Visualizando engajamento online sobre a epidemia Zika

No último janeiro, tive a oportunidade de participar de data sprint no evento Digital Media Winter Institute na Universidade Nova de Lisboa. Durante 5 dias, foram realizadas palestras, pratical labs e três grupos de data sprints – esforços coletivos de análise de dados de várias plataformas a partir de várias abordagens diferentes. O modelo de data sprint tem sido realizado por universidades em torno do mundo com bastante sucesso na construção de conhecimento coletivo e reunião de pesquisadores.

No evento foram realizados três sprints, dois sobre feminicídio e um sobre a epidemia Zika. Este último, que participei, foi liderado pelos pesquisadores Elaine Rabello (UERJ) e Gustavo Matta (FioCruz) e teve pesquisadores e designers de Portugal, Itália, Espanha e Brasil na equipe.

Ao longo dos três dias de trabalho, os pesquisadores se debruçaram sobre dados de Wikipedia, Google, Instagram e Facebook para entender como a epidemia Zika circula nestas plataformas, suas controvérsias emergem e vozes dominantes se destacam construindo discursos e posicionamentos.

O relatório resumido em slideshow foi publicado e pode ser visualizado abaixo, assim como o relatório completo no blog do Data Sprint em Visualising Engagement on Zika Epidemic.

Acesse também os relatórios sobre Mapping Femicide discourses on TwitterFemminicidio in Italian media and public debate. Fique de olho no Twitter e site do Inova Media Lab para saber mais e se preparar para os próximos.

12 Livros para o profissional de comunicação ler em 2014 – parte 1

E chegamos ao quinto ano de dicas de livros. Assim como fiz para 2010, 2011, 2012 e 2013, publicarei 4 posts com 3 dicas de livros cada. A proposta é oferecer um livro para cada mês de 2014. Desta vez, ampliando o escopo para profissionais de comunicação como um todo, e não só mídias sociais. Então, vamos começar? Neste primeiro post, dicas de três livros sobre análise de pesquisa, conteúdo e métodos de descoberta. A comunicação tem a particularidade de ser extremamente analisável, especialmente em tempos digitais.

pesquisa qualitativaO livro Pesquisa Qualitativa com Texto, Imagem e Som é uma das coletâneas mais referenciadas em pesquisa qualitativa para comunicação. Organizado por Martin W. Bauer e George Gaskell, traz 19 capítulos divididos em três seções: “Construindo um corpus de pesquisa”, “Enfoques analíticos para texto, imagem e som”, “O Auxílio do computador” e “Questões de boa prática”. São textos sobre planejamento, condução, execução e análise de diferentes tipos de entrevistas, análise documental de texto, discurso, imagens, música e vídeos, além de reflexões guiadoras sobre o ato de pesquisar e tirar conclusões sobre a pesquisa.

Por exemplo, no primeiro capítulo, Qualidade, quantidade e interesses do conhecimento, os autores oferecem uma introdução sobre pesquisa, combatem a falácia da oposição quantitativo x qualitativo e discutem o interesse do conhecimento a partir de Habermas.

análise de conteúdoAnálise de Conteúdo, de Laurence Bardin, é um guia de como realizar análise de texto e linguagem, descrevendo as principais metodologias como análise de frequência, análise categorial, análise proposicional, de relações e outras.

Em tempos digitais, de monitoramento de mídias sociais e conversações, conhecer a análise de conteúdo é um grande diferencial para o profissional de comunicação. Os dados textuais são abundantes, mas extrair informações deles não é algo tão simples assim. Bardin nos oferece contextualização ao tratar de história e teoria da análise de conteúdo nas primeiras 50 páginas e logo vai à Prática, título da segunda parte, que apresenta quatro estudos de caso. O restante do livro mostra como fazer: em Método e Técnicas, terceira e quarta partes, são apresentados um passo-a-passo e detalhametno sobre os tipos diferentes de análise.

methods of discoveryPor fim, Methods of Discovery: Heuristic for the Social Sciences, é um clássico livro do professor Andrew Abbott, da Universidade de Chicago. O objetivo do livro é oferecer a estudantes e pesquisadores métodos heurísticos de gerar bons problemas e questões de pesquisa, balanceando rigor e imaginação. Em suas palavras, “Ciência é uma conversa entre rigor e imaginação. O que uma propõr, a outra avalia. Cada avaliação leva a novas proposição e assim por diante”.

