Abaixo, slides de uma pesquisa que realizamos entre estudantes de graduação da Facom-UFBA:
Alguns dados mais relevantes:
- 60% diz usar redes sociais com frequência muito alta
- Apenas 9% diz o mesmo para portais
- 86% acessam a internet com frequência muito alta
- Apenas 1% lê jornal impresso com frequência muito alta
- 86% já efetuou compras online
- 67% dos que nunca compraram alegam desconfiar da segurança do comércio eletrônico
O Facebook, que já alcançou 300 milhões de usuários no mundo e anda a passos largos no Brasil, tem avançado nos seus sistemas de anúncio. Existe um tipo de anúncio chamado “self-service ads”. Como o nome indica é um tipo de anúncio, assim com o AdWords, que é produzido, comprado e manejado diretamente pela interface do Facebook. Hoje vi uma aplicação interessante desse tipo de anúncio. Para sua pesquisa de mestrado, o prof. Emilson Andrade se utilizou das possibilidades de segmentação (suponho que de localização, idade e escolaridade) para auxiliar na coleta de dados.
Farmville é um dos aplicativos sociais líder no Facebook. Apesar de acusado de plágio, é um exemplo de integração com a rede social. Faz alguns meses, escrevi para outro blog quais seriam as características que fazem um aplicativo social alcançar o sucesso. No BuddyPoke, líder na plataforma OpenSocial no Orkut, naquele momento observei quatro características: Formato; Customização; Atualização Constante; Referências Estéticas.
Estou repensando-as, mas o que tem me chamado atenção nas duas últimas semanas, na qual joguei Farmville, é sua integração ao seu container, o Facebook. Para quem ainda não conhece, Farmville é um joguinho no qual você pode fazer uma fazenda:
Em um resumo grotesco, a mecânica do jogo envolve plantações de vários tipos de vegetais, criação de animais e a decoração do terreno. O diferencial, na minha opinião, é o uso que Farmville faz da estrutura da rede social. Para avançar no jogo, os usuários tem de necessariamente divulgar o jogo entre sua rede de amigos, através de vários mecanismos.
No Facebook, um modelo forte de monetização de aplicativos sociais é a venda de itens/presentes/moedas virtuais que permitem novas funcionalidades, facilidades, itens ou avanço mais rápido. Em jogos massivos online (como World of Warcraft e Ragnarok) esse modelo de monetização já é comum, e só agora começa a aparecer na plataforma OpenSocial, através do líder BuddyPoke.
Então, o interesse dos gerenciadores de Farmville é que cada usuário repasse o jogo e sinta-se compelido a comprar a moeda (no caso, cédula) virtual do mundo Farmville. E o que destaco é o modo pelo qual este aplicativo usa as ferramentas padrão do container Facebook para aumentar os pontos de experiência e contato do usuário e amigos como aplicativo.
Por exemplo, para conseguir uma das Ribbons (Fitas no sentido de láurea), o jogador tem de fotografar uma certa quantidade de fazendas de amigos:
Dessa forma, os usuários do jogo que buscarem alcançar esta Ribbon possuirão também um álbum de fotos dedicado ao jogo.
Alguns animais e árvores só podem ser conseguidos através de presentes a amigos. Ou seja, o jogador que se envolver no jogo vai tentar conseguir o maior número de amigos fazendeiros – apresentando-os a Farmville e, logo, aumentando o número de jogadores pagantes.
É na Wall (Feed de Notícias) que Farmville coloca a cereja do bolo. A cada façanha alcançada, o jogador tem a possibilidade de publicar no seu feed de notícias. Pelo incentivo da competição, a maioria deve aceitar a publicação. Um exemplo de atualização abaixo:
Um amigo que utilize o aplicativo pode clicar em [Get a bonus from...] e receber moedas por comemorar com o amigo. Alguns itens especiais (como animais), também só podem ser conseguidos através do feed de notícias. A experiência de jogo em Farmville para alguns jogadores, então, é permeada de acessos à home (ou ao feed específico de Farmville) para acompanhar estas notícias. A associação entre o aplicativo e o Facebook, dessa forma, é desenvolvida e o primeiro recebe um pouco do afeto que os usuários de redes sociais possuem pelo último.
