Discutimos nessa semana no GITS-UFBA o meu projeto de mestrado. Uma das críticas à redação do projeto foi que a perspectiva era muito mercadológica, como se as possibilidades do formato só possibilissem usos para a comunicação comercial. Mas no Facebook, entre os aplicativos mais famosos, o Causes já é um exemplo de utilização do formato para mobilização social. Apesar das apropriações (interessantes apropriações) do aplicativo social para questões relacionadas à cultura pop, jogos e outros aplicativos, as causas mais populares se referem a insituições de amparo social.
No Orkut não havia encontrado nenhum aplicativo dessa temática de sucesso, apesar do “semelhante” Apóio essa Causa da Mentez. Entretanto, fFinalmente conheci um aplicativo para Orkut desenvolvido para um governo estadual. O Dengue Ville foi produzido pela Lápis Raro + Dito Internet para o Governo de Minas Gerais. O título faz referência ao aplicativo social mais famoso do mundo, o Farmville, mas com um objetivo mais “nobre”: gerar consciência sobre o combate a dengue.
É possível jogar em uma interface que simula uma cidade, aonde o jogador deve procurar por focos de dengue. O aplicativo possui uma estrutura bem típica do formato. Pode-se convidar amigos, ver e participar do ranking geral, assim como ver o ranking na rede de conexões do usuário. Cada ação realizada ou feito alcançado, é claro, pode ser publicado nas “Atualizações de Amigos”. No topo um banner com o alerta e telefone para contato (curiosamente, não traz linkagem para um site institucional). Algumas telas:
O gerenciador da comunidade é um personagem chamado El Matador da Dengue mas que, infelizmente, não está participando ativamente do fórum.
O site de rede social Drimio sempre me interessou por diversos motivos. O primeiro é que, simplesmente, acho ele fascinante. É um site que permite que as pessoas se associem à marcas. Cada um pode mostrar suas preferências e descobrir pessoas com preferências semelhantes. O site foi sendo monetizado através de diversos modos, especialmente com promoções customizadas para algumas das marcas mais “descoladas”.
Mas uma coisa sempre me preocupou também. Será que o Drimio é utilizado heterogeneiamente? Apesar de que, realmente, uma boa parte dos meus contatos na interent serem da área de comunicação, especialmente digital, no Drimio só tenho amigos desta área. Algo interessantíssimo seria ver gráficos de profissões, por exemplo, dos usuários do Drimio.
Especulações à parte, o Drimio está fazendo sucesso. Acaba de lançar (ainda está chegando à segunda centena de usuários) um aplicativo social para o Orkut. Bastante simples, é um jogo no qual os usuários definem suas oito marcas preferidas em diversos setores e seus amigos podem tentar acertar. Vale a pena visitar. A princípio, parece que apenas algumas marcas aparecem. Provavelmente, com um fee de participação. Por exemplo, minha querida Stella Artois não se faz presente.
Além do jogo e do ranking, o espaço canvas do aplicativo também mostra uma notícia da rede. Apesar de interessante, o aplicativo não vai sustentar o uso do jeito que se configura hoje. Mas uma características dos aplicativos sociais (os de sucesso, pelo menos) é se reinventar adicionando novas ferramentas, opções e conteúdo. Ficarei de olho e torcendo.
“Collaborative Innovation on the Social Web: Decentralizing Social Capital” é um artigo publicado no longínquo novembro de 2008. Escrito por Selcuk Atli, o texto parte do conceito de capital social de Putnam (analisado de uma forma não muito profunda) para analisar como as iniciativas de abertura promovidas pelas plataformas do Facebook e da Open Social estão descentralizando esse capital. A apresentação da história de abertura e desenvolvimento dessas plataformas de aplicativos sociais e algumas das consequências são bem apresentadas neste artigo. Clique na imagem para baixar.
Muitos ainda se questionam, com cara de espanto, “como pode alguém pagar por um presente virtual?” Parte desses não se espantaria, ou até tem as suas próprias, com as camisas que, por ter um jacarezinho bordado são várias vezes mais caras que o normal. Bens virtuais são produtos tão palpáveis como produtos culturais que ninguém contesta o valor, como álbuns musicais, filmes etc. Eu diria mais: bens virtuais como itens em jogos e ferramentas para mídias sociais podem ser até mais envolventes por uma série de motivos. E, com certeza, podem trazer cargas simbólicas mais sofisticadas que o jacarezinho na camisa.
Sabendo disso tudo e com experiência em mídias digitais e jogos online, Ravi Mehta criou o blog Virtual Goods Insider. Ravi escreve sobre a economia dos bens virtuais e suas diversas facetas, inclusive uma que me interessa em particular: estratégias de marketing através de bens virtuais em aplicativos sociais.
Você percebe se algo realmente está imerso na cultura brasileira quando tal algo vira funk ou pagode. Então, direto do YouTube, a descoberta: Mc Kiko e seu Funk da Colheita Feliz.