A terceira edição do Ciclos de Jornalismo aconteceu ontem na Facom-UFBA e reuniu profissionais, pesquisadores e estudantes de comunicação para discutir o tema “Jornalismo em Dispositivos Móveis: celulares e tablets trazem nova vida ao jornalismo?”.
Na primeira, Adelino Mont’alververne mostrou diversas dinâmicas próprias da comunicação mobile como: os nômades digitais – profissionais conectados que utilizam diversos locais como ambiente de trabalho; o uso coordenado da comunicação por motoboys; a utilização de redes sociais; organizações de smart mobs; violência como ataques PCC. Também citou diversos projetos interessantes como o MurMur, Sonic City, Can You See Me Now? e Pac-Manhattan. Em seguida falou das peculiarides culturais de cada local e contexto, como no Brasil e em Uganda.
Rodrigo Cunha, mestrando do Póscom-UFBA, apresentou um mapeamento chamado “Revistas Brasileiras em Dispositivos Móveis”. O slideshow pode ser conferido abaixo:
Iloma Sales, editora do Mobi A Tarde, contou a história da iniciativa e como a equipe de jornalismo para dispositivos móveis do Jornal A Tarde trabalha. Lançada no início de 2009, foi uma das primeiras equipes dedicadas lançadas no Brasil. O conteúdo do portal mobi.atarde.com.br se posiciona entre o portal online, o jornal através do QR Code e o envio de SMS. Abaixo uma imagem do jornal, o primeiro brasileiro a utilizar esta tecnologia:
“Jornalismo em Dispositivos Móveis: celulares e tablets trazem nova vida ao jornalismo?” é o tema da terceira edição do Ciclos de Jornalismo, evento de extensão da Facom-UFBA promovido por Lia Seixas (prof. adjunto da Facom/Ufba) e Iloma Sales (editora Mobi A TARDE).
Nesta edição, que acontecerá no dia 29/6 às 8h30, o debate tratá três profissionais atuando no jornalismo digital, no marketing para dispositivos móveis e na compreensão de produtos jornalísticos para dispositivos móveis, como tablets e smartphones: Iloma Sales, coordenadora de mídias digitais de ATarde e também coordenadora do Ciclos de Jornalismo; Adelino Mont’Alverne, diretor da Malagueta Interativa e Rodrigo Cunha, especialista em design gráfico e mestrando sobre revistas digitais para dispositivos móveis, autor do blog Papel Digital v.3.0.
Esta semana o jornalista Breno Fernandes entrou em contato comigo para me pedir a opinião sobre o Skoob, O Livreiro e o Trocando Livros. Os dois primeiros são sites de redes sociais brasileiros de nicho. Voltados a troca de experiências, resenhas e media tracking de livros, representam duas iniciativas com um objetivo semelhante mas que são bastante diferentes no que se refere ao tipo de iniciativa, recursos e modos de colaboração.
A partir da pesquisa, apuração e fontes, o texto publicado no Jornal A Tarde (Bahia) de hoje utiliza a referência à história dos personagens bíblicos Davi e Golias em um intertítulo. Enquanto O Livreiro é patrocinado pela Livraria Cultura e começou com uma base de dados de mais de 2 milhões de livros, o Skoob foi concebido e é mantido por dois jovens. Viviane Lordello, webdesigner e RP do Skoob, respondeu entrevista do jornal e explica as razões do sucesso do SRS. Hoje, possui 46 mil usuários. O Livreiro ainda conta com apenas 24 mil.
O jornalista selecionou a parte transcrita a seguir de minha análise dos sites, em que exponho os fatores que acredito serem causa do sucesso do “Davi”:
O Skoob, que surgiu antes do Livreiro, é uma iniciativa que traz muito de crowdsourcing. Se você tem aquele livro do aquele autor super obscuro que só você conhece, a página do livro pode ser criada e adicionada à sua “estante”. No Skoob, os usuários “comuns” participam muito mais ao cadastrar seus livros. Mas, especialmente nos primeiros dias do site, isso era um problema. Nem todo usuário de internet é produtor de conteúdo (seja por vontade, seja por falta de tempo) disposto a colocar as informações dos livros.
