Excelente o webcast abaixo, com representantes da Recorded Future e com o Marshall Sponder. Eles apresentam e discutem as possibilidades de analytics preditiva como a da RF, comparando com outros tipos de ferramentas.
Apresento mais um artigo sobre monitoramento de mídias sociais. Escrito por Lawrence Ampofo, PHD pela Universidade de Londres e diretor da Semantica Research, o artigo “The Social life of real-time social media monitoring” foi lançado ano passado e publicado na revista Participations – Journal of Audience & Reception Studies.
Real-time social media, social media that publish information as soon as it is available, has become a mainstay in contemporary society with the widespread adoption of status updates, tweets and blogging. In response to this growth of data, specific methodologies and software tools have been developed that aggregate and analyse the saliency of such content. However, despite the wealth of resources available, researchers face significant challenges in accurately and ethically conducting such an endeavour. This essay takes as its starting point the conception that real-time social media are artefacts of social and cultural interactions online. The analysis of such real-time information is therefore problematic as ethical and methodological issues suitable for such research are currently not well developed. Two case studies from BBC Mundo’s Your Say discussion boards contextualise the complexity inherent in the above issues within the framework of the BBC World Service’s mission to foster a global conversation. The analysis of discussions hosted by BBC Mundo highlights the intricate nature of correctly analysing such content and underscores the need for new methodological processes, in addition to heightened analytical sensitivity, in interpreting the results of real-time social media analyses.
Em janeiro, a Faculdade iDEZ, em João Pessoa, organizará o iDEZ Summer Training: um mês cheio de cursos em marketing digital, arte, design, TI, conteúdo, jogos e programação. São mais de 30 cursos de duração variada.
Nos dias 27 e 28 de janeiro apresentarei o curso “Métricas e Mensuração de Mídias Sociais“. O curso é voltado a estudantes e profissionais de publicidade, relações públicas, jornalismo, comunicação, administração e marketing que desejem se aprofundar no uso de ferramentas de monitoramento e mensuração de mídias sociais.
Ementa: O que é a mensuração da comunicação; Mensuração da Comunicação em diversas mídias; Dados, Informação e Conhecimento na Web; Níveis Estatísticos da Mensuração; Possibilidades e Objetivos da Mensuração; Abordagens da Mensuração Online; Sistematizações da Mensuração Online; Particularidades das Mídias Sociais: analisando os dados; O Monitoramento de Marcas e Conversações; Tipos de Ferramentas; Escolhendo as Ferramentas ideiais; Ferramentas Plenas de Monitoramento; Arquivamento das Informações; Web Analytics; Mecanismos de Busca Geral e Segmentada; Classificação e Análise de Perfis; Planejamento da Mensuração; Desenvolvendo Relatórios; Exemplos e Casos.
Além deste curso, destaco: Posicionamento de Marcas no Facebook, com Priscila Muniz; Introdução às Mídias Sociais, com Fábio Albuquerque; Marketing Político Digital, com Gabriel Rossi; e Google Analytics, com Caio Tozzini. Para saber mais informações sobre todos os cursos, visite http://www.faculdadeidez.com.br/summer/
Cito frequentemente os Internet Advertising Bureaus como uma fonte indispensável para aprendizado e discussão sobre publicidade digital e mídias sociais. Estas organizações são responsáveis por promover a publicidade digital em seus países e a maioria delas utiliza a produção de conteúdo como estratégia.
O IAB do Reino Unido mantem um site sobre mídias sociais (http://iabuksocial.co.uk/) e publicou um interessante documento sobre mensuração chamado “A New Framework for Measuring Social Media Activity”. Este framework de mensuração é baseado na sigla IAB – I de intention, A de awareness, appreciation, action e advocacy, B de benchmark.
Por Intention (intenção), se compreende a primeira fase do processo de mensuração: estabelecer intenções e objetivos para poder se definir quais indicadores chave de performance são pertinentes.
O A da sigla abarca awareness (consciência), appreciation (apreciação), action (ação) e advocacy (advocacia). Awareness se refere a consciência e visibilidade das plataformas de mídias sociais na comunicação. Appreciation engloba o engajamento e interação. Action são as ações de fato, como respostas e compras. Advocacy é o boca a boca e advocacia. É possível medir, dar pesos a estes âmbitos e, em seguida, também definir métricas financeiras. Por exemplo: CPI, CPE, CPL e CPR: custo por impressão, engajamento, lead e referência. A apresentação abaixo lista todas estas etapas e exibe planilhas de métricas e indicadores destes quatro âmbitos de acordo com cada tipo de mídia e tática.
