 5 Comments »

Gestalt é uma palavra alemã “intraduzível”, algo como forma ou configuração. A psicologia da Gestalt (não confundir com um ramo da psicoterapia desenvolvido depois) começou a ser estabelecida no início do século XX. Arte e Percepção Visual é a maior obra que aplica os conceitos dessa corrente às obras de arte visuais.
Lançado em 1954 e consistentemente revisado em 1974, o livro de Rudolf Arnheim se mantém ao longo dos anos como bibliografia básica em cursos de artes, design e comunicação visual.
Sem nenhum rigor, poderia dizer que a psicologia da Gestalt (ou psicologia da forma) descobriu que “o todo é maior que a soma das partes”. Ou seja, uma experiência não pode ser definida pela enumeração de suas componentes. A apreensão da realidade é influenciada por algumas leis da mentes humana. Por isso a “visão criadora” do título. Cada pessoa organiza os estímulos que chegam através da visão por meio de leis comuns.
Quatro princípios da psicologia da Gestalt podem ajudar a explicá-los: tendência à estruturação; segregação figura-fundo; pregnância da boa forma; constância perceptiva. Todas se referam a tendência natural para a estabilidade.
Sobre a tendência à estruturação, as formas são agrupadas de acordo com semelhança e proximidade, na forma mais simples. A segregação figura-fundo é “fácil” de entender. Afinal, uma figura só existe inscrita em um fundo. Ou é possível ver um triângulo amarelo no fundo de mesma cor? Um experimento que causa algum desconforto é a clássica figura cálice-rostos.
A pregnância da boa forma é uma característica da percepção humana que faz com que uma configuração qualquer seja percebida mais facilmente da forma simples e equilibrada. O exemplo ao lado é salutar? Pq vemos um triângulo e um retângulo, ao invés de uma forma irregular com 10 lados ou três formas diferentes? É a tendência pela “boa forma”. As coisas são “vistas” da maneira mais simples e fácil.
Tamanho, forma e cor tendem a se manter. Por isso, pelos mecanismos de compreensão da constância perceptiva, os seres humanos “ignoram” algumas mudanças puramente visuais, como a aparente mudança de tamanho de um objeto ao mover-se pelo espaço, as condições de iluminação em relação à cor, e a forma, em relação ao ângulo.
A minha descrição não passa de uma “pincelada” sobre o valor destas quase 500 páginas. O livro é dividido em dez capítulos: 1. Equilíbrio; 2. Configuração; 3. Forma; 4. Desenvolvimento; 5. Espaço; 6. Luz; 7. Cor; 8. Movimento; 9. Dinâmica; e 10. Expressão.
Cada capítulo possui de dez a vinte seções, abordando problemas como: Peso; Direção; O que é uma parte?; Projeções; Interação entre o plano e a profundidade; Consequências educacionais; Linha e contorno; Transparência; Sombras; A busca da harmonia; As revelações da velocidade; Experimentos sobre tensão dirigida; Composição dinâmica; Simbolismo na arte; etc etc etc.

A compreensão da psicologia da Gestalt e a investigação realizada por Arnheim podem ser utilizadas para uma melhor prática do design gráfico, como no design de revistas, por exemplo. Já escrevi aqui sobre diagramação sequencial de revistas, usando como exemplo a revista Realidade #7. A imagem mostra como as leis da simplicidade, associadas à disposição espacial, fazem com que os desenhos abaixo sejam lidos como um objeto em sucessão temporal.
O LP ao lado, design de Josef Muller-Brockmann, por exemplo. Mesmo com essa sobreposição de cores, simulando camadas transparentes (que está na moda, vejo em todo canto), as formas são compreendidas como círculos.
É claro que a maioria dos conceitos e descobertas da psicologia da forma são praticados naturalmente por todas as pessoas. Afinal, são variações de outras experiências humanas mais comuns e triviais (sem juízo de valor aqui). Mas, antes de serem a formulação de obviedades, a pesquisa, compreensão, discurso e debate contidos neste livro significam o refinamento da própria vida.
+ Mais
- Veja preços e mais sobre Arte e Percepção Visual
- Gestalt na Wikipédia(pt) e na Wikipedia(en)
Posted: February 18th, 2009 | Author: Tarcízio Silva | Filed under: Outros sites e blogs, Textos Acadêmicos | Tags: arg, Pesquisa, ufba, uff, ufrj, videogames | 2 Comments »
Quase fui pesquisador em quadrinhos. Associados a outras questões pessoais e profissionais, os olhares de desprezo a meu pôster sobre Macanudo no SEMPPG de 2007 puseram um fim nessa pretensão. Acabei deixando a paixão só para a fruição e análise “não-acadêmica”.