E, é claro, alguns dos itens só podem ser conseguidos através das cédulas especiais que são compradas com dinheiro real. O fato de ser um jogo no qual o avanço de um jogador significa o atraso de outro – muito pelo contrário, tem influenciado no crescimento . A pesquisadora Raquel Recuero publicou o post Social Games e o Facebook, na qual escreve:
“…o valor social desses jogos é potencializado pela ferramenta, que permite que os atores publiquem e dividam resultados com sua rede social, negociem presentes, compitam e cooperem de forma coletiva. Além disso, esses jogos podem ser instrumentos de reputação (divulgar entre seus amigos que você é o melhor), de sociabilidade (conhecer pessoas, participar de fóruns, ampliar a rede social para melhor atuar no jogo), de suporte social (apoio da rede nas tarefas difíceis) e etc. Ou seja, em última análise, o Facebook permite canalizar parte do capital social construído pelas suas redes também para os aplicativos que são adotados por elas.”
No final do post, Recuero escreve que, depois de um certo nível, o jogo perde interesse devido à limitação de desafios e repetição das tarefas (colher e plantar). No entanto, Farmville tem mostrado que o aspecto Atualização Constante está sendo desenvolvido. Especificamente para a repetição das tarefas, foram introduzidos veículos que permite colher e plantar mais rapidamente. No aspecto social, começa a inserir modos de um usuário interferir diretamente na manutenção da fazenda do outro (como nas tarefas de colheita).
Finalizando, Farmville é um bom aplicativo a ser observado para quem deseja criar aplicativos sociais. Em um post vindouro, escreverei sobre algum aplicativo social para Orkut com fins publicitários.
O Orkut, a rede social ainda líder esmagadora no Brasil (ao menos em número de usuários), sempre se caracterizou por se inspirar em outras redes sociais para desenvolver novas ferramentas e recursos. Os aplicativos sociais OpenSocial, por exemplo, devem sua existência à inspiração na plataforma de aplicativos sociais do Facebook. Este último, por exemplo, tem sido “acusado” de imitar o Twitter ao dar ênfase às atualizações de estado. Porém, o próprio Twitter é um pouco “sobrinho” do Facebook.
Árvores generalógicas de inspiração à parte, o blog do Orkut no Brasil acabou de divulgar um vídeo da nova ferramenta chamada Promova. Esta ferramenta permitirá que os usuários publiquem textos, fotos e vídeos para seus amigos. Estes poderão repassá-los (ou retwitta-los?) para seus outros amigos.
Assim como o “primeiro aplicativo oficial promocional” do Orkut, lançado recentemente, o Promova é outra tentativa de manter os usuários mais tempo no Orkut. Além de incorporar práticas que parte dos usuários já estão utilizando no Twitter e Facebook, também se posiciona no lugar dos anúncios gráficos – que foram duramente criticados devido a seu posicionamento.
Como diferencial, o vídeo já mostra que as estatísticas de visualizações, cliques e descartes estarão disponíveis. É algo que não existe no Twitter e no Facebook só existe para as Páginas. Está em fase beta, apenas para poucos usuários. Ainda não tive acesso, mas vamos ver como se desenrola e se surte efeito.
Facebook Advertising: It’s All Local
Pesquisa pela Borrell Associates mostra que a porcentagem de anunciantes locais no Facebook é maior do que o normal. Isso se explica pelas características do sistema de anúncios nessa rede social, que privilegia uma segmentação muito precisa.
Slides produzidos para a PaperCliQ Comunicação. Apenas um apanhado geral de três ferramentas básicas de marketing e publicidade no Facebook: Páginas, Aplicativos Sociais e Anúncios Segmentados. Para ver outros, acesse o slideshare da PaperCliQ ou o meu slideshare.
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