Por fim, o B se refere ao benchmark: é a etapa do trabalho na qual os resultados são comparados à média da indústria. É essencial para avaliar se os resultados estão realmente bons ou ruins.
Continuando uma série de dicas de livros que iniciei em 2010 (parte 1, parte 2, parte 3 e parte 4) e continuei em 2011 (parte 1, parte 2, parte 3 e parte 4), vou indicar 12 livros que podem interessar e ajudar o profissional de mídias sociais em 2012. A ideia é sugerir um livro para cada mês do ano. Veja a parte 1 com dicas de livros sobre mensuração e, hoje, vamos falar de livros sobre eleições e política. Depois das experiências dos últimos anos, as eleições de 2012 prometem movimentar o mercado e o profissional de mídias sociais deve estar preparado.
O livro Mídias Sociais e Eleições 2010, co-organizado por mim, reúne 23 artigos de profissionais e pesquisadores convidados e selecionados. Estão presentes, entre os articulistas, nomes como Gil Castillo, Murillo de Aragão, Leando Mazzini, Carlos Manhanelli e Martha Gabriel. A proposta do livro foi observar o uso das mídias sociais nas eleições brasileiras de 2010, para registrar e debater este momento de forma crítica, visando servir de recurso para o futuro. Entre os artigos, há trabalhos sobre a influência da campanha de Obama, sobre o monitoramento de mídias sociais, discussões nas comunidades do Orkut, cobertura jornalística, planejamento da campanha, militância e conteúdo.
Também focado na realidade brasileira, o livro Internet e Participação Política no Brasil, com organização de Rousiley Maia, Wilson Gomes e Jamil Marques, traz 9 capítulos escritos por doutorandos e professores doutores da UFBA, UFMG e UFC. Ao longo de suas páginas, trata de participação, propaganda política, deliberação online e sites e portais governamentais.
Entre os capítulos, estão “Internet, Eleições e Participação: Questões-chave acerca da participação e do ativismo nos estudos em campanhas online”, de Camilo Aggio, “Exigências democráticas e dimensões analíticas para a interface digital do Estado” e “Internet e esfera civil: Limites e alcances da participação política”, de Rousiley Maia.
Editado por Costas Panagopoulos, Politicking Online – The Transformation of Election Campaign Communications foi lançado em 2009 e reúne 16 capítulos em quatro partes: Web Sites de Candidatos; Tecnologia e Mobilização de Eleitores; Perspectivas Internacionais; e Blogs e Sites de Redes Sociais. São estudos de caso e discussões referentes a diversos países e abarcando temas como uso de mensagens SMS, impacto de email marketing, blogs de campanha e o uso de sites de redes sociais como canais alternativos.
No último sábado, 22 de outubro, tive o prazer de participar de um debate sobre métricas para mídias sociais no InterCon 2011. O papo aconteceu na arena Social Media Meeting, que teve curadoria do Edney Souza. Além de mim, participaram do debate Estevão Soares, Gustavo Arjones e Pedro Waengertner.
Nos últimos dias 13 e 14, aconteceu na Facom o Simpósio de Pesquisa em Tecnologias Digitais e Sociabilidade, evento organizado por nós do Grupo de Pesquisa em Interações, Tecnologias Digitais e Sociedade. O retorno do trabalho de organização do simpósio, que vem sendo produzido desde março, foi gratificante. O evento foi bastante interessante, produtivo e reuniu cerca de 200 pessoas para discutir mídias sociais.
As conferências de Massimo di Felice, Simone de Sá, Fernanda Bruno e dos professores do GITS José Carlos Ribeiro, Malu Fontes e Fabrício de Souza lotaram o auditório.