Assim como os quadrinhos, um objeto de pesquisa muito subestimado é o videogame. São poucos os pesquisadores que enfrentam o preconceito. Alguns deles se reuniram no Realidade Sintética.
“O Realidade Sintética é um espaço de discussão e atualização sobre o que acontece no mundo dos videogames e como isso repercute na academia, na pesquisa científica. Acima de tudo, o Realidade Sintética é um blog – com abertura para comentários e uma versatilidade maior no quesito conteúdo – composto por pesquisadores do assunto alocados por vários lugares do Brasil.”
Os colaboradores são seis: três da UFBA, além de UFRJ, UFF e Concordia. São pouco menos de 20 posts desde outubro passado, entre notícias, análises e listas bibliográficas. No último post, Emmanoel Ferreira escreve sobre a “ilusão de controle” que acontece especialmente em determinados jogos, como os “baseados em história”. Emmanoel diz que somente em jogos em rede, podem realmente ser criadas novas variáveis, com um controle mais amplo do jogo. É o caso de World of Warcraft e de Ragnarok, por exemplo. Nestes jogos, com milhares (ou até milhões) de pessoas conectadas em um único mundo, dinâmicas sociais são transportadas para aquele espaço, que vira palco até de protestos.
Também são observados os ARG – Alternate Reality Games, ou Jogos de Realidade Alternativa. Recentemente tomei conhecimento do ARG produzido para o guaraná Antarctica, que fez um senador pagar mico nacionalmente. No blog, um ARG no mundo de Lost.
Mas uma das partes mais suculentas do blog é a lista de publicações do grupo. São mais de 30 artigos. Se ainda torces o nariz para os videogames, recomendo o O que podemos aprender jogando MMORPG.
Posted: January 25th, 2009 | Author: Tarcízio Silva | Filed under: Críticas e Resenhas | Tags: arte, marshall mcluhan, Pesquisa, publicidade, semiótica, sociologia | 1 Comment »
Teoria da Cultura de Massa, com introdução, comentários e seleção de Luiz Costa Lima reúne doze dos textos mais clássicos da área das teorias que observam a cultura de massa, como sociologia, comunicação, semiótica e arte.
Com direito a capa colada com durex, a imagem ao lado é o meu exemplar escaneado: primeira edição, de 1969 pela Editôra (com circunflexo e tudo) Saga. Já são seis edições, desde então, agora na editora Paz e Terra.
O nome deste blog é levemente inspirado no título de Visão, Som e Fúria de Marshall McLuhan. O teórico canadense, autor de Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem, foi um dos pesquisadores mais “pop” dos anos 60 e 70, ao ponto de fazer participação no filme de Woody Allen chamado Annie Hall (me recuso a reproduzir a “tradução” do título em português).
McLuhan dicuste os meios de comunicação dando alguma ênfase na forma específica de cada um deles. Portanto, discute a página impressa a partir dos livros da época de Gutemberg, que “liquidou” com a cultura manuscrita e que criou uma cultura abstrata. Discute a invenção da fotografia e do jornal como uma mudança para o visual. E a televisão, por sua vez, como a retomada de uma cultura da visão e do som. A partir deste paradigama, junto a outros “avanços” tecnológicos da comunicação e dos transportes, criou o conceito de “aldeia global”.
Este texto de McLuhan foi originalmente publicado em 1954. O autor faleceu antes do advento da internet comercial. Hoje em dia suas teorias ainda são discutidas em relação aos novos meios, como computador, dispositivos móveis etc. Praticamente todos os textos deste livro ainda são “atuais” na discussão da comunicação e cultura “de massa”. Recomendo especialmente também os textos de Jean Baudrillard e Roland Barthes.
Os doze textos são:
Doutrinas sobre a Comunicação de Massas – Abraham A. Moles
Comunicação de Massa, Gosto Popular e A Organização da Ação Social – Paul F. Lazarsfeld, Robert K. Merton
O Turno da Noite – David Riesman
Visão, Som e Fúria – Marshall McLuhan
A Indústria Cultural, O Iluminismo como Mistificação de Massa – Max Horkheimer, Theodor W. Adorno
A Obra de Arte na Época de sua Reprodutibilidade Técnica – Walter Benjamin
A Arte na Sociedade Unidimensional – Herbert Marcuse
Sociologia da Vanguarda – Edoardo Sanguineti
Significação da Publicidade – Jean Baudrillard
A Semiologia: Ciência Crítica e/ou Crítica da Ciência – Julia Kristeva
A Mensagem Fotográfica – Roland Barthes
Estilo e Meio no Filme – Erwin Panofsky
- Veja preços de Teoria da Cultura de Massa
Posted: January 15th, 2009 | Author: Tarcízio Silva | Filed under: Outros sites e blogs | Tags: blog, cibercultura, jornalismo, jornalismo online, Pesquisa, web | 2 Comments »
Essa dica pode ser batida para qualquer um com um pezinho no mundo acadêmico da Comunicação. O Grupo de Pesquisa em Jornalismo Online (GJOL), faz parte do Póscom-UFBA e é uma das referências mundiais. Coordenado pelo pós-doutor Marcos Palácios o grupo – e o blog – reúne alguns dos pesquisadores de ponta de graduação, mestrado e doutorado.
