Thickening no monitoramento e etnografia em mídias sociais

[Publiquei originalmente no blog do IBPAD – confira lá este e outros textos meus e dos demais professores]

Iniciando a série de postagens sobre capítulos do livro Handbook of Social Media Research Methods, vamos falar de um dos textos dedicados à pesquisa qualitativa que usa, deliberadamente, o termo small data em seu título. Merece ser o primeiro também para chamar atenção para os procedimentos metodológicos necessários em qualquer pesquisa e monitoramento de mídias sociais – que muitas vezes são esquecidos por ansiosos que perseguem os novos termos da onda.

Small Data, Thick Data: Thickening Strategies for Trace-based Social Media Research foi escrito por Guillaume Latzko-Toth, Claudine Bonneau e Mélaine Millette, pesquisadores da Université Laval e Université du Québec à Montréal – ambas do Canadá. O objetivo do capítulo é ir além da infrutífera cisão entre quanti-quali ou big-small data, buscando reduzir o “fôlego” dos dados (breadth) em prol de sua profundidade – ou thickening – engrossamento.

Os autores explicam que o termo se assimila a ideias de thick data do Geertz (1973) ou rich data do Becker (1970). O conceito de thickening usado no capítulo vem de Tricia Wang

“Thick data é o oposto de ‘Big Data’; é a cola pegajosa que é difícil de quantificar – emoções, estórias, visões de mundo – o que se perde no processo de normalização, padronização, definição e clustering que torna os datasets massivos analisáveis por computadores” (WANG, 2016: online)

Assim, a ideia de thick data se aproxima das ideias de etnografia online e netnografia (Hine, 2015; Kozinets, 2010). Ao definir small data, os autores enfatizam a ideia de manejabilidade (manageability): uma quantidade de pontos de dados que é pequena demais para ser representativa no sentido estatístico e pequena o suficiente para ser gerenciada por um time pequeno de analistas humanos. A rigor, trata-se da grande maioria dos casos de estudos de dados em mídias sociais em empresas e agências.

Tabela por Tricia Wang

São três camadas essenciais para o engrossamento dos dados: uma camada de informação contextual, que dá conta das affordances técnicas e convenções culturais que dão forma às práticas online; uma camada de “descrições grossas” sobre as práticas sendo estudas, os produtos sociais a partir das perspectivas dos vários atores envolvidos; e uma camada de entendimento dos significados das experiências sendo estudadas – incluindo a interpretação dos próprios envolvidos.

A partir desse entendimento, os autores propõem três tipos de estratégias de data thickening: entrevista baseada em rastros e traços nas mídias sociais; coleta manual de dados; e observação ágil de longa duração.

 

Entrevista baseada em rastros e traços nas mídias sociais – Trace Interview

Aqui a ideia é convidar os participantes/sujeitos de pesquisa a refletir sobre seus próprios dados nas mídias sociais. Usando aplicativos de análise de informação social disponíveis largamente como Twitonomy, Tweetstats, Sociograph, Digital Footprints ou outros, o entrevistado pode se confrontar com seus próprios padrões de interação ou dados resgatados para refletir e falar sobre suas práticas online.

A utilização de sociogramas simples – criados de forma mista analógica e digital é um recurso comum, como mostrou Elizabeth Dubois em seu metodologia, citada pelos autores:

Coleta Manual de Dados

Demonizar a coleta manual de dados fez com que muitos pesquisadores e analistas confiassem demais na coleta baseada em palavras-chave, deixando de lado o potencial de se estudar elementos para além do texto, por exemplo. Escolha de imagem de avatares e “capas” e a posterir análise de seus elementos, muito úteis para a construção de personas – é um exemplo de coleta manual relevante.

Mesmo em termos de publicações – tweets, postagens, comentários – , a coleta manual a partir da navegação do pesquisador, usando de conceitos de bricolagem e serendipidade, pode expandir o horizonte e quebrar com os limites consciente e inconscientemente impostos pelo escopo do analista.