Particularmente, destaco a conferência do professor José Carlos Ribeiro (que também é meu orientador) e a de Fernanda Bruno, por terem sido de temas relacionados a meu objeto de pesquisa. O professor Ribeiro apresentou pesquisa em andamento sobre o uso de aplicativos sociais em gerenciamento de impressões e constituição do self, incluindo uma proposta de diagrama que propomos para entender este fenômeno – que será publicada em breve em livro internacional. Falou de uma ótica interacional microsociológica, mostrando como os sites de redes sociais permitem a publicação, edição e busca constante por informações sociais. Fernanda Bruno, por sua vez, apresentou questões relacionadas aos rastros pessoais como fonte para processamentos macro em modalidades policiais e políticas de rastreamento. São interesses de pesquisa que, na minha opinião, representam avanços necessários na compreensão da comunicação digital, pois a publicação, edição e processamento dos dados digitais tem importância crucial e central.
Além de participar da organização do evento, tive o prazer de coordenar um grupo de trabalho e apresentar um mini-curso. Junto com Maria Alessandra Calheira, coordenei o grupo de trabalho Mídias Sociais: Consumo e Estratégias de Mercado. Os sete artigos apresentados trataram de temas como estratégias e comunicação no Facebook, compras coletivas, comunicação locativa pervasiva e circulação musical. No mini-curso Consumo e Métricas para Mídias Sociais, realizado com o Marcel Ayres, apresentei uma introdução sobre inteligência de marketing:
Ainda merece destaque o fato de que a hashtag do evento, #simsocial2011 foi para os trending topics do Brasil. Devido a uma curiosa semelhança com o nome do jogo The Sims Social, as apropriações do hashtag nesse momento foram muito hilárias. Em breve, algumas considerações sobre isto. Para saber mais sobre o evento e acessar os trabalhos, não deixe de visitar o site http://gitsufba.net/simposio/
Uma ótima análise publicada na Technology Review, e indicada pela Econsultancy, fala de um estudo que ligou as ofertas de compras coletivas à diminuição da reputação das empresas vendedoras.
Influência Oculta do Groupon na Reputação
Um dos maiores fenômenos da internet nos últimos anos foi o surgimento de sites de compras coletivas como Groupon ou Living Social. Esses sites oferecem descontos, geralmetne entre 40 e 50%, para produtos e serviços diponíveis em cidades específicas no mundo.
Essas ofertas são caras para os vendedores: Groupon leva cerca de metade da receita que os vouchers geram. Os vendedores podem levar um prejuízo durante a oferta, mas o potencial benefício é o crescimento a longo prazo graças a mais transações por parte dos consumidores.
Muitos vendedores foram persuadidos – as vendas nos sites de compras coletivas devem alcançar 1 bilhão de dólares neste ano. Então é importante entender como esse modelo de negócio funciona.
Hoje, John Byers e Georgia Zervas, da Universidade de Boston, e Michael Mitzenmacher, da Universidade de Harvard, oferecem um interessante insight nos mecanismos das compras coletivas.
Estes pesquisadores estudaram cerca de 16 mil ofertas no Groupon em 20 cidades americanas entre janeiro e julho deste ano. Eles monitoraram cada oferta a cada dez minutos para determinar o quanto as vendas variaram ao longo do tempo e também contaram o número de likes no Facebook que cada oferta gerou.
Ao mesmo tempo, eles coletaram reviews no Yelp – cerca de 56 mil de 2.322 empresas que lançaram 2.496 ofertas – examinando como as reputações dos vendedores mudaram antes e depois de uma oferta no Groupon.
Utilizam estes dados para entender o negócio das compras coletivas. Por exemplo, realizaram uma estimativa bastante precisa da receita semanal do Groupon por cidade, e checaram com os dados financeiros da empresa.
Também examinaram como a popularidade de uma oferta se dissemina através de likes no Facebook e construíram um modelo de cascata para mostrar o que acontece. O modelo sugere que o boca a boca no Facebook exerce um importante efeito nas vendas.
Mas a descoberta mais controversa é que uma oferta no Groupon tem um efeito adverso na reputação medida através das avaliações no Yelp. A análise mostra como o número de reviews cresce significantemente por causa das ofertas, mas as avaliações de quem menciona as ofertas é 10% menor que as gerais.
Examinaram o efeito em mais detalhe ao destacar reviews que mencionam as palavras “Groupon” e “cupom”. Segundo os pesquisadores, “Reviews mencionando cada palavra foram associadas com as avaliações (estrelas), que foram 10% menores que as reviews que não mencionaram, enquanto a pequena fração de reviews mencionando ambas as palavras-chave foram 20% menos favoráveis em média”.
