O artigo Uso e Desenvolvimento de Aplicativos Sociais: Perspectiva da Teoria Ator-Rede é fruto da aproximação de um interesse de pesquisa meu com o referencial teórico sobre a Teoria Ator-Rede, com o qual tive contato em disciplina (no PPGCCC-UFBA) do André Lemos no ano passado. Foi recém-publicado na revista Razón y Palabra, n.76. Segue o link (PDF) e resumo:
Uso e Desenvolvimento de Aplicativos Sociais: Perspectiva da Teoria Ator-Rede O presente artigo busca observar o desenvolvimento contínuo de aplicativos sociais no Facebook a partir da Teoria Ator-Rede. Entendendo estes softwares como estruturas automatizadas que possuem elementos e recursos característicos de softwares web 2.0, pretendeu-se observar o desenvolvimento como exemplo desta dinâmica sócio-técnica particular. A análise mostrou que diversos actantes humanos e não-humanos estão envolvidos na criação e desenvolvimento destes aplicativos, que não podem, portanto, serem visto como criações apenas de desenvolvedores.
A L2 Think Tank é uma das empresas que mais admiro, realizam um trabalho realmente bom com mensuração e comparação de presenças digitais. Em seu site publicam diversos relatórios comparativos das empresas em diferentes setores, como Luxo e Automotivo. Acabaram de lançar um relatório sobre a presença e atuação no Facebook de 100 empresas. Os critérios são divididos em: Tamanho e Velocidade; Programação; Engajamento; Integração. Abaixo um dos gráficos que mostra a distribuição das marcas analisadas segundo indicadores de integração. Clique para baixar o relatório:
Recentemente o Facebook lançou um excelente documento chamado “Best Practice Guide – Marketing on Facebook” que fala do ecossistema do Facebook, dos cinco princípios norteadores e mostra como utilizar o Facebook de acordo com vários objetivos. São eles: promover desenvolvimento de produto e inovação; gerar awareness; acionar preferência e diferenciação; aumentar tráfego e vendas; construir lealdade e aprofundar relacionamentos; amplificar recomendações e boca a boca; e gerar insights. Estes primeiros e últimos objetivos são extremamente interessantes e relativamente pouco discutidos, então vou listar aqui as recomendações – em português -, para pensarmos mais sobre os assuntos neste e noutro post:
Veja o Documento “Best Practice Guide – Marketing on Facebook”:
Desenvolvimento de Produto e Inovação no Facebook
Promovendo Desenvolvimento de Produto e Inovação no Facebook
5 passos para promover desenvolvimento de produtos e inovação
1. Crie uma campanha criativa para solicitar input para seu novo produto
a. Elabore um concurso ou evento para coletar input no Facebook através de um aplicativo para receber as sugestões
b. Faça a comunidade votar e fornece incentivos para a participação
2. Consiga consciência e participação na campanha divulgando-a através de seus canais de marketing
a. Ative uma campanha de anúncios no Facebook que inclua Sponsored Stories e Aplicativos Utilizados
b. Promova sua campanha em seus outros canais de marketing como TV, email, impressos e website
3. Identifique e refine seu público com Relatórios de Campanha (Campaign Reporting) e Informações de Página (Page Insights)
a. Otimize sua campanha testando que audiências dão mais resposta à diferentes anúncios
b. Use essas informações para direcionar futuros esforços de marketing
4. Construa uma experiência social para o produto através do Graph API e Social Plugins
a. Permite que as pessoas Curtam produtos específicos e conteúdo na web através do Graph API
b. Use Social Plugins como o Activity Feed, Recommendations, Comments e Live Stream para tornar as experiências externas ao Facebook tambéms ociais
5. Esteja presente na sua Página no Facebook durante todo o ciclo de desenvolvimento de produto
a. Use as publicações e Questions do Facebook para receber feedback e gerar ideias para marketing e futuros produtos
O Klout é um aplicativo de análise de perfis em mídias sociais. Atualmente analisa Twitter e Facebook e analisará, em breve, LinkedIn e Foursquare. A partir de métricas como número de seguidores, retweets, replies, likes, comentaristas únicos, ‘retweeters’ únicos e outros, o Klout oferece um escore (chamado de Klout Score) e analisa “Rede”, “Amplificação” e “Alcance”. Nos últimos meses, o Klout tem recebido mais destaque através de diversas análises (veja aqui, aqui e aqui), críticas (como esta, esta e esta) e tutoriais de como aumentar o escore (como este). Além disso (talvez também como causa e consequência), seus escores começaram a ser incorporados em softwares de monitoramento e análise como o Radian6.