 

Observação ágil de longa duração – Agile long-term online observation

Por fim, com o conceito de observação ágil de longa duração, os autores vão tratar da necessidade de seguir os sujeitos de pesquisa através de diversas comunidades e plataformas. A agilidade é essencial para transformar a observação contínua dos fenômenos e interações sociais em novos escopos de pesquisa, configuração de ferramenta e registros de dados. As menções a eventos exógenos, conteúdos e memes em outras plataformas são pistas para o pesquisador encontrar novas referências e caminhos a percorrer para o entendimento das comunidades sendo estudadas.

A seção seguinte do capítulo traz estudos de caso de cada uma das estratégias citadas acima. Para as entrevistas baseadas em traços, os pesquisadores relatam como os participantes descreveram as pessoas e relacionamentos em suas timelines – com várias informações que não seriam descobertas por um pesquisador isolado daquele contexto social. Para a segunda estratégia, os autores falam sobre pesquisa em torno do fenômeno Working Out Loud (relatos do cotidiano de trabalho através de tweets). O monitoramento de palavras-chave foi o passo inicial para, em seguida, a coleta manual permitir registrar o contexto de publicação de cada tweet, para cada usuário. Finalmente, um estudo sobre a comunidade francófila do Canadá foi objeto do terceiro relato de caso, resgatando o mapeamento realizado pelos pesquisadores através da metodologia de observação ágil de longa duração.

Os autores concluem o capítulo sublinhando três características das metodologias e casos estudados: contextualidade, temporalidade e flexibilidade. O entusiasmo com os métodos digitais de pesquisa não podem se restringir a suas capacidades de automatização, aplicação de algoritmos e procedimentos padronizados. Aquelas características da thick data só poderão ser alcançadas com olhares qualitativos de pesquisadores imersos em seus objetos de pesquisa.

 

Referências 

Becker, H. S. (1970) Sociological Work: Method and Substance. New Brunswick, NJ: Transaction Books

Dubois, E. and Ford, H. (2015) ‘Trace interviews: An actor-centered approach’, International Journal of Communication, 9(25): 2067–2091.

Geertz, C. (1973) Interpretation of Cultures: Selected essays. New York: Basic Books.

Hine, C. (2015) Ethnography for the Internet: Embedded, Embodied and Everyday. London: Bloomsbury Publishing.

Kozinets, R.V. (2010) Netnography: Doing Ethnographic Research Online. London: Sage.

Latzko-Toth, G., Bonneau, C. et Millette, M. (2017). Small data, thick data : thickening strategies in trace-based social media research. In: A. Quan-Haase et L. Sloan (dir.). The SAGE handbook of social media research methods (p. 199–214). Thousand Oaks, CA : Sage Publications.

Wang, T. (2016, January 20) ‘Why Big Data Needs Thick Data’, Ethnography Matters (Medium channel) (https://medium.com/ethnography-matters/why-big-data-needs-thick-data-b4b3e75e3d7#.y9plmare1)

Auto-Apresentação nas Mídias Sociais: aula da Rihanna sobre papéis sociais nos ambientes online

A divertida imagem abaixo, compartilhada pela página D1v4s no Facebook, merece uma postagem aqui no blog por dois motivos essenciais.

Rihanna Mídias Sociais - D1V4s

O primeiro é que essa mulher é maravilhosa, sempre merece aparecer onde quer que seja.

E o segundo motivo é que esta divisão entre comportamentos esperados nas mídias sociais tem muito a dizer sobre como devemos entender as pessoas nas diferentes plataformas. A noção de papel social é ponto-chave para situar como as pessoas interagem em diferentes ambientes, sejam eles presenciais ou online.

Grande parte da pesquisa acadêmica sobre mídias sociais, não por acaso, baseia-se em referenciais teóricos de microssociologia sobretudo em torno do conceito de auto-apresentação. Em uma das frases mais interessantes sobre mídias sociais, Sunder declarou que “profiles pages are pages where one can type oneself into being“. A “existência online” de uma pessoa geralmente começa de forma ativa quando digita campos de informação na criação de algum perfil em mídia social (lembrem que blog é mídia social, hein) e vai se transformando ao longo do tempo.

erving goffman

Erving Goffman em adequada auto-apresentação de sociólogo intelectual posando para foto.