Isto é preocupante tanto para o Groupon quanto para os vendedores. De um lado, os dados mostram evidência do aumetno do interesse que um vendedor ganha por causa de uma oferta. Por outro, as notas baixas dão um alerta. ”Isto pode indicar que uma audiência maior está sendo alcançada ou que a ligação entre o vendedor e estes novos consumidores é mais tênue do que com os consumidores prévios”, dizem Byers, Zervas e Mitzenmacher.
O teste real, evidentemente, é a receita a longo prazo que as ofertas podem gerar para os vendedores e estes estudo não possui dados que abordem isto. Então, no final das contas, apenas os vendedores podem saber o quanto essas ofertas são efetivas.
O que é claro é o poder das análises que unem dados de venda com os efeitos nas mídias sociais. Se Byers, Zervas e Mitzenmacher puderem construir um mecanismo de análise que colete e cruze esse tipo de dados, eles podem começar um novo fenômeno na internet.
A web como fonte de opiniões expressas espontaneamente é, hoje, já um lugar-comum. Durante os últimos quinze anos configurou-se uma convergência de diversos fatores sociais, políticos, tecnológicos e econômicos que possui como subprodutos novas práticas da pesquisa de marketing.
Uma delas é o que chamamos de Monitoramento de Marcas e Conversações, comumente chamado também de Monitoramento de Mídias Sociais, Buzz Monitoring e outros termos. Retomando uma definição utilizada em outro artigo, o Monitoramento de Marcas e Conversações pode ser definido como “a coleta, armazenamento, classificação, categorização, adição de informações e análise de menções online públicas a determinado(s) termo(s) previamente definido(s) e seus emissores, com os objetivos de: (a) identificar e analisar reações, sentimentos e desejos relativos a produtos, entidades e campanhas; (b) conhecer melhor os públicos pertinentes; e (c) realizar ações reativas e pró-ativas para alcançar os objetivos da organização ou pessoa de forma ética e sustentável.”[1]
Através deste ebook, pode-se entender como as pessoas utilizaram as mídias sociais em maior ou menor grau para expor suas opiniões, realizar protestos e tentar influenciar umas às outras. O monitoramento de marcas e conversações é o processo pelo qual o comunicador pode diagnosticas diversos fatores para planejar suas ações, identificar oportunidades e prever ameaças. No caso do monitoramento voltado ao processo das eleições, algumas particularidades podem ser apontadas. Em outro artigo também disponível online[2], já apresentamos algumas reflexões sobre o monitoramento voltado às eleições. O que se observou na última eleição foram iniciativas múltiplas de utilização destes softwares e técnicas, por parte de políticos, equipes de comunicação e agências de políticos, jornalistas, militantes e eleitores comuns.
O objetivo deste presente artigo é fornecer, associado aos dois artigos supracitados, uma base para o profissional de comunicação política entender as possibilidades do monitoramento de marcas e conversações para seu setor.
Monitorando políticos
Uma primeira particularidade de se monitorar políticos é que são pessoas. Os termos-chave, assim como no caso de celebridades da música e cinema, por exemplo, são nomes comuns. Dois entraves se apresentam de imediato: um entrave econômico e outro operacional. O primeiro entrave econômico é que, ao utilizar um software de monitoramento pleno, os custos estão baseados na quantidade de buscas e/ou menções. Se uma busca a um hipotético político chamado “João Silva” resultar em milhares de menções que não se referem ao político em questão.
O segundo entrave, mais grave, é o entrave operacional. A depender do software utilizado e das especificações possíveis na busca, boa parte do tempo dos analistas pode acabar por ser perdido apenas limpando as menções indesejadas.
Aqui estamos falando de pessoas geralmente. Valores e temas relativos a afetos e opiniões levarão em conta realmente a “personalidade” da marca que, neste caso, não é apenas uma metáfora para o relacionamento multidirecional online. Boa parte dos cidadãos vêem e pensam os políticos a partir do que pressupõem que são suas intenções.
Com um sistema político ainda extremamente individualizador, o monitoramento de menções a partidos brasileiros é muito interessante, porque mostra o substrato da heterogeneidade que compõe os partidos.