O projeto de O Livreiro traz problemas justamente por sua pretensão possibilitada pelos recursos financeiros. A base de dados é grande demais e o sistema de busca ruim. Para achar um livro específico, a busca resulta em centenas de livros, de todas as línguas e, muitas vezes, sem capa . As metáforas visuais (elementos em formato de livro, backgrounds simulando papel) são démodé, de uma internet da década de 90. Não bastasse o mau-gosto, não são práticas: resultam em um site mais pesado de abrir. O Skoob, por sua vez, tem uma interface limpa, própria da web e uma arquitetura da informação que permite interações mais fáceis e freqüentes com os amigos leitores.
Hoje um pouco mais cedo abri uma Época Negócios, de número 32. No texto “50 empresas hi-tech”, de Katia Militello e reportagem de Karla Spotorno e Rosa Sposito, me deparo com o seguinte olho em destaque:
“A Tecnisa já tem no quadro um gerente de mídias sociais. Sua função: navegar na web.”
Então quer dizer que a Época resume o profissional em apenas um cara que passa o dia navegando na web. Para a função que o Roberto Loureiro exerce na empresa não há pesquisa, repertório, metodologia, análise, planejamento, dedicação, produção. É apenas navegar na web. A Época acha que trabalhar com mídias sociais é navegar na web. TSC. Boicotem essa revista ridícula.
PoliticsOnline é uma organização que fornece notícias, ferramentas e estratégias para uso da internet e novas tecnologias no setor cívico – mídia, governo, ONGs e políticos, como o site se descreve.
Conheci o site ontem, através da pesquisadoraIda Sobral, que enviou a notícia da votação entre 26 entidades, pessoas ou veículos que estão mudando o mundo da internet e política. Os dez mais votados serão delegados no eDemocracy Forum, que vai acontecer em outubro, na França. Entre os indicados, o blog da Petrobras tem a descrição:
“The Petrobras´ blog Fatos e Dados, is the most important thing that has happened to Brazil’s people in recent years because provides a democratic real freedom – that was impossible with the traditional newspapers and TVs broadcast. Brazilian people feel hopeful that this blog Fatos e Dados has changed forever the face of the information we have from now on.”
Morte do jornalismo? Morte dos jornais? Morte das publicações impressas? Afinal, do que realmente se trata esta crise e quais são suas causas? Renato Essenfelder escreve sobre estas e outras questões sobre o jornalismo atual no Midialogismo.
Essenfelder é doutorando em Ciências da Comunicação na USP e atualmente trabalha com jornalismo econômico na Folha. Também foi editor-chefe do Metro de São Paulo. O blog Midialogismo surgiu em 2007, cresceu e hoje já é inclusive publicado também em inglês.
Um blog sensacional para quem trabalha ou se interessa pela área de jornalismo e publicação. Recentemente postou sobre o fechamento do jornal Rocky Mountain News, a 55 dias de completar 150 anos!
Hoje, o “Rocky Mountain News” publicou sua última edição. O tom é nostálgico, com tintas piegas, mas nem por isso menos tocante – o vídeo acima representa parte do esforço e indignação da equipe com o fato. Na galeria fotográfica, muita gente chorando, muitas crianças na assembléia final. [ler mais]
É triste como cada livro sobre o tema ainda tem de bater naquela velha tecla “erudito x popular”, em uma época no qual esses adjetivos quase não tem mais razão de ser. Daniel Piza tem de abordar esse assunto, e o faz com êxito. Na página 45 de Jornalismo Cultural, cita uma pesquisa realizada pela Secretaria de Cultura de Belo Horizonte que incluiu entre suas perguntas: “Um filme de Steven Spielberg é cultura?”. Mais de dois terços dos entrevistados responderam “não”.
Esta dicotomia é uma das muitas que Piza aborda em seu livro. O nacional frente ao internacional também está em pauta. Assim como o abismo entre os cadernos diários e os suplementos semais. Não costuma existir equilíbrio entre a superficialidade dos cadernos diários ao academicismo dos suplementos semanais.