E estas transformações e edições ao longo do tempo são baseadas em uma constante auto-avaliação do que as pessoas acreditam que as outras estão achando de seus “eus”. Mente quem diz que não importa o que os outros pensam. Mesmo o ato de querer “chocar a sociedade” (em nichos como punk, por exemplo), parte de um referencial de normalidade e de uma desejada produção de efeito. O sociológo Erving Goffman (1922-1982), que publicou como A Representação do Eu na Vida CotidianaComportamento em Lugares Públicos, procurou entender como a interação social acontece sobretudo através da criação do conceito de gerenciamento de impressões. Goffman

comparou interação social com a performance teatral ou uma “linha” de atos auto-expressivos verbais e não-verbais que são gerenciados para manter uma linha de conduta apropriada para a situação atual. Esse gerenciamento do self requer um repertório de recursos de manutenção de aparência, uma consciência das interpretações realizadas pelos outros, um desejo de manter aprovação social e uma vontade de usar esse repertório de táticas de gerenciamento de impressões  (SNYDER, 1974, p.1).

Parece familiar, não parece? Este processo de gerenciamento da apresentação de si é algo constante na experiência social humana. Apesar de usar o léxico do teatro para falar do comportamento interacional, o foco de Goffman não é a noção de interpretação como “falsidade”. Eu ajo de um modo na frente de meus pais, ajo de outro modo na frente de meus colegas, ajo de outro modo na frente de meus alunos… Não significa que eu esteja mentindo nestas situações. Significa que o comportamento (modos de falar, temáticas, gestualidade, vestuário, emoções…) é sempre situado socialmente em cada contexto.

social atom - jacob moreno

A ideia de “átomo social” e seus papéis já era cara a Jacob Moreno, um dos precursores da análise de redes sociais nos anos 1930

Imagens como a que abre este post são fruto de uma espécie de sociologia vernacular: mesmo sem conceitos ou sistematização, as variações comportamentais do público são percebidas por alguns indivíduos e o reconhecimento destes padrões, pelo público, gera a repercussão esperada. Facebook, Twitter, LinkedIn, Tumblr, Whatsapp, Instagram e Snapchat são plataformas de comunicação com milhões de usuários. O comportamento-padrão aparente em cada um deles é um substrato de suas funcionalidades, intensidade de uso, tipos e variação do público e relação com as outras mídias sociais.

Gosto muito de um conceito da José van Dijck ao falar das mídias sociais. Como estão em constante influência mútua, formam um ecossistema de mídia conectiva:

a system that nourishes and, in turn, is nourished by social and cultural norms that simultaneously evolve in our everyday world. Each microsystem is sensitive to changes in other parts of the ecosystem: if Facebook changes its interface settings, Google reacts by tweaking its artillery of platforms; if participation in Wikipedia should wane, Google’s algorithmic remedies could work wonders. It is important to map convolutions in this first formative stage of connective media’s growth because it may teach us about current and future distribution of powers.

Ou seja, comportamentos e possibilidades no Twitter influenciam o Facebook e vice-versa. Mas não somente em termos de negócio e interface, mas também as práticas performadas: para alguns públicos, por exemplo, o Twitter também é importante por não ser o Facebook.  Algumas variáveis relacionadas aos papéis sociais devem ser observadas, então, ao se pensar as mídias sociais:

Diferenças Percebidas pelo Público
Como mencionei acima, para alguns públicos existe diferenças explícitas entre as “populações” de cada plataforma. Em estudo sobre a expressão “no outro site”, por exemplo, permitiu identificar alguns padrões sobre as indiretas que os tuiteiros mandam para o Facebook.

no outro site

Mais do que piadas, representam um senso de comunidade baseado na alteridade: o que é feito no Facebook, para estes usuários, é o diferente, o inadequado, o errado. As particularidades demográficas e sociográficas de cada ambiente podem gerar variações de conteúdo e práticas que são percebidas por parte da comunidade mais atenta a estas oscilações.