Atualmente estou analisando o Klout e parece que debate sobre a ferramenta e seus recursos promete ganhar mais destaque no Brasil, uma vez que teremos a participação de um de seus representantes no SMBR 2011. Então vale colaborar com o debate. Comecemos com a listagem de seus estilos de performance nas mídias sociais.
Entre os recursos mais interessantes e controvertidos do Klout, temos o “Klout Style”, que classifica os perfis em 16 estilos diferentes de performance nas mídias sociais. A partir de uma matriz entre Ouvir x Participar, Criar x Compartilhar, Geral x Focado e Casual x Consistente, os estilos são os seguintes:
Curator: “Você destaca as pessoas mais interessantes e descobre o melhor conteúdo na web para compartilhar com uma larga audiência. Você é uma fonte de informação crítica para sua rede. VOcê tem uma habilidade impressionante de filtrar grande quantidade de conteúdo e descobrir as gemas que realmente interessam sua audiência. Seu trabalho árduo é bastante apreciado.
Broadcaster: “Você dissemina ótimo conteúdo que se espalha como fogo grego. Você é uma fonte essencial de informação em seu setor. Você tem uma audiência grande e diversa que valoriza seu conteúdo.”
Taste Maker: “Você sabe o que você gosta e sua audiência gosta do mesmo. Você sabe o que é tendência, mas você faz mais do que seguir a multidão. Você tem sua própria opinião e ganha respeito de sua rede.”
Celebrity: “Você não pode ficar mais influente do que isto. As pessoas confiam em cada palavra e compartilham seu conteúdo como não fazem com nenhum outro. Provavelmente você é famoso na vida real e seus fãs simplesmente não ficam satisfeitos.”
Syndicator: “Você mantêm abas no que está em tendência em quem é importante de observar. Você compartilha o melhor disso com seus seguidores e os poupa de procurar por si mesmo. Você provavelmente foca em um tópico específico ou atende a uma audiência bem definida.”
Feeder: “Sua audiência confia em você esperando um fluxo firme de informação sobre seu setor ou assunto. Sua audiência é viciada nas suas atualizações e secretamente não vive sem elas.”
Thought Leader: “Você é um líder de opinião no seu setor. Seus seguidores confiam em você não apenas para compartilhar as notícias relevantes, mas também para dar suas opiniões nos assuntos. As pessoas procuram você para ajudá-las a entender o desenrolar do que ocorre. Você entende o que é importante e sua audiência valoriza isto.”
Pundit: “Você não apenas compartilha as notícias, você cria as notícias. Como um sábio, suas opiniões são disseminadas e altamente confiadas. Você frequentemente é reconhecido como um líder em seu setor. Quando você fala, as pessoas ouvem.”
Dabbler: “Você deve estar apenas começando na web social ou talvez você não está empolgado. Se você quer aumentar sua influência, tente engajar com sua audiência e compartilhar mais conteúdo.”
Conversationalist: “Você adora se conectar e sempre tem os últimos furos. Boa conversação não é só apenas uma habilidade, é uma arte. Você pode não saber disto, mas quando você está espirituoso, seus seguidores esperam cada palavra.”
Socializer: “Você é um hub das cenas sociais e as pessoas contam com você para descobrir o que está acontecendo. Você é rápido em conectar pessoas e prontamente compartilha sua habilidade social. Seus seguidores apreciam sua rede e generosidade.”
Networker: “Você sabe como se conectar com as pessoas certas e compartilhar o que é importante para sua audiência. Você generosamente compartilha sua rede para ajudar seus seguidores. Você tem um alto nível de engajamento e uma audiência influente.”