Com uma média de dois posts diários, os autores do blog não se restringem à jornalismo online. Mídias sociais, mecanismos de busca, creative commons, desenvolvimento web, fotografia, infografia etc etc etc. Ontem, uma nota sobre o lançamento do livro Blogs.com, organizado por Raquel Recuero, Adriana Amaral e Sandra Montardo.
Também merece visita pela extansa lista “Pontos na Blogosfera” de links de blogs sobre cibercultura, jornalismo online, pesquisa e internet em geral. O blog existe desde junho de 2006, já representando um material enorme.
+ Mais
- Site do Póscom
- Site do GJOL
- Site do Centro Internacional de Estudos e Pesquisa em Cibercultura
- Veja preços de Manual de Laboratório de Jornalismo na Internet, de Marcos Palácios e Beatriz Ribas
- Veja preços de O Ensino do Jornalismo em Redes de Alta Velocidade, organizado por Marcos Palácios e Elias Machado
Posted: November 16th, 2008 | Author: Tarcízio Silva | Filed under: Críticas e Resenhas | Tags: artes plásticas, artes visuais, comunicação visual, design, design gráfico, fotografia, Pesquisa | 6 Comments »
Jacques Aumont, professor e pesquisador na Universidade de Partis III, lançou “A Imagem” em 1990. Este livro, da coleção Ofício de Arte e Forma da Papirus Editora, discute a questão da imagem em cinco capítulos, tratando: do “olho”; do espectador; do dispositivo; da própria imagem; e de arte.
A Parte do Olho discute questões biológicas, químicas e físicas envolvidas na visão, mas não somente no olho. Qual o caminho que os estímulos visuais percorrem até a mente, por exemplo. Movimento real, movimento aparente e a tal falácia, ainda confusa, sobre a persistência na retina.
A Parte do Espectador trata de questões psicológicas e cognitivas. Primeiro, intenções por trás da produção e visualização das imagens. Em seguida, ilusão representativa. O capítulo é fechado com aproximação com psicanálise.
O terceiro capítulo, A Parte do Dispositivo, é interessantíssimo. Começa com a dimensão espacial do dispositivo, tratando do espaço plástico x espaço do espectador, depois trata da moldura e por fim de enquadramento e ponto de vista. A parte seguinte fala da dimensão temporal, imagem no tempo x tempo na imagem e a imagem temporalizada: imagem fílmica etc. Finalizando o capítulo, compara a impressão com a projeção e questões ideológicas envolvidas no dispositivo.
A Parte da Imagem discorre sobre a imagem “propriamente dita”. Os sub-items tratam de: analogia; representação do espaço; representação do tempo; significação da imagem.
Em A Parte da Arte, três modos de se tomar a imagem. Depois de discutida a questão do realismo no capítulo anterior, a imagem abstrata. Em seguida, expressão e estilo. Por fim, antes de concluir o livro, imagem, arte e aura.
Apesar de ser um livro que pretende abarcar várias questões relacionadas à imagem em cada um dos capítulos, não é raso. E mesmo se não aprofunda o suficiente algum problema de maior interesse do leitor, todo capítulo é fechado com uma bibliografia organizada, dividida por assunto. É um livro que faz diferença para quem trabalhe com ou estude imagem, seja fotográfo, cineasta, designer ou decorador.
+ Compare preços de A Imagem
Posted: November 9th, 2008 | Author: Tarcízio Silva | Filed under: Textos Acadêmicos | Tags: época, bravo!, carta capital, jornalismo, jornalismo online, Pesquisa, piauí, revistas, teoria | No Comments »
No primeiro semestre de 2008 analisamos, no PetCom-UFBa, os sites de algumas revistas brasileiras. A pesquisa resultou em um artigo que foi apresentado no Intercom Nordeste deste ano, ocorrido no Maranhão.
resumo:”Com o aumento do acesso à Internet na última década e o surgimento de novas tecnologias de comunicação, o jornalismo precisou adaptar-se às possibilidades oferecidas pela Internet na elaboração de seus produtos. A utilização de recursos como Multimidialidade, Hipertextualidade, Atualização Contínua, Personalização, Interatividade e Memória permitem avaliar o estágio em que se encontra o jornalismo de revistas web no Brasil. Esses recursos serviram de base para a análise dos casos das versões online das revistas Bravo!, Época, Carta Capital e Piauí. Concluímos que os recursos acima citados ainda são utilizados de forma incipiente e as potencialidades da Internet não foram completamente exploradas, mantendo as versões para a web ainda pautadas no produto impresso.”