Proposta Temática / Redes de Nicho
Aqui temos a variável mais óbvia ao pensarmos a análise de públicos nas mídias sociais. Afinal de contas, um site como LinkedIn é voltado tematicamente e em toda sua interface a relações profissionais. O direcionamento do modelo de cada plataforma prescreve determinados comportamentos. Mas, é claro, podem mudar ao longo do tempo, como foi observado no MySpace (como as tentativas transição para plataforma musical) ou no Orkut (abandonado por usuários anglófilos depois da invasão brasileira), muitas vezes por pressão dos usuários.

Intensidade Informacional de Apresentação e Ancoragem na “identidade de RG”
A percepção do Facebook como plataforma central para a maior parte dos internautas, atualmente, está ligada a seu sucesso de negócio e automatização de algoritmos para segmentação de público, conteúdo e anúncios. Além da circulação do conteúdo em fluxo (posts, likes, fotos etc), a intensidade informacional na criação e manutenção dos perfis é elevada. Nome, grau de instrução, escola, idade, familiares, amigos, profissão, local de trabalho, localização… o número de informações adicionáveis a um perfil é imensa. Isto sem falar das centenas e milhares preferências culturais e políticas obtidas através dos likes.

E tudo isto em uma plataforma utilizada por mais que 1,4 bilhões de pessoas. Assim, a auto-apresentação de um indivíduo no Facebook tende a dois pontos, que geralmente convergem: ser a média mais neutra dos variados papéis sociais que exerce em sua vida; e ser uma auto-apresentação condizente com a expectativa média da sociedade como um todo. E os recentes casos do Facebook exigindo que os usuários usem nomes completos só reforça este posicionamento.

twitter birthdayPor outro lado, algumas plataformas possuem sua força na simplicidade. É o caso do Twitter, no qual o perfil “estático” é composto de uma bio de 160 caracteres, um nome, um @username e localização. Recentemente, para fins de negócio, a mídia social tem sofrido para incentivar que seus usuários adicionem data de nascimento.

Multiplicidade de Papéis x Papéis Específicos
O papel social sempre pressupõe um público esperado e imaginado pelo indivíduo. A noção de público esperado, então, está diretamente ligada à amplitude de papéis desempenhados. No exemplo de um adolescente experimentando suas liberdades de afetos e opiniões, sua presença no Facebook hoje pressupõe uma possível vigilância de pais e familiares, ativos naquela rede.

Por outro lado, o Snapchat é a plataforma utilizada quase exclusivamente por jovens. É mais fácil para este público controlar, então, suas expressões para um referencial menos amplo de expectativas. Além disso, seu modelo de interação incorpora a efemeridade como valor: imagens e vídeos somem depois de curto tempo, capturas de tela são notificadas e alguns conteúdos só podem ser vistos uma única vez.

Muitas crises nas mídias sociais tratam-se da inadequação de uma mensagem ao público. Um dos famosos cases brasileiros de crise de reputação individual foi o tweet de um então diretor da Locaweb durante jogo do São Paulo, patrocinado pela empresa. Infelizmente, a experiência de torcida ainda é frequentemente arcaica, baseada em violência, homofobia e agressividade. Uma frase como a do tweet ao lado é comum em uma mesa de bar, em um círculo social pequeno. Mas, no Twitter, a declaração foi exibida para dois públicos relevantes e não esperados pelo emissor: os torcedores do São Paulo ofendidos pelo “xingamento”; e pessoas que se incomodaram com a referência homofóbica.