Em quatro capítulos, o autor passa por teoria, práticas e exemplos do jornalismo cultural. Revista e revisões, seção do primeiro capítulo, é uma das mais longas. Vai da Klaxon, do modernismo paulista, a publicações da internet, passando por Esquire e New Yorker. Os jornalistas e publicações brasileiras merecem uma seção à parte, em seguida.
Segundo uma entrevista dada à revista Imprensa #231, Daniel Piza escreve críticas literárias desde os 13 anos de idade. A dedicação e esforço foram recompensados. Passou pelos maiores jornais de São Paulo, e hoje é editor-executivo no Estadão.
Aprendendo a usar o slideshare, decidi postar os slides de uma apresentação que fiz com minha equipe na disciplina da Facom/UFBa responsável pela revista Lupa #6 (ainda não publicada). Fui monitor matriculado e abandonei a disciplina por falta de tempo, mas cheguei a fazer esta atividade. É uma espécia de resumo do livro Jornalismo de Revista, de Marília Scalzo, com comentários e exemplos complementares não presentes no livro. O blog já possui uma resenha uma resenha. Abaixo, depois dos slides, algumas considerações sobre alguns dos slides que escolhemos.
Slides:
1. Capa do livro.
2. Duas revistas de sucesso de público e de crítica, mas que fecharam. A Realidade é inspiração até hoje.
3. Três das primeiras “revistas ilustradas”, da França e Inglaterra.
4. Série de capas para a Para Todos… feitas por J. Carlos em 1927.
5. As três características definidoras do que é uma revista, segundo Scalzo. Capa da Muito, suplemento do A Tarde, e capa do novo design do Correio*, apontado por muitos como uma “revistização” do jornal.
6. Três revistas customizadas para empresas. Uma telefônica, uma de aviação aérea e de uma loja de luxo.
7. Características do bom jornalista de revista.
8. Capas da Veja, utilizando a força de uma figura política e religiosa.
9, 10 e 11. Capas da Esquire, Vida Simples e Nova, mostrando a estrutura das capas: como o projeto gráfico faz uma capa facilmente reconhecível.
12. Capas da revista Fraude, que utilizam o conceito de “reapropriação” de oturos produtos culturais.
13. O design gráfico cambiante da Ray Gun.
14. Especificidades da pauta no jornalismo de revista.
15. Imagem 1 (superior esquerda): conservadorismo necessário no semanário de informação Veja. Imagem 2 (sentido horário): única utilização de elementos por baixo do texto na Muito, por causa da referência às marcas de café, passíveis de acontecerem “naturalmente” no objeto-revista. Imagem 3: dupla preenchida totalmente por infográfica, na Super Interessante. Imagem 4: ênfase na significação da colagem feita pelo designer, na Inversus.
16. Clássica dupla feita por David Carson, também na Ray Gun. Em entrevista “desinteressante”, trocou todas as letras por caracteres Zapf Dingbats. Mas o radicalismo não foi tão extremo. No final da revista, em corpo de texto minúsculo, a entrevista em caracteres legíveis.
17. Dois usos “ideológicos” da gestualidade na fotografia. Careta de Lula na Veja, careta de Alckmin na Brasil.
18 e 19. Uso da diagramação sequencial na revista Realidade.
20 e 21. Exemplos de infográficos.
22, 23 e 24. Ética no jornalismo de revista
25. Reposicionamento da Capricho
Essa dica pode ser batida para qualquer um com um pezinho no mundo acadêmico da Comunicação. O Grupo de Pesquisa em Jornalismo Online (GJOL), faz parte do Póscom-UFBA e é uma das referências mundiais. Coordenado pelo pós-doutor Marcos Palácios o grupo – e o blog – reúne alguns dos pesquisadores de ponta de graduação, mestrado e doutorado.
Também merece visita pela extansa lista “Pontos na Blogosfera” de links de blogs sobre cibercultura, jornalismo online, pesquisa e internet em geral. O blog existe desde junho de 2006, já representando um material enorme.