Com isto em mente, o primeiro capítulo do livro fala de “Explicação” (Explanation). Abbott discorre sobre ciência e programas explicativos, através da descrição dos principais métodos das ciências sociais, como etnografia, narrativa histórica, análise causal, comparação de casos e formalização, assim como suas diferenças quanto a coleta, análise de dados e escopo de observação.

explanatory program - andrew abbott

Depois da fantástica abertura, o capítulo 2 trata dos Principais Debates e Práticas Metodológicas nas ciências sociais, a partir dos principais pólos como análise x narração, realismo x construtivismo, conflito x consenso etc. Os métodos e suas críticas uns aos outros também são abordados: os próprios argumentos usados pelos adeptos de cada método são destrinchados e exibidos como heurísticas úteis para problematizar ideias e questões. O capítulo seguinte é uma Introdução à Heurística, baseado nas proposições de Aristóteles, Kant, Burke e Morris. Os esquemas de pensamento propostos por cada um deles são oferecidos como heurísticas introdutórias a geração de questões de pesquisa. O capítulo cinco fala de heurísticas descritivas e narrativas, como mudança de contexto ou contrafactuais. O capítulo seis, por fim, retoma os pólos apresentados no segundo capítulo, mostrando como muito do que é produzido em ciência social é “fractal”: recortes dos pólos dentro das divisões e cisões anteriormente estabelecidas (como pensar a contextualidade x acontextualidade dentro de uma linha de pensamento já vista como contextualista).

Em breve, outros três posts com mais nove livros para seu 2014.

 

Social Analytics Summit – últimos dias para inscrição

Até o dia 22/11 ainda é possível realizar a inscrição no Social Analytics Summit, conferência sobre métricas e monitoramento de mídias sociais. Com curadoria minha e de Marcelo Coutinho, o evento trará relevantes palestras e debates com alguns dos profissionais mais experientes do país. Para apresentar a área, a mesa Inteligência nas Agências trará Daniele Dias, da Riot, Natália Traldi, da AgênciaClick, e Armando Neto, da DM9DDB, contanto como os setores de inteligência surgiram em suas agências.

Em Definições e Padrões de Métricas de Mídias Sociais no Brasil Luana Baio (dp6 e IAB) dividirá o palco com Flavio Ferrari (ex-Ibope e atual Qual Canal) para discutir se e como, afinal, serão definidas padronizações de métricas em mídias sociais no país. Em âmbito internacional temos grandes iniciativas do tipo, mas qual o estado disto no Brasil?

social analytics summit - palestrantesMensuração e Inteligência em Mídias Sociais: os clientes contam o que querem promete agitar o evento. Douglas Costa (Netshoes), Chiara Martini (Heineken) e Fabricio Guimarães (Philips) trarão a visão dos clientes sobre mensuração e inteligência em mídias sociais. O que estas três empresas realmente precisam na área? Como estão demandando serviços? Estas e outras perguntas recorrentes prometem ser respondidas no evento.

social analytics summit - palestrantes 2

 

Somarão-se a estas três discussões estratégias sobre o mercado palestras sobre tendências tecnológicas fortíssimas. Big Data: Veracidade e Valor, Dashboards de Mídias SociaisAtribuição Multicanal apontarão caminhos que podem ser seguidos para a ligação entre a comunicação e resultados, através das tecnologias.