Outra vez é preciso lembrar que os usuários de internet, e principalmente os produtores de conteúdo online, representam apenas uma parcela ínfima de população nacional. Não se deve ainda pressupor representatividade dos dados coletados online em relação à população total de eleitores do país ou de uma região.
Ainda assim, o monitoramento de marcas e conversações é um tipo de pesquisa de marketing altamente valoroso, especialmente pras iniciativas de comunicação digital.
Principais Aplicações
1. Proximidade a Termos-Chave. A absurda popularidade do presidente Lula trouxe algumas particularidades nestas eleições, especialmente nos estados em que a base de apoio à Dilma estava dividida. Alguns adversários em certos embates estaduais concordavam em um ponto: apoiar Lula e, mais que isso, mostrar que apoiavam Lula. Em muitos casos foi uma briga pra mostrar quem era mais amigo do presidente. Mesmo políticos como Serra, em certo momento, decidiram mostrar que não eram “adversários” do atual presidente, mas sim políticos que continuariam esta boa gestão.
Informação e desinformação, baseada em declarações reais ou falsas, atuais ou passadas, foram utilizadas por diversos candidatos para mostrar que apoiavam Lula e que os adversários nem tanto. Um dos recursos do monitoramento que serviu para analisar isto, por exemplo, foi o que permitiu analisar proximidade das marcas em questão (políticos e seus adversários) à toda poderosa marca “Lula” e, em alguns casos, “Dilma”. A mídia espontânea, assim como a mídia jornalística online pode, então, ser analisada em termos de percepções dessa proximidade.
2. Análise de Sentimento. De longe, o tipo de análise de monitoramento mais utilizado foi a de análise de sentimento. Este recurso consiste em contar o número absoluto de menções positivas, negativas, neutras e mistas às palavras-chaves: nomes dos candidatos, partidos e adversários.
Durante os meses imediatamente anteriores às eleições e durante estas, diversas iniciativas surgiram de programas de monitoramento e análise de sentimento que prometiam realizar análise automática de conteúdo. Quase sempre tweets. A maioria dessas iniciativas pecava em três fatores básicos: 1) focava a coleta apenas em uma única mídia social; 2) fazia análise automática de sentimento, que é imprecisa; 3) davam ênfase total a este aspecto, subestimando o valor de análises mais aprofundadas.
Porém, a análise longitudinal da variação do sentimento permite associar eventos online (publicações, conteúdo) e semi-exógenos (declarações na televisão, debates, cobertura jornalística, comícios) à expressão dos eleitores conectados. O que faz com que os ânimos se animem na web?
3. Temas Comuns e Influentes. As opiniões expressas no ambiente online são mais espontâneas do que as opiniões ofertadas a um pesquisador de prancheta. E os interesses de parcelas da população podem ser identificados através de web analytics, tendências de buscas, produção de conteúdo. As formas de apropriação desse conteúdo, ainda, podem ser percebidas através de comentários e recomendações.
Dentro das opções de posicionamento de um político, para quais ele está mais preparado? E para quais pode melhor se preparar? Alguma temática nociva está associada ao político? É possível analisar tudo isto no ambiente web através de declarações espontâneas. Este pode ser inclusive um dos principais indicadores de performance da comunicação online.
4. Relacionamento com o Eleitor. Um dos principais recursos do Monitoramento de Marcas e Conversações é o fator imediato do monitoramento em si. Menções a candidatos, quer citando as URLs e @’s dos perfis ou não, são coletadas em tempo real. Uma equipe rápida de comunicação, que esteja preparada o suficiente, pode responder a críticas, esclarecer mal-entendidos, desmentir boatos e agradecer o apoio de cidadãos assim que estes expressam suas opiniões.
Evidentemente, é preciso definir linhas de ação e respostas integradas. Algumas plataformas de monitoramento possuem recursos de CRM e a tendência é que todas as grandes do mercado incorporem estes recursos.
5. Planejamento da Comunicação. O Monitoramento de Marcas e Conversações não deve ser utilizado para coletas menções apenas ao nome dos candidatos e concorrentes. Ao coletar menções a assuntos que estão positivamente ou negativamente associados aos políticos e/ou com potencial de disseminação positiva ou negativa, os comunicadores podem identificar os melhores modos de se abordar determinados assuntos e mesmo perceber se estes devem ser abordados.