Observer: “Você não compartilha muito, mas segue a web social mais do que percebe. Você pode gostar mais de observar do que compartilhar ou está checando o ambiente ao invés de pular de cabeça.”
Explorer: “Você engaja ativamente na web social, constantemente tentando novas formas de interagir e de fazer networking. Você está explorando o ecossistema e fazendo funcionar pra você. Seu nível de atividade e engajamento mostra que você “entendeu”, nós prevemos que você vai evoluir.”
Activist: “Você tem uma ideia ou causa que você quer compartilhar com o mundo e descobriu a mídia perfeita para isso. Sua audiência conta com você para defender sua causa.”
Specialist: “Você pode não ser uma celebridade, mas em sua área de expertise sua opinião não é ultrapassada por ninguém. Seu conteúdo deve ser focado em torno de um tópico ou setor específico com uma audiência focada e bastante engajada.”
O que você acha dessas classificações e descrições? Visite o Klout, analise sua presença online e comente!
O Break Up Notifier é um aplicativo de alerta para o Facebook que se apresenta de forma bem direta: “You like someone. They’re in a relationship. Be the first to know when they’re out of it.” (Você gosta de alguém. Eles estão em um relacionamento. Seja o primeiro a saber quando eles não estiverem mais”. Funciona com três passos: 1) Logar com o Facebook; 2) Escolher o[s] contato[s] que estão namorando; 3) Receber um email quando o estado de relacionamento for modificado.
Dan Loewenherz, criador do aplicativo, fala de excesso de conteúdo/informação em seu site. Esse aplicativo trata disso, afinal de contas e apesar das reações exageradas. Explico porque acho exageradas (e hipócritas, talvez). Imagine que você goste de alguém compromissado/a do seu círculo de amizades. Vivemos em rede em qualquer situação social praticamente. Se um evento relevante acontece (relevante no contexto ambiente-grupo-indivíduo, claro), as informações circulam. Se estamos em um ambiente em que as pessoas adicionam estas informações e as atualizam, este programa não faz nada demais. Afinal de contas, a atualização apareceria no newsfeed de qualquer jeito. E pode servir para stalker maníacos obsessivos? Sim, mas de forma bem improvável. Tanto pelos motivos já citados quanto pelo fato de que só se pode adicionar perfis já amigos no Facebook.
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Comecei a escrever o post nesta semana e ontem vi que o aplicativo foi bloqueado. Ao que parece, por uma grande quantidade de queixas de usuários. Dan Loewenherz pede que as pessoas curtam a página do aplicativo para reverter a situação e criou outro, mais “bidirecional”. O Crush Notifier permite que duas pessoas que ‘desejem’ uma à outra anonimamente descubram essa situação, caso seja recíproca.
São os aplicativos organizando a vida afetiva-amorosa-sexual das pessoas?
Hoje, Priscila Muniz (planejamento na PaperCliQ) e Anne Karolines lançaram o blog Think Facebook. Deu seus primeiros passos com um post chamado “O Facebook é uma rede social definitiva? Não. Sorry, Mark“. Segundo a descrição, é “um blog para pensar. Pensar sobre possibilidades, estratégias, comportamentos. Vasculhar o que está acontecendo nessa “rede social” e, quiçá, na mente do Mark. Um espaço para compartilhar ideias, inspirações e, sobretudo, mostrar todo nosso amor pelo Facebook.”
O vídeo abaixo é uma palestra de Aza Raskin, um dos desenvolvedores do Firefox. Raskin fala sobre memória humana em ambientes digitais. Discute como o registro e o resgate de experiências pessoais já é algo mais consolidado e fácil, devido ao suporte tecnológico. Mas, ao pensar o revisionismo destas experiências, fala como a memória de experiências passadas é sempre reconfigurada a cada lembrança e teme uma possível prática existente em um futuro próximo: product placement em fotos pessoais.
É, no mínimo, muito interessante pensar as implicações disso, ainda que apenas 25% dos usuários – do Facebook, por exemplo -, aceitassem esse tipo de prática. Raskin projeta alguns possíveis modelos de negócio que podem surgir neste mercado de “falsas memórias”. Vale a pena assistir.