Por fim, análises inovadoras na área com o apoio de métodos como social network analysisfocus groupetnografia digital fecharão o evento. Em palestra com o tema Social Network Analysis – Análise das Redes Sociais (de verdade!), Marcelo Coutinho demonstrará um tipo de análise que não é nada nova (remonta ao início do século XX), mas é pouco usada ainda em mídias sociais. E a mesa Pós-Demografia: entendendo e perfilizando o público nas mídias sociais trará cases de estudos de comportamento e perfis de consumidores, apresentados por Matheus Machado (Gauge) e Tatiana Tosi (Plugged Research), mediados por Juliana Ohashi (Ogilvy).

social analytics summit - palestrantes 3

O Social Analytics Summit será um interessante espaço de interlocução de profissionais ávidos por aproveitar cada dado, rastro e traço nas mídias sociais. Se você ainda não se inscreveu, uma mãozinha: usando o código de desconto sam2013tarcizio é possível economizar um pouco.

Acontecerá na Faculdade Casper Líbero (Av. Paulista), no dia 23 de novembro a partir das 08:00hrs. É isto. Te vejo lá?

22º Encontro da Compós – 04 a 07 de Junho em Salvador

Entre 04 e 07 de junho acontecerá, na Faculdade de Comunicação da UFBA, o 22º Encontro da Compós – Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação. Ocorrerá uma conferência de Lawrence Grossberg, University of North Carolina, lançamento de livros e os Grupos de Trabalho: Comunicação e Cibercultura; Comunicação e Cidadania; Comunicação e Cultura; Comunicação e Experiência Estética; Comunicação e Política; Comunicação e Sociabilidade; Comunicação em Contextos Organizacionais; Cultura das Mídias; Epistemologia da Comunicação; Estudos de Jornalismo; Estudos de Televisão; Estudos de cinema, fotografia e audiovisual; Imagem e Imaginários Midiáticos; Práticas Interacionais e linguagens da comunicação; Recepção: processos de interpretação, uso e consumo midiáticos.

As inscrições para ouvintes ainda estão abertas:

Alguns dos artigos que serão apresentados, disponíveis na biblioteca online da Compós, merecem destaque para os leitores deste blog:

Estéticas das Redes – Redes de Visualização no Capitalismo Cognitivo – Ivana Bentes de Oliveira

Resumo: As mudanças nos dispositivos de visualização e as novas relações das imagens e dos dados na configuração das cidades e das redes. É nesse “databios”, ambiente complexo, que vamos buscar os traços escolhendo instrumentos visuais capazes de operar a rastreabilidade dos fenômenos. Esses “datascapes” cartografias digitais, programas de visualização de dados complexos e big datas, rastreadores de fluxos, reconstituem a complexidade dos sistemas os mais heterogêneos lhes dando visualidade, sejam eles cérebros, corpos, cidades ou um dispositivo artístico ou de mobilização nas redes digitais e territórios.
Palavras-Chave: redes, estética, visualização de dados

 

Quantified Selves – Contar, Monitorar E Conhecer A Si Mesmo Através Dos Números – Liliane da Costa Nascimento, Fernanda Bruno

Este trabalho investiga, através dos métodos da teoria ator-rede, as práticas de objetivação de si presentes nas técnicas de auto-monitoramento empregadas pelos Quantified Selves, um grupo de indivíduos que busca promover melhorias em suas vidas através do registro de indicadores quantitativos e qualitativos sobre seu comportamento e personalidade. Iniciaremos descrevendo este movimento e focalizando as suas formas de medição e registro. Em seguida, passaremos a uma breve apresentação das formas de análise e registro de si nos estoicos. Por fim, cotejaremos as formas de auto-monitoramento contemporâneas com estas modalidades históricas da escrita de si, buscando circunscrever suas especificidades em relação aos processos subjetivos que promovem.

Palavras-chave: escrita de si, autom-onitoramento, quantified self

Mobilização Nas Redes Sociais – a narratividade do #15M e a democracia na cibercultura – Henrique Antoun, Fabio Malini

Resumo: O trabalho pensa três momentos do desenvolvimento da Internet correlacionados com três diferentes tipos de apropriação e luta empreendidas pela multidão através da rede. Deste modo a multidão e a Internet giram em torno dos hackers que iluminam o sentido da comunicação distribuída ao privilegiar as biolutas. Os hackers inventam o ciberespaço, desenvolvem a cibercultura e mobilizam a multidão. A comunicação distribuída em rede interativa é o lugar onde as populações lutam por sua autonomia contra as leis e regulações imperiais.