Por exemplo, a coleta de menções a termo-chave do posicionamento de algum político serve para a definição e otimização da linha editorial e até discursos na comunicação do candidato. Por exemplo, monitorar o que as pessoas falam sobre “pedofilia” permite à equipe de candidato engajado na luta contra este problema: identifique quais notícias sobre o tema ganharam mais repercussão nos últimos meses; prepare conteúdo atualizando o candidato sobre eventuais debates e anseios populares em torno do problema; evite temáticas consideradas sensíveis demais pela moral média; etc.
6. Previsão de Resultados. Talvez a aplicação mais polêmica do monitoramento de conversações. Algumas iniciativas[3] de monitoramento de dados na web tem avaliado a previsibilidade de ações (como votos) a partir da análise do que as pessoas falam sobre determinados temas.
A identificação de padrões em todas atividades humanas tem chamado a atenção também de pesquisadores consagrados das redes sociais, como Albert László-Barabási[4]. A cobertura de diversas iniciativas públicas de monitoramento como o Observatório da Web[5] e o experimento da JWT[6] tentaram observar correlações entre o volume de citações e as intenções de voto.
Ainda muito longe de serem precisas (e talvez nunca o serão), a previsão de ações através da coleta de dados relativos a comportamentos é uma tendência e promete movimentar o mercado da comunicação política em 2012, para o bem e para o mal.
Recepção do Mercado
Outra vez é preciso chamar atenção para a necessidade de se buscar um mercado ético e sustentável. Diversos projetos nas últimas eleições foram lançados para atingir os partidos, políticos e equipes em polvorosa com as eleições, buscando resultados, mas sem tempo de avaliar corretamente as ofertas de serviços.
Cada empresa, agência, profissional, consultor ou analista deve agir de forma responsável para em busca de um mercado que seja justo e seguro para todos os envolvidos, do político ao publicitário e o eleitor como prioridade. Apenas assim o cliente médio do setor político que, com o passar dos anos, estará cada vez mais digital, vai realizar seu trabalho eleitoral e, principalmente o político, pensando, entendendo e aproveitando as possibilidades da inteligência coletiva.
[1] SILVA, Tarcízio. Monitoramento de Marcas e Conversações: alguns pontos para discussão. In: DOURADO, Danila; SILVA, Tarcízio; CERQUEIRA, Renata; AYRES, Marcel (orgs.). #MidiasSociais: Perspectivas, Tendências e Reflexões. E-book. Disponível em: http://www.issuu.com/papercliq/docs/ebookmidiassociais
[2] SILVA, Tarcízio; SANTOS, Nina. Monitoramento Online e Vigilância nas Eleições 2010. In: IV Simpósio da Associação Brasileira dos Pesquisadores em Cibercultura, 2010, Rio de Janeiro. Anais do IV Simpósio da Associação Brasileira dos Pesquisadores em Cibercultura, 2010.
Quem assina o blog pôde acompanhar em julho uma série de entrevistas sobre Influência nas Mídias Sociais. Para fazer a recompilação em uma única postagem, seguem as dez definições e links para as entrevistas completas:
Leandro Reinaux Almeida Influência é o poder de convencimento/propagação de informação dentre um determinado grupo de pessoas. A importância de medir a influência é ter um feedback da participação em uma rede social, se a sua influência é baixa, provavelmente você participa pouco ou seu conteúdo não está adequado para o seu público. Além disso, influência pode ser importante para determinar o sucesso de uma campanha/participação de uma marca nas redes sociais ou as vezes para encontrar canais de distribuição de informação.
Eduardo Prange Enxergo influência como algo que deve ser medido com muita cautela. Antes de se pensar na influência, acredito que precisamos saber informações estratégicas de onde as empresas estão inseridas. Mapear os perfis do seu público de interesse, concorrentes, mercado e uma definição clara dos objetivos estratégicos da empresa (onde se quer chegar) para que aí sim identifique-se o que precisa ser medido. No meu ponto de vista a influência passa a ser relevante a partir deste momento. Mapear quem são os principais defensores e agressores de sua empresa passa a ser algo estratégico no momento em que você tem clareza doque fazer com estas informações e efetivar ações para o aperfeiçoamento constante.