Faixa Etária
Uma das variáveis mais importantes é a generacional. Alguns tipos de atitudes e interesses são comuns entre adolescentes e jovens adultos, mas podem ser vistas como inadequadas em outros momentos da vida. Já toquei neste ponto nos itens acima, mas é importante lembrar que a faixa etária é também um atalho para outros atributos.

most important social network

Mídia social mais importante para os jovens estadunidenses

Por exemplo, os motivadores dos indivíduos que usam mídias sociais podem ser vários: família, afeto, sucesso profissional, estabilidade financeira, senso de realização etc. Estes motivadores variam ao longo do tempo e promovem, no atual ecossistema da mídia conectiva, diferentes  hierarquias de valor entre os papéis sociais. Em um momento da vida, o usuário pode ter como prioridade utilizar o Instagram para ser visto como sujeito de desejo afetivo-sexual. Em outro, as táticas para tal podem conflitar com a construção de uma reputação profissional, a depender de sua área de atuação.

Classe Econômica  / Profissional
A classe econômica ou profissional, especialmente por possuírem correlações entre si, influenciam a representação dos indivíduos nas mídias sociais. Algumas profissões, como jornalistas e publicitários, requerem um conhecimento da comunicação que tanto promovem um maior uso de modo geral de algumas plataformas quanto podem criar consciência crítica para evitar certos comportamentos.

Alguns temas podem ser evitados em algumas posições hierárquicas. Profissionais de venda, diretores de empresa e afins, no Brasil atual, podem evitar das suas opiniões sobre política por acreditarem que o acirramento das emoções podem prejudicá-los financeiramente, por exemplo. Advogados podem ter uma maior noção de direitos e deveres do consumidor ao publicar no ReclameAqui. Todas estas são variáveis que devem ser levadas em conta pelo pesquisador ao analisar diferentes públicos.

Conteúdo em Páginas ou Intersticial / Rastreabilidade / Facilidade de Compartilhamento
O Whatsapp, citado comumente naquelas imagens como uma “mídia social”, é, a rigor,um mensageiro instantâneo mais próximo conceitualmente do MSN Messenger do que do Facebook ou Twitter. Não existe uma página intersticial entre as conversas dos usuários que possa ser visitada por terceiros. A interação social acontece entre os usuários em díades ou grupos de conversas.

Isto está diretamente relacionado a rastreabilidade das informações trocadas. O público esperado em um grupo de Whatsapp é mais controlável do que em um grande grupo público de Facebook, estando quase apenas sujeito à contratos de confiança estabelecidos entre os usuários interagentes.

Capacidade de Gerenciar o Público / Papel Social
A possibilidade de separar cada círculo social foi uma das bases do Google+ que, infelizmente, nunca deslanchou. A ideia de criar círculos na plataforma tem força visual e metafórica. Os círculos sociais seriam gerenciados para permitir o manejo de muitos papéis sociais em um mesmo ambiente.

circles google plus

O Facebook desenvolveu esta capacidade através das listas. Por padrão, há listas em graus de abertura: Público, Amigos, Conhecidos Restritos etc. O usuário mais dedicado pode gerar listas customizadas para direcionar as mensagens de forma bem granular. Porém, requer um esforço cognitivo e de tempo que na maioria das vezes, “não vale a pena”. É mais fácil

Todos estes fatores listados acima são relevantes para uma boa interpretação de dados qualitativos e análise de conteúdo nas mídias sociais. Devem ser aplicados na formulação de perguntas úteis para estes estudos e para construção de personas. Plataformas, mídias, interfaces, públicos, comportamentos, eventos e tendências estão em constante e complexa relação nos dados sociais digitais. Olhar para os indivíduos com a consciência da importância dos papéis sociais é ponto básico para um pesquisador.

Entrevista com Anna Paula Muniz

anna paula munizO Social Analytics Summit está chegando! Apenas mais alguns dias para o workshop e o evento. Hoje continuamos a série de entrevistas, desta vez com a Anna Paula Muniz, Gestora de Projetos na Ideafix. Anna é formada em Relações Públicas,especialista em Pesquisa de Mercado e dividirá uma seção do #SAS2014 com Andrea Hiranaka e Priscila Marcenes.