Palavras-Chave: biolutas. narratividade. redes sociais.

 

A Comunicação Organizacional sob a Perspectiva da Midiatização Social – uma proposta de reflexão – Daiana Stasiak

Resumo: O artigo propõe a midiatização social como um suporte teórico relevante para discutir os fenômenos relacionados à interação entre organizações, meios de comunicação e sujeitos e a autonomia de cada uma dessas instâncias advinda, principalmente, a partir do desenvolvimento das tecnologias. Nesse sentido, o trabalho objetiva contribuir com as reflexões contemporâneas da comunicação organizacional que se preocupam com questões emergentes numa sociedade complexa regida por paradigmas dialógicos e relacionais.
Palavras-chave: comunicação organizacional, midiatização social, meios de comunicação, teorias.

Vigilância Civil sobre as Práticas de Comunicação das Organizações Privadas – limites da atuação da imprensa e os desafios do monitoramento pelos públicos  – Márcio Simeone Henriques, Daniel Reis Silva

Resumo: O artigo aborda a questão da vigilância sobre práticas de comunicação das organizações privadas. Por meio de uma análise sobre o surgimento e o desenvolvimento, nos últimos anos, de iniciativas de vigilância civil voltadas para a denúncia de práticas abusivas de comunicação empregadas pelas organizações, evidencia constrangimentos que limitam a atuação da imprensa no monitoramento dessas atividades. Reflete também sobre a existência de desafios e entraves enfrentados pelos públicos na tentativa de exercer diretamente o papel de vigilância sobre as organizações privadas.
Palavras-Chave: Relações Públicas. Imprensa. Opinião Pública.

 

Neste ano estarei lá, participando como ouvinte e revendo os amigos do Póscom. Quem verei lá?

12 livros para o profissional de mídias sociais ler em 2012 – parte 3

Mais três livros para desfrutar em 2012! Continuando a série (veja as partes 01 e 02), agora indico três livros para ampliar a compreensão de questões relevantes à comunicação digital: audiência, marketing e pesquisa.

Audience Economics – Media Institutions and the Audience Marketplace. O livro de Philip Napoli trata da economia da audiência, analisando como as instituições de mídia vendem a audiência. Considerando os vários atores na indústria da audiência, como organizações de mídia, agências de publicidade, empresas de mensuração e público, o autor discute as particularides da audiência prevista, audiência real e audiência medida. Além disso, também discute as novas tecnologias e as reconfigurações que estão em jogo. É estruturado da seguinte forma: 1. The Audience Marketplace; 2. The Predicted Audience-Measured Audience Relationship; 3. The Measured Audience-Actual Audience Relationship; 4. Audience Valuation; 5.New Technologies and the Audience Product; 6.The Future of the Audience Marketplace.

O livro de Mitsuru Yanaze não é uma referência para tantos cursos por acaso. Ao longo de 32 capítulos e quase 800 páginas, Gestão de Marketing e Comunicação – avanços e aplicações é um manual indispensável para a disciplina. Além de Yanaze, professor titular da ECA-USP e coordenador do CEACOM, a publicação conta com a colaboração de mais de 20 outros autores. Destaque para os capítulos “Segmentação de Mercado e Comportamento de Compra”, “Comunicação Digital” e “Como Medir o Retorno”. A segunda edição, revista e ampliada, foi lançada neste ano.

Também basilar, o Pesquisa de Marketing de David Aaker, Vinay Kumar e George Day é um tomo abrangente sobre o tema. É organizado em cinco partes: 1. Natureza e Escopo da Pesquisa de Marketing; 2. Coleta de Dados; 3. Análise de Dados; 4. Tópicos Especiais da Análise de Dados; e 5. Aplicações. Em mais de 700 páginas, o livro é muito bem organizado e repleto de exemplos práticos e reais para contextualizar cada conceito, técnica e ferramenta.