Patrícia Moura Se a recomendação é a essência do marketing digital, a influência é o fator chave para mensurarmos esta essência. Podemos tomar como influência a autoridade que um usuário tem para falar sobre um produto ou serviço e, dessa forma, a capacidade de persuadir a sua rede de contatos a aderir ou não a estes produtos e serviços. Aí está o seu poder e relevância.
Paulo Milreu Acho impossível definir a influência nas mídias sociais. Acho que podemos apenas estimá-la, nos baseando em alguns métodos e indicadores dessa influência, e a partir daí construindo uma “história” de resultados que comprovem essa dita influência. Um exemplo seria adotar o Klout, olhando seus 4 indicadores, para perfis que citam a marca (entendendo perfis como pessoas ou organizações com todas as suas redes sociais, e não contas em redes sociais separadamente) e criar assim uma análise histórica do relacionamento.
Sérgio Salustiano Definiria como a capacidade de mobilização, interação, afiliação e até mesmo mudança de percepção de um produto, serviço ou campanha. Medir a influência e os laços que ela cria é gerar ferramentas e/ou inteligência capaz de munir os diversos setores (planejamento, criação, mídia, gerência, entre outros) de como trabalhar, atender e atingir o seu público-alvo.
Israel Degásperi Eu defino influência pelo feedback que você tem nos canais. Não importa o número de seguidores ou de fãs, mas sim o número de respostas para uma determinada pergunta, número de interações ou o quanto o seu conteúdo foi replicado além do interesse dessas pessoas no seu negocio e tipo de conteúdo que você compartilha. Você sabendo isso, consegue sempre alinhar seu conteúdo pelos interesses dos seus stakeholders, por isso é tão importante medir esses parâmetros.
Nino Carvalho Acho que se trata da capacidade de um ator social modificar o comportamento de outro ator como consequência das suas interações no ambiente digital. A importância de se conhecer e medir com precisão essa variável é que a organização poderá ter mais chances e mais controle na indução ou provocação de determinados comportamentos de seus públicos.
Rosário de Pompéia A influência só pode ser medida a partir de um histórico da marca. A influência é medida a partir do cruzamento de dados quantitativos com qualitativos. O que fala da marca? Para quem fala? Como influencia e quem influencia. A importância de medir é conhecer o que faz uma pessoa se tornar fã da marca e potencializar os seus aspectos positivos. Da mesma forma, compreender e tentar ajustar as críticas. A importância não é apenas medir, mas extrair valor estratégico das informações coletadas para a gestão do negócio da marca. Nessas informações podem existir oportunidades, desafios, riscos para o negocio da empresa. Além de medir, é preciso qualificar essa informação e extrair dados relevantes e torná-los em conhecimento.
Érika Heidi Focke Na minha opinião, a influência é a capacidade que alguém tem de direcionar, em algum nível, 2 coisas extremamente importantes: pensamentos e ações. Pensamentos e ações em mídias sociais geram repercussão, o que permite sua mensagem ser propagada para mais longe, e influenciar os pensamentos e ações de mais pessoas… é um efeito cascata, que pode servir para vários objetivos, sejam eles pessoais, publicitários ou de causas sociais, por exemplo. A forma com que um usuário de mídia social enxerga você e classifica as suas opiniões (em grau de relevância) diz muito a respeito da influência que você exerce sobre aquele usuário, e por isso é de extrema importância encontrar meios de medir essa influência. Sob uma visão publicitária, é importante conseguir identificar as pessoas com muita influência em uma rede, pois elas terão um alcance e retorno muito maior ao propagar uma mensagem.
Mariana Oliveira Pra mim, é impossível separar influência de outras duas palavras: contexto e público. Influente para que público? Em que situação? Uma pessoa considerada influente no Twitter pode estar associada a um grupo (blogueiras de moda, por exemplo) e não exercer nenhuma influência em outros grupos. Então creio que só podemos identificar os “influentes” nas mídias sociais depois de delimitarmos qual público desejamos atingir. Partindo desse mapeamento, a influência é a capacidade de propagar uma mensagem para um grupo específico, seja para esclarecer ou engajar, abrigando variáveis como confiança e credibilidade. É uma forma de poder/autoridade em alguma área, fruto do reconhecimento público, e que pode ser determinante em diversas situações, como processos de decisão de compra, por exemplo.