Qual o seu caminho percorrido para trabalhar com pesquisa em mídias sociais?
Sou formada em Comunicação Social, com habilitação em Relações Públicas. No meio de um estágio como assistente de pesquisa acadêmica com a Prof. Margarida Kunsch na ECA-USP, comecei a me interessar pelo tema reputação empresarial e imagem corporativa e pelos métodos de pesquisa de mercado para obtenção dos dados que geravam os relatório sobre o tema. Isso foi em 2010. Nessa época, já se popularizavam os vídeos virais de consumidores revoltados com marcas nas redes sociais, como o caso do consumidor que destrói a máquina de lavar. Iniciei uma Pós-Graduação em Pesquisa de Mercado aplicada à Comunicação, também na ECA-USP e, buscando uma oportunidade de trabalho em pesquisa de imagem de marcas, acabei conseguindo uma vaga na então nova área de Buzz Intelligence da Direct Performance – hoje dp6. A proposta de trabalho me interessou muito, pois se tratava de estudar a imagem e reputação das marcas nas redes sociais, mas não sabia como “trabalhar” com mídias sociais e, nesse sentido a dp6 foi minha grande escola marketing digital e mídias sociais, e onde começou meu interesse em agregar meus conhecimentos de comunicação corporativa e pesquisa de mercado em comunicação às mídias sociais.

Em quê a pesquisa em mídias sociais se diferencia de outros tipos e modalidades de pesquisa?
Eu poderia citar uma série de fatores, como (I) a questão da relevância estatística dos resultados obtidos com a pesquisa de mídias sociais, (II) na pesquisa de mídias sociais não temos entrevistados ou respondentes, mas sim usuários. A unidade de coleta que, em modalidades de pesquisa tradicionais foca no respondente e na pesquisa de mídias sociais foca na unidade de informação (o depoimento), (III) a perfilização respondente/usuário na pesquisa tradicional geralmente se dá por sexo, idade, escolaridade e classe social, enquanto na pesquisa de mídias sociais essa informação é difícil de se obter e até mesmo irrelevante dependendo do tema da pesquisa. (IV) No que diz respeito à ética da pesquisa: nas pesquisas tradicionais, sempre se pede a autorização para coletar a opinião do entrevistado e se garante o seu sigilo de identidade. Já nas pesquisas em mídias sociais a privacidade do usuário e o acesso à suas informações ainda é uma questão polêmica, já que muitos usuários de mídias sociais não tem conhecimento de que suas informações postadas são utilizadas em pesquisas. (V) Um último tópico que eu gostaria de falar: a facilidade de acesso a um grande volume de dados costumava ser um grande diferencial da pesquisa em mídias sociais. Hoje algumas redes dificultam o acesso às informações. Ainda sim, o volume de dados nas MS é grande e o acesso a eles é relativamente fácil. Dependendo do tema, é mais fácil de se coletar nas mídias sociais do que pelos métodos tradicionais de pesquisa.

Você pode nos compartilhar um case em que a pesquisa qualitativa foi crucial para o desenvolvimento de alguma estratégia do cliente ou que a descoberta com a pesquisa tenha gerado informações particularmente úteis/aplicáveis?
Consigo me lembrar de alguns casos em que a pesquisa qualitativa foi fundamental para responder à pergunta do cliente, além de também realizarmos a pesquisa quantitativa com a finalidade de mensurar os resultados. Isso porque a “quali” tem o mérito de ir à fundo no sujeito para explorar as principais questões em torno de um tema e trazer os principais tópicos para se abordar em uma pesquisa quantitativa. Pode também trazer os porquês de alguns resultados quantitativos e entregar os “insights” que as áreas de marketing tanto desejam. Houve um caso em que uma empresa de software queria ouvir a opinião de seus clientes sobre a área de vendas e entender o motivo pelo qual os prospects não estavam fechando negócio. Somente a pesquisa qualitativa, realizada por meio de entrevistas em profundidade, revelou a necessidade dos prospects e clientes e quais os problemas que faziam com que não fechassem negócio. Os resultados permitiram à empresa repensar o seu portifólio de produto e reposicionar-se no junto ao seu público, para alinhar sua comunicação e seu produto às expectativas dos clientes.