+ Baixe em .pdf
+ Leia a postagem Revistas em Mutação – Mutation Magazines
+ Visite o blog do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Online
+ Bibliografia:
_ Jornalismo de Revista [ler resenha|comprar]
_ Modelos do Jornalismo Digital [comprar]
_ As Tecnologias da Inteligência [comprar]
Posted: November 6th, 2008 | Author: Tarcízio Silva | Filed under: Outros sites e blogs | Tags: blog, Pesquisa, revista vogue | No Comments »

O jovem
About Vogue foi criado pela estudante de Produção Cultural (Facom-UFBa)
Ísis Miyaoka. A autora está em processo de criação do seu trabalho de conclusão de curso, sobre as estratégias de comunicação utilizadas pela revista Vogue e criou o blog para reunir e divulgar material relacionado à publicação.
Um diferencial que provavelmente não faz diferença pra meu leitor, mas que amplia o alcance, é o fato de ser escrito em duas línguas! Miyaoka escreve cada postagem em português e inglês com o conteúdo de cada dividido por colunas.
Na última postagem escreveu sobre o seriado Model.Live, uma websérie feita pela Vogue em parceria com uma grande empresa de varejo e a Ford Models. É um ótimo exemplo de produção de conteúdo audiovisual relacionado a e-commerce. Foi um dos cases analisados em “Tendências da Publicidade em Vídeo Online”, relatório que terá seu resumo publicado em breve no OPTDigitais.
Posted: October 25th, 2008 | Author: Tarcízio Silva | Filed under: Outros sites e blogs | Tags: blog, design editorial, Pesquisa, revistas | No Comments »
Estreou
blog há pouco tempo (portanto perdoeem a pouca customização), que se foca em comunicação visual. Entre as últimas postagens, notícia sobre o lançamento do livro “
Edição de Imagens em Jornalismo“. Além do texto de Kopp “Design para capas de revistas: padronização e flexibilização”, também serão publicados: de
Tattiana Teixeira, “O infográfico e o jornalismo informativo”; e de
Fernando Firmino da Silva “Edição de imagens em jornalismo móvel”, entre outros onze autores.
Posted: September 27th, 2008 | Author: Tarcízio Silva | Filed under: Mídias Sociais | Tags: design, filosofia, Pesquisa | No Comments »

Aproveitando a deixa da penúltima postagem, recomendo procurar pelo nome de
Vilém Flusser. O filósofo tcheco, falecido em 1991 aos 71 anos, passou 20 anos no Brasil e parte de sua produção se dedica a relação entre os objetos e os seres humanos, com especial atenção a fotografia.
Em 2007 foi lançado, pela Cosac Naify, o livro
O Mundo Codificado: por uma filosofia do design e da comunicação. Segundo a resenha da editora: “
Os textos trazem a marca da melhor produção do autor: são curtos, rápidos, claros, precisos, incisivos, mas, como afirma Rafael Cardoso, organizador da edição, ‘que ninguém se engane com a aparência amena dessa água, cuja superfície transparente esconde a profundidade vivente de um oceano!’ Essencial à formação de qualquer designer, o livro é referência obrigatória para se entender melhor a encruzilhada entre a materialidade temporal e a imaterialidade eternizada à qual nossa cultura parece estar chegando. “
No site do Grupo de Estudos em Cultura, Comunicação e Mídia, o texto “A forma das coisas. Uma Filosofia do Design” está disponível em pdf.
+ Compre o livro
Posted: December 8th, 2007 | Author: Tarcízio Silva | Filed under: Notícias e Eventos, Textos Acadêmicos | Tags: Pesquisa, seminário estudantil de pesquisa, ufba | 1 Comment »
Foto do painel que apresentei no Seminário Estudantil de Pesquisa da UFBa. Foi meu primeiro artigo sobre quadrinhos, analisando, claro, Macanudo. No trabalho eu tento aplicar conceitos sobre a construção do cômico na literatura à linguagem dos quadrinhos. Cliquem na imagem para alta resolução.
Baixe o .pdf do painel aqui.