Qual a sua expectativa com relação ao Social Analytics Summit 2014? Pra deixar o pessoal do SAS mais curioso, pode falar um pouco sobre o que você vai apresentar no evento?
Acredito que o evento terá como público profissionais de alto nível e sedento por conhecimento. Tenho a certeza de que teremos discussões estimulantes e, de minha parte, quero contribuir trazendo com um pouco dos meus aprendizados resultantes do trabalho com a pesquisa de comunicação, mercado e mídias sociais, experimentando e mixando técnicas de pesquisa.

Não deixe de acompanhar as entrevistas também no blog da Priscila Marcenes e saiba mais sobre o evento (incluindo código de desconto) também aqui no blog.

Entrevista com Andrea Hiranaka

Hoje trago para vocês uma entrevista com a Andrea Hiranaka, Gerente na Ipsos SMX (Social Media Exchange). Com grande experiência em pesquisa nas mídias sociais, Hiranaka participará de uma mesa sobre o tema no Social Analytics Summit 

andrea hiranakaQual o seu caminho percorrido para trabalhar com pesquisa em mídias sociais?
Apesar de formada em Relações Públicas, comecei a carreira e sempre trabalhei com pesquisa de mercado. Por curiosidade e interesse em inovação e tecnologia, conheci uma empresa especializada em monitoramento de mídias sociais, a E.Life, e vi a oportunidade de unir as duas coisas. A oportunidade rolou e entrei na empresa em 2008 como analista. Desde então passei por algumas vagas sempre transitando entre pesquisa tradicional, pesquisa online e monitoramento. Hoje sou gerente da área SMX (Social Media Exchange) da Ipsos.

Em quê a pesquisa em mídias sociais se diferencia, para o bem e para o mal, de outros tipos e modalidades de pesquisa?
A pesquisa em mídias sociais é um complemento fantástico para a pesquisa tradicional. Ela traz a oportunidade de estudar as opiniões espontâneas dos consumidores, a entender o relacionamento do consumidor com a marca no momento do ponto de contato e complementar os dados numéricos com falas reais. Além disso, por ser um tipo de pesquisa prática e rápida, ela traz velocidade à construção de conhecimento.
Contudo, a falta de dados de perfil dos pesquisados (seja demográficos ou atitudinais) e a impossibilidade de explorar mais profundamente alguns pontos faz com que seja preciso algum outro tipo de abordagem de pesquisa para conseguir trazer uma resposta completa às questões das empresas.

Você pode nos compartilhar um case em que a pesquisa qualitativa foi crucial para o desenvolvimento de alguma estratégia do cliente ou que a descoberta com a pesquisa tenha gerado informações particularmente úteis/aplicáveis?
Infelizmente não vou poder abrir um case com resultados por conta de confidencialidade, mas vou trazer alguns exemplos de aplicações com objetivos de negócio. Na Ipsos, nossa metodologia se chama Social Business Intelligence, ou seja, desde a sua concepção tem como objetivo entregar informações acionáveis para as empresas.

Qual a sua expectativa com relação ao Social Analytics Summit 2014? Pra deixar o pessoal do SAS mais curioso, pode falar um pouco sobre o que você vai apresentar no evento?
No Social Analytics Summit 2014 vou falar sobre como uma das maiores empresas de pesquisa de mercado do mundo, a ipsos, está trabalhando com o monitoramento e como estamos usando a bagagem de experiência e know-how da pesquisa tradicional para elevar o Social Listening para outro patamar. Estou com boas expectativas do evento. Espero que a gente consiga fazer um bom debate, que a gente traga novas discussões para o mercado. Espero que gostem!

 

Em breve mais entrevistas com os palestrantes do #SAS2014, aqui e no blog da Priscila Marcenes.